POESÍA INJUSTICIA SOCIAL EM PORTUGUÉS

Todo lo publicado en  ARISTOS INTERNACIONAL está sujeto a la ley de propiedad intelectual de España

Octubre  2.020  nº 36

La Dirección no se responsabiliza de las opiniones expuestas por sus autores. 
Estos conservan el copyright de sus obras

AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO PORTUGUESA


Todo lo publicado en  ARISTOS INTERNACIONAL está sujeto a la ley de propiedad intelectual de España

Octubre  2.020  nº 36

La Dirección no se responsabiliza de las opiniones expuestas por sus autores. 
Estos conservan el copyright de sus obras

AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO PORTUGUESA

COLABORAN: María Inés Aroeira Braga.-Virginia Branco.-Jusmaria da Cunha Carvalho.-Eugénio de Sá.- Alfredo dos Santos Mendes.- Josuela Ferreira.-Celso Henrique Fermino.- Ary Franco.-Albertino Galvao.- Gabriela País.- Cema Raizer.-

 

DESIGUALDADE SOCIAL
Maria Inês Aroeira Braga
Brasil

São tantos os que, ricos, abastados,
Dormem um sono bom, reparador,
Sem pensar nos que estão abandonados,
Sem teto, entre o frio e a dor…

Gostam do luxo e de mordomias,
Em ambientes de futilidade…
Se iludem com as falsas alegrias,
Sem praticar um pouco de bondade…

Alguns se consideram religiosos,
Dão uma esmola, mas são rigorosos,
Em preservar os bens que julgam seus…

Jamais se importam com a desigualdade,
Não sabem que o importante é a caridade,
E que um dia prestarão contas a Deus…

OPERÁRIOS DO AMOR,
QUE AINDA VEGETAM EM GUETOS
Por Virginia Branco

Abres estradas de amarguras
e atónito seguras as brocas e as enxadas.
E as picaretas que no ar tu aprumas
rasgam estradas, rasgam brumas
e rasgam mágoas….
na secura dos desertos semeados de desdém.
E tu mostras sorrisos nos lábios
e as mãos prontas para o que vem.
Não és Doutor nem Engenheiro
mas és operário do amor
com que ganhas teu dinheiro!
Os teus sonhos voam por cima da mesquinhez
que a economia utiliza e hostiliza,
a quem quer de cada vez.
Constróis casas, estradas, pontes
onde alguns perdem a vida
em anonimato esquecida!
Estádios de mundos loucos,
arenas de multidões.
Alquimia da política no desporto.
Diz-se que  “de dia bebes a água
da nascente do teu rosto “ !
E que  “à noite matas a sede
no fogo do teu desgosto” .
Se acaso ficas ébrio…
É porque se esgotam as fontes!
Envenenas o teu tédio
por falta de horizontes.
Teus braços sentem a dor
mas os filhos estão primeiro!
Aos solavancos arrancas sem receios,
com os meios que tens na mão.
A tua força interior p’ra continuares a acção.

UM CAFÉ, POR FAVOR
 Virgínia Branco

As bagas vermelhas criadas nas roças
transformam-se em pó, mas já foram grão.
Foi a metamorfose na torrefacção,
à  luz dum chicote que deixava mossas.

Dos  escravos foi pão, do patrão usuras!
Os tempos mudaram, mas não o perfume
Ao ferver em cachão em cima do lume.
Este é o tempo d’outras escravaturas.

Um café bem quente fumega nos bares
e pela manhã perfuma nossos lares.
Estímulo no dia e na madrugada

Fonte d’energia que muda o humor.
Hum, tem cafeína ¸-  Um café por favor,
mas prefiro em chávena escaldada!

DESVALIDOS
Jusmaria da Cunha Carvalho

Pelos campos desvairados
Ou por becos e arrabaldes
Das ricas e grandes cidades
Seres tristes cambaleiam
Sem esperança vagueiam
Sozinhos ou irmanados
Desvalidos e abandonados
Vítimas da desumanidade
E da falta de solidariedade
De parte da civilizaçã
Da atual sociedade
O que fazer com essa fome
Que ferozmente consome
Frágeis corpos indefesos
Que sem culpa estão presos
Na masmorra da pobreza
Imposta pela ambição
De seres sem compaixão
Desta gente sem defesa…
É preciso urgentemente
Procurar uma solução
Para não se permitir
Que ocorra impunemente
Mais mortes que poderão vir
Por descuido e inanição.

INJUSTIÇADOS
Eugénio de Sá
Portugal

Aqueles a quem a morte mais reclama
Porque muitos invernos já viveram,
Os que da vida a chama já perderam
E têm por incertos pão e cama;

Essas árvores que aos ventos não vergaram
P’ra confortar a prole da sua rama,
Que hoje – ao abrigo – lhes ignora o drama
E que despreza o bem que eles fizeram;

São os credores maiores da sociedade
Desta que os omite e os maltrata
Votando-os à aviltante indignidade;

E enquanto a miséria os desbarata
E os esmaga tanta iniqüidade
O abandono p’los seus é que mais mata!

