POEMAS EM PORTUGUES

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Junio  2.020  nº 32

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Estos conservan el copyright de sus obras

AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

COLABORAN: Regina Carvalho (Brasil)…Regina Coeli (Brasil )…Eugenio de Sá ( Portugal)…Jusmaria da Cunha Carvalho ( Brasil )…Franco (Brasil)…Yvany Gurgel do Amaral ( Brasil)… Santa Catarina Fernandes da Silva Costa (Brasil)…José Ernesto Ferraresso (Brasil)…Vera Lucia Magalhães de Araújo  ( Brasil)…Irán Lobato de Andrade (Brasil)..Mário Matta e Silva ( Portugal)…Gabriela Pais (Portugal)…Carolina Ramos (Brasil)…Thalma Tavares (Brasil)

 

UMA BRISA SUAVE
Regina Carvalho.

Uma brisa suave anuncia-nos o Céu
quando em êxtase cobres o meu corpo como um véu.
E na troca de olhares, no sorriso cúmplice
tudo o que somos se resume.

quando nada se diz e o suor escorre
e o teu prazer pede que o exume
os beijos falam…
e o medo morre!

Aí, o vulcão que mi libertas mergulha-me;
Tua boca sente na minha todo o mel
dos favos ricos, da tua sede, do pincel
com que a tua mão pinta arrepios na minha pele.

E a tua lava envolve-me, ardente e segura
e deixa do meu pranto a fonte enxuta
E quando ao acaso o teu verbo augura
entrego-me extática sem dar luta!

E é aí, nesse mesmo momento
em que partindo da minha face benzida a prazer,
do meu espírito já errante, viajante, voador,
que o teu se funde à tua Paz com um grito que vem ser
como o de Ipiranga, libertador!

Voamos para além do Céu!
Voamos para além da dor!
Voamos para viver o que o destino nos investe…
A Paz celeste…
O nosso Amor!

 

Contemplação CONTEMPÀO
 Regina Coeli
Brasil

Quem sabe se eu pintasse a luz do dia
Com as cores  do frescor da Natureza,
Fizesse eu um quadro em singeleza
Da Vida rindo os risos da alegria…

O sol beijando a serra eu pintaria
Entre árvores  de verde em sutileza
E uma nuvem no céu, tão indefesa,
Que o vento, sorridente, a sopraria…

No resgate de muito belas cores,
Muitas flores a tela  a colorir
Com perfume de mil e um olores…

… E o alegre pincel, num ir-e-vir,
Comporia o melhor dos meus primores:
Uma criança meiguinha a me sorrir!


SÁBIO ENVELHECER
Eugénio de Sá
-Portugal-

Ganha aos poucos razão mais palpável
aquela que nos diz que envelhecemos
só porque ao corpo agora não podemos
exigir-lhe um vigor inesgotável

Dessas carências há compensações
há ganhos e valias merecedoras
de tolerância nos dias e nas horas
que consagramos às nossas emoções

Gozamos os sabores da cortesia
e de sensibilidade aumentam-se os sentidos
ao sabermos aos outros dar ouvidos

E às gerações que nos vão sucedendo
sabemos transmitir maiores valores
que aqueles que à sociedade são melhores

EU E O TANGO
Franco (O Poeta Descalço)
Brasil

Toque para mim, meu tango amado.
Quando te escuto fico encantado.
Teus acordes só fazem me comover.
És uma das alegrias do meu viver.

Despertas-me mil recordações.
Quando em teu ritmo dançava,
Evoluindo nos saudosos salões,
 Levando nos braços minha amada.

Do alto de minha ida juventude.
Dançava sem parar, até a exaustão.
Usava as noites em toda plenitude,
Levado pelo meu apaixonado coração.

Toque sem parar, mavioso tango.
Velho companheiro de boemia.
Te ouço e inda te aprecio tanto.
Choro pela volta do passado,
Passado que sempre me sorria.
Choro por sentir tudo acabado!


SECURA
Yvany Gurgel do Amaral

Soterrada a antiga casa
Como enterrados os sonhos
Que tantas vezes
Sonhamos, pura ilusão!

Pelas portas abertas
Vemos semi-encobertas
As paredes pelas areias
Que vêem do chão.

