POEMAS EM PORTUGUÉS

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Enero  2021 nº 39

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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

 

COLABORAN: Virginia Branco.- Eugenio de Sá .-Alfredo dos Santos Mendes.-Celso Henriques Fermino.-José Ernesto Ferraresso.-Albertino Galvão.-Amilton Maciel.-Mário Matta e Silva.-Gabriela Pais.-Cema Raicer.-Carolina Ramos.-Nídia Vargas Potsch

F A N T A S I A
Virgínia Branco

Se do céu caírem estrelas
irei a correr recolhê-las
farei do coração açafate.
Escolho a mais incandescente
a do mais fino quilate…

Para que no altar dos meus afectos
onde o amor faz romagem
a sua luz permanente
ilumine a tua imagem.

MAS QUE RIOS..!!!
Virgínia Branco

Rios de insegurança
que até para a dança
se fazem armados !
Pomos neste mundo, meninos
que os barões fazem drogados.

Corredores de droga
que nos tornam revoltados!
A justiça lenta, demorada…
A partilha desigual !
Sobram as águas puras ,
dos conceitos do bem e do mal!

Os verdadeiros Rios, nasceram ribeiros,
cujos caudais tornaram férteis as margens;
-Searas, praias fluviais, lindas paisagens!
As suas águas jorram nas torneiras das casas
e nos seus leitos,  eram vivos os cardumes.

Os navios ganharam asas ,
no comércio e no luxo dos cruzeiros.
Agora navegam por entre estrumes,
porque o mundo industrializado,
sem respeito,  transforma as águas
em rios de espuma e metais pesados!


FANTASIANDO!
Virgínia Branco

A felicidade não é destino traçado.
É uma conquista permanente
como quem puxa uma corda
ou arrasta uma corrente!

A cada sonho vivido, recente
daremos um nó bem dado, premente.
Fantasiando…nas noites de lua cheia,
eu vou dançar com duendes,
no largo da minha aldeia.

Saboreando a liberdade,
numa amena cavaqueira.
Saberei se minha vida
é linda ou feia,
contando os nós apertados
na minha vivida teia.

Pra lá da espuma dos dias
( Eugénio de Sá )
Portugal

Nós somos o projecto de nós mesmos*
Donos somente de um querer original
E afinal a soma do tudo que fazemos;

Produto afim de um prólogo seminal
Tudo em nós mesmos será subjectivo
Pois só para nós se assume crucial.

Esse é o livre arbítrio do ser assertivo
Sublimada vontade, um querer maior
A mais valia de todo o nosso activo.

Sejamos, a um tempo, juiz e defensor
Na nossa acção em chãos comprometidos
Com a bondade dos passos do Senhor.

Busquemos contrição nos dias já vividos
C’o a consciência de os continuarmos
Remindo os despautérios admitidos

* ‘ Nós somos o projecto de nós mesmos ‘
( Jean Paul Sartre )

O BRADO DO POETA
Eugénio de Sá
Portugal

Ora se tenta a vista, e ora se anseia
De ver assim chegada a mansa aurora
De vermelhos alvores já se incendeia
No longínquo horizonte já se aflora

Dentre a paz que há na terra, outra não há
Que contenha em si mesma tal esplendor
Perante a glória solar que Deus nos dá
Como fonte vital do Seu amor.

E o poeta em toda esta emoção
Apela ao Criador e aos céus berra
Um brado que se eleva em oração;

Que sobre o mar imenso, e sobre a terra
Haja silêncios de contemplação
E não mais os clamores de qualquer guerra.

A SAUDADE
Alfredo dos Santos Mendes

Hoje bateu em mim a vil saudade.
Se apresentou cruel, e por maldade,
fez desfilar pedaços do passado!
Me obrigou a rever casos antigos.
Me rodeou de todos os amigos,
que o passamento já tem do seu lado!

