POEMAS O CARNAVAL

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febrero  2.020  nº 28
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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

COLABORAN: María Inés Aroeira Braga…Virginia Branco…Eugenio de Sá…Alfredo Do Santos Mendes…José Ernesto Ferraresso…Ary Franco…Amilton Maciel Monteiro…Gabriela País…Rita Rocha…Yvany Gurgel do Amaral

O Carnaval da Vida
Maria Inês Aroeira Braga

Podemos comparar as nossas vidas,
Com a ilusão que traz o carnaval…
Fantasias alegres, divertidas,
Para serem tiradas no final…

A ânsia de mostrar muita alegria,
Coloca tantas máscaras no rosto…
É se perder no meio da folia,
Para esconder que tem algum desgosto…

Assim, vamos seguindo pela estrada,
Esquecendo que a noite mascarada,
É apenas um sonho, brincadeira…

É bem melhor viver na realidade,
E não sofrer alguma atrocidade,
Quando o sol despontar na quarta-feira…

C A R N A V A L
Virginia Branco

Brasil

É tempo de gargalhar
e de exultar pela fecundidade da terra.
Prelúdio de Primavera
e do jejuar da Quaresma.
Repetem-se rituais e tradições.

Ao som de folclore
dançam mascarados nos salões.

Desfilam nos corsos, adultos e petizes
com expressões felizes;
Na capa do capuchinho vermelho,
de princesa ou nazarena,
de espanhola ou indiana,
de tigre ou de leão.

Corsos de alegorias
com reis de curto reinado.
Recriam-se fantasias
místicas ou de duendes,
cabeçudos contundentes,
figuras típicas e públicas
de actos consequentes.

Serpentinas ondulantes,
lantejoulas brilhantes
em alegres danças tribais.

Espampanantes Carnavais
são roteiro de turismo;
Itália – Brasil
França – Portugal.
Brasil é o mais viril
Com o samba no desfile
e os corpos desnudados,
na dança ritmados.

Como “não há bela sem senão”,
também desfilam ardis.
No auge da surpresa
surgem ajustes de contas,
entre a raiva e a vileza
tomba um corpo na poalha,
porque se activou um gatilho
ou um fio duma navalha. 

CARNAVALE
Eugénio de Sá

Tem na história explicações distantes
O Carnaval como hoje o conhecemos
E do que pouco que lemos e sabemos
Quase voltou ao tudo que era antes
Lembremos o Egito há seis mil anos

Quando Isis inspirou toda essa festa
E nas margens do Nilo se cumpria a gesta
Em honra à fértil terra dos profanos

Depois foram os gregos a criar
Em culto a Dionísius rituais
Próprios de um deus gerados por mortais
Amantes de beber e de folgar

Já Roma ao deus Saturno dedicou
As festas mais ousadas e carnais
Promovendo na urbe as saturnais
E em bacanais e vinho se afogou

De “carrum navalis” era então chamado
O cortejo que abria a temporada
Pois tinham proas, rés e amurada
Os carros do desfile engalanado

E foi vez de pôr cobro à extravagância
Com usos d’outra gente mais austera
E o carnaval passou a ser quimera
Quando os cristãos esfriaram essa ânsia

Já século quinze andado o Papa Paulo
Decidiu abrandar a maldição
E permitir que todo o bom cristão
Dançasse mascarado a seu regalo

Mas é próprio do homem e da história
Alargar sempre mais o bom início
E assim de presto voltou tudo ao princípio
Perdendo-se os limites na memória

E enquanto a Veneza evidencia
Ainda algum pudor e continência
Noutros locais do mundo em opulência
Solta-se a carne viva na folia

Hoje os ecos do samba são ouvidos
Por todo este planeta admirado
E o Carnaval aos pés do Corcovado
Deixa a perder de vista os mais antigos

Nota do autor:
Por ordem cronológica, a história do Carnaval radica no Egito, na Grécia e
Roma antigas, e no Renascimento Europeu, particularmente em Veneza.
O Carnaval encontra no Rio de Janeiro o seu quarto centro de excelência
resgatando o espírito de Baco e Dionísus.
Ao contar uma história que completa seu sexto milênio e que acompanha a
própria história da humanidade, a história do carnaval, considera os seus
Centros de Excelência, dividida em quatro períodos: o Originário, (4.000
anos a.C. ao século VII a.C.), o Pagão, (do século VII a.C. ao século VId.C.),
o Cristão ( do século VI d.C. ao século XVIII d.C.) e o Contemporâneo
(do século XVIII d.C. ao século XX).

CARNAVAL
Alfredo dos Santos Mendes

Carnaval está chegando.
Já vou meu samba ensaiando,
p’ra no corso desfilar.
Eu quero entrar na folia.
E até ao nascer do dia
apenas quero sambar.

