TEXTOS LA EXPLOTACIÓN INFANTIL EM PORTUGUÉS

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Febrero  2021 nº 40

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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

 

COLABORAN: Eugenio de Sá.- Cema Raicer. Daniela Rodrigues de Sousa

CRÓNICAS DE GUERRA
Memórias de África
Por: Eugénio de Sá

( Ano:1964 – Guiné Bissau, costa ocidental de África – estrada Massambá – Farim )

A paragem do velho Land Rover fez afluir um grupo de meninos à pequena clareira no seio da Senzala. Saltei do jeep e distribuí uns chocolates à molecada, que logo retomou à brincadeira interrompida.
Os moços atiravam, continuadamente, uma bola de trapos esfarrapada a um rafeiro de pelo negro e sujo, cujos ossos, salientes na pele, mais pareciam prumos de tenda, mostrando a extrema magreza do animal. Este, manifestamente debilitado, lá esboçava um salto ou outro, mais para satisfazer os seus amigos que por vontade própria.
Atônito com aquela cena que me escuso de adjetivar, balbuciei uma pergunta a um dos garotos: ouve lá, como se chama o cachorro? – E a resposta veio rápida: chama-se (imaginem) bife! 
Mais atônito ainda com esta enormidade, e sem saber bem como continuar a conversa, lá voltei a perguntar ao mesmo garoto: e ele come muito? –  E outra vez a resposta veio imediata: come senhor, come muito, a gente é que não lhe dá!
Bem, confesso que não esperava a naturalidade daquela afirmação e quedei-me sem saber que mais dizer, limitando-me, por isso, a pensar que aquelas crianças que, por inocente ironia, tinham decidido batizar o cachorro de bife, nunca lhes havia passado pelo estreito nada que se parecesse com uma suculenta peça de carne, daquelas dignas desse nome.
Infelizmente, a situação naquela ex-colônia portuguesa, tal como em muitos outros países do continente Africano permanece continuar muito difícil para as populações.

CHUVA NA VIDRAÇA…
Por: Cema Raizer

Olhar a chuva através da vidraça, ainda é um momento poético e saudosista para mim… É lindo!
Olho as gotas de chuva batendo forte contra a vidraça e, concentrada, acompanho o caminho que percorrem…
Admiro o desenho que improvisam… ouço o barulho das gotas provocado pelo vento que as fustiga contra o vidro!
Céu nublado, e a força do vento inclinando os galhos das àrvores desprotegidas… lá fora.
Núvens gigantes vestido cinza!
Na infância era frequente ver o Arco-Íris nos dias de chuva e sol…
Um sonho doce e bem colorido que se mostrava no entardecer chuvoso e ensolarado.
No meu olhar de criança eu ficava encantada!
Imaginava Deus, pintando um arco de sete cores, para enfeitar o céu…
Os anos passam rápido como um relâmpago! E tudo fica na memória…
Agora, vendo a chuva na vidraça, bate forte a nostalgia no meu coração.
Sinto saudade do cheiro da terra molhada, marcando as lembranças acumuladas!
Saudade daquele arco-íris tão colorido, misterioso e distante…
Mil pensamentos… e essa magia tão pura, se integram, fazendo e trazendo o momento único, onde
gotas de chuva, num só pensamento, trazem Paz, Amor e o fascínio das doces lembranças!
O tempo passou… mas ainda é possível, no meu momento poético, observar a chuva na vidraça…
Pois a chuva, lá fora, devolve, a encantada magia… e me faz sentir a mesma emoção da infância!

O Sofrimento das Crianças
Por: Daniela Rodrigues de Sousa

O sofrimento infantil se dá devido a muitos fatores no contexto social e familiar: As crianças sofrem de variadas formas, são tolhidas da fase mais importante de suas vidas: a infância; no momento que deveriam desfrutar de atividades lúdicas, da companhia da família, das brincadeiras, estudos, esportes, socializar com outras crianças; são expostas as mais variadas formas de sofrimentos.

Os motivo são as humilhações e o desrespeito a que as crianças são  submetidas:  fome,  negligência e abandono, os maus tratos,  a pornografia infantil, tortura, trabalho Infantil, tráfico de crianças e adolescentes, bullying, cyberbullying, abuso financeiro e econômico, adoção ilegal, aliciamento sexual infantil on-line, discriminação, exposição de nudez  sem consentimento (sexting) e todos tipos de violência: física, psicológica, sexual e institucional. Depressão e dificuldade de aprendizagem.

Os menores em situação de risco pessoal ou social são vítimas do sistema que por ação ou omissão da sociedade, de seus pais ou responsáveis ou ainda por sua própria conduta.  Estes familiares, responsáveis legais e instituições responsáveis pelas crianças em seu estado de sofrimento, muitas vezes são seus algozes, indiferentes, insensíveis, desumanos, exploradores, sem compaixão.

São crianças socialmente, marginalizadas em estado de extrema pobreza, expostas a violência urbana e familiar, estas famílias são desamparadas pelo Estado que sem políticas econômica e social, não as inclui na sociedade, tornando-as vítimas de todo tipo de mazelas sociais: sequestros, abandonos, drogas, fome, tortura, corrupção de menores.

“O que se faz agora com as crianças é o que elas farão depois com a sociedade.” karl Mannheim

Um exemplo é o trabalho infantil que  priva as crianças de sua dignidade humana,  rouba-lhes a infância, a fase lúdica da vida, priva-os de frequentar a escola e adquirir conhecimentos, de um desenvolvimento físico saudável, ficando assim expostos a muitos perigos, e de serem explorados de todas as formas, leva-os ao cansaço, irritabilidade, e problemas físicos e emocionais futuramente.

Esse é o retrato de uma sociedade caótica que não protege efetivamente suas crianças, o que resulta em tantos sofrimentos pelo mundo afora.  A cada dia vemos mais crianças atingidas em seu estado psíquico-emocional o que acarretará muitas vezes um estado de sofrimento permanente até a vida adulta, dependendo de como cada pessoa reage a tais circunstâncias.

As crianças precisam ser valorizadas e tratadas com o devido carinho, respeito e admiração, pela sociedade em geral, que deve zelar pelo seu bem estar físico, psicológico e social. “As crianças são investidas de poderes não conhecidos, que podem ser as chaves de um futuro melhor.” Maria Montessori

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