POEMAS EM PORTUGUÉS

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enero  2.020  nº 27
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BEIJOS DE MENINO –
Luiz Poeta Luiz Gilberto de Barros
Rio de Janeiro Brasil

Te beijarei com beijos de menino
Brincando de sonhar e ser feliz,
Cumprindo minha sorte e meu destino,
De ser do teu destino, um aprendiz.

Te abraçarei com meu melhor afeto,
Com minha inocência mais criança
Que escolhe o seu brinquedo predileto
E nem se preocupa com a esperança.

E te amarei com tanta ingenuidade,
Que quando me bater uma saudade,
Dos tempos do amor mais inocente,

Eu vou cerrar os olhos e sorrir,
Pois quando esse tempo me fugir,
Eu hei de te trazer para o presente.

M I R A
PRINCESA DO MAR
Euclides Cavaco

​Terra pelo mar beijada
Onde o prazer se respira
Nos meus versos é cantada
Com muita saudade…MIRA.

É das terras mais antigas
Nasceu de Emir, seu senhor
Seu brasão são as espigas
Que lhe dão brilho e primor.

A sua praia famosa
É das praias a rainha
Por ter amena e formosa
Junto de si a “Barrinha”.

Dispersos p’lo mundo inteiro
Seus filhos lembram com fé
O seu santo padroeiro
Nas festas de São Tomé.

O autor Raul Brandão
Um dos grandes escritores
A exalta com paixão
No seu livro “os pescadores”.

Tem não sei quê de beleza
Que me motiva e inspira
Esta terra portuguesa
É a minha terra…É MIRA!…

FERVENDO EM DÉCIMAS
Eugénio de Sá

A cem graus ferve a água e dá o mote
Às fervuras que temos nesta vida
Ferve em tristeza uma causa perdida
Ou de um perdido amor ferve o derrote
Fervem uns olhos lindos ao dichote
Ferve numa quezília o palavrão
Ferve uma mãe que morre d’aflição
Ao ver em perigo o filho desvalido
A raiva ferve aos atos sem sentido
Ferve o ouvido ao som de uma canção.

Ferve na carne o sol em combustão
Que nos dota de tom a branca pele
Ferve d’insuportável e repele
Uma mordaz e vil insinuação
Fervem no ar as notas da canção
Que nos recorda uma ilusão perdida
Fervem em pranto memórias da vida
Que nos trazem ruídos de saudade
Ferve o desejo num corpo sem idade
Pois sem idade é todo o coração.

E se o ciúme ferve e dói na carne
Ao falso anúncio de traição fatal
Mais ferve a injustiça de um Natal
Que um velho passa só e abandonado
Porque é dos velhos esse triste fado
Como dos jovens é a inconsciência
Quando lhes ferve o vício em consistência
Mas se ferve o amor não se derrama
Se o soubermos manter como uma chama
Que se alimenta da nossa paixão.

FIM DE ESTAÇÃO
Alfredo dos Santos Mendes

Chega ao fim o Verão, vem o Outono.
Soturno, enervante, macilento.
O céu outrora azul fica cinzento,
Tudo vai hibernar num longo sono!

E todo aquele tempo de calor.
Emanando fragrâncias relaxantes.
De noites de magia, inebriantes…
Por vezes ao partir, só deixa dor!

Deixa o sabor de mil beijos trocados.
De sonhos que não foram realizados,
Partiram tal e qual como o Verão!

A Natureza vai-se desnudando.
Nossas roupas de Estio se vão guardando!
É mais uma mudança de estação!

O FIM DOS PODEROSOS
Santa Catarina Fernandes da Silva Costa

Olha o tempo, sente o vento,
Verifica a hora e a velocidade do agora.
Escuta o som dos carros
e na tua janela o cantar dos pássaros.

Liga a televisão e quanta decepção:
guerras, fome, sede, pestes, tempestades e terremotos.
Pessoas  generosas salvam vidas,
enquanto outras calam sonhos com atos terroristas.

Milhares de pessoas em muitos países fogem pelos desertos.
outras  navegam  nos mares e são por eles tragados,
todos  procurando  um  solo firme, um pedaço de pão e proteção.
Mães torturadas por defenderem sua crença veem seus filhos
oferecidos em holocausto, estourados na frente de batalha!
Algumas vozes se erguem , mas logo são abafadas.

Os dominadores do planeta,  perdendo-se em verbos,
em banquetes fartos, por seus  trajes irmanados,
são conduzidos pela vaidade  que cegou o  próprio conhecimento.
As suas razões  arraigadas no seu conforto
Roubaram deles a sensibilidade e o sentimento.
Palavras e não ação, o  solo  rachando  em sequidão.

Salve o planeta, salve a água, vozes se perdem no espaço.
Os   enfeitiçados pelo poder não ouvem,
e os clamores são vencidos pelo cansaço.

No azul do infinito, onde na criação, foram distribuídas as águas
da terra e do firmamento,  um oceano viaja nas nuvens.
A terra aguarda pela inundação, para  que germinem as sementes, 
continuem as espécies  e a história de todos os viventes.

Todos perecerão se as comportas dos céus não se abrirem!
As diferenças terminarão e todos guerrearão
tão somente por um pedaço de pão!

               SAUDADE A DISTANCIA                 
*José Ernesto Ferraresso*

Esta distância quando constante
traz tristeza, provoca a dor
e com ela, em seu rosto, uma lágrima
rolando em seu suor.

Outono é frio, folhas caem,
a brisa molha e o vento as leva.
Frio que cala na pele, uma lua não cheia,
que a encolhe, tal como uma folha que se desfaz.

