POEMAS EM PORTUGUÉS

Todo lo publicado en  ARISTOS INTERNACIONAL está sujeto a la ley de Propiedad Intelectual de España  octubre  de 2.021 nº 46

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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

ALMA INQUIETA
Virgínia Branco
Portugal

Fico com a alma inquieta
cada vez que é lua cheia.
Pois com a luz do luar
todos nos cobiçam a ceia !
Servida com  pétalas de rosas
lírios ou mesmo  só malmequeres.
Desde a sopa à sobremesa,
com o perfume das flores,
mitigam-se os nossos quereres
e as sedes dos amores.
Debaixo de um céu estrelado,
dão-se beijos apaixonados.
Surgem estrelas cadentes
como fogo de artifício,
acarinhando a ilusão,
ou um qualquer armistício.
Mas directo ao coração:
-Só o facho dos  olhos teus,
acendem a chama dos meus!

METAMORFOSE…!
Virgínia Branco

Desde o limiar dos tempos
que medito nos silvos do vento,
nos musgos
e nas suas cambiantes.

Durante a invernia,
foram meu abrigo
galhos agrestes.
Vivi do destino
a ironia…
a alma tem hoje novas vestes.

Saciei-me com o perfume
qu’exala
a terra húmida, lavrada…

Sementeiras de grãos de trigo,
transformaram pedreiras
em searas frondosas.
Cavernas em palácios sumptuosos.

Quanta poesia em cada galho,
em cada grão que germina,
na poeira do atalho,
no florido da ravina.

No olhar duma criança
que se vestiu d’esperança,
mulher,
a quem não coube
ser menina!

CONFIANÇA
 Jusmaria da Cunha Carvalho
Brasil

Nos vínculos especiais
É necessário confiar
Mas nas relações pessoais
Pode surgir o desconfiar

A quebra da confiança
Constitue sutil dilema
Mesmo sem ter a vingança
Fica o germe do problema 

É que o ente que se cansa
Da temida e vil lembrança
Não  quer mais acreditar

Pois com a desconfiança
Também mingua a esperança
Da amizade retornar.

REFLORIR DE LUZ
Jusmaria da Cunha Carvalho
Brasil

Se a flor de luz colorida
Sombria se recolher
Ficando emudecida
Por agrurias do viver 

Se massacrada pela dor
Envolta pelo sofrer
Regada por chuvas de amor
Poderá reflorescer 

As ocultas sementes
Mesmo estando dormentes
Aguardam o germinar 

A flor adormecida
Poderá voltar à vida
Num feliz desabrochar. 

IDEIA
Diego Demetrius Fontenele
Brasil

Apenas uma ideia simples e crua
Esperando ser lapidada
Como pedra encontrada na rua
Toma corpo e forma
A estrutura nua
Bela como o reflexo da Lua
Pouco a pouco sem falcatrua
Caneta como grua
Cata as palavras e construa
Para que a simples ideia instrua
Destrua, reconstrua e perpetua.

ADEUS JUVENTUDE
Alfredo dos Santos Mendes
Portugal

Depois da juventude ultrapassada,
a vida passa a ter outro sentido.
E todo o aprendizado adquirido,
Será o nosso guia de jornada!

Teremos pela frente, tudo ou nada.
Qual deles será de nós, o nosso adido?
Será que ficaremos no olvido?
Nossa porta estará sempre fechada?

Há que sorrir em cada despertar.
E nunca esquecer de comentar:
que há mais um dia todas as manhãs!

E quando já passados muitos anos,
não devemos chorar os desenganos,
mas olhar com orgulho nossas cãs!


AMBIÇÃO DESMEDIDA
Alfredo dos Santos Mendes
Portugal

Silenciosamente caminhei.
Na escuridão da noite me embrenhei;
fugi da minha sombra…me escondi!
Os ecos dos meus passos abafei.
E de pés desnudados avancei,
p’ra longe me afastei. Fugi de ti!

Fugi da tua amarga companhia.
Daquele travo amargo que sentia,
e que a tua presença provocava.
Fugi do teu abraço virulento.
Fugi do teu matreiro fingimento.
Pois tu não és a amiga que eu julgava!

Me iludiste com tua fantasia.
Me cegaste com luz que refulgia
dos falsos diamantes que ostentavas.
Por ti quebrei as regras principais.
Violei meus princípios por de mais,
cobiçando o cenário que mostravas!

Me envolveste num mundo de riqueza!
Aproveitando bem minha fraqueza,
com truques de magia, de ilusão.
Me transformaste escravo preso a ti.
Tanto te desejei que me perdi,
entre meandros loucos de ambição!

Já farto de loucura sem sentido,
para recuperar tempo perdido,
da tua sedução eu me afastei.
Soltei-me das grilhetas encantadas,
que tinha minhas mãos aprisionadas…
Já sou dono de mim, me alforriei!

ONDE FICOU O SEU TALENTO?
José Ernesto Ferraresso
Selva Negra- Brasil

São vários os talentos.
Alguns nem os conhecem;
nem o sabem utilizar.
Procuram imitar outros,                

olvidando-se pensar.

O Criador agraciou a todos.
Uns não sabem experimentar,
nem mesmo valorizar
das dádivas oferecidas.
É bem mais fácil plagiar!

A sabedoria nos foi doada
e muitos são os escolhidos,
para com a palavra trabalhar.
Cada qual com seus conhecimentos,
Sem necessitarmos copiar.

Existem os que colam,
e aqueles que acham mais fácil imitar,
ainda os que não sabem pesquisar.
Nem dão valor aos seus talentos
nem a outros conseguem respeitar.

Gratidão!
José Ernesto Ferraresso
Selva Negra Brasil

Contemplar o momento certo, que nunca notei.
Observar melhor os aspectos diferentes que a vida tem.
Dar valor nas belezas que Pai nos agraciou e eu observei.

Ao Contemplar a Natureza!
Quero continuar, conquistar o que um dia pude notar.
O Pai observou estes gestos divinos com suas características.
Que Ele fez para nos oferecer, doar e para nos agraciar.

Obrigado, Senhor!
Pretendo viver lutar e jamais deixar de agradecer. 
Dar valor em tudo o que o Senhor ofereceu e nos presenteou.
Viver para sempre em todos os instantes e graças render. 

 

FOI ELA…
Iran Lobato

Passaste fugaz pela vida que corre
Varrida no vento voraz de Outono.
Mulher que se fez poesia em meus sonhos,
Mas breve a terra  lhe abriu um leito nobre.

Na dor do torpor, nívea lágrima escorre
E o breu das trevas trás tédio tristonho…
Vem que ainda é tempo de ninar meu sono,
Acode a quem por ti definha e morre.

Ao ver o aquoso do espesso véu e bruma
Pratear-te o cabelo em desalinho,
Vi que eras tu, a beleza em suma.

Surgiste tão viva, e risonha te vi…
Que sono bom, que sonho bom e divino,
Pois crer que eras a morta na essa, não cri!


D. QUIXOTE
( À obra de Miguel de Cervantes )
Mário Matta e Silva
Portugal

Ledo ginete de cavaleiro andante
troteando em tardes pardacentas
resfolegando as ventas;

sem pelejar a viagem é um vazio
onde o cavaleiro, garboso e valente
mostra ar insolente;

vastas planícies e montanhas a pique
brenha de heróis, assaltos, pilhagens
vinho plas estalagens;

ventos que se cruzam pelo arvoredo
com versos no peito, mulheres e noitadas
sonhando as amadas;

por sobre papoilas com a cor do sangue
cavalgada agreste galopando os dias
parcas valentias;

D. Quixote em terra feita de ventura
escachado ao dorso da sua montada
firme, engalanada;

de postura vergada à sua valentia
de elmo, malha, escudo, afiada lança
frustrado avança;

de tanta façanha enfrenta moinhos
torpes alucinações, galopes arfantes
tendo-os por gigantes;

coração saltando por sua donzela
Dulcineia bela por quem vai lutar
visionário amar;

de Sancho a rudeza montado em jumento
leva o bom conselho, nobre realidade
arrisca a verdade;

ó cavalaria tão desatinada, tão aventurosa
feita de contendas que a História gravou
e que há muito se desbaratou.


DA DOR QUE TANTO DÓI ¡¡¡¡¡

JJ. Oliveira Gonçalves
Brasil

Quando a boa avó materna ela partiu
A Dor de neto eu carreguei sozinho…
Quando a boa mãe de mim se despediu
A Dor de filho: Luto em meu Caminho!

Ah, quanta Dor a me pesar na Cruz
Na Negra Cruz do meu triste Destino!
Fiz dessa Cruz os Braços de Jesus
E dessa Dor o Amor de um menino!

Em cada morte, ali, também morri
Somente a Alma sabe o que Sofri
E lhe ouvia: “Vai, levanta, João!”

E assim a ouvindo, aos poucos, levantei
E a esgueirar-me n’ Alma, então, andei
Como Lázaro andou – meu Santo Irmão!

A minha Dor? Sei bem o quanto dói!
A Dor do outro? É do outro – e me condói!

A BELEZA DAS MONTANHAS
Marilza Pereira Calsavara
MDLUZ

A beleza das montanhas,
Altaneiras aveludadas,
Abraçam as matas,
Num doce aconchego materno.

No vale fica a minha casa,
Casa grande, rústica,
Como deve ser uma casa de fazenda,
Cercada pelo brilho da natureza.

Um lugar de serenidade,
De sons de felicidade,
Dos pássaros que ali habitam,
E fazem seus ninhos.

Do ar sente-se a pureza,
Da brisa a leveza,
Do riacho o murmurar,
Onde da maldade do mundo…
Esquece-se num simples piscar.

AVASSALADOR
Marilza Pereira Calsavara
MDLUZ

«Chega sem avisar…»

São ventos que chegam,
Formando tornados,
Carregando para todos os lados,
O que encontra pela frente.

São as chamas que destroem as matas,
Espalhando-se rapidamente,
E os animais simplesmente,
Ficam do seu habitat carentes.

São as águas que caem em dilúvio,
Os rios que transbordam sem piedade,
Arrastando sem contar idade,
As casas, as pontes, a terra e o chão.

São os tremores de terra,
As grandes catástrofes, destruição total,
Sem que o homem perceba o mal,
Que está causando para si mesmo.

ROSTO DE CRIANÇA
Marilza Pereira Calsavara
MDLUZ

Olhos atentos no seu rosto de criança,
Vendo o mundo na sua doce inocência,
Queixo erguido olhando em frente,
Porque o futuro lhe sorri,

Nada existe de mal na sua mente,
Seu caminho é de luz, de flores e de amor,
Ela começa seu caminhar nas pegadas de Jesus,
Porque ela confia no Seu Amor pelas crianças,

Nas mãos estendidas que não a deixa cair,
E nas palavras que JESUS proferiu:
“Deixai vir a mim as criancinhas,
Porque delas será o reino dos céus”.

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POEMAS EM PORTUGUÉS

Todo lo publicado en  ARISTOS INTERNACIONAL está sujeto a la ley de Propiedad Intelectual de España  septiembre  de 2.021 nº 45

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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

 

COLABORAN . Virginia Branco .-Eugenio de Sá.-Alfredo Dos Santos.-Josuela Ferreira.-José Ernesto Ferraresso.-Albertino Galvão.–J.J. Oliveira Gonçalves . -Mario Matta e Silva.-Gabriela Pais.- 

D E P O I S…!
Virgínia Branco

Depois da tempestade
vem a bonança !
Uma frase em que medito
desde criança.
Mas também “se colhe
o que se semeia”.
Nem sempre as nuvens se dissipam
no azul celeste da aldeia.
Para isso os homens
têm o uso  da ética e da razão.
Devem saber impor razoável opinião!
Que se evitem os cadilhos.
Semeiem-se  ventos de tolerância.
Que a luz ilumine os trilhos
que caem nas trevas.
Que se evitem as guerras
e  se abram as almas
à serenidade e ao perdão.

DIVAGAÇÕES
Virgínia Branco

Divagando sobre a terra
com o sonho e a utopia,
rogo a Deus pelo fim das guerras!
Divagando sobre os mares
que tantos mistérios encerram,
há um que mais admiro;
Sempre que as ondas me beijam os pés,
questiono; como é que a lua coordena
o vaivém das marés?
Divagando sobre ti, meu amor
que foste persistente na conquista,
transformaste em alegria, a dor!
És o sol em meu diário,
conforto em minh’alma.
Qual talismã em meu relicário!

O embargo do verso
Eugenio de Sá

Num murmúrio, o vento trouxe as palavras de um poeta
em versos que serpentearam pelo vale dos lírios
onde os deuses brincam e escarnecem do destino de um Rimbaud,
que jaz esvaziado da magia do amor.

