TEXTOS O PODER DA PALAVRA

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COLABORAN: Eugenio de Sá-. Santa Catarina Fernandes da Silva Costa-JJ. Oliveira Gonçalves.-Cema Raizer.- Carolina Ramos

À AVENTURA DAS PALAVRAS
Eugénio de Sá
Poryugal

Desde jovem que me lancei ao trabalho com as palavras. Primeiro em jornais diários, no desempenho de funções específicas, depois, aos poucos, dando vida às minhas crónicas e outros textos sempre sintéticos, todos eles fruto da minha observação da vida da sociedade – da portuguesa e das de outros países – que, por um motivo ou outro, se me iam afigurando merecer um simples apontamento ou uma análise critica mais profunda.
Mais tarde, já ultrapassados os primeiros anos do novo século, pude então debruçar-me com mais tempo sobre a poesia, que até aí lera ocasionalmente, mas nunca me atrevera a escrevê-la. Lembro-me como nasceu em mim esse emergente impulso. Ora vejam como o descrevi num texto que produzi uns anos depois a bordo do meu barco:

«Foi no mar que tudo começou;
A mão que pedia para escrever,
os olhos, cheios de brumas,
que me ditavam os versos e os vertiam na alma,
os cheiros da maresia e de peixe acabado de pescar,
e o embalo da mansa perturbação da água
pela brisa do norte, chegada em murmúrios.

Foi neste mar de Portugal,
ao largo das alcantiladas penedias da Roca,
onde a terra penetra fundo no Atlântico,
que me senti, pela primeira vez, Poeta.»

(…)

Começava aí o que viria a ser a minha verdadeira entrega «à Aventura das Palavras».
Na realidade, enquanto que para escrever uma crónica, um conto, um artigo de qualquer natureza, é preciso amadurecer um ideia-âncora, para fazer nascer um poema ou um texto poético basta-nos uma palavra, uma emoção, uma visão, uma fugaz memória para que logo surja uma inspiração que nos leva ao desfrute de um dos maiores prazeres que um amante das letras pode experimentar. Falo por mim, naturalmente. Depois, tudo depende de onde nos leve a imaginação, que vai servir-se de um razoável domínio do vocabulário do nosso idioma e, sobretudo, do talento do autor para enriquecer os seus versos com as metáforas mais adequadas à comunicação que se pretende, sim porque escrever boa poesia é também saber fazer dela uma boa peça de comunicação.
Quantas vezes me bastou um passeio no terraço de apartamento em Bogotá, uma palavra escutada na rádio ou na televisão brasileira, a visão de algo que aconteceu na rua frente à minha janela, em Sintra, para que logo me surgisse a tão suspirada e bendita inspiração, sem que jamais tivesse de recorrer-me de alguma musa artificial com o fazia no século XIX o grande Arthur Rimbaud, esse prodígio da poesia que usava o absinto para viver mais intensamente os seus êxtases criativos.
Mas, para que nos apetrechemos da bagagem suficiente para levar por diante esta aventura, é preciso, é mesmo indispensável ler poesia, aprender com os mestres, com os imortais e também com os melhores contemporâneos, e fazer dessa prática um hábito quotidiano. Assim o fiz durante anos, e ainda hoje o faço sempre que me é possível.
Para que hoje tenha o à vontade de continuar esta aventura com as palavras muito tem ajudado o que aprendi sobre as técnicas de comunicação, a capacidade de observação dos sentimentos e comportamentos humanos, que fui desenvolvendo, de par com as reflexões a que me fui habituando, e, naturalmente, todos estes anos de experiência e de convívio com a escrita, sem que jamais tivesse de recorrer-me de alguma musa artificial com o fazia no século XIX o grande Arthur Rimbaud, esse prodígio da poesia que usava o absinto verde para viver mais intensamente os seus êxtases criativos.
Assim me despeço de vós:
«Para lá da vidraça, a noite mostra-se indecifrável como a bruma que paira rasando a grama do parque e os vultos das árvores recortados na lua. Comigo, a querer adormecer, está o medo de reviver as memórias que não quero reviver, enquanto a alma permanece genuflectida junto à cama».