Só o tempo marcou a vida,
o encontro e nosso reencontro.
Olho para esse mar e relembro
do seu olhar neste luar de outono.

Dois caminhos que se cruzaram
deixaram lembranças, uma lua de outono
como testemunha que traz saudade do passado
e de uma grande paixão naquele quarto.

Enleado em seu corpo,
acariciava sua pele e beijava
sensualmente, seus lábios de carmim
e lembrava de nossas ardentes relações.

SONETOS
Amilton Maciel Monteiro

“Os sonetos são filhos do embaraço” (*),
versejou grande mestre, magistral:
pois um “catorze versos” ideal,
resulta às vezes num poema baço!

Com forma rígida, forjada em aço,
notável métrica, fundamental,
belas rimas que fogem ao trivial,
sem um “fecho de ouro” é um fracasso!      

Mas, ó bardos, não deixem de fazê-los,
pela Poesia!  Percam seus cabelos,
ou os cheguem a brancos como a neve!

Que os estorvos jamais os amedrontem;
se o seu estro os compor, não soube ontem,
hoje os fez inspirado e sem mão-leve!

PARA NÃO SER TRISTE
Talma Thavares

(À amiga Ana Paula Furlan)

É preciso enfeixar nas mãos
os raios de ouro do sol.
Convém cantar a música
que os regatos cantam
na descida da montanha
ou tocar com os dedos
as estrelas do céu.

É preciso tirar poesia
das coisas fenecidas,
não deixar que o coração
se feche num baú de mágoas.

É preciso encher o vazio
com as nossas dimensões.
Convém libertar o pássaro interior,
tirar o pó que cobre o piano
abrir de novo as partituras,
esquecer os salmos da amargura
e encher o espaço de alegria nova.

É preciso trazer ao sol
o riso que a tormenta
exilou nas sombras
e afugentar as sombras
que hibernaram vidas.

Necessário e urgente
é sorrir saudades, semear ternuras,
apagar tristezas, desposar a vida
e sobretudo amar, amar sem usura,
de corpo e alma indefinidamente
e para sempre… para sempre amar!

SOPRO DE AR
Marise Toledo

Andei buscando o ar,
Mas o vento levou.
Levou a fartura do “ah!”

Ficou a ânsia pelo ar.
Mas eu nem andei,
Apenas busquei,

Busquei o sopro que me restava,
Com o fôlego-reserva do tempo que respirava.
Busquei o que conhecia,

Mas que agora não me reverencia.
Ah, o ar! O ar…
Por onde anda esparramando vento?
De vento, me restou o frio.

Que invade meu corpo,
Eu que nem ando pra fugir dele,
Resta-me agora soprar para espantá-lo.

                           TRILOGIA DAS MARÉS E DA PAZ                     
Por: Cema Raizer

1 – GAIVOTAS…
Minha intuição dizia que um
Recanto de infância pequeno e único
Continuaria vivo e preservado…
Não seria apenas uma lembrança,
Essa natureza que me envolve

Meu desejo era  reencontrar
O bucólico recanto de pescadores…
Doce lembrança que guardei
E permaneceu em mim
Nos anos que passei a infância.

Reencontrei agora …a praia intocada.
A pequena ilha que ainda é dos pescadores!
Os barcos estão no mar
As gaivotas estão aqui… nada mudou
Será que o tempo parou?

Eu cresci, as gaivotas permanecem…
Tudo igual, até o suave pouso
Como se as imagens tivessem congelado
Me esperando nesse constante voar
Ou andando mansamente na praia deserta.

Fecho os olhos e sinto a suave brisa
Ouço os piados e sinto o cheiro da maresia
Esse clima de infância remete ao passado.
Abro os olhos  e vejo que não é sonho;
As gaivotas continuam aqui !

2 – FALUA

Cumpres teu destino
E não, não naufragas
Tens desejos de seguir
Vela ao vento, ó Falua

Nessa  coragem de teu navegar.
A lua, os peixes e as gaivotas
Acompanham teu trajeto
Não sentes solidão entre céu e mar.

Qualquer que seja o tempo
Ali é teu lugar
Estrelas à noite consegues contá-las

Até podes adormecer nesse embalo
Pois o marinheiro que navega
Conhece o caminho do Mar!

3 – E A PAZ?

– A Paz?

Rompe a expectativa
Pessimista de nosso tempo!
É Dezembro…
Ouço o canto da cigarra

E disseram que a neve chegou além mar…
E logo é Natal
Mês do nascimento de Jesus
Iluminado menino da manjedoura…
Nasceu para falar de paz e humildade

Nos trouxe sabedoria,
verdades inspiradas com muito amor,
Sentimento que ensina a viver
Num calar… que afinal fala!

1 comentario en “POEMAS EM PORTUGUÉS”

  1. Debrucei-me na fervura de corpos vivos cobertos pelos sentimentos e no caminhar apareceu a magia que enfeita as noites frias, enquanto a natureza troca de vestes nas estações.Multidões buscam abrigos em desertos e mares, enquanto um coração relembra paixões vividas numa lua de outono. Os sonetos aparecem enfeitados com raios de ouro do sol, enquanto outro pergunta. para onde anda esparramado o vento? Mais seres indagam voltando às lembranças da infância e fecha o ciclo de todas essas emoções com o nascimento do menino Jesus, que por amor a todos nós, morreu na cruz! Todos esses afetos se mesclam num só corpo, onde Aristos é a cabeça e os membros os reflexos de todas as vivências.

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