Há neste retrato a nostalgia das naturezas mortas,
o anunciado fecho da loja dos versos,
o desenho a carvão da vida que perdeu o viço,
o cão velho que adormeceu na campa onde repousa o dono.

Há nestes versos a frustração do operário que queria ser engenheiro,
as águas da lavagem da intimas confissões,
os chãos áridos que conheceram as passadas da revolta,
os destemperos submersos da alma,
os mesmos que ainda alimentam as brincadeiras dos deuses!

CONFIADO AO VENTO
Eugénio de Sá

Foi no vento que te conheci
Chegaram-me em sussurros os lamentos
De um coração que me pareceu doente
Que procurava em vão buscar alentos
Num outro que sentisse tão carente

E p’las fúrias de Eolo considerei
que os queixumes do triste coração
careciam de resposta assaz urgente

Dando-me conta de tanta dor contida
nas incertas batidas que ouvia, atinente
pedi ao vento que levasse viva
minha angustia sentida e pungente
e o seu carinho trouxesse de seguida

DESALENTO
Alfredo dos Santos Mendes

Peguei na estrela polar,
Pus na terra a germinar,
Com pedacinhos de lua.
Fui ao sol buscar calor,
Torci nuvens com fervor,
Para regar minha rua!

Pedi à Ursa Maior,
Que vigiasse ao redor,
Sementes tão preciosas.
P’ra mais tarde renascidas,
De tanto mal ressarcidas,
Brilhem no céu, graciosas!

A Saturno eu implorei,
A deus Júpiter roguei,
Que lhes desse protecção!
Aos gémeos que vigiassem,
E o Capricórnio informassem,
Se houvesse conspiração!

Neptuno fosse avisado,
Úrano logo informado,
De toda a evolução.
Para que tudo acabasse,
Sem delongas se chamasse,
Caranguejo e Escorpião!

Lá foi o tempo passando,
Eu ansioso esperando,
As sementes ver nascer.
Em noites de lua cheia,
Em alegre melopeia,
Fiz regas de bem querer!

P’ra minha desilusão,
nada germinou no chão,
morrera um sonho tão lindo!
Olhei o céu com tristeza,
Por ver que tanta beleza,
O homem vai destruindo!

DEVANEIO
Alfredo dos Santos mendes

De folhas mortas pejado,
de um Outono antecipado,
já vai ficando meu chão.
Sinuoso, truculento,
abismo de horror sedento…
de toda a minha ilusão!

Tanto sonho construído.
Delineado, sentido,
E por minhas mãos moldado.
Traíram o meu sentir.
Sou alicerce a ruir,
Edifício arruinado!

Sou sombra que não abriga.
Refeição que não mitiga,
a fome de quem precisa.
Terra que nada produz…
Oásis que não seduz…
Sou cana ao vento, indecisa!

Sou como um barco sem leme.
Chama de vela que treme,
ao menor sopro de vento.
Sou sofrimento, queixume.
Sou acha que cai no lume…
Eu sou do ai o lamento!

Eu sou do sarcasmo o riso.
Serei o que for preciso,
P’ra voltar a ser feliz.
Ver minha alma renascida.
Poetizar minha vida…
E voltar a ser petiz!

Cântico de confiança no Senhor
Josuela Ferreira

O Senhor é o meu guia
No escuro da noite
e na sombra do dia.
Nada temerei
e nEle me deleitarei.
Com o coração quebrantado
e os joelhos fadigados,
nEle me alegrarei.
Ainda que o pavor me circunde
e o mal me amedronte:
serpentes e leões,
trevas e assombros,
nada são diante do meu Senhor.
O Senhor é o meu Criador
Poderoso, do mundo Regedor.
Socorro presente,
Amigo excelente,
do qual sou dependente!
Onipotente, Onipresente, Onisciente!
Santo, Fiel, Clemente!
Diante d’Ele minha alma é derramada
e a minha vida, consagrada.
Toda a angústia é afugentada!
Porque n’Ele descansa a minha alma
Bendito é tu, Senhor!
Deus da minha esperança!
Deus da minha confiança!

O Amor é Assim…
José Ernesto Ferraresso

Eterno e sempre durável, quando é compartilhado.
Sincero, sem traição, real, e também espiritual.
O amor que é imutável jamais pode será evitado.
Quando o sentimento é confiável sempre há um ideal.

Aquelas mãos quentes tinham um tocar envolvente,
Acariciavam e provocavam paixões ternas e carinhosas 
Ao tatear aquele corpo no instante comovente.
Mãos aveludadas, macias, grandes e sedosas.

Aquele que acredita que é capaz de ter consciência.
Principalmente, ousa de forma branda e calma.
Consegue agir com controle, com modos e paciência. 

Indicativo de fatos com certeza e certa precisão.
Confia e nos revela beleza, atenção e calma na hora agir.
– Às vezes, sem cuidados especiais, cometem indiscrições –
sem sequer pensar numa decepção.

Aparências…
Albertino Galvão

Não desprezes ninguém pela aparência
Nem pela raça, credo, ou roupa que usa
Nem te iludas também pela inocência
Daquele que, não a tendo, dela abusa!

Há quem tenha imagem tão obtusa
Capaz de nos causar tal influência
Ao ponto de gritarmos a recusa
E agirmos com nefasta incongruência

Mas há que refletir e ter prudência
Porque às vezes o alguém que se recusa
Por ter aspeto externo de indigência

Pode ter, a coberto, por decência,
Carácter, formação, moral inclusa
Saber, educação, inteligência!

O sem abrigo
Albertino Galvão

As sombras bailavam nos olhos mortiços,
As marcas do tempo cruzavam-lhe o rosto…
Os braços pendiam inertes, submissos,
Num corpo mirrado e ar descomposto

Olhou e sorriu à “menina” passante
Tossiu um piropo sem jeito nem graça…
Comeu e calou o insulto ignorante
De um tal travestido gingando na praça

Chamou pelo cão, confidente e amigo
Nas horas amargas amparo e consolo…
E juntos seguiram, os dois sem abrigo,
Em busca dum chão que lhes sirva de colo

Deitou o cansaço num tal viaduto,
Dum trago bebeu o vinho anestésico…
Dividiu com o cão o pão sem conduto
E a fome se foi num sonho amnésico.


Ilusões
Albertino Galvão 

Por trás da cortina de renda de bilros
vi-te partir, cedo, bem cedo, trajando ilusões…
Olhos audazes, sorriso de esp’rança
vontades acesas lembrando vulcões.
Idade?!…A das verdes e azuis primaveras
pulsando beleza, rebeldia, pujança!
Por trás da cortina de renda de bilros
da mesma janela que te viu partir…
Vi-te de volta das voltas que deste
nas asas um sonho com rótulo de antigo
que era o teu mundo, tu mesma o disseste!
Vi-te de volta, vergada e submissa,
arrastando o tempo vazio dos sonhos
que, em tempos, julgaste te iriam sorrir.
Por trás da cortina de renda de bilros
vi-te de volta… que triste memória!
Voltavas envolta num manto de penas
sem brilho nem cor!
Nas mãos descuidadas um resto de nada
nos olhos derrotas e no corpo as feridas…
Pesado castigo, medalhas de guerra
dum tempo sem volta, sem honra, sem glória!
Voltavas moída, das voltas e voltas
à volta da vida e à volta dos “sonhos”
que, voltas e voltas, não parou de dar…
E o viço morreu-te nas voltas que deste
à volta dum tempo que passou depressa
e tu não soubeste que volta lhe dar.
Vi-te de volta num dia sem sol,
nublado e cinzento…
Idade de Outono gravada na pele
e às voltas e voltas, à volta de ti,
as sombras funestas rindo e dançando
zombando de ti!

Mais um dia
Albertino Galvão

Nasceu o sol, um novo dia
e com ele mais uma alegria.
O dia nasce todos os dias
e a esperança se renova a cada dia.

Nasceu o sol, um novo dia
e com ele a dúvida de cada dia
a morder a esperança e a ferir a fé…
a fé que tenho em ti, no dia a dia,
nos homens!

Nasce outro dia e «cadê» o sol?
Mas que chatice um dia sem sol!
E lá se vai a esperança
renasce a dúvida,
insinuante e mordaz…
tão sombria quanto o dia
que hoje nasce!

E a dúvida persiste e insiste…
Mais um dia sem sol e sem paz.

POEMA SELVAGEM!
( Profecia Druida )
J.J. Oliveira Gonçalves

Aziagos são os dias. Vazias as noites. A Vida: incerta. Ressequido paiol o mundo. (Prestes a pegar fogo!)
E o homem: um bumerangue de violência. (Matando em nome da Vida. Em nome da Paz. Em nome da Liberdade.
Mesmo em nome de Deus!) Os caminhos despiram-se de toda e qualquer perspectiva de solidariedade.
As pontes, (que nasceram para unir), ruíram nos melancólicos desvãos da inconsciência.
A flor fechou os dedos de seda de suas pétalas delicadas sobre si mesma… E, silenciosamente, exalou seu último
e inebriante aroma – em  nostálgico e fragrante suicídio… A ave recolheu seu derradeiro vôo para além do Infinito…
(Onde algemas de silêncio se rompem no derradeiro grito!) O céu abrigou-se em chumbado poncho:
cobriu o majestoso índigo e escondeu o piscar intermitente das Estrelas. Franziu o cenho.
Então, turvou-se-lhe a visão. E milhões de pequeninos olhos choraram a Mãe-Natureza em agonia…
E eu – eu compulsoriamente empurrado para o torvelinho do mundo deste homem-nada, (da impotência humana!)
 – arrasto o Coração ferido e a Alma em chamas!

Todavia, impõe-se queimar no fogo das lembranças… É preciso arder na pureza incandescente das Paixões.
É preciso luzir na Chama Azul do Amor-Sem-Fim! É preciso ser a própria chama que me acende.
E me consome. (É preciso, sim, achar o rumo que a escuridão humana desfez em mim!)
É preciso ser a Fênix que arde, arde… se extingue… e não tem fim!
Olho as coisas ao redor – pedaços de outras matérias que incorporei ao transitório da Carne e ao perene do Espírito.
(Calcinados rescaldos a reacenderem-me histórias guardadas nos Escaninhos da Memória!) Mas, continuo a Caminhada.
E a Alma é alva Gaivota em loops candentes nas Fronteiras da Liberdade! (Ah, Liberdade, irmã-gêmea dos meus ardentes
sonhos e Redenção definitiva…) Perscruto, na parede que me olha com olhos estáticos e acinzentados,
minha combalida e etérea sombra. Inseparável confidente, ela me responde em igual e uníssona linguagem
 – visceralmente silente e dolorida… (Ah, meu Deus, quanto a Existência é dolorida!)

Enquanto isso, (lá fora!), os homens gritam – no prazer do Ódio – suas misérias: alucinações fratricidas!
Maquinações ambiciosas! Tristes disputas de poder. (Semideuses já mortos – obcecados Senhores das Trevas
corroídos pelo próprio ácido letal… Letal veneno!) Suas armas falam o estúpido matraquear da Morte!
O aniquilamento feroz da Vida! Suas bocas, (doidas babéis!), liberam Ódio e Extermínio.
(Palavras de ordem dos ensandecidos Canibais da Extinção!) Fazem a horrenda e desfigurada guerra!
Que pena: mutilam a Musa… Sangram a Poesia… Desfiguram o corpo do Poema… Corroem a Alma do poeta!
Guerreiros da Escuridão despidos de Razão! Almas mortas! Metáforas de Destruição! Assassinam o Amor – Útero da Vida!
O Amor que Ele, da Solidão e do Martírio da Cruz, regou com Sangue. Tatuou na Carne. Eternizou em Luz!
No Genocídio Universal da Terra, escureceu-se o Sol! Apagou-se a Lua! Empanou-se a intermitência das Estrelas!
Desfigurou-se o Homem! Guilhotinou-se o Dia!!
Na PraçaPública do Mundo, fétido odor percorreu o Ar… Então, o piche da noite – espesso e lúgubre
– caiu sobre o Planeta… Amortalhou a Vida…  Feriu de morte o agudo Grito da Liberdade…
(Irreversivelmente??)

TUDO MUDA
 Mário Matta e Silva

Tudo muda na nossa caminhada
Tudo muda desde criancinha
Tudo muda na tela recriada
Tudo muda da semente à vinha.

Tudo muda no nosso amor antigo
Tudo muda nos sonhos agitados
Tudo muda em cada ombro amigo
Tudo muda nos tempos deslumbrados.

Tudo muda, eu sei, de que maneira
Do primeiro choro à risada galhofeira
Que a saudade trás até ao presente.

Tudo muda, hoje é só canseira
Poemas grisalhos, paixão derradeira
Que nos enternece nas tardes ao poente.