Quero ouvir a batucada.
Sonora, cadenciada,
a comandar o marchante.
Ver a morena atrevida,
desnuda, desinibida,
escultura deslumbrante!

Quero vê-la desfilando.
Seu traseiro rebolando,
ver o seu peito arfar.
Ver o seu ofídio jeito,
serpenteando a preceito,
em gracioso sambar!

E ao vê-la rodopiando.
Todo o seu corpo vibrando,
eu rogo uma prece a Deus.
Se a morena se cansar
e tiver de descansar…
Descanse nos braços meus!

MÁSCARA  E  MISTERIO
José Ernesto Ferraresso

Chegou a hora da festa tão esperada!
Amigos e inimigos sambam juntos uns com o rosto descoberto, outros, 

escondidos e mascarados.
Não se sabe o que está atrás deste aparato. Talvez tristeza, dúvidas
e até mesmo, algum disfarces.
Mas o que há de verdadeiro ali?
Que mistérios há atrás das máscaras?
Perguntas sem soluções surgem a todo instante e também dúvidas.

Só quem as usa poderia responder
mas se esquivam e nada têm para declarar.
 Alguns usam-na para se esconder e enganar, ou melhor, se disfarçar!
E a pergunta sem resposta continua
sempre à espera de alguém que num momento qualquer esse mistério irá revelar.
O momento acaba.

 A festa vai terminar.
O aparato será tirado,  guardado,e o segredo ficará incógnito mais uma vez.
Sabe-se que outras ocasiões irão chegar
e a dúvida sempre irá continuar.
Alguém vai usar de novo e o mistério nunca desvendar.
Portanto, a nossa certeza é só uma:
Que a folia irá recomeçar e um outro mascarado se aproximar!

TROVA
Carnaval são quatro dias de magia,
Período de grandes emoções.
Não quero que termine essa folia,
Que preenche nossos corações .

Uma Festa de Emoção e Euforia
José Ernesto  Ferraresso

Ao término das Festas religiosas e tradicionais
é hora de preparar para mais um evento de alegria. 
Com ousadia entusiasmo chega final de um trabalho a mais
composto de realidade, história, ficção e magia.
 
Na euforia, tristezas e problemas são esquecidos,  
com muitos esforços, criatividades, expectativas e num só compasso euforia.
É o espetáculo fantástico nas enormes avenidas com vários sonidos  
das baterias , carros alegóricos, enredos e luxuosas fantasias.
 
É chegada a hora da festa tão esperada
 e amigos e inimigos ali vão sambar e desfilar.
Passistas, coreógrafos, evolução e arquibancada,
estão ali para competir, aplaudir e cantar.
 
O entusiasmo do povo envolve cada participante, 
fazendo-o  demonstrar esforços e uma enorme emoção. 
Ao som da bateria, pulam, sambam e seguem adiante.
Sabem que haverá um momento crucial:Competição  

TRISTE CARNAVAL
Ary Franco (O Poeta Descalço)

Quando Pierrô nunca mais viu sua Colombina
E ficou sabendo que ela fugiu com o Arlequim
Morreu de tristeza, na calçada de uma esquina,
Sem entender como ela pôde ser tão fútil assim.

Até o alegre palhaço que só sabia fazer rir, chorou.
Inconformado, sem saber como aquele amor findou.
Os blocos se dispersaram, as luzes se apagaram,
O batuque se calou, fantasias e sonhos acabaram.

Pobre Pierrô, podias ter o carnaval aproveitado.
Com outras mulheres mais belas teres brincado.
Mas tinha que ser aquela que conquistou teu coração.
Sem ela, eras noite sem luar, versos e letra sem canção!


                         MINHA FANTASIA                       
Amilton Maciel Monteiro
Brasil
                        
Eu brinco o Carnaval só com você,
vestida de cigana ou colombina;
se eu for com outro alguém, não sei por que,
o meu entusiasmo desafina!

A minha fantasia “démodé”,
com a roupa de capiau e de botina,
espero não causar nenhum auê
em meio dessa gente tão grã-fina!

Não consegui comprar um abadá,
a cara vestimenta dos baianos…
Se eu não for de caipira, então não dá!

Eu uso esse uniforme já faz anos,
praticamente em todo Carnaval…
Mas, por favor meu bem, não leve a mal!

CARNAVAL
Gabriela Pais (Portugal)

Carnaval da minha infância
Vestida de minhota ou espanhola,
Como flor cheia de exuberância
E dançante a tocar castanhola.

Trajei também fato de saloia,
Das regiões vizinhas de Lisboa,
Deste antigo Portugal uma joia
Diferente de agora, o tempo voa.

