POEMAS EXPLOTACIÓN INFANTIL EM PORTUGUES

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Febrero  2021 nº 40

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Estos conservan el copyright de sus obras
AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

COLABORAN: María Inés Aroeira.-Virginia Branco.-Eugenio de Sá.-Alfredo dos Santos Mendes.-Santa Catarina Fernandes da Silva Costa.-Jose Ernesto Ferraresco.-Albertino Galvão.-Tito Olivio.-Cema Raizer.-Carolina Ramos

 

Escravidão Infantil
Maria Inês Aroeira Braga
Brasil

Apenas uma sombra de criança,
Que não sabe sequer o que é um brinquedo…
Na sua vida vazia de esperança,
Só conhece a dor, a fome, o medo…

De sol a sol passa o tempo na lida,
Como alimento, um pedaço de pão…
A alma acabrunhada, entristecida,
O corpo preso à dura escravidão…

Quanta tortura em nome de um poder,
Que rouba inteiramente seu viver
E lhe tira de todo a ilusão…

É assim a vida desses pequeninos,
Que nem se lembram de que são meninos,
Por causa da maldade e da ambição…

C R I A N Ç A S !
Virgínia Branco
Oeiras, Portugal

Criança que és violada, explorada,
na idade de brincares com brinquedos.
Trabalhas no duro, mal remunerada
p’ra venceres o desamor, o degredo.

Nas minas, com a peneira és mineiro.
Se perto de um rio, pescas p’ra um Senhor.
Meninos d’Oiro, indefesos, rotineiros.
Se sabes demais, teu corpo sentirá dor.

Neste século vive-se em escravatura.
O mundo aceita as vidas traficadas.
Aos milhares, as crianças são torturadas.

Na Europa não são tão sacrificadas,
têm mais acesso à cultura e à ternura.
Num ano;-Seis milhões morrem às mãos da usura !

CRIANÇAS
Eugenio de Sá
Portugal

Mas as crianças, Senhor, / porque lhes dás tanta dor?!… /
Porque padecem assim?!..
Augusto Gil
In: Balada da Neve

Não sei bem porquê, ou talvez saiba
Porque, quando se trata de falar do sofrimento de crianças,
Sinto que a rima não é urgente
Nem há metáforas, por mais geniais ou elaboradas que sejam,
Que possam exprimir a verdade em toda a sua crueza.

Olhos negros que nos fitam em fundas órbitas
Assim é olhar de uma criança que sofre
Não o exprime, porque não saberia fazê-lo
Nem sabe invejar outras crianças felizes

Olha simplesmente, com a aceitação da inocência
Não conhece o mundo para além do horizonte que enxerga
Nem isso parece interessar-lhe
Porque nunca aprendeu a entendê-lo

E porque não lhe dão sequer tempo para pensar,
Ainda que dentro das suas limitações.
No entanto, também ninguém se interessa por explicar-lho
Porque é preferível que não conheça mais que aquilo que vê

Isso pensam os que dele se servem, os que o abusam,
Os que dele fazem fonte de rendimento.
Pobre criança que não conhece o prazer de brincar
Como fazem as crianças felizes

Quantas vezes rói um pedaço de pão
Como único pagamento pelo aluguer do seu corpito…
Pobre, este mundo que se diz civilizado

E que ainda permite que isto aconteça;
Que assim se escarneça do direito à vida
de um ser humano que para ela mal despontou.

A CRIANÇA
Alfredo dos Santos Mendes

Criança que és um homem pequenino.
Aos poucos deixarás de ser menino
Assumirás de adulto, a condição.
Olhos postos em vós há muita gente.
Serão vocês, meninos, certamente:
O garante, o futuro da Nação

Mas sendo esta verdade indesmentível.
Não consigo saber como é possível,
usar tanta má fé com inocentes!
Rodear o seu mundo de ardilezas.
Utilizar crianças indefesas.
Em imoralidades indecentes!

Será gente, esta gente sem moral?
Será bicho ascoroso irracional,
que se encontra de humano travestido?
Quem violenta assim uma criança.
Lhe deixa pesadelos na lembrança.
Não poderá viver sem ser punido!