HOJE, O AFEGANISTÃO
Mário Matta e Silva

As palavras não chegam para descrever
O quanto é rude a caminhada
Tempos conturbados, guerra ensombrada
Tempestade humana que nos faz temer.

Gaivotas sobre o mar arábico, agitadas
Mares revoltos em cada maré
E na terra as gentes perdidas de fé
Sem esperança no futuro, horas desvairadas.

Civilização feita de recuos, cultura perdida
Uma Paz distante, sempre esquecida
Terror e vingança, em forma de insanidade.

Chamam-lhes talibãs, contra o Alcorão 
Contra os direitos humanos, sua peregrinação
Escravizam as mulheres, tiram-lhes a liberdade.

À PROCURA DO DESTINO
Gabriela Pais

Seixos que pisa no rio,
golpeiam os pés descalços,
entre jorros de água pura
foge sem sentir o frio,
deixa passar os percalços,
segue direcção segura.

Sem perder a candura
prende a saia molhada,
saltita por entre escolhos
vistos no meio d’ alvura,
da fresca água prateada,
o espelho, luz de seus olhos.

Pálpebras entreabertas
vai a pesquisar o caminho,
boca de lábios rúbidos
sussurram preces incertas,
um ferido passarinho,
sem medo, em voos lépidos.

Chegou ao fim da jornada
começava outro destino,
com boa ou má previsão?
Ar fresco nova lufada,
fada da bondade a pino,
fade os sonhos de feição.

A toda a hora há esperança
da mudança de má sina,
as nuvens mudam de cor,
o Céu depressa se alcança,
o sol que abraça em surdina
e o rio que abrandou a dor.

CIDADE NUA
Gabriela Pais

Noite cansa sem luar, escura,
caminha-se sem ver, à deriva,
por justas ruas sem ter frescura
cidade nua, sem vida, esquiva.

Manta de fantasmas em cimento,
sem vida donde espreitam buracos
esfinges hirtas pro firmamento,
tristes emaranhados, opacos.

Dédalo sem porta de saída,
visão da noite, muros, disforme,
calma vã vidas em decaída,
em cidade alheada que dorme.

Cidade onde os passos deixam marcas,
p’ lo peso que andantes acarretam,
árduos fardos, aptidões parcas,
sem confiança a vida transportam.

Cidade nua que alguns ignoram,
fingem sentir doutros o sofrimento
não dão a mão, não consideram,
só falsa esperança e fingimento.

 

2 comentarios en “POEMAS EM PORTUGUÉS”

  1. VIRGÍNIA : «DIVAGAÇÕES»… divagando, descobrindo e encontrando motivos de bem querer, dúvidas… buscando soluções!
    EUGÉNIO DE SÁ : «CONFIANDO AO VENTO»: confiando ao vento, numa poética emoção, poderá ele, intuir que haverá solução! ALFREDO MENDES : «DEVANEIO»: Em busca da solução, que ameniza o avanço do tempo.Lamento para regressar ao melhor tempo!
    JOSUELA FERREIRA :»CÂNTICO DE CONFIANÇA NO SENHOR» : Segurança, busca da fé no Criado,para chegar ao final do caminho!
    ALBERTINO GALVÃO: » APARÊNCIAS» Grito da liberdade de ser um caminhante buscando o Bem!
    J.J.OLIVEIRA GONÇALVES: «PROFECIA DRUIDA» Um grito de amor pela liberdade!
    MÁRIO MATTA E SILVA:» TUDO MUDA» : Um poema cheio de razão!!!
    Gabriela PAES: » «A PROCURA DO DESTINO» : Essa busca constante à percorrer Caminhos, procurando o seu mundo entre escolhos, em preces e sussurros, tendo esperança num recomeço…

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  2. Grandes são os poetas da língua portuguesa! Adoro o estilo muito próprio do Eugénio de Sá, e a poesia inspirada do Alfredo S. Mendes.
    Claro que em todos os outros existe a força das palavras e o calor da inspiração. Todos temos preferência por algum ou outro. Fico grata aos poetas e poetisas

    Responder

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POEMAS EM PORTUGUES

 

Todo lo publicado en  ARISTOS INTERNACIONAL está sujeto a la ley de Propiedad Intelectual de España  agoto de 2.021 nº 44

La Dirección no se responsabiliza de las opiniones expuestas por sus autores. 
Estos conservan el copyright de sus obras
AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

MEU VOTO DE PAZ!
Virginia Branco

Que se dispersem nos muros
as balas das espingardas.
Que as luzes dos petardos
se apaguem nos mares!
Que as bombas destruidoras
se diluam nos ares.

Às grandes potências
meu grito de clemência!
Que se contenham as raivas
e se anulem negócios d’armas.
Que a ONU seja atempada
para que não sangrem chagas
e a dor se contenha
no coração das mães.

Que as razões se sentem à mesa
das negociações.
Que as diferenças não fomentem terrorismo!
Que o Humanísmo,
possa destruir todos os outros ísmos
e os interesses instalados !

Nas terras ensanguentadas
e nos campos de refugiados
cresçam papoilas de rubro pintadas!
E as pombas batendo as asas
num céu anil,  sem dor
tragam aos homens , nos bicos
os ramos da Paz e o calor do Amor!

Lamentos
Eugénio de Sá

Alça-se a proa à vaga gigantesca
P'ra logo se afundar na que se segue
E assim se mostra Eolo que zangado
Soprando em turbilhão do mar lhe bebe
Em novelos de espuma o gesto irado

Ouve-se então em dolentes acordes
Toda uma sinfonia dissonante
É Neptuno a gemer o seu temor
Por não ouvir no vento a sua amante
Que chora entre os rochedos sua dor

Não chores tu mulher, como Neptuno
Pois se de ti se aparta o doce enleio
Deixa que a esperança marque de ternura
A tua fantasia mais que anseio
E que o teu rosto mostre essa doçura

Eu Sou
José Ernesto Ferraresso
Brasil

Aquele que aceita a vida como ela é,
Acredita que todos os dias é um recomeço.
Uma parte de mim é compreensão,
Outra parte é puramente razão.

Sou alguém que quando perde sabe compreender,
Quando é derrotado consegue sobreviver.
Quando erra tenta entender,
Quando conquista sabe agradecer .

Aquele que acredita no Supremo Ser,
Que rege esse mundo e nos faz crer.
Que sempre aprendemos saber perder,
É Ele que nos faz aceitar e entender .

Uma parte minha é angústia,
Outra parte é só alegria.
O que não deixo de acreditar,
É que por Ele consigo conquistar.


DOIS MOMENTOS
José Ernesto Ferraresso

Errar… Acertar:
Chorar… Sorrir,
Sentir…
 
Humanos somos no instante de errar
Humildes devemos ser para perdoar
Para o perdão não existe o momento
Porque esta falta de amor
Nos causa angústias e arrependimento.

Convivemos com a traição e com o perdão,
Com certeza e incerteza,
Com fidelidade e infidelidade,
Com maldade e com bondade.

Somos seres confiantes e não-confiantes,
Que seguimos pla vida adiante
Diversas vezes humanos indefinidos
Às vezes decididos; outras até perdidos .

Em nossas vidas nem tudo é verdade,
Passa a ser até  uma irrealidade
Muitas vezes é uma  mera fantasia,
O que acontece no nosso dia a dia .

Bem me quer, mal me quer
Magna Aspásia Fontenelle
Brasil

Desfolho a flor pétala por pétala,
Bem me quer, mal me quer,
Buscando nas suas pétalas

Respostas
Para as inquietações cotidianas,
Iluminadas pelo o pôr do sol
Que se deita no horizonte.

Olho para o infinito,
O céu escurecendo
Sinto a brisa
Sorrateira
Assobiando
Que devagarinho
Toca meu rost.

Despertando
Sentimentos
Num misto
Nostálgico.
Como as pétalas
Das flores
Que caem
No solo.

Leves,
Passageiras,
Num reencontro
De memorias
Que se esvai
Deixando a beleza da flor,
Viçosa
Solitária
Perfumada,
No âmago do meu ser,
Como marcas indeléveis
Do que fui
Sou e serei.
Exaltando todas as esperas
No meu caminhar terreno.

A MAGIA DAS MÃOS
Mário Matta e Silva

Na magia procura-se fazer sentir
a plenitude da sensibilidade
com gestos precisos e de intensidade
descobrindo este imenso fluir.

A pele é que comunga do espaço
e o temor do pranto é mais
muito mais do que factos banais
onde se vislumbra a força de um abraço.

O dia é fugidio e gasto à pressa
desfazendo-se na noite mais insegura
mais temida ainda quando escura
sem as carícias que dês a quem as peça.

Mas em todo o gesto há um carinho
de certezas e suavidades feito
o tempo é o que for nos dedos desfeito
e o deslumbramento é o melhor caminho.

Apontamos lentamente essa linha
que o horizonte nos mostra de repente
tateiam-se as coisas e avidamente
há um agarrar tudo o que já definha.


São as mãos que vão procurar
os anseios nas horas esgotadas
que sentem o mundo em gotas derramadas
no gozo breve que há pra derramar.

Num toque terno sente-se o ventre crescer
essa vida que está dentro doutra vida
nesse corpo que é doce guarida
de toda a criação, todo o saber.

Os gestos são a mímica da presença
do nosso estar mais perto em atitude
o fechar da mão, o punho rude
mais presente está que a indiferença.

Comunicam, tocam, sentem até
estremecem e vingam-se certamente
as mãos são o contacto certo, evidente
na nossa indignação, amor e fé.

Cenas e Cenários!!
JJ. Oliveira Gonçalves
Porto Alegre, Brasil

Chegam cenas lá da infância:
Céu azul dos Sonhos meus
Monto o Potro da Distância
E vou visitar os meus!

Meus parentes, meus amigos
Abraços saudosos… ledos
Folhear meus gibis antigos
E dar vida aos meus brinquedos!

Vou brincar co’o “Querubim”
E os bichos de estimação
Entre as flores de um jardim
Sob as nuvens de algodão!

Rever vizinhos fraternos
Colegas e professores…
Namorar uns olhos ternos
Da Paixão curar as Dores!

No domingo – na Matriz
Vou à Missa das Crianças
Vou de novo ser feliz
Vou colher de mim Lembranças!

Ninguém doma o pensamento
Zigue-e-zague… Vai-e-vem…
Ir ao Passado é o alento
Que o meu presente mantém!

Nesse passeio sonhado
Nessa visita assim bela
Sou o Príncipe Encantado
Procurando Cinderela!

Conto de Fada termina…
E em meu olhar magoado:
Os teus olhos de menina
Nas Janelas do Passado!

Montei cenas e cenários
De menino e adolescente
São sorrisos, são Calvários
Em meu verso confidente!!

JARDIM IMAGINÁRIO

Gabriela Pais
(Almada- Portugal)

Vou olvidar meu jardim imaginário,
De rosas, cravos, flor de laranjeira,
Orlam lago cerúleo, belo cenário,
Escondendo segredos na sua beira.

Mudo silêncio com gosto amargo,
Regaço de pétalas que acalenta
Perfume que vai morrendo pro largo,
Saída de  amor acre, não contenta.

Em redor roussos trinam serenatas,
Volto de novo a forjar meu jardim,
Ninada ao som musical das balatas.

Flores bailam com trajes de cetim
Sobre chão decorado com xamatas,
Do lago odes d’ amor, luzem pra mim

 

2 comentarios en “POEMAS EM PORTUGUES”

  1. Estar aqui, é sempre um aprendizado,um repartir e apreciar inspirações!
    Parabéns à todos… é muito bom poder ler cada poema ! Aqui entendemos
    valores de cada autor, numa linguagem de amor, poesia que nos une e
    mantém sempre viva nossa expectativa de Paz, amor, união e diversidade!
    Abraço e Parabéns!

    Responder
  2. Agradeço o carinho dos amigos pertencentes ao Aristos Internacional
    e muito me honra estar presente para mostrar algo de nossa
    Terra e também dois momentos em épocas diferentes dos meus
    estudos de Literatura, onde apresento um pouco da nossa emoção
    e da nossa aprendizagem em compartilhar com os amigos de todos
    os países que a Revista é divulgada .Quero parabenizar os poetas que
    discorreram seus momentos literários aqui neste Recanto Literário.
    Obrigado aos amigos coordenadores do trabalho artístico do
    Aristos Internacional. Agradecimentos aos coordenadores Eugènio de Sá em Portugal
    e Dra Eunate Goikoetxea ( España ) que não mediram esforços para lançar a nossa Revista do
    Mês de Agosto 2021,
    Obrigado e feliz início de Setembro com Paz, Amor e Gratidão.