Areias que se desprenderam
Dos morros onde
Incrustado está o farol,
Servindo de alerta

Aos navegantes perdidos
Que teimam em navegar
Por mares nunca navegados,
Ainda por desbravar.

As pedras que caminham
Sem que haja explicação,
São mistérios por desvendar
Somente para mostrar

Que coisas existem fora
Da nossa compreensão,
Provas da existência
Da sexta dimensão.

O homem olha de cima
Da nevoenta montanha
E não vislumbra que ao longe
A seca pode transformar

Toda a paisagem,
Onde antes era pastagem
Apenas a secura do barro
De cor ocre, encarnado.

Quando vêm as chuvas
Tudo renasce, tudo floresce.
A carnaúba à beira do rio
Mostra que do sertão

Esturricado
Pode advir a graça da fartura
E onde só era secura
Surge uma rosa em botão.

EMPATIA
Jusmaria da Cunha Carvalho

Na dor do vírus que devora
A saúde da humanidade
Um bom sentimento aflora
À luz da solidariedade

Em meio a pandemia
Que se alastra mundo a fora
Surge a paz da empatia
Na ajuda sem demora

Que está na grandeza da alma
E se deleita na calma
Do puro amor fraternal

Como rimas de poesia
Comungando na harmonia
De um canto Celestial .

MESCLA DO TEMPO
Por: Santa Catarina Fernandes da Silva Costa

Viajando para o passado, encontrei-me pequenina,
em degraus de rude porta sentada,
com o som do violão encantada
que meu pai dedilhava.
Sua voz firme enfeitava aquele momento.
Que no presente soa como lamento.

Era uma criança magrinha, cabelos e olhos cor de mel,
dançava no terreiro entre as galinhas,
os gravetos  e as tinas,imaginando ser dançarina.
Foi outra a sina.
Ao conhecer as letras por elas se apaixonou!

Misturando-as criou castelos,
que nos dias foram desmanchados,
pois eram edificados sobre a areia
e o vento para o espaço tudo levou. 

A persistência levou a menina pelo longo corredor do tempo.
Emprestou-lhe asas metálicas e agora ela corta o vento.
Voando sobre os oceanos ela vê o azul do céu e o das águas.
E se sente forte e poderosa como as águias.  

OLHAR SOFRIDO
José Ernesto Ferraresso

Quando o olhar vem de uma criança,
Seus olhos nos revelam sofrimento.
Sempre estará à espera da bonança,
Penoso é suportar este momento.

Ao olharmos este rosto angelical,
Sentimos uma lágrima rolar.
Queremos-lhe bem e não pensar no mal,
Na certeza que alguém a vai amar.

Quando sinto em meu íntimo esta criança,
Procuro o amor, jamais a desesperança,
Quero fazer o bem sem olhar a quem.

Desejo que um dia ela consiga vencer,
Que sinta confiança e viva com prazer,
Que lute e realize aquilo que mais almeja.

PARAFRASEANDO ALLAN POE
( Soneto decassílabo )
Iran Lobato de Andrade

A noite cai num langor depressivo,
tece um rendado púmbleo que ao céu adere,
bate o vento e o prostigo me sugere
abri-lo e ver a luz do teu sorriso.

Nas trevas palmeio um rumo circunsivo
onde a brisa afina o fio do frio e fere
como as loucas visões de Allighiere,
das almas entre o inferno e o paraiso.

Lúgubre espectro de sonho medonho,
rasga a mortalha, um mocho tristonho
no mutismo da cruz do cemitério

Vem o torpor que ao meu peito corroe
e a lembrança do CORVO de Allan Poe,
a grasnar um algúrio deletério.

VAZIO AZUL
Vera Lucia Magalhães de Araújo
 ( maio de 2020, o ano em que a terra chorou )

Palavras azuis escorrendo em tela branca
encharcando o colo
inundando a sala

Letras dissolvendo em tinta
mancha boiando no oceano quadrado
olhos contemplando o avesso
do vazio azul das palavras

Você na tela
a minha pele ausente
fazendo versos e trovas
uscando a semente
de algum recomeço
o meio das covas

Peço licença pra tristeza passar
a multidão dos mascarados
mendigos e famintos
ncarcerados

Você brinca de velejar
a água azul dos anjos
 colhendo seus sonhos
ara o pesadelo naufragar

NESSE TEU OLHAR OPACO
Mário Matta e Silva

Esta é mais uma viagem
De cariz sentimental
Flores indo pela aragem
Vaga ténue, ancestral.