                          

Palavras que a memória deixou escritas
Eugénio de Sá
Portugal

“Quando o dia escurece acende a tua vela, não deixes que a noite se apodere de ti”. Este sábio conselho, com a carga de simbolismo que a expressão encerra, presumo que tem origem num qualquer grego da antiguidade. Ficou-me nos registos da memória porque por largo tempo dele me socorri para repor a normalidade no sobressalto de mais uma noite que de mim ameaça apoderar-se.

Sei, penso que sempre soube, que no vazio dos grandes silêncios com que a noite nos envolve, não raras vezes o espírito se deixa tomar pelas perplexidades e arrependimentos que a reflexão torna mais fecundas e insistentes. Tentamos distrai-lo com projectos de criação, plenos de vitalidade, mas, após umas linhas escritas sem grande convicção, lá vem de novo a fixação que nos tomara os sentidos minutos atrás. De nada serve tentar fugir-lhe que ela ali está, insubmissa, massacrante, reclamando o seu lugar na noite que queríamos só nossa.

Afogam-se-nos então na garganta palavras soltas, incoerentes porque aparentemente desprovidas de sentido; são as palavras que a memória deixou escritas.

Na realidade, somos seres muito mais complexos do que aparentamos. No nosso imaginário emaranham-se complicadas construções quiméricas de par com a crueza das realidades que a noite alimenta e multiplica se não acendermos a tal vela de reserva que guardamos no fundo gavetão da cómoda da sala.  E essa breve luzinha tremulenta e hesitante costuma bastar para para que nos mantenhamos tranquilos e racionais na noite que nos escureceu, prematura, a janela por onde pretendemos ver o mundo dos outros, já que o nosso o fechamos a sete chaves.

Mas há também em nós a faceta masoquista, aquela que por vezes prevalece, irracional, e nos torna preguiçosos na procura da vela. Aquela vertente espiritual que nos faz preferir deixar-nos imergir nas profundezas da escuridão, onde se escondem os pavores que abominam a luz, as mágoas que reprimimos, as desconfortáveis frustrações que sempre quisemos ocultar de nós próprios, a fealdade dos passos que no nosso cerne reprovamos mas dos quais não consegui-mos apagar as pégadas que provam a origem do pé que as deixou.

Sofremos, mas o sofrimento é redenção, choramos baixinho, mas o choro é o alívio da alma. E, quando o sol venceu  finalmente a noite, voltamos a sorrir ao novo dia, calçamos os sapatos do nosso calcorrear quotidiano e sentimos que ser humano é, afinal, sabermos viver intensamente a luz, tal com é fundamental sabermos que, mesmo sem uma vela à mão, somos capazes de encarar a noite.

O PODER DAS PALAVRAS
 Eugénio de Sá
Portugal

Gastamos tantas palavras importantes
nos degraus preconceituosos da garganta…
Gastamo-las, sem que as tenhamos sequer proferido!

As palavras são como o vento que sopra em todos os quadrantes; elas podem aproximar-nos ou afastar-nos dos nossos interlocutores.
No entanto, as “pérolas” da expressão falada ou escrita são as palavras que acalentam, as que animam, as que consolam; em suma, aquelas que nos estimulam a viver.
As palavras certas são as que tocam as mentes e os corações, as que promovem acções louváveis e geram atitudes e comportamentos positivos.
As palavras podem ter um tremendo poder. Há retórica eloquente que edifica, outra só destrutiva; nela podem sobressair palavras que soam como uma bênção e outras só a censura, ou mesmo a maldição. Há palavras que abraçam e outras que são como murros no estômago. Há palavras que sussurram e palavras que rugem. E há quem só saiba usar as ásperas e penosas.
As palavras são, portanto, instrumentos fulcrais nas nossas formas de comunicar. Elas têm um enorme poder e podem motivar, emocionar, manipular, humilhar, aproximar ou afastar, decepcionando e magoando quem as ouve.
Elas têm o poder de expressar vontades e determinações que, ao reflectirem o que se pensa e se quer, podem mudar a vida do seu emissor e/ou de outrem. E quantas vezes são geradoras de graves, fulgurantes e impensadas acções, que, depois de desencadeadas, não têm retorno, porque já não será possível retirar o que foi dito. Mas, por outro lado, há palavras que, ditas no momento certo e de modo adequado, são potenciais geradoras de empatia e de compreensão no nosso alvo.
As palavras têm um papel crucial nas relações de amor, onde por vezes os silêncios podem revelar-se também uma excelente forma de comunicação dos seres amantes.
E que se tenha em conta que, dependendo do que e de como falamos, e até do tom que usamos, podemos tanto agradar quanto desagradar em igual medida a quem nos ouve.