    Responder

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POEMAS EM PORTUGUÉS

Todo lo publicado en  ARISTOS INTERNACIONAL está sujeto a la ley de Propiedad Intelectual de  España  Junio de 2.021 nº 42

La Dirección no se responsabiliza de las opiniones expuestas por sus autores. 
Estos conservan el copyright de sus obras
AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

COLABORAN:Regina Coeli Rebelo Rocha.-Eugenio de Sá.-Alfredo Mendes .-Celso Henrique Fermino.-Josuela Ferreira.-José Ernesto Ferrarresso.-Luiz Gilberto de Barros. (Luiz Poeta).-JJ. Oliveira Gonçalves.

Perfil Poético
Regina Coeli Rebelo Rocha
Rio de Janeiro (RJ)
 
Trago comigo os versos da madrugada em seu caminho para o sol.
Não supunha fazer poesia até que li que o poeta é como um
médium que capta no ar poesia já pronta; ele apenas a mostra
aos que ainda não a conseguem ver…
Acreditei, então, que eu pudesse ser poeta, embora não me
importem os nomes, mas os fatos.
Vivi uma vida de poesia, agora o sei. Sempre me encantaram
os magníficos mistérios da existência, e também
as coisas simples e belas. Hoje, viradas tantas páginas do meu
livro de vida, tenho os meus escritos como verdadeiras escoras.
Meus escritos sou eu, tanto poemas, sextilhas, redondilhas ou
sonetos, com todos os erros e os acertos que eu cometo.
Tenho comigo, entretanto, o desejo imperioso de melhorá-los e,
através deles, melhorar-me, também.
Quero aprender com o poeta, artista múltiplo que trabalha
a Língua, a pintura, a escultura, a oratória, a música,
a carpintaria, ferramental que molda a sua sensibilidade
ao escrever…
Ouso dizer que o poeta é um ser mais completo do que
aquele que o abriga… Às vezes, melhor…
Como poeta — se o sou — quero deixar nos meus versos e
nas minhas rimas a expressão viva de que, a meu modo, ousei interpretar
o Belo da Vida, e assim eu me fiz feliz…
Como pessoa, procuro seguir o que os meus escritos dizem, pois
sei que eles mostram a melhor face que eu idealizei pra mim.
E se intento construir algo bonito, perfumado e que cale à sensibilidade,
quem sabe um dia eu seja a realização do que escrevi?
Construo-me dia-a-dia nas doces páginas em que os amigos
mostram os meus versos, nas quais eu me vejo como
uma espectadora de mim mesma.
Também me procuro nos EBooks que escrevo (alguns com queridos parceiros),
as «minhas crias»(os filhos que não tive), e que acalento como flores de
um jardim que cultivo e cultuo no íntimo desejo,
quase uma responsabilidade, de dar minha parcela de
Amor à Vida, para que ela nunca deixe de ser Bela…

Amanhece ( Eugenio de Sá)
Amanhece, as brumas dissipam-se aos poucos.
Olho o porto a meus pés, um porto que só conhece chegadas,
e assumo, decidido, o comando de um barco
que nunca chegará a largar do cais.   
Inicío, então, uma viagem por dentro de mim mesmo,
imaginária, transcendente, para lá da espuma dos dias.
E, entre soluços e sensações confusas, soltas as amarras da razão,
deixo-me embalar na suave ondulação da metáfora,
fugido à linearidade de um rumo definido.
De fluxo em fluxo, salpicado de êxtases e de sal,
transporto-me aos mistérios do meu próprio destino;
ávido, mas temente de onde me leve essa ousada navegação.

 PRA LÁ ESPUMA DOS DÍAS
Eugenio de Sá

Nós somos o projecto de nós mesmos*
Donos somente de um querer original
E afinal a soma do tudo que fazemos;

Produto afim de um prólogo seminal
Tudo em nós mesmos será subjectivo
Pois só para nós se assume crucial.

Esse é o livre arbítrio do ser assertivo
Sublimada vontade, um querer maior
A mais valia de todo o nosso activo.

pSejamos, a um tempo, juiz e defensor
Na nossa acção em chãos comprometidos
Com a bondade dos passos do Senhor.

Busquemos contrição nos dias já vividos
C’o a consciência de os continuarmos
Remindo os despautérios admitidos.

* ‘ Nós somos o projecto de nós mesmos ‘
( Jean Paul Sartre )

PALAVRAS
Alfredo dos Santos Mendes

Vinte seis diferentes caracteres,
que terão o sentido que quiseres
Dependendo do seu ordenamento.
Podem falar de amor, fraternidade.
Ser instrumento de felicidade,
ou ordem que transmite sofrimento!

São símbolos que expressam o sentir!
Traduzem na verdade e no mentir,
aquilo que nos dita o pensamento.
Por vezes se apresentam sibilantes…
Como fio de navalha… frios cortantes…
Ou suave como doce sentimento!

Palavras mil, pudemos escrever.
E na sua leitura compreender,
o mistério de histórias inauditas.
E fica transparente o mais cerrado…
Translúcido e mais iluminado…
São como um cristal, as palavras ditas!

Tem musicalidade se há ternura.
Tem repressão se dita com censura.
Tem melodia… dita com amor!
Com palavras se dita: a guerra ou paz!
Através das palavras se é capaz,
de fomentar o ódio, e o horror

Falar só por falar e não pensar…
Nos faz lembrar alguém que quer pesar.
numa arcaica balança sem fiel.
A balança, balança meio louca.
Sai a palavra assim da nossa boca,
sem nexo, sem sentido, em tropel!

METAMORFOSE
Celso Henrique Fermino

Substância cilíndrica viscosa
Enclausurada em seu sedoso casulo
Rastejo solitária e asquerosa
Sou essa massa de presente nulo

ensejando póstero cor-de-rosa
Por dias em meu claustro perambulo
Despo-me da carcaça lactosa
e uma implume crisálida ejaculo

Ensaio o meu primeiro e ébrio vôo
adequando-me à nova anatomia
Já fui, serei e não sei o que sou

Quem sabe o ósculo de uma rosa um dia
toque meus lábios nus de Julieta
e me chame de sua borboleta

BORBOLETAS NO ESTÒMAGO
Celso Henrique Fermino

Ouro dos cabelos nos olhos meus
O verde colorido mais brilhante
Sorrindo agora o mesmo riso seu
Senti que o Lá não é assim tão distante

Angelical do céu você desceu
Adolescente na roda gigante
Sonhando o mais belo Sonho de Orfeu
Na terra, nas nuvens desde o instante

Que as setas do seu olhar alvejaram
Fácil presa que surpresa, sucumbiu
Às doces palavras de lábio doce

Vontade que desde sempre existiu
Tomou-me rápido como um relâmpago
Sinto-me com borboletas no estômago

BORBOLETAS BAILAM
Celso Henrique Fermino

Em seu olhar, balé de borboletas
Desfilando em hipnóticas matizes
Amarelas, azuis e violetas
Seus olhos deixam meus olhos felizes

Dois corpos, uma única silhueta
Encantados pueris aprendizes
Invejosos Romeu e Julieta
O amor aspergindo-se em chafarizes

Nas flores, nos bosques, rodas de dança
De mãos dadas como duas crianças
Beijos suaves se encontram em lábios tintos

O vinho transbordando nos instintos
Ébrias borboletas no jardim
Eu e você bailando assim… assim

A ROSA
Josuela Ferreira

Eu sou a rosa
que o mar plantou
na areia salgada
E o sol é o meu amor

Ao anoitecer eu morro
e sob a luz da aurora revivo
Para te sentir arder em mim
e acariciar as minhas pétalas,
uma a uma.

Não sei qual a cor minha
Ou que perfume exalo.
Nascida do sal
sou doce
E vivendo entre espinhos,
Sou amor.

De ti me alimento
O teu calor é o meu sustento.
Para te receber
eu me desprendo de mim
E por amar,
Deixo-te partir.

Gaia ***   A DEUSA DA TERRA
José Ernesto Ferraresso

És a Deusa da Terra,
De teu ventre foram gerados vários deuses,
             Admiramos-te Mãe, Terra Adorada!
Devemos reverenciar-te porque és feminina.
Há milhares de anos, essência divina.
Hoje és agraciada por valores que deténs,
Mãe Terra Deusa da Natureza, das flores e florestas.
Deusa dos grandes mares infindos.

Enfim, Terra de ninguém.
Mostras tuas belezas e ocupas espaço
neste Sistema Solar.
Vamos MÃE TERRA, cuidar-te, reverenciar-te
para ver-te prosperar.

INEBVITÁVEL
José Ernesto Ferrarresso

É necessário uma escolha,
que nos direcione para o bem ou mal.
Escolhamos, pois, sempre o melhor.
A vida deve ser vivenciada, portanto
deve estar sujeita às transformações,
das coisas boas e más.

Boa escolha é a caridade,
e, mesmo que a vida nos apresente ameaças,
O transcorrer é inevitável,
desde a sua concepção até o feto gerar.
Depois, temos o direito de caminhar,
e este direito é para todos igual.

Torna-se difícil transformar o mundo para melhor
E fazer dele o que pretendemos.
Entretanto sempre nos é possível a busca,
e faz parte do ser humano compartilhar a esperança,
que é a certeza de uma vida Maior.
Ninguém foge do destino.
O paralelo entre a vida e a morte sempre existirá.

Duas correntes se entrelaçam,
Não se pode evitar,
mas, o que necessitamos, é almejar algo mais forte.
Sermos presença e não ausência.
Termos o direito de escolher pra todos, o melhor.

Direcionar a estrada certa da vida,
fazer denúncias, sim, quando necessário for.
É viver plenamente, combatendo as injustiças
 principalmente.
São estes os direitos de cada cidadão, e enfim;
Assumirmos a responsabilidade pela vida de nossos irmãos. 

AFETOS INOCENTES –
Luiz Gilberto de Barros – Luiz Poeta.

Não preciso te mostrar… tão amorosa…
Para quem fique infeliz com a alegria
Luminosa que celebra a fantasia
De quem sabe cultivar botões de rosa.

Nosso muro de amor guarda um jardim…
Beija-flores já nos bastam… polinizam
Nossas cores indeléveis que harmonizam
Esse amor que mora em ti e habita em mim.

Já não somos como dois adolescentes,
Mas a nossa sublime felicidade
Sempre brota com a pureza das sementes

Que eclodem frágeis, porém resistentes
E mesmo ante a dor de uma adversidade,
Nossos sonhos são afetos inocentes.

Estrela Vésper!!
JJ. Oliveira Gonçalves

Sensual Estrela Vésper, que anuncias
A hora do encontro dos amantes…
Quem dera fosse hoje – como dantes
Sentir em minha pele as mãos macias

Da que me conquistou com seu sorriso
E alegre se aninhou entre meus braços!
Era ela arrimo e Cais aos meus cansaços
A Pomba-Predileta – e o Paraíso!

Uma tarde, o crepúsculo desceu
Sobre a cidade muda, entristecida
E dela não senti mais o calor!

Não sei o que com ela aconteceu
Mas sei que até hoje em minha vida
Jamais aconteceu tão terno Amor!

Por que a Pomba-Amante ela voou
E ao ninho de meus braços não voltou?


Benedixitque!!
Oliveira Gonçalves  

Benditos os que cuidam
Das Flores e dos Frutos
Do Trigo e das Videiras
Das Ovelhas do Senhor!

Benditos os que cantam
Que louvam e exaltam
Sua Glória e Criação!

Benditos os que dizem
Da Chuva e do Vento
Do Fogo e da Terra
Em Deus eu sou irmão!

Benditos esses olhos
Benditos esses lábios
Com Salmos do Senhor!

Bendito este Universo
Onde gravo meu verso
Com esta Etérea Pena
Ouvindo o coração!

Bendita Mãe Maria
No Ventre – a Alegria
Seu Fruto – que é Jesus!

Bendita “Aleluia”
Acordes de Vitória!!

2 comentarios en “POEMAS EM PORTUGUÉS”

  1. Sempre é bom recordar as coisas boas que nosso íntimo coloca no papel.
    É uma expressão sempre do nosso «eu» que às vezes quer falar mas não
    consegue e então abancado em ma escrivaninha , e muitas vezes quando´
    estamos acordado ou dormindo o poeta levanta de divaga sua poesia
    recebendo influências de outro etéreo.
    «Por isso dizemos o poeta nunca morre ele viaja e está sempre nos ajudando
    em nosso momentos poéticos. Nós sempre lembramos deles e que nunca nos deixaram de vez, porque lembramos dos momentos que nos acompanham e sempre nos revela seu interior, em seus poemas deixado aqui » Recordar é Viver! Adorei a oportunidade!

    Responder
  2. Retornar é aprender mais, descobrir pequenos detalhes, sustentar amor pela poesia, torcer
    pelos poetas ! Retornar é ter chance de aprender a amar mais a poesia… : AMEI!