Ao encontro dessa musa
Que ao Poeta satisfaz
Vem uma sombra confusa
De uma primavera lilás.

  Nesse teu olhar opaco
Há um murmúrio, um vaco
Onde me vou deleitar;

São amores primaveris
Em versos que tanto quis
Me viessem acalmar.

UMA BRAÇADA DE MAGNÓLIAS
Mário Matta e Silva

Uma braçada de magnólias
Pode ser um gesto de amor
Uma face suave no seu rubor

Terno. vibrante, ardente, apetecido
Em tempo dos campos florescerem
Dos corpos no auge se envolverem

E do mosto deslizar no copo de cristal
Uma dedicatória franca, banal
E um banho de espuma apetecido
De metáforas sedosas guarnecido.

Uma braçada de magnólias
Pode ser um escalar de gestos encantatórios
E de soberbas manifestações de afeto
Uma cama de lavado sob um róseo teto

De um lugar feito de histórias
De rebeldes, obstinadas memórias
E de perfumes lânguidos e amenos

No auge dos sonhos leves e serenos
Onde se depositam palavras apaixonadas
Ondulando na brisa sempre encantadas.

ÁGUAS TURVAS
Gabriela Pais

Rio de águas turvas,
Um turbilhão de voragens
Afastados das margens
Volteiam em curvas,

Águas em viagens surdas,
De encontros diversos
Sinuosos tão diversos,
Tristes cursos tão reversos.

De fluxos demais imersos
Fios de águas controversos
Arrastam-se em ais dispersos,
Sem saber onde defletir,

Débil, sem querer ruir,
Espera pela chuvada,
Aos ventos pede lufada
Que leve até ele sua fada.

Ventos em junção armada,
Vão pelo rio em debandada
Empurrando a enxurrada,
Giram, sopram desleais,

Forçam águas já letais
Sem força danificadas,
Em protérvias desalmadas.

ARE PLENA
Carolina Ramos
Brasil

A olhar o mundo – com visão serena
de  quem ama o que fez e, apaixonado,
reconhece a presença  da arte plena
e do talento nunca superado –

notou o Criador o quão pequena
era a alma do ser recém criado!
E temeu-lhe o futuro que condena
um sonho ao nada, quando mal sonhado!

E, então… A luz brilhou na noite escura
a reacender-se a flama das conquistas!
– Num mágico lampejo de ternura,

dando-lhes alma e coração de sobra,
Deus criou, tão sensíveis, os Artistas!
 – Humanizando,  assim, a própria Obra!

A NOITE DO POETA
Thalma Tavares
-Brasil.

A noite é catedral onde o silêncio reza.
E eu sou caminheiro do sonho
num país de penumbras.
Tenho a fascinação
do mistério das sombras
e a cada crepúsculo sinto
adolescer mais um poema.
A noite invadiu-me por inteiro
e criou raízes em meu ser.

Meu amor é uma árvore de estrelas
bordando o chão enluarado
de caprichosas rendas.
Então vem o Sol, operário de fogo,
e rouba de meus olhos
pedaços de minha noite.
Assim, haverá sempre uma saudade
de ramos estiolados e dispersos
sob um sol sem poesia.

E surgirá o dia a nos brindar
com seu buquê de angústias,
seus monstruosos ruídos
e eu me chamarei tristeza
a desejar mais um ocaso.

Mas em breve, eu sei,
um crepúsculo no horizonte
anunciará a noite com seus silêncios,
seus mistérios, solidões e nostalgia.