Havia bailes, folia nas ruas,
Mascarados chamados de xéxés
Das janelas, brincadeiras cruas,
Sem mal, e homens faziam de bebés.

Agora tudo é bem diferente
Carros alegóricos esmerados
Pessoal com arte, irreverente,
Carizes alusivos, bem trajados.

Dias que uns ousam esquecer mágoas,
Feridas arrancadas da vida
Lançam humor p’ lo caminho, sem báguas,
Com uma esperança renascida.

NOSSO CARNAVAL
Cema Raizer

Um ano de expectativa…
E retorna o Carnaval
Trabalho de gigantes
Programando a festa maior

Três dias de folia…
Num mundo fantástico
Dando asas à imaginação
Sem medo de errar

Dedicando um ano inteiro
A mais um tema inédito
Onde a arte se mostra ao mundo
Num incontestável trabalho

Da incontida paixão de um povo unido
Exaltação ao samba e ao Rei da festa
Na busca do maior Prêmio
O Brasil ganha Divisas

Desfiles competição e aplausos
Na magnitude dos carros alegóricos
Tocando em frente o Verde Amarelo
Festa do país inteiro…

Explode nas Metrópoles
O Carnaval é brasileiro!


SOL
Cema Raizer

Acordo bem cedinho…
Espreito pela janela
Sempre me surpreendes
Espiando-me

Detrás da verde montanha…
Minha paisagem predileta
Que ainda não está encoberta
Pela acelerada cidade…

Sol que me ilumina
E acalenta meu dia
Me inspira na primavera
Me sufoca no verão

Me ameniza no outono
Me aquece no inverno…
Astro Rei

Sempre generoso
Se recolhe na noite
Para dar lugar à Lua!

O TEMPO
Cema Raizer

Entardecer vermelho
Tinha um tom diferente…
Parecia que o sol
Não queria se pôr…

Um anel de luz em sua volta
E as águas muito calmas!
Os barcos dos pescadores
Pareciam encantados…

Aprendi que céu assim
Indica a chegada de chuva
Previsão de pescador!
O tempo fechou

A chuva espantou o sol…
Ouvi os pingos da chuva
E senti o aroma
Da terra molhada…

MEUS ETERNOS CARNAVAIS
Rita Rocha

Ah, saudosos carnavais,
cuja memória enalteço;
não terei outros iguais,
matinês que não esqueço!

Festival da Serpentina,
ponto alto desse folguedo;
puro astral da brilhantina,
no embalo do samba-enredo!

No Concurso à Fantasia,
me vesti de castelã;
e, com máxima alegria,
consegui ser Campeã!

E, assim, à luz do folguedo,
sem requinte de maldade,
em desfile, ou em segredo,
tinha-se a felicidade!

Monte Alegre, 09/02/2020

CARNAVAL DA VIDA
Yvany Gurgel do Amaral

A vida é como um carnaval
Com a nossa fantasia
Entramos na folia
Em qualquer dia.

Subimos no palco
Do carro alegórico
E desfrutamos da alegria
Do estilo gongórico.

Mergulhados no vermelho escarlate
Sentimos o pulsar dos vivos
Na cor rubra de sangue-de-drago
A mesma do coração do amante.

E a máscara do nosso rosto
Nada mais é do que a marca do desgosto
De não termos podido escolher
A vida (o carnaval) que queremos ter.

E quando encontramos alguém
Que nos possa dar uma linda rosa
E a Colombina achar o seu Arlequim
Pensamos que é a felicidade sem fim.

Nosso Carnaval (Vida) se cobre de verde e rosa
Brincamos uma folia de sons e ritmos
A música nos envolve a alma e o coração palpita
Mas o som de um clarim anuncia a despedida.

No chão, restos de um Carnaval
Confetes, máscaras e serpentinas
Alegorias, alegrias, paixões e amores
Felicidade perdida

Restos da própria vida.

6 comentarios en “POEMAS O CARNAVAL”

  1. Carnaval é alegria, animação confete serpentina.
    Belíssimo, Carnaval de todos os poetas que
    aqui transcreveram seus belos poema.
    AMEI….Amei….
    Parabéns…

    Responder
  2. Pela época Feliz Carnaval e aproveitem bem tomando as devidas precauções.
    Parabéns meus amigos poetas que discorreram seus momentos de emoções aqui,
    bem como agradecemos as oportunidades dos amigos Eunate e Eugènio que sempre
    nos envia o convite com o convite para participarmos do site e dos temas escolhido bem
    diversificados pelos coordenadores . Obrigado e Sucesso sempre!
    Deus te pague e mais uma vez aplausos pelo site ( Blog )

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