    » Amor à vida para que ela nunca deixe de ser bela»! ( Regina Coeli )
    » Com palavras se dita a guerra e a Paz!» ( Alfredo dos Santos Mendes)
    «Nós somos o projeto de nós mesmos, donos de um querer original, E, afinal, a soma de tudo que fazemos! ( Eugénio de Sá)
    «Sorrindo agora mesmo um sorriso seu, senti que o lá, não é assim tão distante !» ( Celso H. Fermino )
    «Para te receber, me desprendo de mim. E por amar, deixo-te partir!» ( Rosa Josuela Ferreira )
    «Vamos, Mãe Terra, cuidar-te, reverenciar-te para ver-te prosperar!» ( José Ernesto Ferraresso )
    » E mesmo ante a dor de uma adversidade, nossos sonhos são afetos inocentes.») ( Luiz Poeta )
    «Mas sei que até hoje em minha vida, jamais aconteceu tão terno amor») ( Oliveira Gonçalves)

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POEMAS EM PORTUGUÉS

 

Todo lo publicado en  ARISTOS INTERNACIONAL está sujeto a la ley de propiedad intelectual de España
Marzo  2021 nº 41

La Dirección no se responsabiliza de las opiniones expuestas por sus autores. 
Estos conservan el copyright de sus obras
AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

 


COLABORAN: Rose Arouck .-Virginia Branco.-Eugenio de Sá.-Abgalvão.-Gurgel do Amaral.-Iran Lobato.-Mario Matta da Silva.- Alfredo Santos Mendes

 

CARDÁPIO DE LETRAS
 Rose Arouck 
( A Poeta Trovadora )

Mastigarei o incerto
e o engolirei temperado
com o esperto.
Vou empanturrar-me do
caldo filosófico
ensopando minha alma
de toda espécie de tóxico.

Ofereço esse cardápio de letras
onde formo o dito desconexo,
para sensibilizar os
que se revoltam contra o amor,
depois vomitam biles, por complexo.

Ofereço mesa farta de eufemismo
com a iguaria inusitada
do paradoxo.
Servirei a tenra e salgada ilusão.
Substituirei a entrada
por sinuosa paixão.

Na taça enfeitada de emoção,
Colarei meus lábios ao vinho
bebendo o alcoólico tesão.

Após o lauto pasto
subirei de ré ao cadafalso.

Nada poderá me afetar.
Entregar-me-ei à sanha da crítica.
pois, o que me envolve
ninguém resolve
e muito menos se explica.

 
Aquela Voz
Rose Arouck
( A Poeta Trovadora )

Não foi enfático
nem exigente;
sua voz fluiu suavemente
penetrando nos vãos da porta
mistificando o poder de quem se importa
reforçada no seu apelo pra eu voltar…
Atravessou todo o meu eu sofrido
e despejou gotas de lamúrias no meu ouvido
desejando novamente me amar…

Só que aquela voz, que atravessava tantos fios,
chegou sonolenta alcançando o meu vazio,
penetrando entre as dobras do meu lençol…
Não pude identificar o que antes foi meu sol;
entendi que o antigo azul das manhãs
agora eram brumas temporãs,
cascata de resquícios de horas vãs
que se gastou…
Nem a música era a mesma que tocou.

Aquela voz esqueceu e cantou outra,
num tom amargo aprofundando a letra rouca,
querendo me convencer a acreditar…

Não pude aceitar e nem devia,
diante de tantas frases que ouvia,
formando um tudo que só me entristecia…
Percebi, antes que terminasse o dia,
que mais e mais aquela voz precisava se calar.

NUM COLORIDO VERDE-MAR
Virgínia Branco

Eram jogos e bailados,
eram corpos bronzeados
num colorido verde mar.
O teu brado inflamado
já me fazia sonhar.
A convite dos teus olhos
impulso do meu valsar,
fui dançar para os teus braços
noite e dia sem parar.
Os corpos enamorados
rodopiam em bailados
com o sol a acarinhar.
No carinho que trocámos
foi-se o sol …foi-se o dia,
veio a lua e a maresia!
E o bailado bronzeado
passou a ser prateado…!
Mas agora cinzelado
pelo teu rodopiar,
num colorido verde mar.

G A I V O T A S
Virgínia Branco

Desde ontem que andam gaivotas a voar
e poisar perto da minha janela… 
Assim vou lembrando o meu mar !

Magia no lusco-fusco ;
-Nas patas trazem-me estrelas…,
nas asas grãos de areias, para delas matar saudades!
No bico uma alga com perfume,
ao que fica depois das tempestades!

ENTRE O SONO E O SONHO
( Analogia ao Poema de Fernando Pessoa, datado de 11/09/1933.
O Poeta retrata o seu próprio Eu, dividido entre o SONO / a sua própria vida
e o SONHO /A vida ideal sonhada), onde corre um rio sem fim, impossível
de atravessar, que lhe dividia o seu hoje, do futuro. )

   A FORÇA DO MEU EU….!
Virgínia Branco

No sono reparador
que nos quebra e revigora
nasce o sonho que acalenta
e nos alivia a tormenta.
É bom acordar na hora.

No sono somos crianças,
mas criança é já pessoa.
Nas crises da existência
nascem sonhos, a alma voa.

Este limbo pertinaz
é diário e refaz
as ânsias que o homem sente.
Mesmo o melhor conselheiro
dizem ser o travesseiro,
onde  descansa o guerreiro.

As sedes que  me atormentam
vão das artes às ciências.
Os humanos  com carências,
para o planeta, clemência!

O sonho voa no espaço
mas acordou minha mente.
O que hoje me rouba o sono
é somente a internet.

Como hidra se agiganta
mitigando as minhas ânsias.
Sonhando o mundo tem esperança.
Bola de neve que avança
neste rio com outro céu.

O destino está traçado
mas pode ser modificado
pela força do meu Eu.

Louca, cega, iludida Humanidade
Miserável de ti! Não consideras
Que o barro te gerou, como que esperas
Evadir-te à geral fatalidade!

( Bocage, in: sonetos heróicos “Louca, cega, iludida Humanidade
– 1ª estrofe)

 Glosando Bocage
 Por: Eugénio de Sá

Louca, cega, iludida Humanidade
Que o fel de mil demónios libertaste
Reconhece de ti a atrocidade
Nos actos, nas sevícias que criaste.

Dos teus génios, aqueles que premeias
– Miserável de ti! Não consideras –
Que há outros, solidários, mas que odeias;
Os paladinos das causas sinceras.

Vives só de aparências e quimeras
Longe das realidades, sempre esqueces
Que o barro te gerou, como que esperas
Que do frio voltarão os que arrefeces?

Ouve as trombetas do final dos tempos
Atenta ao que levou a leviandade
Não há como indultar-te com lamentos
Nem evadir-te à geral fatalidade!

Há…
Abgalvão

Há mãos sensíveis à espera
De quem as possa afagar

Dedos com laços à espera
Sem dedos ter p’ra enlaçar

Braços carentes de abraços
Sem quem os queira abraçar

Olhos olhando o vazio
Sem outros p’ra quem olhar

Lábios em bocas de amor
Sem lábios ter p’ra beijar

E há ventres gerando esperança
Com fé de não abortar


Vazio…
Abgalvão

Qual astro mudo, enfeitiçado,
paro num tempo inconsistente…
Sou pelas sombras interpelado,
vejo o silêncio correr p’ra mim…

Passa um olhar, intermitente,
frio e cortante que então senti…
Visto o desgosto negro e ruim
gemo o vazio que não pedi!

SEDENTA
Yvany Gurgel do Amaral

Tens água suficiente
Para tua ânfora encher?
Podes saciar a sede
De quem te escolher?

Tens consciência de que
Numa pedra cinzenta
Pensar que és a única
É estar sedenta?

Sabes multiplicar ânforas
E enchê-las de carinhos?
E brindar o teu amor
Com beijos de arminhos?

Pensas em vender a água
Ou a ânfora dourada?
Sabes dormir com sede
Em plena madrugada?

E se a fonte secar
Perto da árvore ressequida?
De nada adiantará
Tua ânfora no chão caída.

Então bebe e divide
A tua límpida água
Enquanto não chega
A seca esturricada

Quem sabe se o vinho
Ainda adocicará tua boca
E assim permanecerás
Apaixonada e louca…

INSÔNIA
Iran Lobato

Parceira que chega se o sono não apea,
Trazendo os rabiscos da arte que faz
Inflama o sentido a vibrar-me loucaz,
Causando emoções, e a razão incendeia.

Afaga-me a alma sem medo, co’ardor,
Induz fantasias com toda malícia
Na estrofe heroica que implora carícia,
No ébano que a solidão traz pavor.

Por que só me chegas quando assim o queres?
Malgrado o desprezo, que a mim dissolve.
Preciso de ti, por que a musa dorme?

O que te faz ser como as mulheres?…
Vem poesia, sem pejo e sem pudor,
Nesta escuridão de extremo torpor.

MUSA PROCURA-SE…
Mário Matta e Silva

Nas noites escuras de insónia desesperada
Vagueio pelo Olimpo, com Zeus no pensamento
Na cama aconchegado em cálido tormento
Em busca de palavras, espero a alvorada.

Nada me ocorre, a lua vai difusa
A mente está lenta e a alma pouco sadia
Não encontro mote, nem verso, nem poesia
E na escuridão da noite não vislumbro a Musa.

Ai dor sórdida que me desfalece
Horas de angústia que jamais se esquece
Sem Poeta à vista, em febril ausência.

A manhã se descobre e o sono então apetece
Num fechar d’olhos o coração se aquece
E a Musa retorna na sua grata inocência.

PLANO 80
 Mário Matta e Silva

Cheguei hoje aqui cheio de esperança
Fazendo um balanço da caminhada
Revendo esta idade que se alcança
De uma forma por certo apaixonada.

Cheguei ao remoinho, ao plano inclinado
Sugado pelos anos, pelas vicissitudes
Memórias recônditas, elos do passado
Histórico de amor, luta em tempos rudes.

Franqueza do olhar, do gesto, da teimosia
Na passagem dos anos, dia após dia
Até estas suadas oitenta primaveras.

Incógnitas de futuro, exaltando a beleza
Exposto desde a nascença à mãe-natureza
Em tantas realidades, sonhos e quimeras.  

EU SOU DO BANDO DE POETAS
( No Dia Mundial da Poesia )
 Mario Matta e Silva

Eu sou do bando de poetas inspirados
Que cantam o sol, a lua e o mar
Girando livremente pela brisa, pelo ar
Rodeado de musas e deuses apaixonados.

Eu sou do bando de poetas, de olhar sedutor
Vibrando nas florestas e nos montes
Desbravando com o olhar os horizontes
Espalhando róseas canções de amor.

Eu sou do bando de poetas e gaivotas
Respirando avidamente a maresia
Canto a tristeza e canto a alegria
E o cantochão das peregrinas devotas.

Eu sou do bando de poetas e pardais
Num chilrear estridente e vibrante
Numa doçura corporal de eterno amante
E vou percorrendo por ai os arraiais.

Eu sou do bando de poetas e letrados
Mestres das serenatas e desgarradas
Sem esquecer cantigas das desfolhadas
Pelos campos de papoilas, pelos prados.

Eu sou do bando de poetas, romanceiros
Dos clássicos, românticos, realistas
Vibro com os poemas modernistas
 E gosto dos surrealistas, esses aventureiros.

Eu sou do bando de poetas do passado
Trazendo versos ao entardecer
E vou nos sonhos, com a lua a crescer
E no encantamento de um tempo renovado.

TERCEIRA IDADE
Alfredo Santos Mendes

Curvado pelo peso da idade.
Sua mão estendida à caridade…
Lá vai o pobre velho caminhando.
Enquanto a multidão algo apressada,
naquela mão tremente, calejada,
a sua esmola vai depositando!

O velho balbucia um obrigado.
Não é mais que um soluço envergonhado,
simples sussurro, em forma de oração!
E recorda que foi homem do mar.
Que nunca uma procela o fez vergar;
hoje se verga à sua condição!

Condição de mendigo, que tristeza.
Para quem teve um lar com farta mesa,
teve leito macio p’ra descansar.
Agora tem por casa o meio da rua…
E como companhia a luz da lua,
e de um rafeiro cão, p’ra acarinhar!

Em vez de ter um quente cobertor…
Tem um jornal do dia anterior,
que o vai resguardar da noite gelada.
Também o seu cão procura um abrigo.
Se enrosca a seus pés, dormita consigo.
Dá-lhe seu calor, que sorte malvada!

Passa no céu uma ‘strela cadente.
Deixando ao passar um rasto luzente,
que logo se esvai e desaparece.
E lembro que ouvi ainda criança:
Ver estrela cadente, é esperança.
Formula um desejo, e ele acontece!