Mostrou-me meus brinquedos de criança.
Resquícios dos meus sonhos, e a esperança,
que ficara esquecida, abandonada!
Arrogante mostrou de modo rude,
a alegria da minha juventude,
passeando comigo de mão dada!

Fez-me rever em fotos carcomidas.
E reviver nas imagens sumidas,
momentos de prazer, felicidade!
Fez ressoar eternas melodias.
Envolvidas em doces fantasias,
que arquitectei na minha mocidade!

Me revoltei, rasguei meus pensamentos.
Fechei a sete chaves os lamentos,
imbuídos de fria crueldade!
Quero apenas no peito conservar:
Amigos que jamais vou olvidar,
e sempre deles terei muita saudade!

A JUVENTUDE
Alfredo dos Santos Mendes

Serão homens amanhã,
crianças que em seu afã,
percorrem a minha rua.
Lá vão desnudos, descalços…
Ultrapassando percalços,
sonham alcançar a lua!

São meninos sonhadores.
talvez amanhã, doutores,
e quem sabe, governantes!
A caminho da escola,
levam sonhos na sacola,
os meninos estudantes!

Desfolham livros sonhando.
As histórias transformando,
em aventuras reais!
Desenham em leves traços,
aventuras nos espaços,
para além dos siderais!

Astronautas destemidos,
fazem frente, decididos,
aos seres transcendentais!
Desenvencilham enredos…
O cosmos não tem segredos,
p´ra meninos geniais!

Meninos que vão crescendo,
não se percam, vão mantendo,
vosso o garbo, vosso apuro.
Pois não podem esquecer,
o mundo sempre há de ter:
Na juventude…O futuro!


IGNORANTE
Alfredo dos Santos Mendes

Por não ser um expert em medicina.
E de sintomas nada perceber…
Sinto-me um imbecil por não saber,
Que doença banal, nos assassina.

Eu bem tento aprender… ir à bolina,
Daquele que me diz: tudo saber.
Ficando a cogitar o que fazer,
Que química fatal a elimina?

Que a retire para sempre deste mundo.
A obrigue a viver no meio imundo,
E para todo o sempre aí ficar.

Que deixe o ser humano sossegado.
Não o faça viver tão transtornado!
Já chega tanta dor, p’ra atormentar!

Poesia em quatro andamentos
Por: Celso Henriques Fermino

XIII
As verdades se perderam
Nos meandros da semântica
E nós nos perdemos juntos!
Labirintos e Barbantes

Os desejos se encontram
Nos dédalos da poética
E nós nos perdemos juntos.

XIV
Cantar as rugas do tempo
E rimar amor com dor
Para o bardo, hercúlea obra
Labirintos e Barbantes

Destino é uma manobra
Ou seja lá o que for
De Hades vil passatempo.

XV
Lembro-me de quando a vi
Lua no céu sol em mim
Lembro de Otelo e a injúria
Labirintos e Barbantes

Desdêmona e sua fúria
Não há só flores no jardim
Riso e pranto… c’est l avie!

XVI
Erige-se o atro império
Novo reich de mil anos
Proscrito às trevas o Rei
Labirintos e Barbantes

Fiat lux. Vox dei
Renato o sol aos profanos
O futuro eis o Mistério.

Uma Linda Tarde de Natal
José Ernesto Ferraresso
Selva Negra (Brasil)

Passou repentinamente.
Menino Deus nasceu.
Hoje, após o almoço tarde de Natal.
Muitos nem perceberam o grande momento,
da chegada do Salvador: O Aniversariante.
Ele vem todos os anos na mesma data, 
para nos visitar e entrar em nossos corações.
Tarde que todos estão descansando,
conversando e relembrando dos momentos
das euforias, cantos e alegrias, comidas e iguarias. 
O tempo não mudou, nada transformou
apenas aconteceu outra vez a tradição,
que sempre mexe com nossa emoção,

É só mais uma tarde de Natal!

