POEMAS Y RELATOS A LA INFANCIA EM PORTUGUÉS

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Febrero  2.019  nº 16 

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COLABORAN. Luiz Gilberto Barros ( Luiz Poeta) Brasil… Eugénio de Sá ( Portugal )…Gabriela País ( Portugal) Cema Raizer ( Brasil)…Carolina Ramos ( Brasil ) 

 

A PEDRA DO URUBU
– Luiz Gilberto de Barros –
Luiz Poeta


Lá em cima era a pedra do urubu.
Sobre aquela enorme rocha, fincada no topo do morro, havia diversos buracos
e saliências onde existia uma estranha água verde que os urubus bebiam. Quando os vi pela primeira vez descobri que todo urubu é lírico… quando voa. De perto, são
horríveis, mas no céu, pairam sublimes na moldura azulada.
A pedra tinha uns dez metros irregularmente quadrados e era lá, realmente, a
crista do morro.
A gente ficava ali os três, eu, o mano e a prima. Parecia, pelo menos dava-me
a impressão de sermos os soberanos daquele reino distante uns quatrocentos metros da casa dos meus tios e avós.
O grito italiano da vovó Adelina, entretanto, atravessava a distância que nos
dividia e desmaiava ainda estridente e agudo em nossos ouvidos latentes de
vitalidade.
E era uma louca correria morro abaixo, por cima dos matos, dos camaleões,
lagartos e jararacas, nas folhas secas e frutas caídas.
– O último é mulher do padre !
E eu nunca era mulher do padre, era exímio conhecedor daquele lugar e sabia
todos os atalhos e caminhos.
E, após ouvir o “carão” e sentir os puxões de orelhas de Dona Lina, bofes pela
boca, jugular engrossada pelo nervosismo da preocupação, ganhava cada qual seu
naco de broa de milho com baunilha, coco e café no canecão de lata de azeitona.
Vovô Lobo olhava-nos de soslaio. Os olhos portugueses azulando-se sobre
nossos silêncios.
Depois o pique, a bandeirinha, a carniça: hora de brincar de criança.
A molecada mestiça se reunia no terreiro e era uma algazarra total. As meninas
com suas mechas cuidadosamente enroladas, os vestidos compridos, rodados,
estampadose coloridos, com longos laços de fita, num nó sobre a cintura, nas costas  com as pontas caídas, com sutileza. Os meninos, cabecinhas carecas pelo corte a zero, topetes salientes na testa, calças curtas, suspensórios ou fitas cruzadas em xis no peito.
Os mais velhos sentavam-se às portas de suas casas e meditavam, conversavam baixinho, cumprimentavam-se amistosamente, divertiam-se contando suas histórias , solidarizando-se às vezes alvoroçadamenete.
Nossos pais normalmente vinham tarde de suas labutas e, após a cachaça
habitual ou o cafezinho da tardinha, iam dormir, sem antes reclamarem do emprego e dos chefes da fábrica de tecidos. E lá era a pedra do urubu.
Adorava vê-los planarem como um avião, fantásticos, negros e silenciosos, e
aterrissarem quase sobre nossas cabeças.
Enquanto isso, camaleões mexiam-se no mato, coleiras, sabiás, canários-da-terra,
tizius e tiês juritis cantavam solenemente e as lebres corriam em saltos…
Depois, veio a idade. Nunca mais fui visitar a pedra do urubu.


Memórias da Juventude 
Por: Eugénio de Sá

Em tempo de penúria continuada, como o que atravessamos – embora nem todos estejam disso conscientes – é comum cruzarmo-nos
com caras fechadas, semblantes carregados, emergentes das preocupações impostas pela dureza (agravada) da vida.
Daí resulta na consciência de quem escreve que também é tempo de procurar trazer ao leitor um sorriso, ainda que fugaz, que tempere
naturais amarguras e justificadas descrenças.

O Velho, o rapaz, e o burro

Já lá vão uns bons 60 anos.

O velho era o senhor Neves, leiteiro desde que se lembrava de ter abraçado um mister. Nesse tempo, ser leiteiro era assumir um compromisso de indiscutível utilidade publica, tal era a importância de que se revestia então a distribuição de leite ao domicilio, mal raiava a alva, todos os dias.