E a noite, então, se faz
a catedral onde o siêncio reza…
E é lá que a inspiração pula do peito
e tange o bandolim da fantasia.
E eu, acordando de um tédio ensolarado,
juntarei os meus ramos dispersos,
cortejarei a lua e as estrelas
e serei novamente poesia…

7 comentarios en “POEMAS EM PORTUGUES”

  1. Gostei de ler todos os poemas e fico grata pela inspiração de todos! Sorteei 2 para comentar:
    MÁRIO MATTA E SILVA: » Uma braçada de Magnólias » : Sutil e belo poema dos anos que
    descrevem seres e flores…Parece sonho, pois envolve metáforas sedosas e Magnólias.
    Encantada memória e perfume, envolvendo amores e sonhos , paixão e encantada brisa…
    Abraços e parabéns!
    THALMA TAVARES : » A Noite do Poeta» : Noite a rezar no silêncio…o sonho, o mistério, as
    sombras,o amor ,os ruídos e o desejo do acaso…E chega a inspiração…e tange o bandolim
    da fantasia! Acordado, corteja a lua e estrelas tornando a ser poesia! Lindo tudo isso! Amei

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  2. !Belleza! Lindísimos todos poemas de variados temas, exprimiendo cada un el sentir de sus autores. Una vez más Aristos Internacional, realiza su objetivo sublime de llevar el arte poético y literario a los más recónditos rincones, Por lo que presento feliz, mi mejor abrazo agradecido y mis felicitaciones a su admirable equipo editorial.

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  3. Parabéns à Drª Eunate e a todo o elenco editorial que contribuem para esta bela edição da Revista Aristos Internacional. Parabéns a todos que trazem não só o encanto da poesia como outros temas literários, muito bem trabalhados. Um abraço fraterno deste Portugal.

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  4. SEGUINDO…
    REGINA CARVALHO : «Brisa Suave» – Uma linda história de amor!
    REGINA COEOLI: «Contemplação – Com certeza uma bela obra! Tão especial tua poesia!
    CAROLINA RAMOS : «ARE PLENA»- Grande poema de reconhecimento…com certeza, numa visão serena,aplausos!
    EUGÉNIO DE SÁ » SÁBIO ENVELHECER» – Poema dinâmico, claro,que define sabiamente o lado nobre e correto de uma vida plena!

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  5. ARY FRANCO =»Eu e o tango» : Amar é não esquecer… a lembrança de um ritmo,de um tango, e ter saudade da boemia…
    IVANY GURGEL DO AMARAL = «Secura» : Um caminho de muitos cenários, descortinando vidas…Certezas e icertezas, mostrando
    marcas e mistérios para descobrir provas de um destino incerto, e a esperança de que surja a graça da fortuna no sertão!
    JUSMARINA DA C. CARVALHO= «Empatia» :A dor da Solidão, e a solidariedade que ameniza o sofrimento com amor fraterno e
    doação dando um clima de harmonia e amor…
    SANTA CATARINA F.S.COSTA = «Mescla do tempo» : É isso! Teu poema permanece: viver na inspiração e recordar momentos! Tudo
    num ritual de sonhos e realidades, na busca persistente, segue seu voo atravessando oceanos de recordações!

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  6. JOSÉ E. FERRARESSO – «Olhar Sofrido» : Contemplação de Olhares que Transmitem sofrimento, lágrimas,falta de amor, dúvidas
    e tristeza de crianças carentes… Pra gente pensar! Bom poema.
    IRAN LOBATO DE ANDRADE – » Parafraseando ALLAN POE» : Na mente triste, a busca do Sorriso,na brisa fria que fere e lembra o inferno e o Paraíso de Dante, Momentos lúgubres à trazer tristes lembranças! Poema eterno, infelizmente…
    VERA LÚCIA M.DE ARAÚJO – Vazio azul» :Pedir licença para a passagem da tristeza… a percorrer os versos desse vazio azul!
    MARIO NATA E SILVA – «Nesse olhar opaco»: Numa viajem sentimental, ao encontro da Musa, o Poeta sabe , dos olhares amore
    primaveris…que transforma em versos e calmaria… Lindo sonho poético!»

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  7. «ÁGUAS TURVAS» : Gabriela Paes : Ah! Essas «ÁGUAS TURVAS» que se desenvolvem e envolvem…Transbordam e se aproximam,
    Correm silentes, ou abruptas, chegam diversas e dispersas : tristes cursos tão reversos…imersos se envolvem
    pela força, esbarram e giram com mais força letal, forçando o que já é fraco, e danificado, sem reação …
    Muito me impressionou teu comovente teu poema !

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