GRITO D’ALMA
Eugénio de Sá

Somos irmãos em Cristo, indomáveis
Quanto aos Seus nobilitas fundamentos
Em nós não colhem outros argumentos
Que aqueles que o amor torna adoráveis

Amor sem latitude ou horizonte
Sem limite no espaço ou na vontade
Nunca de nós se espere outra verdade
Que a que formos beber na Sua fonte

Somos irmãos ao condenar a dor
Dos que soçobram perante a injustiça
E aqueles espoliados pla cobiça
Sofremos deles do tanto desamor

Damos a nossa pena ao desabafo
Que este grito da alma não se cala
Nem hesita a razão quando a dor estala
E então a poesia abranda o desacato

( Sextilhas )
Miserável sociedade!
Eugénio de Sá

Ser idoso e dependente,
é estigma que infelizmente
marca tanto cidadão.
Não basta ao aposentado
querer viver seu triste fado
poupando o seu coração.

Cada mês é uma tormenta
e o seu bolso não aguenta
da farmácia o gasto tanto.
E só lhe resta escolher
entre as drogas e o comer
que prova entre cada pranto.

Miserável sociedade
que esquece os de mais idade
que a nutriu e que a criou,
que omite quem mais precisa
e esbanja em cartões com visa
milhões que aos velhos roubou.

Mas Deus não dorme, e entretanto
esses que vivem do banco
a velhos irão chegar.
Roda a vida, é sua a vez
de perdida a altivez
aprenderem a penar !

INJUSTIÇA SOCIAL
Alfredo dos Santos Mendes 

Porque hão de haver pessoas arrogantes,
Que se sentem senhores do mundo inteiro?
Que sem respeito, e muito sorrateiro,
Penalizam sem dó seus semelhantes!

Não podem ser humanos. São farsantes,
Que apenas querem ter muito dinheiro!
Só pensam dominar o seu parceiro,
Com seus modos severos, irritantes!

Esquecem que nasceram modo igual!
E que é: injustiça social,
Escravizar alguém necessitado!

Tratam o ser humano brutalmente!
Pois trazem a bailar na sua mente;
Manter sempre o seu cofre recheado!

Lagos, 05/10/2020

MARES DA INVISIBILIDADES
Celso Henrique Fermino
Brasil

Meu teto de estrelas em noite nua
Sozinho por todos e pela sorte
Com apenas São Jorge – meu pai na lua
Que vela o sono e protege da morte

Por mais que não me enxergue a vista tua
Por menos que Deus comigo se importe
Continuo seguindo nessa rua
Tendo o Cruzeiro do Sul como norte

O frio que machuca, a chuva que molha
Os olhos que passam e ninguém me olha
E se assim fizessem, veriam nada

Pois o espelho, delator da verdade:
Como a urbe, meu reflexo nada
Nos mares da invisibilidade

JUSTIÇA SOCIAL
Josuela Ferreira

Bendita a que alimenta
a esperança do faminto
Que convida ao banquete
o que vive às margens da vida
Que enxerga além da venda
Que dá voz aos oprimidos
e pune os opressores
Bendita a que ajunta
Pobre, rico, preto, branco
A que busca equidade
E espraia cheiro de bondade
Bendita a que dá direito
Ao trabalhador aviltado
Bendita a que subsiste
Ao desprezo do código desalmado
Bendita a que inspira
A luta de quem quer o bem
Chamada por seus algozes
de miragem,
fábula, utopia, irreal
Inimiga do
Poder Capital
Seu nome: Justiça social

ZÉ NINGUÉM!
Ary Franco (O Poeta Descalço)
Brasil

Amargura confinado numa pequena cela
O nefando crime de unlitro de leite roubar.
Desempregado, sofre mais esta mazela.
Era apenas leite para seu filho alimentar.

Onde pensa que vai, seu ladrão descarado?!
Interpelou-o o segurança do supermercado.
Faço isso por infelizmente não poder pagar,
É apenas um litro de leite, me deixe passar!

Não! Considere-se preso em flagrante delito!
“O criminoso”, indefeso, chorava muito aflito.
Testemunha do fato, eu quis tentar ajudar.
Eu pago o leite furtado. Pode o moço soltar!

Não! Minha função aqui é exercer a vigilância.
Ele vai ter que responder pelo crime cometido!
Mas esse furto não tem a mínima importância!
Olhe para o preso. Veja como está arrependido!

Debalde foi meu esforço em ajudar o coitado.
Para a delegacia foi imediatamente levado.
Queixa crime formulada, foi sumariamente julgado.
Cumpre seis meses de reclusão a que foi condenado.

Por esse “hediondo” crime ter perpetrado.
Um furto simples; nem sequer foi qualificado!
Só por não ter um daqueles advogados,
Aqueles que são contratados por abastados.