O burro, esse, era o velho Estrela, ajoujado ao peso das duas enormes bilhas de lata, pendentes, separadamente, dos seus magros mas resistentes flancos.

Todos os dias, pelas sete e pouco da manhã, rua abaixo, lá vinha o senhor Neves, bamboleando a  pequena estatura, reluzente nos seus cento e tantos quilos, trazendo à arreata o pachorrento jumento, cujo passinho curto estava perfeitamente sintonizado com o do dono.

As donas de casa, dependentes do precioso liquido para assegurar o tradicional e suculento pequeno almoço à família, acorriam, pressurosas, à porta, mal ouviam a estridente campainha atada ao pescoço do Estrela, agitada à cadência do passo. E aquilo dava gosto ver: a alvura do leite ainda morno e cheiroso, acabado de mugir das vaquinhas e entornado das medidas de lata do senhor Neves para os fervedouros estendidos pelas clientes. Imediatamente se formava por cima uma nata aureolada de amarelo, característica da frescura e qualidade do fresquíssimo produto.

Quem, como eu, teve o privilégio de o saborear, não pode agora lembrar esse tempo sem se deixar invadir por uma justificada e profunda nostalgia.

Mas voltemos ao que nos trouxe; um dia o senhor Neves viu-se a braços com uma gripe que o impediu de cumprir o seu ritual quotidiano. Vai daí, decidiu enviar o filho, uma rapagão gorducho como o pai, rondando os meados de uma adolescência dividida entre a escola e o apascento dos animais ruminantes da família.

Nesse dia, como em tantos outros, acompanhei eu a minha tia ao portão. Lá o vimos chegar, rebocando o burrito, num jeito inexperiente, naturalmente menos harmonioso que o do progenitor.

Bom dia, D. Maria do Carmo, apresentou-se o Ernesto. Hoje lá vim eu, em vez do meu pai, que está com uma gripe de se lhe tirar o chapéu. E, sacando das medidas, lá foi aviando os “sete e meio”(decilitros) do costume. Entretanto, a minha tia entendeu ser simpática com o rapaz, e atirou-lhe uma pergunta à laia de pretexto para uma gorjeta: ouve lá, ó Ernesto, tu gostas de ir ao cinema? – De rompante, o moço respondeu: muito, minha senhora, mas, cá para mim, ou tem de haver muita porrada ou muito amor! – E lá se foi, rua abaixo, todo contente, a guardar os 3 escudos, suficientes para a sessão dessa noite, indiferente ao sorriso que nos deixou a sua veemente opinião cinematográfica.

Que saudade sinto desses tempos em que tudo era simples, natural e bom; os hábitos, os gostos, os cheiros …e as atitudes.

 

À criança que fui
Eugénio de Sá 
 
Pela inocência perdida e insuprível,
Pela espontaneidade irreprimível,
Pelo encanto da súbita expressão,
Pelo gesto solidário inesperado,
Hoje choro esse eu, desfeiteado
Pelas perturbações do coração! 

À criança que fui peço perdão
por tudo o que depois se passou.

RECORDAÇÕES DE INFÂNCIA
Gabriela Pais ( Portugal)

Lembranças da meninice
momentos doces, risonhos,
carregados de meiguice,
uma caçula felice,
serena e cheia de sonhos.

Invadem recordações
dos muitos ensinamentos
preceitos suas razões
a vida e inquietações,
um rio de sentimentos.

Foram andadas gostosas
tintas com flores d’amor,
como árvores frondosas,
firmes, prontas e mimosas,
porto seguro e credor.

Infância que embalo
e conservo este tesouro,
farto d’amor e regalo,
serenidade que abalo,
com um amanhecer de ouro.