Nada mais tenho…
Albertino Galvão

Nada mais tenho que asas
fartas de penas pesadas
que teimam em mim crescer…
asas que mesmo feridas
doridas e atrofiadas
insisto abrir, sem receio,
em voos curtos que ensaio,
ora subindo ou descendo…
mas sempre a ver se não caio
nas teias que são tecidas
nalguns teares da vida
e onde eu, em certa medida,
nelas, por vezes, me enleio!

É com o cantar da chuva
Albertino Galvão

Sem batuta de maestro
nem a orquestra do vento…
é com o cantar da chuva,
soando nos meus ouvidos,
que danço a dança do tempo
e atraiçoo as vãs virtudes
me entregando a devaneios
nos braços da liberdade!
É com o cantar da chuva,
amolecendo o estio
das madrugadas vazias,
que me transformo e sou anjo,
sou tentação, sou demónio,
borboleta e louva deus…
gato negro em noite escura
vadiando por telhados
em bebedeiras de cio!

É com o cantar da chuva
que adormeço a realidade
nos braços da fantasia
para acordar os meus sonhos
antes do nascer do dia!

É com o cantar da chuva
e o meu “eu” em sintonia,
que me dou à leviandade
de me engravidar de ideias
para parir poesia!


É por ti!
Albertino Galvão

É aqui no sofá da minha sala
Que por ti me embebedo em agonia…
E a noite sendo muda não me fala
Mas sopra-me aos ouvidos nostalgia

É por ti que a saudade em mim faz gala
Que a boca me resseca e se alia
Ao vento que flagela, e não se rala,
A madrugada triste que me esfria

E quando o dia nasce finalmente
E o vento só me sopra docemente
Memórias de paixões desenfreadas

Eu olho, escuto e sinto como beijos
Os sons que julgo ser de realejos
Tocando árias de amor quase choradas

 ESPERANÇA
Amilton Maciel Monteiro
 
Enquanto há vida, eu sei, há esperança
que é uma das virtudes teologais,
foi isso que aprendi desde criança
e na verdade não esqueci jamais.

As outras são:  o amor que não se cansa,
e a fé, que todo dia eu tenho mais!
E aí, querida,  está minha  confiança:
juntos faremos nossos esponsais!

Vou esperar o quanto for preciso,
certo de que não perderei o juízo,
até o dia que você me amar.

E nesse dia eu serei tão feliz,
que vou levar você até a Matriz,
e sob bênçãos, vamos nos casar!

LUA OCULTA
Mário Matta e Silva

De um velho ano vem a despedida
Pela noite adiante, escura e breve
No rodar das horas o relógio se atreve
A mudar o calendário de forma atrevida.

Ano de tragédias tantas, ano sofrido
Amargurado em camas de hospitais
Ano de pandemia, horas de mortais
E a ciência avançando em gesto destemido.

A lua oculta em noite de invernia
Vem solenemente dar lugar a um novo dia
Mudando para um ano de maior pujança;

Rasgam-se horizontes por esse Mundo fora
A Meia-Noite num trampolim da hora
Trás num Novo Ano a força da Esperança.   

JARDIM IMAGINÁRIO
Gabriela Pais

Vou olvidar meu jardim imaginário,
De rosas, cravos, flor de laranjeira,
Orlam lago cerúleo, belo cenário,
Escondendo segredos na sua beira.
 
Mudo silêncio com gosto amargo,
Regaço de pétalas que acalenta
Perfume que vai morrendo pro largo,
Saída de  amor acre, não contenta.
 
Em redor roussos trinam serenatas,
Volto de novo a forjar meu jardim,
Ninada ao som musical das balatas.
 
Flores bailam com trajes de cetim
Sobre chão decorado com xamatas,
Do lago odes d’ amor, luzem pra mim.