Concluindo;
« (…) Sei, penso que sempre soube, que no vazio dos grandes silêncios com que a noite nos envolve, não raras vezes o espírito se deixa tomar pelas perplexidades e arrependimentos que a reflexão torna mais fecundas e insistentes. Tentamos distrai-lo com projectos de criação, plenos de vitalidade, mas, após umas linhas escritas sem grande convicção, lá vem de novo a fixação que nos tomara os sentidos minutos atrás. De nada serve tentar fugir-lhe que ela ali está, insubmissa, massacrante, reclamando o seu lugar na noite que queríamos só nossa.
Afogam-se-nos então na garganta palavras soltas, incoerentes porque aparentemente desprovidas de sentido; são as “Palavras que a memória deixou escritas*»

O PODER DAS PALAVRAS
Santa Catarina Fernandes da Silva Costa
Brasil

Como nasceram as palavras? Deus criou o homem da argila com água. Soprou suas narinas e brotou a vida. Mas não tinha comunicação. Eram sussurros? Gritos? Mímicas? As sociedades eram orais. Como demonstrar o que tinha no coração? O homem também usou a argila e a água, dali nascendo a escrita. Dentro de um tablete de barro, começou do nada. Riscava o que a alma ditava. Seus ponteiros desenhavam as emoções contidas no coração, enquanto as mãos, lambuzadas de barro, seguiam a sua intuição. Não foram seis dias para sua criação; foram milênios, séculos de dedicação, sendo o objetivo a comunicação com seus irmãos. Noutra parte do mundo, figuras sofisticadas, de plantas verdes, secas e transformadas, com marcas delicadas, de homens, pássaros, animais, coroas e outros símbolos mais, falavam de vidas passadas, de grandes reis, de dinastias enterradas. Era o registro de uma grande civilização. Noutro ponto da terra, pastores nômades, mineiros, com traços rústicos, também queriam se comunicar. Começaram a desenhar bois, tendas, e na luta diária, as primeiras letras brotaram entre as pedras: o (Alfa e o Bete). Nascia o alfabeto, desengonçado, mas era a escrita do sagrado. Era preciso se comunicar para desenvolver o conhecimento, levar a cultura, a religião, o amor e a cura, e não desaparecer entre a argila e a água.   Cada povo criou o seu símbolo e no desenvolvimento desses registros nasceram todas as ciências que beneficiaram as civilizações do planeta. Com a palavra, o amor tomou forma e cor, com o seu poder ela acaricia no tempo da dor, onde o abraço não chega. A palavra cura, através da oração, anima o aflito, levanta o abatido. Com ela almas desesperadas são salvas e as leva aos braços do nosso Mestre amado.  Nunca se usou tanto a palavra como no tempo da pandemia, onde as pessoas fechadas dentro de casa e dentro da própria vida, esperavam uma palavra amiga.

Enfim, a palavra nasceu entre as areias molhadas com barro, em um mundo desértico sem nada, sem som, voou e uniu a todas as línguas na globalização. Esse é o poder das palavras; as letras que unem as civilizações, torna irmãos as nações. Usamos as palavras para o bem, porém, sabemos que como espada de dois gumes, as palavras também são usadas para o mal, que leva à guerra, desigualdade, fome e total destruição. Que nossas palavras sejam em benefício da paz e da prosperidade da humanidade.