Que a justiça dos homens seja dura.
Quem tira aos inocentes a candura,
deve ser duramente castigado.
Só é pena que a lei de talião,
não possa ser usada em punição,
e condenar a besta, a ser castrado!

E não mais no futuro permitir.
Que energúmenos possam existir,
a tratar as crianças, sem amor!
Os meninos precisam de carinho.
Os eduquem, lhes mostrem o caminho.
Para que sejam homens de valor!

AS PORTAS
Santa Catarina Fernandes da Silva Costa
Brasil

Que cidade está escondida no interior das portas?
Que mundo nos espera dentro delas!
São elas protetoras dos seus habitantes, ou são prisões?
Ninguém entra e ninguém sai! Cuidado!
Olhem os documentos, identidade, procedência.
Trazem mercadorias? Quais são?
Mostre ao oficial da passagem.
Quanto tempo pretendem permanecer entre os muros?
 Endereço: de amigos, de parentes, de hospedagem.

Cuidado com os estrangeiros!
Entram sorrateiros, vão cavando os muros,
Arrancando os enfeites,
Vendendo coisas baratas e inúteis!
Mostram as estrelas do céu,
num quadrado tão pequeno entre as muralhas!
Este é o céu imenso. Engano!
Quando vão embora, deixam, atrás das paredes,
brechas amargas!
Levam as preciosidades
que havia no interior da porta:
A esperança, a alegria e a felicidade.
Assim, fica morta a cidade!

CLEMENTINA
Santa Catarina Fernandes da Silva Costa
Brasil

Abane o café, pequena.
Tem só dezesseis primaveras.
Levante a peneira, sacuda a sujeira,
sinta o cheiro da terra!

O estômago está embrulhado,
o corpo está cansado,
apoie a peneira no ventre
levante alto!

Mas o ventre está cheio, estufado,
tem dentro dele, gente.
Escorre o suor criança, de face rosada,
é calor, é cansaço, é nada!

É dor aguda, da hora esperada.
Busque, Neco, a parteira,
arreie o cavalo, sem demora. A dor acelera.
Deixa a roça, vá para casa, lave-se e deita!

Água fervendo em panelas de ferro,
trapos brancos, molhados, em mãos
cheias de calos.
Saias longas varrendo o chão,

Passos apressados e lábios trêmulos,
murmurando uma oração.
Pé na cova e pé no chão.
Demora a parteira, é longa a jornada

O animal é lento, a menina gemendo.
A sogra enxuga a dor no rosto e a consola.
O sol vai andando na hora,
O pequeno ser mexe no ventre,

Cutuca forte e a menina mãe,
Mais uma vez, chora e geme!
Força, mais força, coragem,
A força empurra a gente

e joga no chão a sua semente.
Veja, é primavera!
Num banho de dor a menina é rasgada
de dentro para fora

e em duas se transforma.
Enxugou o suor, a lágrima é de leveza.
Tudo passou, o que era pobreza,
Agora brilha como riqueza.

Abraça o seu pedaço pequenino, franzino,
E o veste de trapos.
Num quarto de chão batido, sombrio
Viveram as duas seu primeiro momento.

Lá fora calmo está o vento,
Foram embora a dor e o lamento
No céu, o sol resplandecia. Era meio- dia!

FOME E SOBREVIVÊNCIA
José Ernesto Ferraresso
Brasil
 
Eles procuram detritos no lixo para sobreviver,
Fazem de tudo, até brigam para comer,
O tempo passa, vêem seus filhos definharem,
Veem as lágrimas em seus rostinhos tenros rolarem.

São mendigos à procura de alimento nos lixos,
São humanos, explorados e comprados como bichos.
Esse é o  retrato que mostra nosso país,
Que faz com que o pobre não viva feliz.

É um lutando pelo espaço do outro,
Sai um e logo chegam os outros.
São crianças paupérrimas os que gritam bem alto,
Jogados na lida, alguns drogados e deitado no asfalto. 

