POESÍA EFECTOS PSICOLÓGICOS DE LA PANDEMIA EM PORTUGUÉS

 

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Marzo  2021 nº 41

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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

 

COLABORAN….Jusmaria da Cunha Carvalho.-Eugenio de Sá.-Alfredo dos Santos Mendes.-Santa Catarina Fernandes da Silva Costa.-Daniela de Sousa.-Celso Henrique Fermino.-Magna Aspásia Fontenelle,-Abgalvão.-Laura Lopes- Amilton Maciel Monteiro.-Cema Raizer

 

LUZ DA JANELA 
Jusmaria da Cunha Carvalho

Tudo escurece
Na terra desce
Muito pavor

Em meio a dor
Aflora o amor
Da humildade 

Da caridade
Sem vaidade
Brota a úniao

E a compaixão
Por cada irmão
Que está sofrendo 

Muitos morrendo
Outros vivendo
Amedrontados 

São acuados
E separados
Dos seus parentes

Ficam carentes
Até  doentes 
De sentimentos

Confinamento…
O desalento
Se faz presente 

E o que se sente
É a indolente
Solidão

E a sensação
De proteção
No lar abrigo

Frente ao perigo
Do inimigo
Invisível 

Quase invencível
Perceptível
À  revelia 

Na pandemia
É mais um dia
De incerteza 

Só a beleza
Da natureza
Se perpetua

Clarão da lua
Clareia a rua
Que está distante

Num instante 
Surge incessante
Na brisa mansa

A esperança 
Que não se cansa
De insistir 

A persistir
No que há de vir
Tudo acalmando 

Na paz voando
Vem tilintando
Brilho de estrelas

Pela janela
A noite é bela
E sintetiza 

Que passa o tempo
Mas o momento
Se eterniza. 

COVID, O RETIRO NOSSO DE CADA DIA
Eugénio de Sá

De clausura é o dia, e de tristeza
Do que tocado foi pla infecção
E mesmo aqueles que a mesa é d’incerteza
Também esses aceitam que a razão
Impõe duras medidas, com firmeza.

Mas passam dias, semanas e meses
E o confinamento permanece
A gente vai à rua poucas vezes
E priva-se de ver os que não esquece
Mas vai acumulando esses revezes.

Aos poucos a esperança vai cedendo
Perante a devastação que a mídia passa
E o medo e a ansiedade corroendo
As resistências a tanta devassa
Que a vontade se sente amolecendo.

E de súbito surgem as promessas
De vacinas várias que resolvem tudo
Mas afinal que soluções são essas
Só podem ser piadas do Entrudo
Se até das seringas faltam as remessas?

Há-de passar ainda muito tempo
Até que enfim possamos descansar
Na prevenção e cura, com o alento
Dos que sabem que a paz está a chegar
Porque é em paz que encantamos o vento.

AMALDIÇOADO COVID 19
Alfredo dos Santos Mendes

Quero gritar: maldita pandemia.
Tu foste concebida p´ra matar.
Muitas vidas no mundo dizimar,
Ou deixá-los tremendo em agonia.

Tu queres fazer no mundo uma razia,
Com tua virulência revoltante.
A tua mutação a cada instante,
Demonstra bem, a tua vilania.

É tempo de acabar com o sofrimento.
Dar forças, dar trabalho, dar alento.
Ao povo que sofreu tantos horrores.

Que matem este vírus nauseabundo.
Fez desgraças demais em todo mundo,
Deixando sofrimento e muita dor.

Ah, quem me dera ainda
estender os braços
Santa Catarina Fernandes da Silva Costa

Ah, quem me dera ainda estender os braços,
Acolher dentro deles tantos abraços!
Sair pelas ruas, não mais escuras,
bordadas de cores, de alegria e de venturas!

Quem me dera continuar na estrada,
percorrer o caminho mesmo que seja sem graça,
Olhar as nuances das flores, a beleza das pedrinhas,
lascadas, lisas, roxas ou amareladas,
deslizando dentro da sua sina.

Quem me dera colher os sorrisos
Que escondi dentro do meu peito, aflitos.
Quem me dera gargalhar do nada
Sem razão nenhuma
Apenas por continuar na jornada.

Quem me dera ter o brilho na face assustada
sentir beijos, distribuir toques em corpos frenéticos
antes paralisados pelo medo espalhado.
Isolamento, lamento, agonia,
tubo, oxigênio, ivermectina, cloroquina,
são palavras jogadas ao vento.
E a morte sorrateira lambe nossa vida,
Com sorriso sarcástico!

Corpos estirados carregados
Sem direito de serem velados.
Apenas escorregaram dentro do tempo.

Ficarei ou irei, pergunta lançada,
Sem resposta, engulo a saliva pesada.

Isolamento
Daniela de Sousa

Isolados dentro de nós
Solidão um medo atroz
Qual de nós o vírus castigará?
Quem de nós levará?