O INDESTRUTIVEL PODER DA PALAVRA 
Por: JJ. Oliveira Gonçalves
Brasil 

Pois, quando recebi do grande poeta português e estimado amigo Eugénio de Sá o comunicado que “El Poder de la Palabra” era o tema da edição de outubro/2021, da Revista Aristos Internacional, imediatamente, num giro extremamente veloz, feito de magia e de suspirosa nostalgia, voltei ao passado, por entre as ramagens viçosas das lembranças.
E, lá, naquele passado tão longínquo e, ao mesmo tempo, tão grudado em mim e, por isso mesmo, dependurado nas janelas d’Alma – como se aquele passado fosse o passado recente do ontem, ou do anteontem – me senti de volta à sala de aula e aos meus cônscios e inerentes deveres de professor de sala de aula.
Pois bem, com a batuta de professor que Deus me mandou reger turmas e turmas de alunos – assim como me ordenou dedilhar a lira de poeta – cumpri minha jornada através da palavra oral e da palavra escrita. Através de gestos, de símbolos, de ações e de meu próprio exemplo de homem comum, de cidadão de bem e de professor. E dessa forma e assim agindo, conquistei a maioria de alunos e alunas. Ora, esse relacionamento humano, tão saudável e tão bonito, com alunos e alunas, me salvou, sempre que de forma educada mas firme, (quem sabe, até audaciosa!), tive que reagir para me defender contra manobras miseráveis, sórdidas  e obscuras, que o sistema tentava utilizar contra mim – embora de minha parte, nada houvesse que me desabonasse a conduta, ou me depreciasse o exercício de professor público.
 Há bons idos e gratificantes tempos, de quando em vez, encontrava com ex-alunos ou alunas. E era gratificante e alegre – para ambas as partes – tais e tão saudáveis encontros.  Adolescentes do Ensino Fundamental ou do Ensino Médio, agora, agrisalhados pelas intempéries do tempo… Ou pelas geadas rigorosas da vida…
 Retorno ao início do texto e ao tema da Aristos Internacional do presente mês de outubro e ao porquê de O Poder da Palavra ter mexido tanto comigo e puxado, lá, dos escaninhos dos recuerdos de professor, um arquivo carregado de relembranças. Ora, alegres e contentes. Ora, tristes e dolentes!
 Então, a partir do momento em que pisei na sala de aula para exercer minhas lides de professor, toquei em duas teclas que considero fundamentais para despertar o crescimento não somente do saber do aluno, mas, também, para ajudá-lo a descortinar e a sedimentar valores. Valores pessoais. Quem somos, por exemplo. Valores familiares. Valores culturais – entre outros tantos. Todavia, entre muitos, sempre ressaltei o valor da família e o valor da palavra – já que minha disciplina era Língua Portuguesa. Fazia ver a alunos e alunas o Valor da Família. O quão importante é a família para nós. E, com certeza, lhes afirmava que: sem a família não somos ninguém. Que a família é a primeira comunidade, a primeira sociedade com a qual mantemos contato. No seio dela devemos (bem) nos criar para sermos cidadãos de bem e responsáveis. Bem cumprirmos nossos deveres para exigirmos nossos deveres. Quanto ao valor e ao poder da palavra, lhes disse, até meu último ano como professor regente, que a palavra é um Bem precioso e tem um poder incalculável. Que ela é mais poderosa, mesmo, que uma bomba, pois traz, implícito, o poder de também destruir o inimigo! E exemplificava que: numa guerra acirrada de palavras, o perdedor poderia – por vingança ou incompetência – mandar matar literalmente seu opositor, seu inimigo e vencedor na tal guerra de palavras.
Verdade é que esse meu pensamento e esse meu agir de professor, nas tantas e diversas salas de aula do magistério público estadual, em Porto Alegre/RS, custaram-me caro. Pois me fiz o próprio exemplo do professor punido, caluniado e perseguido, por tido a “audácia” de enfrentar um sistema educacional corroído pelo tempo e por seus próprios e despóticos mentores. Todavia, sobrevivi – a duras penas – graças ao teimoso idealismo de professor e à Vontade de Deus!!

 

PODER DAS PALAVRAS
Cema Raizer
Portugal

Palavras escritas podem preencher vazios. Com Paz, Esperança afeto palavras podem edificar vidas.
Ou trazer muitos sonhos e realidades. Semear coragem ou encantados sonhos! E poder nutrir a bondade e ajudar a construir vidas.
Para quem vive nesses tempos difíceis que atravessamos, ou quebrar o desencanto de dor através de amizades.
Quem sabe, até queimar pesadelos, na vontade de ser feliz.
Pequenos estímulos ditados pelas palavras que devem ser caminhos de mão dupla! Edificando o ser que ajuda e o ser que as acolhe!
Sim, a palavra tem poder e podemos falar muito comemorando e repartindo sentimentos! São muitas vidas que passam por todos nós!
Podemos expor o bem, através da palavra…
Na espera de instantes iluminados através de compromissos, partilhando alegria e tristeza. Ao longo do caminho, não é imaginação:
são vidas interagindo com presença!
Dizer verdadeiramente o que sentimos e, o que nos faz bem, na capacidade e vontade de poder dizer muito!
O caminho de trocas nos traz sabedoria!
Entusiasmo, liberdade, vontade de aprender e de somar… na atitude de livre escolha! Ou numa consciente harmonia entre seres distantes,
que se aproximam pela escrita num fantástico entendimento…
Neste belo caminho de ir e vir, onde, a gente se entende de longa distância podendo trocar poemas, conversar escrevendo ou, unindo com
a poesia, VIDAS maravilhosas!