Então formulei a minha ambição:
Que a ninguém mais falte um pouco de pão,
possua seu lar tenha seu cantinho.
E quando chegada a terceira idade,
que viva feliz, não de caridade.
Não lhe falte amor e muito carinho!

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POEMAS EM PORTUGUÉS

Todo lo publicado en  ARISTOS INTERNACIONAL está sujeto a la ley de propiedad intelectual de España

Enero  2021 nº 39

La Dirección no se responsabiliza de las opiniones expuestas por sus autores. 
Estos conservan el copyright de sus obras
AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

 

COLABORAN: Virginia Branco.- Eugenio de Sá .-Alfredo dos Santos Mendes.-Celso Henriques Fermino.-José Ernesto Ferraresso.-Albertino Galvão.-Amilton Maciel.-Mário Matta e Silva.-Gabriela Pais.-Cema Raicer.-Carolina Ramos.-Nídia Vargas Potsch

F A N T A S I A
Virgínia Branco

Se do céu caírem estrelas
irei a correr recolhê-las
farei do coração açafate.
Escolho a mais incandescente
a do mais fino quilate…

Para que no altar dos meus afectos
onde o amor faz romagem
a sua luz permanente
ilumine a tua imagem.

MAS QUE RIOS..!!!
Virgínia Branco

Rios de insegurança
que até para a dança
se fazem armados !
Pomos neste mundo, meninos
que os barões fazem drogados.

Corredores de droga
que nos tornam revoltados!
A justiça lenta, demorada…
A partilha desigual !
Sobram as águas puras ,
dos conceitos do bem e do mal!

Os verdadeiros Rios, nasceram ribeiros,
cujos caudais tornaram férteis as margens;
-Searas, praias fluviais, lindas paisagens!
As suas águas jorram nas torneiras das casas
e nos seus leitos,  eram vivos os cardumes.

Os navios ganharam asas ,
no comércio e no luxo dos cruzeiros.
Agora navegam por entre estrumes,
porque o mundo industrializado,
sem respeito,  transforma as águas
em rios de espuma e metais pesados!


FANTASIANDO!
Virgínia Branco

A felicidade não é destino traçado.
É uma conquista permanente
como quem puxa uma corda
ou arrasta uma corrente!

A cada sonho vivido, recente
daremos um nó bem dado, premente.
Fantasiando…nas noites de lua cheia,
eu vou dançar com duendes,
no largo da minha aldeia.

Saboreando a liberdade,
numa amena cavaqueira.
Saberei se minha vida
é linda ou feia,
contando os nós apertados
na minha vivida teia.

Pra lá da espuma dos dias
( Eugénio de Sá )
Portugal

Nós somos o projecto de nós mesmos*
Donos somente de um querer original
E afinal a soma do tudo que fazemos;

Produto afim de um prólogo seminal
Tudo em nós mesmos será subjectivo
Pois só para nós se assume crucial.

Esse é o livre arbítrio do ser assertivo
Sublimada vontade, um querer maior
A mais valia de todo o nosso activo.

Sejamos, a um tempo, juiz e defensor
Na nossa acção em chãos comprometidos
Com a bondade dos passos do Senhor.

Busquemos contrição nos dias já vividos
C’o a consciência de os continuarmos
Remindo os despautérios admitidos

* ‘ Nós somos o projecto de nós mesmos ‘
( Jean Paul Sartre )

O BRADO DO POETA
Eugénio de Sá
Portugal

Ora se tenta a vista, e ora se anseia
De ver assim chegada a mansa aurora
De vermelhos alvores já se incendeia
No longínquo horizonte já se aflora

Dentre a paz que há na terra, outra não há
Que contenha em si mesma tal esplendor
Perante a glória solar que Deus nos dá
Como fonte vital do Seu amor.

E o poeta em toda esta emoção
Apela ao Criador e aos céus berra
Um brado que se eleva em oração;

Que sobre o mar imenso, e sobre a terra
Haja silêncios de contemplação
E não mais os clamores de qualquer guerra.

A SAUDADE
Alfredo dos Santos Mendes

Hoje bateu em mim a vil saudade.
Se apresentou cruel, e por maldade,
fez desfilar pedaços do passado!
Me obrigou a rever casos antigos.
Me rodeou de todos os amigos,
que o passamento já tem do seu lado!

Mostrou-me meus brinquedos de criança.
Resquícios dos meus sonhos, e a esperança,
que ficara esquecida, abandonada!
Arrogante mostrou de modo rude,
a alegria da minha juventude,
passeando comigo de mão dada!

Fez-me rever em fotos carcomidas.
E reviver nas imagens sumidas,
momentos de prazer, felicidade!
Fez ressoar eternas melodias.
Envolvidas em doces fantasias,
que arquitectei na minha mocidade!

Me revoltei, rasguei meus pensamentos.
Fechei a sete chaves os lamentos,
imbuídos de fria crueldade!
Quero apenas no peito conservar:
Amigos que jamais vou olvidar,
e sempre deles terei muita saudade!

A JUVENTUDE
Alfredo dos Santos Mendes

Serão homens amanhã,
crianças que em seu afã,
percorrem a minha rua.
Lá vão desnudos, descalços…
Ultrapassando percalços,
sonham alcançar a lua!

São meninos sonhadores.
talvez amanhã, doutores,
e quem sabe, governantes!
A caminho da escola,
levam sonhos na sacola,
os meninos estudantes!

Desfolham livros sonhando.
As histórias transformando,
em aventuras reais!
Desenham em leves traços,
aventuras nos espaços,
para além dos siderais!

Astronautas destemidos,
fazem frente, decididos,
aos seres transcendentais!
Desenvencilham enredos…
O cosmos não tem segredos,
p´ra meninos geniais!

Meninos que vão crescendo,
não se percam, vão mantendo,
vosso o garbo, vosso apuro.
Pois não podem esquecer,
o mundo sempre há de ter:
Na juventude…O futuro!


IGNORANTE
Alfredo dos Santos Mendes

Por não ser um expert em medicina.
E de sintomas nada perceber…
Sinto-me um imbecil por não saber,
Que doença banal, nos assassina.

Eu bem tento aprender… ir à bolina,
Daquele que me diz: tudo saber.
Ficando a cogitar o que fazer,
Que química fatal a elimina?

Que a retire para sempre deste mundo.
A obrigue a viver no meio imundo,
E para todo o sempre aí ficar.

Que deixe o ser humano sossegado.
Não o faça viver tão transtornado!
Já chega tanta dor, p’ra atormentar!

Poesia em quatro andamentos
Por: Celso Henriques Fermino

XIII
As verdades se perderam
Nos meandros da semântica
E nós nos perdemos juntos!
Labirintos e Barbantes

Os desejos se encontram
Nos dédalos da poética
E nós nos perdemos juntos.

XIV
Cantar as rugas do tempo
E rimar amor com dor
Para o bardo, hercúlea obra
Labirintos e Barbantes

Destino é uma manobra
Ou seja lá o que for
De Hades vil passatempo.

XV
Lembro-me de quando a vi
Lua no céu sol em mim
Lembro de Otelo e a injúria
Labirintos e Barbantes

Desdêmona e sua fúria
Não há só flores no jardim
Riso e pranto… c’est l avie!

XVI
Erige-se o atro império
Novo reich de mil anos
Proscrito às trevas o Rei
Labirintos e Barbantes

Fiat lux. Vox dei
Renato o sol aos profanos
O futuro eis o Mistério.

Uma Linda Tarde de Natal
José Ernesto Ferraresso
Selva Negra (Brasil)

Passou repentinamente.
Menino Deus nasceu.
Hoje, após o almoço tarde de Natal.
Muitos nem perceberam o grande momento,
da chegada do Salvador: O Aniversariante.
Ele vem todos os anos na mesma data, 
para nos visitar e entrar em nossos corações.
Tarde que todos estão descansando,
conversando e relembrando dos momentos
das euforias, cantos e alegrias, comidas e iguarias. 
O tempo não mudou, nada transformou
apenas aconteceu outra vez a tradição,
que sempre mexe com nossa emoção,

É só mais uma tarde de Natal!

Nada mais tenho…
Albertino Galvão

Nada mais tenho que asas
fartas de penas pesadas
que teimam em mim crescer…
asas que mesmo feridas
doridas e atrofiadas
insisto abrir, sem receio,
em voos curtos que ensaio,
ora subindo ou descendo…
mas sempre a ver se não caio
nas teias que são tecidas
nalguns teares da vida
e onde eu, em certa medida,
nelas, por vezes, me enleio!

É com o cantar da chuva
Albertino Galvão

Sem batuta de maestro
nem a orquestra do vento…
é com o cantar da chuva,
soando nos meus ouvidos,
que danço a dança do tempo
e atraiçoo as vãs virtudes
me entregando a devaneios
nos braços da liberdade!
É com o cantar da chuva,
amolecendo o estio
das madrugadas vazias,
que me transformo e sou anjo,
sou tentação, sou demónio,
borboleta e louva deus…
gato negro em noite escura
vadiando por telhados
em bebedeiras de cio!

É com o cantar da chuva
que adormeço a realidade
nos braços da fantasia
para acordar os meus sonhos
antes do nascer do dia!

É com o cantar da chuva
e o meu “eu” em sintonia,
que me dou à leviandade
de me engravidar de ideias
para parir poesia!


É por ti!
Albertino Galvão

É aqui no sofá da minha sala
Que por ti me embebedo em agonia…
E a noite sendo muda não me fala
Mas sopra-me aos ouvidos nostalgia

É por ti que a saudade em mim faz gala
Que a boca me resseca e se alia
Ao vento que flagela, e não se rala,
A madrugada triste que me esfria

E quando o dia nasce finalmente
E o vento só me sopra docemente
Memórias de paixões desenfreadas

Eu olho, escuto e sinto como beijos
Os sons que julgo ser de realejos
Tocando árias de amor quase choradas

 ESPERANÇA
Amilton Maciel Monteiro
 
Enquanto há vida, eu sei, há esperança
que é uma das virtudes teologais,
foi isso que aprendi desde criança
e na verdade não esqueci jamais.

As outras são:  o amor que não se cansa,
e a fé, que todo dia eu tenho mais!
E aí, querida,  está minha  confiança:
juntos faremos nossos esponsais!

Vou esperar o quanto for preciso,
certo de que não perderei o juízo,
até o dia que você me amar.

E nesse dia eu serei tão feliz,
que vou levar você até a Matriz,
e sob bênçãos, vamos nos casar!

LUA OCULTA
Mário Matta e Silva

De um velho ano vem a despedida
Pela noite adiante, escura e breve
No rodar das horas o relógio se atreve
A mudar o calendário de forma atrevida.

Ano de tragédias tantas, ano sofrido
Amargurado em camas de hospitais
Ano de pandemia, horas de mortais
E a ciência avançando em gesto destemido.

A lua oculta em noite de invernia
Vem solenemente dar lugar a um novo dia
Mudando para um ano de maior pujança;

Rasgam-se horizontes por esse Mundo fora
A Meia-Noite num trampolim da hora
Trás num Novo Ano a força da Esperança.   

JARDIM IMAGINÁRIO
Gabriela Pais

Vou olvidar meu jardim imaginário,
De rosas, cravos, flor de laranjeira,
Orlam lago cerúleo, belo cenário,
Escondendo segredos na sua beira.
 
Mudo silêncio com gosto amargo,
Regaço de pétalas que acalenta
Perfume que vai morrendo pro largo,
Saída de  amor acre, não contenta.
 
Em redor roussos trinam serenatas,
Volto de novo a forjar meu jardim,
Ninada ao som musical das balatas.
 
Flores bailam com trajes de cetim
Sobre chão decorado com xamatas,
Do lago odes d’ amor, luzem pra mim.

DIA DE PAZ
Cema Raizer

A vida se mantém
Pelo calor humano
Que vem do que é Divino
Estamos unidos

Num doce aconchego
De Esperança Amor e Paz
Sentimentos que podem renascer
Na capacidade de entender

O amor altruísta
Que não está à venda
Mas está em nós
Silencioso e iluminado

Sem medo de errar
Nesse amor irmanado
Pelo espírito de Paz!

DOCE INSPIRAÇÃO
Cema Raizer

Inspiração que liberta!
Como contar estrelas
Nuvens se movimentam
Escurecem a visão

Mas em sua dança noturna
Abrem Portais
Mostrando o cintilar das estrelas
Ouço ainda os últimos pios

Dos pássaros se aquietando no ninho
A brisa da primavera surpreende
Entrando pela janela…
É hora de pensar nos pastores

Nos Magos e na estrela Guia
Na longa caminhada rumo à Belém!
No pequeno bosque
A cigarra canta

Seu etridente som
Envolve com ternura
Doces lembranças da infância
Reportam à doçura da poesia


EMOÇÃO
Cema Raizer

Época de ser Feliz!
Sonhar o sonho bom
Meditar… relembrar momentos
De Fé e Esperança no grande Profeta
Numa afinidade aconchegante
Em cada coração
Há muitas lições de vida…
Repartindo o pão
Com aqueles que têm fome
Seremos também Reis Magos
Corajosos e altruístas!

