POEMAS SOBRE LA TRATA DE PERSONAS EM PORTUGUÉS

 

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Julio 2.020  nº 33

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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

COLABORAN. María Inés Aroeira Braga ( Brasil).Virginia Branco ( Portugal). Eugénio de Sá ( Portugal). Alfredo dos Santos Mendes (Portugal).Santa Catarina Fernandes da Silva Costa (Brasil) Iran Lobato (Brasil ). Mário  Matta e Silva (Brasil). Gabriela País ( Portugal). Iracema Raizer (Brasil)

DIFÍCIL VIDA FÁCIL
(Contra a prostituição infantil, sempre proveniente do tráfico humano)
Maria Inês Aroeira Braga

Quando vejo você tão maquiada,
Tentando parecer uma mulher,
Sinto logo que está tão enganada,
E nem vive uma vida como quer…

Lembra a boneca, aquela preferida,
Um presente que um dia a fez feliz?
Está hoje num canto, entristecida,
Sem carinho e o amor de quem a quis…

E o seu sonho dourado de menina
Que esperava um príncipe encantado?
Vai deixar que se afogue na piscina
Do castelo que esteve em seu passado?

Não pequena, acorde enquanto é cedo,
E a juventude ainda lhe toca o rosto…
Sai desse mundo, vem, não tenha medo,
Pois vida fácil é fonte de desgosto…

Busque o trabalho honesto, compre o pão,
Com o suor que enobrece e purifica…
Aprenda sempre hoje a dizer não,
A quem a compra por fazê-la rica…

Lembre Maria, chamada Madalena,
Que trocou a riqueza por Jesus…
Deixou as jóias e seguiu feliz,
Seu caminho de Paz, de Amor e Luz…

MAR D’ESCOLHOS!
Virginia Branco
Portugal

Cedem os migrantes à escravatura.
A pedofilia rouba-nos as crianças.
A prostituição com extorsão é aventura .
Órgãos  extraídos a quem não deu licença,

De humanos são só a sombra;-Mundos vis!
Corja que vive nas catacumbas da terra.
Pagos por dementes a quem são servis.
No obscurantismo comandam-se guerras.

A droga é um feroz e antigo flagelo,
que apanha na onda os mais fracos elos.
Fora vilanagem! O amor tudo refaz.

Não podemos naufragar neste mar  d’ escolhos.
Outra rota com valores  a nossos olhos,
levará o mundo a cantar hinos de paz !

A NOVA ESCRAVATURA
Eugénio de Sá
Portugal

Venho do fundo do tempo,
dos anos da escravatura,
e não há vida mais dura
que trabalhar sem alento.

Rendido à exploração
Sou mais um pobre abusado
E aqui cheguei, enganado
Amontoado em camião.

Descanso num barracão
Em dura enxerga de palha
Depois de um naco de pão.

De manhã alguém me ralha
E me chama de calão
Sinto-me como escumalha.

ATROZ DESÍGNIO
Eugénio de Sá
Portugal

Encolhida num canto ela chorava
Alguém lhe prometera o paraíso
Mas já se lhe apagara aquele sorriso
Quando a crua verdade lho matava.

Pobre menina, mal inda vivera
E já a vida a ilusão lhe roubava
Escarnecida por uma besta fera
Abusada por quem a maltratava.

Que futuro terás, doce criança
Que à força te fizeram já mulher
E escrava sem revolta, feita mansa?

Querem que sejas só uma qualquer
Despojada de tudo, até da trança
Pra tornar mais veraz teu aluguer.

DIREITOS HUMANOS
Alfredo dos Santos Mendes
Portugal

Cortaram meu cordão umbilical,
Fiquei um ser liberto nesse dia!
Foi como receber a alforria…
O ter deixado o ventre maternal!

A vida não seria mais igual!
O conforto uterino acabaria!
Seria mais um ser que enfrentaria…
A crueza de um mundo desigual!

Iria ser exposto à crueldade!
Teria de enfrentar a sociedade,
Aonde proliferam seres ufanos!

Teria no futuro, de gritar
A todo aquele que gosta de humilhar:
Senhor, respeite os DIREITOS HUMANOS!

TRÁFICO HUMANO
Santa Catarina Fernandes da Silva Costa
Brasil

Sol ardente, mãos calejadas, costas queimadas,
– não  pare, mais rápido,
quer mais chicotadas?
Os pés cambaleiam, pernas tremem

Um barulho brusco no ar,
Um gemido calado
Nas águas das janelas do mundo, despejado.
Morre, dentro do túnel da vida,

Desce rasgando e fazendo ferida.
O som do grito sufocado.
Calado, você para isso foi comprado!
Vamos, a noite começa,

Saia às ruas, se enfeite, se embeleze,
Sorria e traga clientes,
Não conte sua vida! Atravessou oceanos?
Sufoque a família e os seus prantos.

Paguei pelo seu corpo esbelto,
Fui rápido, fui esperto.
Eis minha mercadoria barata
Adquirida na hora da fome desesperada.

Sem nenhuma qualificação,
Nem serve para nada.
Vamos, trabalhe, fingindo amar, calada
Que nome tem essa criança?

Que importa a identidade?
Só o que há dentro dela!
Vamos, rasgue-a, sem piedade,
Foque na lucratividade.