O Valor da Palavra
Carolina Ramos
Brasil

            Dizer que o silêncio é ouro é lugar comum. Máxima aceita sem restrições, embora não totalmente correta. Em muitos casos, nem sempre o silêncio substitui a palavra sem os deméritos que apontem para a fuga, para  o subterfúgio e para a dissimulação, não passando de  cômoda abstenção que não define e nem compromete a quem lança mão desse artifício.

Nada substitui o valor de uma palavra em situações em que ela  assume a postura de marco entre o tudo e o nada. Entre a verdade e a mentira. Entre aquele o Sim e aquele Não, quando sequer é admitida a intrusão indecisa de um débil Talvez.

         Um Sim define duas vidas ante um altar. Um Não separa dois corpos e arrasta duas almas rumo a destinos divergentes, à mercê dos tropeços que a vida trama, ao reescrever o incógnito roteiro de seus novos passos.

         Há palavras frias, ferinas, afiadas como lâminas cruéis! Palavras que feremque castigam, que matam! Amargas e cheias de veneno, tais como – raiva, ódio, traição, segregação, inveja, corrupção, vingança, guerra, etc.!

         Em compensação, outras palavras há, belíssimas, de aura luminosa, de conteúdo imenso e transcendental! – Amor é a maior delas!                   

 Amor! Palavra que deveria ser sempre escrita com maiúscula, uma vez que, urdida dentro de suas reais dimensões, não caberia numa página, pois tem valor de imensidão!

  Única e insubstituível, a palavra Amor é de uma riqueza impar, embora continuamente desgastada e ultrajada sempre que, com vileza, for dimensionada fora do critério divino com que foi criada.

Amor… começo dos começos! Palavra ilimitada, em cuja dimensão infinita cabe um Deus!

O Amor não tem preço – Ele é o Tudo!

No entanto, sem que se entenda o porquê, Amor é palavra pouco usada e por demais desgastada pelo desprezo da humanidade que, em sua constante rebelião interior, a ignora, trocando-a pelo apego a tantas mazelas que paradoxalmente  conduzem ao Nada!

Vão-se os tempos, vão-se as gerações enoveladas nas teias que elas mesmas tecem, sem que consigam encontrar o fio condutor que as liberte do labirinto criado por suas próprias mãos movidas por paixões dominantes que as arrastam, quando tinham tudo para conduzir sem serem conduzidas, dominar sem serem dominadas e vencer, ao invés de serem vencidas.

Entretanto, assim como não há efeito sem causa, nem causa sem efeito, assim como um veneno fatal pode ainda ter um antídoto, há também uma palavra terna, que parece fraca, frágil… mas absolutamente, não é nada daquilo que aparenta.

A palavra é Esperança – que tem força desmedida e se abastece na alma de cada ser, a ajudá-lo a sonhar…  sonhar sempre… e ainda uma vez mais!   

Essa palavra é verde como um tenro broto que viceja, cresce e rasga as nuvens densas que encobrem o horizonte azul da Terra do Sonho, a apontar confiante para outra palavra soberana e tão pequenina, três letras apenas que traduzem um coletivo anseio, a acenar ao longe, num fraterno e cobiçado apelo. Essa palavra é – Paz!

Contudo, resta ainda outra palavra que precisa ser anexada, embora de tamanho menor do que todas, mas  de abrangência tão grande e de tal potência, que, sozinha e apenas sussurrada… vai diretamente a Deus! 

E essa palavra tão pequenina quão poderosa, tem apenas duas letras que envolvem Amor, Esperança e Paz!

Essa palavra é – FÉ!