TEXTOS O ABORTO

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Junio  2.020  nº 32

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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

 

 

Estava-se em vésperas da despenalização do aborto na Assembleia de República portuguesa
Condolências… à família do touro
Por Eugenio de Sá
Portugal

 “ Já reparas-te que os que condenam hoje, tão veementemente, as touradas e a morte dos touros na arena, são alguns, dos muitos, que tudo têm feito para que o aborto seja livre no nosso país “ ?  – Dei um salto na cadeira. A minha amiga Dulce acabava de produzir, com naturalidade, uma afirmação deveras preocupante.

É verdade, confessei, esmagado pela obviedade da comparação. Lera, vira, e ouvira até então uma variada e densa informação a respeito dos dois controversos assuntos sem a que a minha proverbial distracção – ou escasso espírito analítico – quebrasse, e me desse para os relacionar. É verdade, repeti com uma incredulidade irracional.

Entretanto, afogueado pela torreira, chegou o nosso amigo João. Sentou-se, pediu uma imperial regeneradora e, fixando-me, perguntou a razão daquele ar circunspecto que se me armara nas feições.

Ouvida a explicação, o João limpou um pouco de cerveja que lhe escorria do queixo e rematou, descontraído: “ deixem lá, a solução é simples e faz-se facilmente a vontade a todos; às mães que se vêem livres dos filhos que não querem passa a oferecer-se, como compensação ao stress, um bilhete para a próxima tourada. Quanto aos touros, matam-se e apresenta-se as condolências às famílias “. Dito isto voltou-se, qual velho marialva, ao passar de um corpo de mulher.

Agora, caro leitor, a sério: É, certamente, louvável e justificada a preocupação manifestada pelo sofrimento infligido a um animal que nada fez para o merecer. Embora sejam estimáveis os argumentos de que ele é nascido e criado com essa finalidade, que a tradição é tradição, etc.

Mas, então, qual o grau de indignação que nos cabe pela condenação à morte de um ser humano, credor de um destino neste mundo, cujo direito à vida é indiscutível e cuja decisão de ser criado lhe não coube, e foi, com grande probabilidade, assumida por desígnios mais altos? – Haja coerência.

O aborto e o seu reflexo na mulher
Por: Eugénio de Sá

Em pleno século XXI, o aborto continua a ser um dos maiores causadores de morte materna, gerando conflitos pessoais, culturais, religiosos e sociais.

Mesmo nos países onde é ainda considerado crime, há situações em que é despenalizado, sobretudo se não há outro meio de salvar a vida da gestante e a gravidez é involuntária por ser resultante de estupro. 

Além deste casos, os abortos podem acontecer por ou outros três  motivos-base:

– O aborto espontâneo, que acontece por factores biológicos.

– O aborto induzido, que pode ter como causa uma má formação congénita. Ocorre quando a gravidez resulta de um crime ou quando coloca em risco a vida da mulher; este procedimento não é considerado crime mesmo no países onde a lei ainda não despenalizou o aborto  voluntário.

– O aborto voluntário, e assistido ( que ainda ilegal nalguns países ), é aquele que decorre por decisão da mulher. Este procedimento, quando considerado ilegal pode conduzir à morte da mulher. Foi, e ainda é praticado na maioria das vezes por gente impreparada, ou em clínicas clandestinas com ambientes propícios à propagação de infecções.

Além dos mencionados, há ainda o aborto cuja decisão gera grandes discussões e controvérsia: « o dos feto anencefálico, o que é ocasionado pela má formação (rara) do tubo neural, resultando na ausência parcial do cérebro ou da calota craniana (quando o cérebro não é coberto por ossos). Deste modo, o feto não conseguiria sobreviver, vindo a ser declarado o óbito em um período curto. A este respeito parece haver uma aceitação geral, a que está associado descriminalizam do aborto no caso de malformações congénitas. 

A igreja católica tem tido forte influência nas discussões sobre aceitar o aborto na sociedade, e mantém como opinião que o acto é um crime contra a vida e um pecado, embora aceite as excepções e os condicionalismos de que falámos.

«Já quando se trata de analisar o aborto à luz da ética, este é considerado um assunto que gera muita polémica, e com isso se estabeleceram dois grupos principais: os Pró-vida, que reúnem pessoas que são contra a prática, e trazem argumentos como a banalização do aborto e da vida, além de problemas psicológicos. Já os Pró-escolha são os que estão a favor de uma legislação que descriminalize totalmente a prática, argumentando que tal atitude irá beneficiar a mulher e a sociedade no âmbito ético, com a diminuição de clínicas clandestinas, gastos do Sistemas de Saúde e o controle de natalidade.» 

As consequência físicas e psicológicas do aborto

Quando uma mulher tem um aborto espontâneo ou se submete a um aborto induzido estão reunidas as condições para que nele exista um impacto psicológico. Na realidade, está potenciada a possibilidade de acontecer nela uma cadeia de sintomas que podem levar a uma depressão e ansiedade, mormente naquelas que evidenciam um escasso acompanhamento, ou mesmo desinteresse do seu companheiro.