AH, MÃE PRETA…
Iran Lobato
Brasil

Por que choras? O que te oprime mãe candura?
Que sofrimento ao teu coração invade?
São tudo flores, te sorri a liberdade
sem a vida cativa de pranto e amargura.

Na tua agonia, quicá a ventura
de mostrar na luz doutra realidade
sem o tinir do ferro, açoite e tempestade,
nos mares da tua África de tez escura.

Inda ontem dormi no regaço do teu colo,
tuas lágrimas me infundem agonia,
desculpa-me Mãe Preta; amo a tua etnia

sem preconceito de ascendência ou cor.
Para outras galáxias iremos um dia,
somos iguais, gozamos da mesma alforria.

JANGADA DE DESUMANIZADOS
( tráfico de seres humanos )
Mário Matta e Silva
Brasil

Rasgam-se os ventres dos desumanizados
Enegrecidos porque maltratados;
Para exposição leviana

Caem na desgraça, amaldiçoados
Vis sevícias de explorados;
Maldição insana

Andam pedintes, sujos, esfarrapados
Fechados em grades, desorientados;
Vigília do mal, que os engana

Exploração do trabalho, desafortunados
Venda sexual, seres descarnados;
Suprema vileza, alma profana

Extracção de órgãos, depauperados
Terras de ninguém, d’ópio viciados;
Luta desigual, crime que os ufana

Tráfico de seres humanos, não recuperados
Mundo de delinquência, homens desvairados
Jangada de loucos! Maldição humana!       

VIAGEM
Gabriela Pais
Portugal

Viagem pelo tempo, sem hora
e demora, as fases divergem
na carruagem da vida, agora,
sem pandora, longa romagem.

Andar, sonhar através do espaço,
que no regaço d’estrelas pendem
e distendem luzes num abraço,
apertado laço que anjos tendem.

Jornada vogando plo barlavento,
um vento astuto vai em debandada,
estar cercada em todo momento,
feliz acento de ida inventada.

Viagem, onda do conhecer,
correr por mundo tão selvagem,
o bem, imagem sem perceber,
que o sonho só prevê, miragem!

Ver mundo apenas d’alguns
e pra alguns, reina egoísmo fundo,
mal imundo, soberba, são comuns,
somente uns o vêm moribundo.

Viagem pelo tempo, sem hora,
mora, o real fere e dói, compungem,
colagem no sonho o belo aflora,
e o imo chora da vilanagem.

DOR DA VÍTIMA…
Cema Raizer
Brasil

Envolvido nas tramas da vida
Num mundo de exploração
Descobre  quanto é triste
A dor de se sentir só!

O coração acelera
Diante do desengano
Ter que obedecer em silêncio
Numa vida de escravidão…

Sentir solidão e olhar distante…
Num sofrimento
Que vai além do pesadelo…

É preciso coragem e força Divina
Tentando voltar ao mundo
Que ficou na lembrança!

ONDE ANDARÁ?
Cema Raizer
Brasil

Onde andará o filho amado
Que sonhou um mundo melhor?
Colhendo sonhos nada previu
Mas se viu num lugar estranho…

Transformado em escravo
Dissipou a esperança
De uma vida melhor…

Longe do seu mundo
Num amargo silêncio
De uma vida sem futuro…

Sente  o coração queimar
Despertado pela dor
De um problema sem solução…

MINHA SAUDADE
Cema Raizer
Portugal

Estou bem Longe dos que amo
Olhando para o vazio
Saudade dos que me amam…
Vejo uma revoada de pássaros

Muitos pássaros no céu
Atravessando o azul…
Vendo-os assim tão livres
Preencho esse meu vazio

Sonhando liberdade
Com a dor da solidão!
Grande vontade rever os meus
De meu mundo tão distante

Que mantenho na lembrança
Com vontade de voltar…
Reviver o livre convívio
Com a família que é minha!

2 comentarios en “POEMAS SOBRE LA TRATA DE PERSONAS EM PORTUGUÉS”

  1. «Difícil Vida Fácil» – «Mar D’Escolhos» – «A nova Escravatura» – «Atroz Desígnio» – «Direitos Humanos» –
    » Tráfico Humano» – AH! Mãe Preta!» – Jangada de Desumanizados» – «Viajem» :

    9 Poemas sérios, repletos de dor, mostrando a importância de proteger, e lutar pela a liberdade do ser humano !

    Nessa hora lembro da canção interpretada por Renato Russo :
    «E preciso amar…amar as pessoas como se não houvesse amanhã…»

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  2. São todos os poemas densos e intensos! Quanto sofrimento costurado com palavras carregadas de dor. Quanto sentimento querendo abrir as portas da maldade e soltar as almas presas em garras satânicas, que aqui neste baixo mundo atormenta os seres humanos desde o princípio da criação.
    Só o Criador de toda a beleza e toda a grandeza é capaz de varrer do seu jardim esse esterco, remover a terra e deixar brotar só o amor. Só o amor é capaz de mudar a humanidade, trazer de volta a felicidade e nos fazer viver aqui, a eternidade. Enquanto isso nós lamentamos e não cansaremos de cantar, clamar e chamar o amor de volta para nós e repelir essa onda de maldade!

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