Igualados pela desesperança
A miséria o desalento
Quantos desvalidos a mercê
De governantes impotentes

Seguimos caminhando
Dor pulsante, alma latejando
Pensamentos aniquilantes
Notícias inquietantes

Joelhos vacilantes, mão cansadas
Mentes anestesiadas ou desassossegadas
A sensatez se esvaindo,
O coração sangrando

Que a paz invada nossas vidas, famílias e amigos
Que a sobriedade prevaleça, que pulsemos esperança
Que a graça de Deus nos impulsione
Que seu amor suplante o mal

Não vamos sucumbir!
A vida é maior a compaixão existe
O amor insiste, persiste
E sobrevive.

O velório
Celso Henrique Fermino

Não lembro como aqui cheguei
Talvez as condições… não sei
Olhos vermelhos, marejados
De tanto pranto derramade

Senti um mal-estar com um frio
Correu-me o cerpo um arrepio
Os familiares, vi todos
Seria real ou um engodo?

Amigo que há muito não via
Aproximava e já partia
Outras caras desconhecidas
Ou, talvez, por mim, esquecidas

Nesses instantes de tristeza
Os rostos perdem a beleza
Desfiguram-se pela dor
Custam muito a se recompor

O meu rosto também por certo
Irreconhecível até perto
Uma angústia que nem me coube
Na hora exata em que soube

Um punhal cravou-me o peito
Por que Deus, isso foi feito!?
Esbravejei desesperado
Com um grito, único, calado

Não sei quanto tempo passou
Até o momento em que chegou
Precipitei em pouco passo
Na direção do teu abraço

Conduzindo-me pela mão
Até alcançar meu coração
Imóvel como de cimento
Mal sentia seu batimento

Em um canto se acomodou
Eu lhe falava: “aqui estou”
Ensurdecida parecia
Que minha voz nem lhe atingia

Seu olhar hirto me olhava
Porém, meus olhos não enxergavam
Um misto de medo, agonia
Uma melancolia me invadia

As pessoas se aproximavam
Acho que não se conformavam
Seguraram-se pelas mãos
E iniciaram uma oraço

Um anjo azul do céu desceu
Anunciou um nome e era o meu
A respiração já custosa
Sensação até prazerosa!

Entorpecimento total
Até que não estava tão mal
De repente seu brilho apaga
A visão de todos se acaba

Inda ouço meio dormente
Que me amaria eternamente
Então quatro homens de terno
Levam-me para o leito eterno

Meu último sinal de vida
Quando pousa na terra batida
Penetrando fundo no chão
Meu inóspito e sombrio caixão

Noites trêmulas
Celso Henrique Fermino

Há tempos que além de dor sinto nada
Que esse horror acompanha minha estrada
Desde inocente idade até agora
Rogo ao Pai que chegue logo minha hora

Sonho com um corvo levando-me embora
Para o mesmo lugar em que Lenora
Com cantos e choro fora enterrada
A paz, enfim, pra essa perna cansada!

De infernais noites trêmulas e insones
Quando em vão invocava o santo nome
Um tolo a espera da misericórdia

Para encerrar de uma vez  essa discórdia
Que se instaurou mortalmente em meu peito:
Melhor morrer que viver desse jeito!

Degenerando
Celso Henrique Fermino

A força circulando plena pelas veias no sangue espesso
A pulsação movimentando-se ritmada pelo corpo
A respiração  ofegante murchando a  caixa
O  coração palpitando paixão ante o objeto
O  riso rasgando a  máscara da  comédia
A força sôfrega vagando pelo músculo
A pulsação rara esboçando uma ação
A respiração asmática vacilando
O coração se procurando no peito
O riso marcando a cara fria
A força míngua esvai-se
A pulsação cambaleia
A respiração suplica
O coração soluça
O riso cala-se
A força
Foi…
Dó!

COVID 19
Magna Aspásia Fontenelle

Num dia de primavera
Chegou a triste noticia
O mundo está contaminado
O vírus chegou
Trazendo dor

O medo tomou conta da humanidade
O isolamento se tornou primordial
O lavar as mãos essencial
E cobrir o rosto
É obrigatório

A morte nos ronda
Dia e noite
Sem hora de chegar
Não escolhe quem
Nem a nacionalidade

Se rico ou pobre
Preto ou branco
Entra no âmago
Do ser humano
Causando devastação

Nos fez prisioneiros
Sem termos cometidos
Nenhum crime
Torturando-nos
Com a incerteza

Da contaminação
A máscara esconde
A boca
As mãos já não se
Entrelaçam mai

Os abraços se vão
Gritamos
Ninguém nos ouve
Somente os olhos falam
Temos que resinificar

Nossa vida
O individualismo
Se esvai
Ressurgindo
Velhos-novo valores

Adormecidos
Pelo o vai
E vem da vida
Moderna
Resistir é preciso

Imunizar-se
É obrigatório
Sonhar
Sorrir e ter
Esperança
Para a vida voltar a florir.