TÃO PERTO… E TÃO LONGE…
Carolina Ramos

Andaste bem pertinho de minha alma!
Tão perto, que cheguei a acreditar
Quem desta vez, alguém teria a palma,
De compreendê-la e dela se apossar!

Mas a aventura impôs-se em teu caminho,
Equívoca, a impelir-te em rumo incerto…
Partiste em busca de um banal carinho.
Restou a dor de um sonho mal desperto!

Chamei por ti!… E a brisa, com desgosto,
Murmurou confidente, ao meu ouvido:
– Esquece, tola, que eu te enxugo o rosto…
Deixa-o partir…o mais não tem sentido;

Se o adeus rouba o sorriso à tua boca,
A saudade e a ventura são rivais!
Deixa-o partir… Esquece… Esquece, louca!
Outro virá… e há de querer-te mais!

 

Ser Poeta
Nídia Vargas Potsch

É encantar de colorido os corações
musiquear no silencio as emoções
aplaudindo com alma de criança,
repleta de esperança,
a natureza que nos é intrínseca …

É versejar com denodo o amor,
falar do perdão, da saudade, da dor,
da alegria que se esvai
de um momento para o outro,
como quem se importa
com as coisas mais simples da existência,
pedaços da vida de todos nós, mortais.
Afinal, o cotidiano é eivado de pulsação e calor …

E, em sua viagem, sem paralelos,
cruzando Universos,
do cândido ao sensual,
num tempero de sabores que arrebatam,
consumindo segredos na arte de
» juntar palavras», na arte d`alma,
por esta força estranha, arrebatadora,
que o impele, encurta distâncias e
aflora sensibilidades,
é bem capaz de amordaçar suscetibilidades,
daqueles que não são capazes de compreender,
o despertar dos Novos Tempos
dessa Jornada que é a VIDA !!!

 

2 comentarios en “POEMAS EM PORTUGUÉS”

  1. Belíssimos trabalhos dignos de serem aplaudidos.
    Quero agradecer aos coordenadores e a todos os
    amigos que enfeitaram nosso Final de Ano, deixando-nos
    esquecer um pouco das tristezas que estamos vivendo.
    Mas Tenhamos Fé que tudo irá passar e nossos
    momentos alegres serão compensados pelo que mais
    esperamos: A VITÓRIA!
    Sucesso a todos os poetas do Aristos Internacional!

    Responder
  2. Enquanto houver esse espírito de NATAL, entremeado na poesia podemos
    entender a inspiração de cada autor, como um presente!
    Obrigada, abraços fraternos aos autores!

    Responder

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POEMAS EM PORTUGUÉS

 

Todo lo publicado en  ARISTOS INTERNACIONAL está sujeto a la ley de propiedad intelectual de España

Noviembre 2020 nº 37  

La Dirección no se responsabiliza de las opiniones expuestas por sus autores. 
Estos conservan el copyright de sus obras
AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

 

COLABORAN.-Maria Inês Aroeira Braga .-Virgínia Branco.- Santa Catarina Fernandes da Silva Costa.-Jusmaria da Cunha Carvalho.- Eugenio de Sá.-Alfredo dos Santos Mendes.-Celso Henrique Fermino.- José Ernesto Ferraresco.- Josuela Ferreira.-Cláudia Fontenele.- Albertino Galvão.-Iran Lobato.-Mário Matta e Silva.-Roberto Moreira Gomes.- Tito Olívio.-Gabriela Pais.-  Regina Coeli Rebelo Rocha.-  Daniela Storti.-Adão Wons

 FRAGMENTOS DA ALMA
Maria Inês Aroeira Braga

Envio-lhes aos poucos minha Alma,
Que vai fragmentada em poesias…
Às vezes agitada, em outras calma,
Assim falo de dores e alegrias…

Se hoje canto a lágrima caída,
Até amanhã hei de mostrar sorriso…
Na estrada que descrevo, percorrida,
Cada passo trocado foi preciso…

Se estou falando tanto sobre mim,
É porque espero que ao chegar ao fim
Dessa jornada, onde há sombra e cor,

Alguém possa encontrar em cada verso,
A minha Alma, parte do Universo,
Que ainda há de enviar-lhes meu Amor…

E S P E R A N Ç A
 Virgínia Branco

Entre o verde da esperança
e o azul do horizonte,
encontrei o meu trilho…!
Sonhei como todas as crianças.
Das letras, bebi a água das fontes…
e lutei edificando o meu castelo.
Do amor eterno e belo
abraça-me a ternura dum filho.
Da vida escolhi a Poesia,
sendo a metáfora minha guia;
-Manto diáfano ou simples véu!
A rima , música que me anima
e que os anjos cantam no céu!
Que da sala onde se enfeita o coração,
a alma engalanada saia  p’rá festa;
– Porque a Poesia é adocicado pão,
que alimenta a esperança que nos resta.

NASCERAM LÍRIOS!
( Onde fica hoje o Colégio Srª da Boa Nova – S. João do Estoril )
Virgínia Branco

A alma vagueia por entre os ísmos
em insondáveis réstias de mágoas, de sedes,
que as virtuais redes não podem remir.

Dentro do homem
há uma caverna
cheia de ansiedades,
a luz da verdade…
o humanísmo…!

Novas imagens,
novas linguagens
ajudam a exprimir.
Mas a paz interior,
carece doutras roupagens
para se conseguir.

Empunhando a espada
transpomos barreiras
p’ra que a fé renasça
como uma flor.
E o que era o caos
passou a florir…!

Não se verguem os dorsos.
Acendam-se os círios,
queimem-se os destroços.
Sorriam clareiras
onde morrem vícios
e nascem os lírios
 ao sol do amor !

NOITE PRATEADA
Jusmaria da Cunha Carvalho

É noite calma
Na praia densa
Surge na alma
Beleza imensa

Na mare mansa
Em fantasia
O frescor dança
Em maresia

Céu estrelado
No azul  brilhando
Luar prateado
Vai se espalhando

A iluminar
A duna alva
Reflete ao mar
A estreia Dalva

Na espuma branca
Da onda leve
A água canta
Um canto breve

Abreviando
O encantamento
E o transformando
Em sentimento

Vai fixando
O doce alento
Perpetuando
Esse momento

Na lua cheia
Enchendo o chão
Já deleiteia
Muita emoção

Vem do clarão
Que incendeia
A sensação
Dos pés na areia.

CORES DE UM AMANHECE
Jusmaria da Cunha Carvalho

O amanhecer
Chega nublado
Sobre o monte
Mas no horizonte

O tom rosado
A crescer
Raios de sol
Que o acinzentado

Já reduz
E o farol
Do amarelado
Faz nascer

Brilha o sol
No esverdeado
Da colina
Descortina
O emaranhado
Em caracol
A neblina

Fica oca
E o azul em no
É salpicado
Como gotas
De ouro em pó.

 O PÂO DE CADA DIA,QUEM LHES DA ?
Eugénio de Sá

Em 16 de Outubro assinalou-se o Dia Mundial do Pão
Lembro o imenso cortejo – que aumenta a cada dia –
dos dependentes da caridade de uma sociedade
agora também ela mais debilitada pelos efeitos
da presente pandemia.

O pão de cada dia, quem lhes dá?
Se a tantos é negado até viver
E porque a fome lhes vai roendo o ser
Deambulam pr’aí… ao Deus dará.

São filhos da miséria, ao abandono
Mas irmãos de quem tem o que comer
Daqueles que preferem se esquecer
Julgando que é de justos o seu sono.

É nesta sociedade que vivemos
Onde a frieza alastra dia-a-dia
Ao invés de saber o que fazemos.

Urgente é que se tomem decisões
Pois é imperdoável não querer ver
Que a fome não resiste a omissões!

ADEUS JUVENTUDE
Alfredo dos Santos Mendes

Depois da juventude ultrapassada,
a vida passa a ter outro sentido.
E todo o aprendizado adquirido,
Será o nosso guia de jornada!

Teremos pela frente, tudo ou nada.
Qual deles será de nós, o nosso adido?
Será que ficaremos no olvido?
Nossa porta estará sempre fechada?

Há que sorrir em cada despertar.
E nunca esquecer de comentar:
que há mais um dia todas as manhãs!

E quando já passados muitos anos,
não devemos chorar os desenganos,
mas olhar com orgulho nossas cãs!


PALAVRAS
Alfredo dos Santos Mendes

Vinte seis diferentes caracteres,
que terão o sentido que quiseres
Dependendo do seu ordenamento.
Podem falar de amor, fraternidade.
Ser instrumento de felicidade,
ou ordem que transmite sofrimento!

São símbolos que expressam o sentir!
Traduzem na verdade e no mentir,
aquilo que nos dita o pensamento.
Por vezes se apresentam sibilantes…
Como fio de navalha… frios cortantes…
Ou suave como doce sentimento!

Palavras mil, pudemos escrever.
E na sua leitura compreender,
o mistério de histórias inauditas.
E fica transparente o mais cerrado…
Translúcido e mais iluminado…
São como um cristal, as palavras ditas!

Tem musicalidade se há ternura.
Tem repressão se dita com censura.
Tem melodia… dita com amor!
Com palavras se dita: a guerra ou paz!
Através das palavras se é capaz,
de fomentar o ódio, e o horror!

Falar só por falar e não pensar…
Nos faz lembrar alguém que quer pesar.
numa arcaica balança sem fiel.
A balança, balança meio louca.
Sai a palavra assim da nossa boca,
sem nexo, sem sentido, em tropel!

DORES DA FLORESTA
Celso Henrique Fermino

Que da noite ecoam seus tristes versos
Trazem dores da floresta consigo
Envolventes como um abraço amigo
Desencontrados apelos dispersos

dos habitantes do silvo universo
que refugiados em seus abrigos
espiam urubus pelo postigo
devorando seus próprios abscessos

Oh… pobre versador do além-luz!
Despido de certeza … homem nu
Seu autótrofo brado é o que resta

afogado em poça de sangue e pus
Minha vida é essa sombria floresta
e eu, esse famigerado urubu!

O LODO E O VENTRE
Celso Henrique Fermino

A borboleta que na primavera
as rosas beija com boca vermelha
sorrateiramente como pantera
que com olhar seduz a doce ovelha

As rosas se rendem então à fera
Sentem no peito a primeira centelha
do incêndio que se faz e se assevera
Com um sorriso de orelha a orelha

Uma mistura de medo e prazer
arde um arrepio pelo corpo todo
Como a primavera não é pra sempre

a borboleta sem noção de ser
vê a flor decompondo-se no lodo
e a lagarta nutrindo-se em seu ventre

O COVARDE
Celso Henrique Fermino

Como um prófugo espírito que vaga
em busca de uma luz para o Retorno
A borboleta enceta sua saga
com a impetuosidade de um possesso

Refém dessa realidade aziaga
Cada flor que oscula rompe um abcesso
Até que todo jardim arda em chaga
e condene à treva o míope universo

Nato labéu de autodestruição
Cancro de Mídas na ponta do dedo
Anafa-se nas sombras do Senão

Miserável ignavo com medo
de que a catiça de Lázaro – o sábio –
Consuma em úlcera seu loquaz lábio

 CONFISSÂO
Santa Catarina Fernandes da Silva Costa

A noite me envolveu com seu negro manto.
Uma nota triste permaneceu no ar.
Um infeliz coração agora sangra tanto,
por não poder deixar de te amar.

O dia infindável se foi. O sorriso falso,
que bailava nos lábios cessou,
agora entre quatro paredes, confesso
que meu coração sempre te amou.

As minhas mãos tão frias estão paradas,
no espaço, no tempo e no ar,
em meus olhos permanecem palavras,
que minha boca não consegue balbuciar.

Numa prece eu digo com amargor,
que a dor que trago no peito é tanta,
que já não sei se enlouqueci por amor,
ou se por esse amor, eu me tornei santa.

A ALMA DO POETA
José Ernesto Ferraresso 

Poetas divagam à procura
de emoções para colorir seus poemas,
se apegam à natureza, aos mistérios
e ao amor.
 

Procuram por um sustento que os
faça delirar em seus versos e navegar
nas profundezas do espírito.
 

Com a vontade e o rabisco prontos, 
obedecem ao coração e deixam fluir suas
ilusões e através da poesia, vive seus
instantes de amor.
 

Não vêm somente as razões, pois suas
emoções caminham juntas, assim  é
como o espiritual e o carnal.