A tristeza é uma como uma consequência do aborto espontâneo, e o  trauma que resulta do acontecimento é frequentemente negligenciado.

É comum na mulher que é submetida a um aborto que esta venha a experimentar um sentimento de culpa e uma sensação de abandono, que potencia a perda da sua auto-estima. Adivinham-se nela sentimentos de hostilidade, raiva, desespero, desamparo, e uma certa frustração do instinto maternal. Assim como o desejo de terminar o relacionamento com o parceiro, perda da libido, frigidez, e incapacidade de se auto-perdoar. Há nela uma permanente irritabilidade, tem pesadelos frequentes, tonturas, tremores e sentimento de haver sido abusada.

Nos tempos que correm ainda existe bastante preconceito para com a mulher que pratica o aborto, o que pode causar sérios danos aos seus relacionamentos sociais. Sabendo disto, a maioria destas mulheres escondem o seu sofrimento e vivem-no em silêncio, ou – embora raramente – podem partilhá-lo com pessoas de sua confiança, pois não admitem o julgamento de outrem. A dor emocional está intimamente relacionada com o aborto provocado, pois é a ela, e só a ela, que cabe a decisão de ingerir  a medicação adequada, ou submeter-se a procedimentos mais invasivos, arrostando com as consequências descritas.

 

Reflexões sobre o aborto
Por: Dr. Rubens Siqueira

Em grande parte dos países o aborto é proibido e considerado um crime. Porém existem algumas exceções como por exemplo quando ocorre nas seguintes situações: Risco de vida para a mulher causado pela gravidez, gestação resultante de um estupro e Anencefalia (no exame pré-natal é constatado que a criança tem malformação do cérebro). Entretanto, apesar dessas exceções, a igreja Cristã (católica e protestantes) são contra o aborto mesmo nos casos de anencefalia.

Os defensores do aborto calam-se a respeito dos múltiplos efeitos negativos que envolvem as mulheres que praticam o aborto.

 Segundo pesquisas, a vida nunca voltará a ser como antes para a maioria delas: um sentimento de culpa as acompanha pelo resto da vida.

O aborto é o retrato do egoísmo do ser humano contemporâneo e que se julga mais importante do que a criança que vai nascer.

Acredito que melhor do que argumentos filosóficos, os relatos de casos de pessoas conhecidas envolvidas numa tentativa de aborto produzirão muito melhor efeito. Relato aqui três casos em que o aborto não se efetivou, e a criança sobrevivente tornou-se uma celebridade.

Começamos com Joanne, 22 anos, morando nos Estados Unidos engravidou do namorado sírio. Tentou abortar mas achou uma família financeiramente capaz de pagar pelos estudos universitários do bebê, porém quando os candidatos a pais descobriram que Joanne esperava um menino, recuaram porque queriam uma menina. Joanne, a ponto de dar à luz e sem tempo para procurar uma nova família, acabou concordando em entregar o filho para um casal humilde e o abandonou. O nome da criança não abortada é Steve Jobs , criador da Apple e I phone.

Outro caso foi na Itália quando uma mulher que estava grávida, foi hospitalizada com infecção abdominal grave. Em função do tratamento, os médicos a aconselharam a abortar porque o bebê poderia nascer com deficiências. A mãe optou em ter o filho mesmo sabendo que seria deficiente. A criança nasceu deficiente visual, mas com a voz de ouro. O nome da criança não abortada é Andrea Bocelli, famoso tenor, compositor e produtor musical italiano.

O terceiro foi em Portugal quando Maria Dolores descobriu que estava grávida pela quarta vez, procurou por um médico para realizar o aborto. Este, porém, respondeu que não havia nenhuma razão física para abortar e que esse bebê lhe traria muita alegria na vida. Sem a cumplicidade do médico, Dolores tentou outros métodos de aborto que não funcionaram. Por fim, disse que “se a vontade de Deus é que esta criança nasça, que assim seja!”

Durante o parto, o mesmo médico disse uma frase que ficou para sempre na memória de Dolores: “Com pés como estes, será um jogador de futebol!”. O nome da criança não abortada é Cristiano Ronaldo , considerado varias vezes o melhor jogador de futebol do mundo.

Finalizo descrevendo um fato acontecido comigo que sou médico. Recebi para examinar uma criança com paralisia cerebral. Chamou-me a atenção a grande quantidade de familiares que compareceram no dia do exame. Antes que eu perguntasse sobre o paciente, um “representante” da família veio me confessar: “Doutor , a nossa família vivia um inferno , todos brigando , discussões , magoas , não conseguíamos nem mais nos reunir. Após o nascimento desta criança com esta paralisia mas com um sorriso de Deus todos nós nos juntamos por esta causa. Esta criança trouxe significado em nossa vida , uniu nossa família e nos ensinou o que é o verdadeiro amor e hoje vivemos em paz”.

Fica simples compreendermos o porque que o cristianismo é contra este ato de pleno egoísmo e desamor eliminando a vida de pessoas que muitas vezes seriam muito mais importantes para humanidade que a própria mãe.

O direito a vida é o mais fundamental dos direitos. Se não há proteção à vida, não há proteção a nenhum outro direito.

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