Durante sua prisão recebe auxílio reclusão.
Ajuda, mas não lhe poupa a humilhação.
Trabalhador honesto, um legítimo cidadão.
Por um gesto nobre, passou a ser ladrão!

Por delitos infinitamente maiores muitos têm se livrado.
Caso sejam espúrios milionários, serão inocentados!
Esta história se repete dia-a-dia, não é raridade.
A cadeia está lotada de pobres. Triste realidade!!

FILHOS DO DESTINO
Abgalvão

Via-os, amiúde, sempre à mesma hora!
Filhos do destino, rostos macilentos 
Vidas atiradas pela borda fora
Corpos já rendidos aos muitos relentos…

Subindo a avenida de sul para norte
Nas pernas varizes de cansaço e dor
Na pele arrepios do frio da morte
Nos bolsos a fome nos olhos terror…

Seguindo calados mas com passos lestos
Nas mãos o espólio… jornais papelão…
Engasgando a tosse e mastigando restos
Dos restos que foram, de alguém, refeição

Entregues à sorte num jogo jogado
Com cartas marcadas que a vida marcou…
Perderam o jogo num dia aziado
Porque ases e trunfos o tempo os levou 

Num sopro de vento chamado destino
E o jogo acabou numa “russa roleta”
Como arma exclusão, solidão, desatino…
E o beco ou a rua… a terrível colecta! 

ALI
Abgalvão

Nas esquinas sujas por dúbios prazeres
servem-se vontades de homens e mulheres
e vendem-se promessas por qualquer valor.

Nas ruelas tristes, com frias arcadas 
onde o dia é vida, sem qualquer fiança… 
Onde a noite esfria toda e qualquer esp’rança… 

Dormem corpos lerdos nas duras calçadas 
E entre urina, trapos, cartões e bolor 
se atrofiam mentes… matam-se ideais.  

E ACORDEI DO SONHO
Abgalvão 

Quando, imprudente, me perdi na vida
Injectei nas veias o soro do amor
E encontrei a porta que me deu saída
Pra seguir em frente sem nenhum temor

Mastiguei as mágoas, em doses servida
Nas ceias tardias de amargo sabor
E frias, tão frias, como despedida
Sem beijos, abraços, nem choros de dor. 

Sacudi os pingos das chuvas de inverno
Sonhei primaveras, fugi do inferno…
Subi à montanha, aspirei liberdade… 

Ensaiei, despido, uns passos de dança
E acordei do sonho na pele de criança
Com olhar já velho por força da idade 

O MUNDO É UM JOGO
Gabriela Pais
-Portugal-

Numa fração de segundo tudo acaba
mais depressa que o derreter da neve,
mais veloz que o bater de uma aldraba.

Caminha-se docemente ao de leve,
sem sentir nos pés o calor do fogo,
bendito sossego que não seja breve.

As sombras do mal se espalhem logo,
grita o cosmo num jogo de ideias tortas,
num mundo sem sonhos, sem desafogo.

A vida se complica tem pedras soltas,
será que podemos inverter o jogo?
Retira-as, dá cheque mate, não tem voltas.

A vida não pode ser somente logro,
que no livre espaço perdure o amor,
Deus, não permitas que mundo vire ogro.

SER
Cema Raizer

Temos que encontrar soluções
A vida é bela
Onde a autenticidade pode ir além…
Se alimentamos a essência da alma
Com bons propósitos
Podemos retirar excessos
Combatendo a Injustiça Social
Sendo mais humanos
Com objetividade
Refletetindo amor verdades e
Desafios na luta pelo bem de todos
Pela criança carente
E sem rumo
Pelo fim da Injustiça Social
Desses momentos de medo e dor
Encontrar soluções para os seres que sofrem
Sonhando uma vida mais digna

1 comentario en “POESÍA INJUSTICIA SOCIAL EM PORTUGUÉS”

  1. CELSO H.FERMINO : » Como a Urbe, meu reflexo nada nos mares da invisibilidade.»
    JOSUELA FERREIRA : » Bendita a que alimenta a esperança do faminto»
    ARY FRANCO : » Zé ninguém» Forte relato de uma realidade gigante!»
    ABGALVÃO : «Filhos do destino, vidas atiradas, pela borda, fora dos copos, já rendidos aos muitos relentos…»
    GABRIELA PAES : «O mundo em jogo» : «A vida se complica, tem pedras soltas, será que podemos inverter o jogo?»
    MARIA INÊS A. BRAGA : » Se iludem com falsas alegrias, sem praticar um pouco de bondade.»
    VIRGÍNIA BRANCO : » Tu mostras sorriso nos lábios.E as mãos prontas para o que vem!»
    JUSMARIA CUNHA CARVALHO : » O que fazer com essa fome»
    EUGÉNIO DE SÁ : » O abandono p’los seus é o que mais mata!»
    ALFREDO S. SANTOS MENDES : Tratam o ser humano brutalmente, pois trazem a bailar na sua mente,manter sempre os cofres recheados…

    Responder

Deja un comentario