DOCE INFÂNCIA
 Cema Raizer

Esperava a noite para imaginar…
 Dormindo ou acordada queria sonhar
Momento marcado de livre inspiração
  Percorria o céu contando estrelas

Que se mostravam através da grande janela
Sempre vestidas de prata…
Nuvens dançavam abrindo e fechando portais
 escondendo a lua e filtrando raios de luar

De noite a passarada no arvoredo
 Preenchia o vazio com seus pios
 A brisa perfumava o quarto 
Com o aroma das madressilvas…

 Efêmeros momentos que sempre recordo
Me enchem de ternura quando retorno… 
Casa de infância é tempo de nunca esquecer
Nutre o silêncio e embala meus sonhos

Incríveis recordações das mágicas noites
De  Sonhar e sonhar
 Onde ainda encontro a grandeza da doce infância…

A MENINA QUE FUI
Yvany Gurgel do Amaral

Fui menina, fui traquina
Brinquei de boneca,
Andei de patins,
Joguei carimba,

Tomei banho em lagoa,
Tirei água de cacimba.
Colhi seriguelas do pé,
Fui a circo sem empanado,

Andei de cavalinho de carrossel,
Subi em roda gigante,
Comi alfenim, mariola,
Ganhei meu primeiro brilhante.

Tinha meu gato Ticilo
Que dormia aos meus pés,
Andei de bicicleta,
Joguei bola, soltei busca-pés,

Caminhei pelos caminhos,
Recebi muitos carinhos.
O tempo passou e tudo mudou,
Que é dos sonhos de outrora,

Por que tudo muda assim,
Onde está a menina, agora,
Que sonhou tanto ser feliz,
Será que ela ainda mora
Aqui, bem dentro de mim?

TROVAS 
Carolina Ramos ( Brasil)

Papai Noel…Chapeuzinho…   
Lobo Mau…Branca de Neve…
Fantasias de um caminho
que, infelizmente, é tão breve!…          

Não se perdem na distância
sonhos que em criança temos,
pois não se sonha na infância,
na  infância… apenas vivemos!  

Quando vejo uma criança, 
sinto um enlevo profundo,
ante a serena esperança
de haver anjos neste mundo!

Tenho várias memórias,
de uma infância feliz
tempo de lindas histórias,
rego d’ amor com raiz.

Gabriela País ( Portugal)

4 comentarios en “POEMAS Y RELATOS A LA INFANCIA EM PORTUGUÉS”

  1. É muito grande a emoção que os textos poéticos trazem ao meu coração. O tempo é curto para expressar minha admiração e o meu carinho para cada poeta aqui presente. Apenas os parabenizo e lhes deixo um grande abraço, Sintam!

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  2. A PEDRA DO URUBU- LUIZ GILBERTO DE BARROS – Um relato muito especial, Luiz Gilberto! Adoro essas recordações de infância!
    Emoções junto a Natureza, marcam a vida da gente! Tive infância assim e voltaria tudo de novo! A vida simples,mas plena de tudo!
    Aprender tantas coisas com a natureza e sentir toda a liberdade do mundo… Lendo-te, volto ao meu mundo encantado e vejo
    quantas memórias estão, em nuvens, sobrevoando minha memória, nessa vontade de ser feliz, livre, leve e solta! Obrigda,
    pelas lembranças que me fazem voltar, em pensamento, ao mundo encantado!

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  3. MEMÓRIAS DA JUVENTUDE – EUGÊNIO DE SÁ : Não é gratuita essa saudade da vida pacata dos tempos de infância….Amo esses inocentes relatos que nos mostram um tempo de feliz convivência com a natureza…Deu vontade de beber desse leite da hora,
    de dar bom dia ao senhor Joaquim, e ouvir dele a sincera opinião, sobre seus filmes favorito! É tempo de nostalgia e é bom recordar! Eugénio sabe das nostalgias Adorei esse relato que valoriza a cultura do simples!

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  4. «À CRIANÇA QUE FUI» Poema DE EUGÉNIO DE SÁ : Lindos e gigantes esses
    pequenos versos que fazem voltar no tempo… de qualquer forma, sempre estarão
    na memória e no coração do autor! Tem momentos poéticos que fazem aflorar nossos
    próprios momentos…quando lemos o POETA! O tempo passa mas esses tesouros das
    recordações de infância permanecem e, nostalgicamente… vem à tona!

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