O futuro é hoje…
Abgalvão

Como cães selvagens, há medos uivando
e vagando, ébrios, seja noite ou dia
que ladrando às portas nelas vão deixando
seus mucos virais numa sádica orgia

Esvoaçam abutres mirando a desgraça
nos bicos cortantes vestígios de morte
nos olhos a febre que o vento lhes passa
soprado dum mundo em pleno desnorte

As ruas se despem das humanas vestes
e exorcizam de si ruídos e gases!
Há choros, há preces, avisos e testes…
E esp’rança, sem fé, em sorrisos fugazes

Há tosse, catarro, espirros constantes
e frio nos corpos mais débeis e gastos…
Há sombras fantasmas, de todo intrigantes,
esguichando *esporos por terrenos vastos

O mundo se espanta, se verga e descobre 
da forma mais triste e se diga tardia
ser tão vulnerável, tão rico e tão pobre…
Tão frágil na guerra contra a pandemia

Janelas e portas se trancam à pressa
que pressa se exige porque o tempo foge
do tempo perdido e que, mudo, se expressa…
O presente é morto… e o futuro é hoje!

DO CORONA VÍRUS NA SOCIEDADE”
Laura Lopes

O mal nos tem afastado
Pôs-nos em confinamento!
Volta, ó abraço sonhado
Para nos trazer alento!
Mas, para a crise passar,

Depende de haver cuidado,
Evitar contaminar
Para a cura é um passo dado!
Anda demais ansiosa

População mundial,
Da proteção duvidosa
Contra o vírus tão letal!
Máscaras, desinfeção,

Pra travar a pandemia;
Se tivermos atenção
Ninguém mais se contagia!
Sofrem na linha da frente

As equipas exauridas…
Pra salvarem o doente
Arriscam a própria vida!
Todo este confinamento

Colapsou a economia,
Já há fome no momento
Por causa da pandemia!
O ano de dois mil e vinte

Foi um ano pra esquecer
Pelo mal que tem requinte 
De ver o homem sofrer!
…Não percamos a esperança,

Em dois mil e vinte um
Pela vontade divina, 
Deus já deu pra medicina
Uma solução segura,

Pois jamais em tempo algum
Acharam célere a cura
Na invenção da vacina! 
Depois desta provação

Vivenciada e sofrida,
Façamos a reflexão…
Pra termos feliz a vida! 

COVID 19
Amilton Maciel Monteiro

Qual é o intuito dessa pandemia?
No caso, qual a sua opinião?
Será o fim do mundo, em agonia?
Ou só um castigo para a multidão?

São muitas casas com mesa vazia…
Outras sem água, ou sem sequer um pão;
enquanto, noutra, faz-se estripulia
com abastança, e não socorre o irmão…

Deus está vendo, dúvidas não tenho;
quer que sintamos como pesa o lenho
que Ele levou com diminuta ajuda!

É hora de fazermos sacrifício,
para que o pobre tenha o benefício
do nosso amor… Irmão, jamais se iluda!

IMAGINAÇÃO
Cema Raizer

Há uma luz tênue na madrugada
Não há vozes
Nem gente na rua
Há silêncio no entorno
Mas ouço o murmúrio
Que a tristeza impõe
Parece imaginação
Um intenso ao longe
Um som que ecoa da alma humana
A vida está impregnada
De solidão tristeza e dúvidas
Um silêncio que desperta o mendigo
Incomoda a criança…
Sonhamos renovação
Para o Mundo inteiro!
Um sonho à sós
Mas tem a magia da Esperança
Para todos!

  E NÓS?
  Cema Raizer

Quem somos?
 Anônimos buscando Paz?
Pacíficos buscando amor?
 Conhecidos não reconhecidos?
 Desconhecidos?
 Surpresos perante a vida?
Com muita fé perante Deus?
Destemidos ante a injustiça?
Incrédulos ante a perda?
Ousados na crítica?
Maldosos no egoísmo?
Distantes do dever?
Próximos da dúvida?
Iseguros e aflitos?
Somos humanos…
Queremos viver!

EU QUERO
Cema Raizer

Quero permanecer aqui!
Não ser indiferente
Quero buscar mudanças
Sendo quem sou
Amo esse mundo gigante
Importa muito preservar vidas
E buscar soluções!
Para essa dor que atinge a todos
Vontade de lutar
Contra a pandemia
Que destrói vidas…
Perseverar é agora
Pensando no amanhã
Sinto saudade e sonho
Mesmo sabendo
Que a tristeza espreita
Meu caminho é poético!
Seguiremos com vontade de lutar pela vida
Nesse nosso mundo tão fragilizado…

 

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