DIA DE PAZ
Cema Raizer

A vida se mantém
Pelo calor humano
Que vem do que é Divino
Estamos unidos

Num doce aconchego
De Esperança Amor e Paz
Sentimentos que podem renascer
Na capacidade de entender

O amor altruísta
Que não está à venda
Mas está em nós
Silencioso e iluminado

Sem medo de errar
Nesse amor irmanado
Pelo espírito de Paz!

DOCE INSPIRAÇÃO
Cema Raizer

Inspiração que liberta!
Como contar estrelas
Nuvens se movimentam
Escurecem a visão

Mas em sua dança noturna
Abrem Portais
Mostrando o cintilar das estrelas
Ouço ainda os últimos pios

Dos pássaros se aquietando no ninho
A brisa da primavera surpreende
Entrando pela janela…
É hora de pensar nos pastores

Nos Magos e na estrela Guia
Na longa caminhada rumo à Belém!
No pequeno bosque
A cigarra canta

Seu etridente som
Envolve com ternura
Doces lembranças da infância
Reportam à doçura da poesia


EMOÇÃO
Cema Raizer

Época de ser Feliz!
Sonhar o sonho bom
Meditar… relembrar momentos
De Fé e Esperança no grande Profeta
Numa afinidade aconchegante
Em cada coração
Há muitas lições de vida…
Repartindo o pão
Com aqueles que têm fome
Seremos também Reis Magos
Corajosos e altruístas!

TÃO PERTO… E TÃO LONGE…
Carolina Ramos

Andaste bem pertinho de minha alma!
Tão perto, que cheguei a acreditar
Quem desta vez, alguém teria a palma,
De compreendê-la e dela se apossar!

Mas a aventura impôs-se em teu caminho,
Equívoca, a impelir-te em rumo incerto…
Partiste em busca de um banal carinho.
Restou a dor de um sonho mal desperto!

Chamei por ti!… E a brisa, com desgosto,
Murmurou confidente, ao meu ouvido:
– Esquece, tola, que eu te enxugo o rosto…
Deixa-o partir…o mais não tem sentido;

Se o adeus rouba o sorriso à tua boca,
A saudade e a ventura são rivais!
Deixa-o partir… Esquece… Esquece, louca!
Outro virá… e há de querer-te mais!

 

Ser Poeta
Nídia Vargas Potsch

É encantar de colorido os corações
musiquear no silencio as emoções
aplaudindo com alma de criança,
repleta de esperança,
a natureza que nos é intrínseca …

É versejar com denodo o amor,
falar do perdão, da saudade, da dor,
da alegria que se esvai
de um momento para o outro,
como quem se importa
com as coisas mais simples da existência,
pedaços da vida de todos nós, mortais.
Afinal, o cotidiano é eivado de pulsação e calor …

E, em sua viagem, sem paralelos,
cruzando Universos,
do cândido ao sensual,
num tempero de sabores que arrebatam,
consumindo segredos na arte de
» juntar palavras», na arte d`alma,
por esta força estranha, arrebatadora,
que o impele, encurta distâncias e
aflora sensibilidades,
é bem capaz de amordaçar suscetibilidades,
daqueles que não são capazes de compreender,
o despertar dos Novos Tempos
dessa Jornada que é a VIDA !!!

 

2 comentarios en “POEMAS EM PORTUGUÉS”

  1. Belíssimos trabalhos dignos de serem aplaudidos.
    Quero agradecer aos coordenadores e a todos os
    amigos que enfeitaram nosso Final de Ano, deixando-nos
    esquecer um pouco das tristezas que estamos vivendo.
    Mas Tenhamos Fé que tudo irá passar e nossos
    momentos alegres serão compensados pelo que mais
    esperamos: A VITÓRIA!
    Sucesso a todos os poetas do Aristos Internacional!

    Responder
  2. Enquanto houver esse espírito de NATAL, entremeado na poesia podemos
    entender a inspiração de cada autor, como um presente!
    Obrigada, abraços fraternos aos autores!

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