Forças, eles não têm mais para aguentar,
Os pais carregam os filhos e levam para trabalhar.
Medo e sobrevivência serão os que mais atrairão,
Esperanças, talvez um dia nesta luta conseguirão.

Crianças desnutridas que lixo encontram para classificar,
Pais desesperados lutando com seus filhos sem educar.
Momentos de angústias de um trabalho difícil e de exploração,
Labuta o dia inteiro para dar aos filhos um pedaço de pão.

Pela sobrevivência os pais entregam os filhos para a luta,
Exploradores aproveitam as crianças para uma desonesta labuta.
Nem sequer não respeita os direitos do menor explorado,
Nem ao menos pagam um salário justo e sim,um baixo ordenado.

SOB A CAPARA DE UMA ABSURDA TRADIÇÃO
Albertino Galvão

Sob a capa de uma absurda tradição
a meus olhos seriamente condenável
se pratica em Portugal a excisão
acto insano, ignóbil e lamentável

Em cenários tristemente ensanguentados
sem resquícios de higiene nem pudor
de meninas, genitais são decepados
quando elas mal despontam p’ró amor

Jovens moças por tradições perseguidas
submetidas à crueldade de alguns ritos…
são vexadas e do prazer inibidas
por algozes surdos-mudos aos seus gritos

Com que fins, meu bom Deus, com que direito
se destrói a natureza da mulher
esse ser que TU moldaste tão perfeito
e esta gente tanto teima em ver sofrer

Com que fins meu bom Deus,
com que direito?!

Negros retratos
Albertino Galvão

Dedicado às crianças que, um pouco por todo o mundo, mas especialmente em África,
são as principais vítimas da inconsciência dos senhores da guerra     

Nas peles negras cicatrizes do presente…
Nos olhares a esperança negra sem futuro…
Nas bocas sonhos duma côdea inexistente
Dum pão sem nada, nesse nada pobre e duro

Corpos, sem corpo, pela fome desnutridos…
Rostos, sem rosto, p’la moléstia descarnados…
A pele e osso dos bracitos definhados
Buscando, em vão, os seus colos prometidos

Sombras escuras em seus olhos se alojando
Mostrando monstros e fantasmas que se acolhem
Nos corações dessas crianças que, chorando,
Vivem morrendo numa vida que não escolhem

Rondam abutres mensageiros da desgraça…
Vagueiam lobos pelas vastas planícies…
E os cobardes entre a pobre populaça
Se envenenam com as próprias canalhices

São maus retratos retratando curtas vidas
Vidas vividas na mais negra desventura,
Bebendo o sangue e lambendo as próprias f’ridas
Sofrendo as dores e os martírios da tortura.

Negros retratos, meu Deus, negros retratos…
Esses retratos de crianças africanas
Se debatendo neste imenso turbilhão…

Pobres escravas enredadas nas lianas
Deste insano e vergonhoso mundo cão!
Que retratos meu Deus, mas que retratos!

AS CRIANCINHAS
Tito Olívio
Faro, Portugal

Não há maior beleza, neste mundo,
Que o brilho, a luz dos olhos das crianças.
Quem anda por aqui, nestas andanças,
Bem sabe o que é sublime, o que é profundo.

Os sonhos de futuro, inda não feitos,
Que jazem na cabeça tão franzina,
São barcos que a maré traz, à bolina,
É sol, é o luar, mas sem defeitos.

Milhões de ideias pode o sábio dar,
Milhões de quadros pinte um bom pintor,
Ninguém consegue dar o tom, a cor
Daquelas bochechinhas a rosar.

A mão tão pequenina, tão singela,
Se afaga nossa face, com ternura,
É asa dos anjinhos, de tão pura,
Ou uma borboleta na janela.

E vós, seres adultos, sem amor,
Sem dor, que doa, em vosso coração,
Em vez de as ajudar, lhes dar a mão,

Lhes dais trabalho e fome, outro labor.
Deixai-as só brincar, dai-lhes carinho,
Que foi o que Deus pôs no seu caminho!

EXPLORAÇÃO INFANTIL
Cema Raizer

São muitas vidas destruídas
Pela exploração infantil
Sofrimento miséria e fome
Crianças sendo envolvidas
Atitudes absurdas e cruéis

Escravidão!!!

