POEMAS EN PORTUGUÉS

 

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MENINA-MOÇA, DA SENZALA À SOCIEDADE!
Ógui Lourenço Mauri

Grande Princesa Isabel,
que, com sua pena e tinta,
cravando a lei no papel,
pôs a escravatura extinta!

Então, o Brasil, por Deus,
tirou a mancha da História;
fez dos negros filhos seus,
recompondo sua glória.

A menina-moça, aquela
de pele negra e bonita,
ganhou ares de donzela;
livre, sem vida restrita.

Da senzala à sociedade,
teve espinhos, desafetos.
Mas, ao usar a «Liberdade»,
avançou em seus projetos.

Linda afrodescendente,
ás da miscigenação!
No Brasil de tanta gente,
um destaque da nação!

O Brasil multirracial
tem colorido bacana;
mais um sombreado especial,
cor da mulher africana!

DUETO

DOIS TECLADOS
Eunate Goikoetxea (España)

Pelo cristal deslizam gotas de orvalho
e em cada manhã seca-as o estío;
cem portas abiertas, uma sinfonía
cativa e alivia a eterna agonía.

Duas almas boémias, distintos destinos,
noites aprasíveis, longe os seus caminhos;
em suave cadência suas mãos deslizam
e em teclas dóceis sua linguagem harmonizam.

Con subtil cadência aspargem o amor,
outro grava em folhas as centelhas de dor
con suaves acordes ela toca o céu,
ele com seus versos emprende o seu vôo.

O sol adormeceu na lonjura
e na noite fría nasce uma esperança;
seráficas notas sacoden a alma,
os sinais vibrantes descrevem a calma.

Um teclado canta e otro só chora
um anuncia vida e otro está saudoso,
unem-se os acordes e as letras mortas
que pariu o silêncio das horas desertas.

La luz matutina traz um novo alento,
a essência nocturna é levada pelo vento,
notas e palabras com voltas juntou
e ao surgir o alvor um poema nasceu.

Sincronicidade
Eugénio de Sá (Portugal)

O poema adentrou a madrugada
Fruto de um vórtice que a noite gerou
E enquanto o arreból não se ostentou
A poesia mostrou-se amodorrada.

Mas não está só na intenção do verso
Esse poeta que a noite embalou;
Outro asceta como ele deambulou
Insone e triste, em mágoas submerso…

E em sincronia d’ almas estiveram;
Um, antevendo alvores gloriosos
Outro, tendo nos olhos aquosos
A acidez salgada que verteram.

Ambos olharam plos vidros da janela
Embaciados das brumas da aurora
Um, com os olhos rasos de quem chora
Outro, com o sorriso que a fé afivela.

SONETINHO 
Amilton Maciel Monteiro

Sou um apaixonado por soneto,
por isso é que eu o busco noite e dia,
em livro, nos jornais, ou num folheto…
Se acaso encontro, é sempre uma alegria!

Eu gosto, mas fazê-lo, não me meto,
pois sempre quando eu tento, Ave Maria!
Que preste nada sai e comprometo
a nossa Língua e a própria Poesia!

Assim, ler os do alheio me contenta,
quer sejam de Camões, ou do vizinho,
que tem um jeito próprio que ele inventa:

A métrica não cumpre e nem põe rima…
Diz que tudo é poesia, é sonetinho…
O curioso é que nunca desanima!

 

UM PÁSSARO A CANTAR  DENTRO DE UM OVO
Antonio Juraci Siqueira

Se o mundo quer calar-me, eu não hesito:
recorro à trova e crio um mundo novo
onde ponho o calor e a voz do povo,
um punhado de humor, um beijo e um grito.

 Na trova eu me divirto e me comovo,
nela o meu sonho é muito mais bonito,
nela eu prendo as estrelas do infinito
e um pássaro a cantar dentro de um ovo.

 Trova é roupa estendida na varanda,
relva molhada pela chuva branda,
rosa vermelha, moça na janela,

gotas de orvalho a tremular na flor…
Por isso não a queiram mal, pois ela
é a voz e o coração do trovador!

A I N D A   A   P R I M A V E R A…
Dorothy Jansson Moretti

O tempo corre em compasso inclemente,
levando pais, amigos, mocidade;
e um dia percebemos que saudade
é agora a sombra única e presente.
 
Não resistiram à fragilidade
os nossos sonhos bons de adolescente;
e outros, de fase ainda não descrente,
há quanto tempo jazem na orfandade!
 
As estações sucedem-se, entretanto;
não as atinge o nosso desencanto…
Verão, outono, inverno…Ah quem me dera
 
que abrindo essas janelas do passado,
eu sentisse que nada foi mudado
e que lá fora… ainda é primavera!

SONETO PARA SARA
(Josafá Sobreira da Silva)

Jamais se sara quem censura a cura!
Meu ser censura, mas procura Sara
E Sara foge, feito saracura,
Do amor – que eu sei que cura – e não me sara.

Incerto, sigo Sara em senda escura:
Parece certo achar que Sara sara.
Achara Sara o amor de quem procura?
Serei loucura ou cura para Sara?

E o amor em mim se insere qual loucura,
Pois não se cura quem não se declara!
E Sara não me sara…não me cura…

Porém, pressinto a cura, cara a cara,
Pois Sara cora quando me procura,
Mas, quando foge… não me cura Sara!

A  IMAGEM  DO  TEMPO
Edmar Japiassú Maia

 O olhar é opaco, a face contraída,
há flacidez nas pálpebras cansadas,
a boca é seca, a tez esmaecida,
encimada por mechas desgrenhadas…
 
Todo o peso das culpas desta vida
repousa sobre as costas encurvadas.
O farto ventre, a carga mais sentida,
castiga as frágeis pernas arqueadas…
 
De confidentes restam a bengala
e uma imagem sagrada, lá na sala:
-Fiéis acompanhantes da velhice!
 
Velhice de incertezas e mistério,
que o tempo vai legando a seu critério…
e a mim agora impôs…sem que eu pedisse!

SONETO
Mario Quintana

Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
verde!… E que leves, lindas filigranas
desenha o sol na página deserta!

Não sei que paisagista doidivanas
mistura os tons… acerta… desacerta…
Sempre em busca de nova descoberta,
vai colorindo as horas quotidianas…

Jogos de luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço…
Pra que pensar? Também sou da paisagem…

Vago, solúvel no ar, fico sonhando…
E me transmuto… iriso-me… estremeço…
Nos leves dedos que me vão pintando

11 comentarios en “POEMAS EN PORTUGUÉS”

  1. Feliz fiquei ao ver que um de meus simples poemas aqui está. Sinto-me honrado com isso, máxime porque meu nome modesto nome aparece ao lado de tão brilhantes autores dos idiomas Espanhol e Português. Muito obrigado!

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  2. «DOIS TECLADOS»
    EUNATE, Um bailado de palavras,conta dois destinos…
    aspargindo amor, em notas e sinais de canção e choro…
    anunciando vida, nasce o poema… lindo tesouro!

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  3. «Um PÁSSARO A CANTAR DENTRO DUM OVO»
    Antonio Juraci Siqueira
    Adorei essa «Trova de um mundo novo,»…bom humor
    é sempre bem vindo para alegrar o coração!

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