Castigos traumas e dor
Lições negativas impostas
Usando e abusando do poder
Sobre indefesas criaturas!

Marcando a infância
Com uma trajédia
Que ninguém apagará
Pois é permanente!     

CRIANÇA CARENTE
Cema Raizer

Toda criança quer amor
Precisa de uma família!
Ante a dor do abandono
Persiste a  solidão…

Triste e cruel destino
Refletindo dor e agonia
O olhar inquieto acusa o medo
Ao fechar ou abrir os olhos

Sente sempre o vazio…
A ausência dos pais!
Pequena alma fragilizada
Carente de tudo

Ainda espera encontrar algo
Além do sonho…
Sonho que não vem!

CRIANÇA DE VERDADE…
Cema Raizer
                                                                                                           
Coração encantado
Vontade de brincar
Tem amor pelos seus sonhos
Se harmoniza com a natureza

Sabe interagir
Adora o contacto com amigos
Brinca com as pedras e com areia
E admira os animais

Corre descalça na grama
Entende ordens
Vive momentos felizes
No aconchego da família!

No coração dessa criança
Mora o sonho que ela cultiva
Pela vontade e por sentir-se amada!

É ASSIM?
Cema Raizer

No dia a dia
Tristes fatos vem à tona
Criança sendo explorada
Tem que ouvir o que não quer
Comer o que não gosta
Violência… e trabalho forçado
Fome, medo e lágrimas
Vestindo trapos
Sentindo solidão e abandono
Há sofrimento em seu semblante
Medo insegurança e angústia
É assim mesmo
Sem saída… Sem saída?
Não tem como fugir!
Dilaceraram seus sonhos
Causando traumas
Quem sabe a verdade?
Quem entende a razão

 

Desenhando o amanhã
Daniela Rodrigues de Sousa
Brasil

O cenário da infância é multicolorido
Sua fantasia é encantadora
As lembranças e histórias
Desenham o amanhã de todos nós

No parquinho junto aos amigos
Com os cães os gatos as bolas e carrinhos
Bonecas e flores brincamos e sonhamos
Criamos um universo de travessuras

Nas festas tem pipoca e algodão-doce
Suco e cachorro-quente, mágicas e super-heróis
Tem palhaços e balões e bolinhas de sabão
E por fim o Parabéns! Com bolo e brigadeiros.

Na escola lápis, borracha e canetinhas
Hora de desenhar, de ler, fazer continhas
No recreio um lanchinho e muitas risadas
E ali vou crescendo e o mundo conhecendo

Com os pais o amor, o respeito, a educação
A dedicação a Deus a família e ao próximo
Um solo fértil onde florescem as crianças
Para um novo amanhã.

Olhar de Criança
Daniela Rodrigues de Sousa
Brasil

Crianças são heranças
Carregam em si sonhos do amanhã
Crescem no jardim da esperança
Alcançam as estrelas com uma mão

Brincam com as flores
Encantam-se com as joaninhas
Descobrem os dinossauros
Crescem dia a dia

Exploram o mundo a sua volta
Sapos, borboletas, pássaros
O mar, os peixes o firmamento as nuvens
Numa alegria que a todos contagia

Se pudesse voltaria a ser criança
Para num só momento voltar a ter
Toda pureza e formosura
Do olhar de uma criança.

TROVAS
Carolina Ramos
Brasil

Criança enxuga o teu pranto…
sorri, que a vida te enfeia
e a vida tem mais encanto
quando encanto se semeia!
—-
Há cirandas de esperanças
mesmo nas tristes favelas
onde brincam as crianças,
os anjos brincam com elas!
—-
Nada  mais terno e mais lindo,
nada mais puro e inocente,
que uma criança sorrindo
correndo em volta da gente
—-
Pisam tão leve os pezinhos
diminutos das crianças,
que o doce arrulho dos ninhos
lembram em suas andanças!

Enquanto existam crianças,
existe no mundo o amor
e também as esperanças…
 Zelai por elas, Senhor!

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