Valoriza mais pela sua crença, «Sua Fé», seu «Discernimento»
que é um firme fundamento de todas as coisas
em que se crê sem se ver.

 MEIO MINUTO
Josuela Ferreira

Em meio minuto
Os olhares se cruzam
As almas se tocam
O amor acontece

Pode ser que em meio minuto
O meu mundo desabe
E o chão desapareça
Em meio minuto

posso sonhar ou acordar
rir ou chorar
partir ou ficar
e não mais querer

Meio minuto
Posso ser feliz
E eternizar o instante

O que eu não posso,
em meio minuto,
é dar nome à minha poesia.

EU
(Josuela Ferreira)

Serei eu mesma a voz da minha poesia
O grito que cala
e o silêncio que ecoa

Serei eu mesma
A alma marcada
E a dor que conforta

Serei eu
O doce amargo
que alimenta
E a lágrima que sorri
Circunspecta

Eu a beber de mim
A água da fonte que guardei
E os amores que cultivei
Eu que espalharei árvores

Para colher sementes
Morrerei ao crepúsculo para nascer
da canção das manhãs
até que o sol se apague.

E ainda
Lado a lado com a morte
Serei vida
Cantarei a tristeza e serei a alegria

E quando não mais houver canção
Serei eu mesma
A voz
da minha poesia.

MEUS POETAS INESQUECIVEIS 
Cláudia Fontenele

Que saudade dos românticos!
Que saudade do amor e da nostalgia!
Que saudade de Casimiro de Abreu
Com suas paixões juvenis e a infância!

Que saudade do entardecer,
Do sol, da lua, das estrelas,
Do céu de Gonçalves Dias!
Que melancolia me invade:
O pessimismo e a dor,

O sofrimento e a autopiedade
De Álvares de Azevedo!
Vejo a borboleta, o sabiá,
A rola e o vaga-lume
Do meu amado Fagundes Varela!

A tarde morre! Não me esqueço
Do poeta dos escravos:
Castro Alves, sempre profundo,
Singelo e realista!
Faltam-me palavras!

Luzeiros da poesia romântica
E dos poetas de agora.
Se eu morresse hoje,
A dor no meu peito
Emudeceria ao menos,

Da saudade que sinto de vocês!
A primavera inda em flor,
Encheria meu caixão,
Pois tudo é riso e tudo é amor!
Aos imortais, aos inesquecíveis,
Só posso exaltar!

 NÒS E ELES
Cláudia Fontenele

Que dizer dos imortais?
Nós sem eles
Seríamos como folhas levadas ao vento;
Seríamos o deserto sem oásis.
Eles são marcos da história.
São imortais presentes
Carregando alegrias e tristezas constantes;
Saudades dos que já foram,
Experiências dos que ainda estão.

Nós e eles, sim,
Passageiros do tempo:
Ontem, hoje e amanhã.
Grandes e pequenos,

Nós e eles,
Vamos imortalizando
Verdades e mentiras,
Sonhos e quimeras
Do homem que passa.

Nós e eles
Eternizados eles estão por nós;
Nós, pelos que ainda virão.
Nós e eles
Centelhas consumidas pelo tempo
Que vem e vai.

NOS MEUS POEMAS…
Albertino Galvão

Nos meus poemas
sou cavaleiro de sonhos
cavalgando livremente
em pradarias de amor…
corsário em busca da sorte
p’ra conquistar corações.
Nos meus poemas
sou lua com fases por descobrir…
estrela fulgente ao alcance
de quem lhe queira tocar.
Nos meus poemas
viajo como marinheiro errante
em caravelas de espanto
sulcando mares de luz…
e voo em voos possantes
como andorinhão migrante
a desbravar horizontes
embriagado de azul!
Nos meus poemas
sou falcão com asas de vento
sou pomba branca da paz…
gaivota sem rota certa,
canoa em busca dum cais.

ESCOLHAS ERRADAS
Albertino Galvão

Pintaste os teus sonhos com tons cinza escuro
Em telas de droga, de álcool e sexo
Compradas em “feiras” sem nenhum futuro
Cambiando o corpo sem regras nem nexo

Empenhaste a vida à sombra dum muro
Num negócio fraco, sujo e complexo…
Com juros tão altos e tão fraco apuro
Que sei te sufocam num fatal amplexo

Beijaste, iludida, os lábios do vício
Mais tarde problema, mais tarde suplício
Veneno mortal que teu «viço» matou…

E agora desgraça, e agora doença
O nó que te aperta, do tempo indiferença…
E hoje o desgosto de alguém que te amou!

Estrada do nada!…
Albertino Galvão

Segues uma estrada que te leva a nada
Com curvas fechadas em esses constantes
Onde as bermas gritam e de madrugada
Escondem neblinas em falsos mirantes
Entre um uísque puro e uma limonada
Emborcas mistelas com travos dopantes…
Apostas a vida… sais em disparada
Com gritos de guerra, quiçá, delirantes…

Assumes o risco… ris e ris… e cegas!…
Escondes-te em ti… ao bom senso te negas…
E a estrada se estreita… e as retas se escondem…
Teu riso se apaga, te acendes de espanto
E chamas p’la Virgem, por Deus, por teu Santo…
Mas só as sirenes é que te respondem!

QUANDO O POENTE SE FEZ MUDO
Iran Lobato

Desde a tarde triste em que alegre partiste,
a olhar as estrelas no céu me demoro,
ansioso por ver-te, alço a lira e choro
num gemido das cordas que soluçam tristes.

Persevero à noite, e em tédio iracundo,
abraço tua imagem e ávido devoro.
Fantasio-me fausto, dormindo em teu colo,
qual se me fora um deus do antigo mundo.

Sobre o dorso de um corcel que a tudo resiste,
galgo o éter e num sonho erótico decolo
ao Olimpo, com a espada, resoluto em riste.

Abato a Hidra no meu Cavalo Alado,
e em ânsias pagãs, tu, a Deusa, e eu Apolo
pela noite eterna de helenos pecados.

DE MÃOS VAZIAS
Mário Matta e Silva

Deste-me não sei quando um abraço
Que deixou, como sabes, a saudade
Já nem um aperto de mão mostra amizade
As mãos estão vazias de cansaço.

Ternura é um êxtase, uma emoção
Um esgar de amor e de desejo
Que mal suporta a falta de um beijo
Nesse palpitar que vem do coração.

A tristeza é muita, em cada corpo ausente
De mãos caídas, um dar-se incoerente
Sonhos que trazem centelhas de esperança;

E então, essa vã angústia, ao nascer do dia
Fala-nos de afastamento e de nostalgia
Mas trás consigo um sol em pujança.


NÃO ME ESCONDAS OS TEUS LÁBIOS
Mário Matta e Silva

Não me escondas os teus lábios
Com a máscara da pandemia
Sou contra os mestres e sábios
Que te afastam dos meus dias

Teus lábios assim escondidos
Que me proíbem tocá-los
Lembram-me sonhos volvidos
Com desejos de beijá-los.

Ai que má sorte a minha:
Teus lábios sabendo a vinha
Perdem do mosto o encanto;

Deixa-me ao menos beijá-los
Antes de tu ires tapa-los
Se não eu caio num pranto!

POEMA?
Sávio Roberto Moreira Gomes

Meu poema não é poema,
são palavras que brotam.
São signos que escapam,
que vazam da alma.
Meu poema, mesmo não sendo, é.
Fala e se move sozinho,
segue o signo que se liberta.

Todo poema é um enigma,
uma transfiguração, uma farsa,
que no signo se disfarça,
em busca de alguma razão.

Todo poema é incompleto:
O poema tenta dizer
o que o poeta, ao certo,
escreve sem saber.

Não sou poeta
Sávio Roberto Moreira Gomes

Não, não sou poeta.
Na verdade, caço palavras
que se perderam nas emoções
que num dado momento senti,
e agora as tento aprisionar.

Não, não sou poeta.
Sou, no máximo, garimpeiro,
em busca da gema perfeita,
que de antemão a sabe perdida,
mas insiste em encontrar.

Não, não sou poeta.
Sou caçador, garimpeiro, peregrino,
caminho trilhas incertas e errantes
sem bússolas e sextantes,
coração ao vento, peito aberto,
sem rumo pra voltar.

IPÊ QUÂNTICO
Sávio Roberto Moreira Gomes
– I –
Esteja atento aos ipês,
Não importa a cor da florada
Pois cada cor é a espera
Do que o amor representa
E na flor foi plasmada.

(A cor que você vê
lembra cor parecida
Do tempo de criança,
De pessoa querida,
Que não lhe sai da lembrança).

O ipê revela em cada florada
A cor que vem da espera
Do que ficou na amada
Que de tanto amor
Se transformou em flor.
Todo tempo ao mesmo tempo
O ipê ensina
Que mudou sua cor
Mas você mantém na retina
a cor anterior.
O ipê colore a sua ilusão
Imprime a cor-espera
Do desejo no coração
No tecido da flor se compondo
E se abrindo em coro e canto.

Todo ano, cada ipê
Escreve outras histórias de amor
Não passe sem o ver
Muitas vezes há de florescer
Mas um dia não mais para você.

– II –

E freme este poema
Em bater asas borboletas
Teima e treme como tempestade
Buscando a palavra certa
Num pôr-do-sol em paisagem nova.

O poema é onda brincalhona
Que vem, mas não quebra
Se desfaz em carícia
Na fina areia do mar
Onde tudo aflora e não pode explicar.

E torna-se o poema-ipê
Novamente devedor
De tudo que escrevo
E do que ficou por escrever

O poema é sempre imperfeito
Pela angústia de não trazer à luz
A inconsciência de sua criação
Mas o que ainda não se sabe
a mágica une pela emoção.

Poemas-ipês são incompletos
Quando tentam captar a imagem
De uma flor se abrindo silenciosamente
Mirando o nascente
Dourando-se no poente.

O que importa
Se o poema perdeu o rumo,
Desfez-se quanticamente
E no delírio do ipê
Voltou a ser semente?

O LIVRO
Tito Olívio

Trouxe o correio um livro. Que contente!
Não passei num exame, nem fiz anos,
Mas é bom recebermos um presente,
Sendo melhor de alguém que nós gostamos.

Um livro é riqueza, que se sente
Pesando na cultura que anelamos.
Se deseja ter dinheiro toda a gente,
Nós, pelo mais saber, bem o trocamos.

Eu não conheço o nome do ofertante,
Mas é de alguém que está muito distante
E quis mostrar a obra publicada.

Tem bom aspecto o livro, capa e tudo,
Com laudas de palavras, mas é mudo,
Porque tem letras mil, mas não diz nada.

A ENTREGA
Gabriela Pais

Com as palavras se escreve poesia,
São tantas que se podem substituir,
Expressão artística em harmonia
Cantares da alma, dores a diluir.

Palavras compassadas que confortem,
Via de alento, neste tempo ferino,
Singela crença e bons ventos enfrentem
Um alvor magoado em desatino.

Escrevo e sinto que tenho um regaço,
Sei! Entrego-me ao encanto da palavra
Componho o que penso sem embaraço.

Língua de ouro há quem te escalavra,
Enredada, nela amo cada pedaço,
Só escrevo o que sinto, nada me trava

ENTREGA
 Regina Coeli Rebelo Rocha

Sou eu o que buscavas e não vinha?
Sou eu a te envolver no meu afago,
Sensual lua a beijar águas do lago
Em que se banha e onde se faz rainha?

Sou eu o passo em que teu ser caminha?
O vinho, teu regalo a cada trago?
Sou teu prazer até num beijo pago,
Feitiço que enfeitiça e desalinha?…

Se sou aquela que chegou agora
Toda envolta em essência de jasmim,
Cheirando a novo tempo e nova hora…

… Eu fico, amor, contigo eu fico, sim…
Mas se não sou, oh! deixa-me ir embora
Chorar num canto o que sobrar de mim!
ESPECTRO
 Regina Coeli Rebelo Rocha

À solta pelo ar eu berro
Livre e leve, apenas sou
Tenho a idade que me quero
Em lugar algum estou

Sou o ontem, quase o agora
Sou o amanhã, tempo algum
Sou o minuto, sou a hora
Sou todos, e sou nenhum

Tenho a face desfolhada
E meu brilho é ofuscado
Venci o inverno e a geada
Deixei o viço de lado

Se fui… não sou… nada sei
Talvez seja o que sobrou
Vivendo herança sem lei
No resto que me abraçou…

VERSEJAR
Daniela Storti

As palavras que fluem de meus versos
Já não me pertencem mais
voam pelo infinito, soam aos ouvidos
Ressoam em variadas mentes

Deixo as palavras fluir para que tragam encantamento
Humanizem os sentimentos, povoem os pensamentos
Que elas voem e pousem
Como os pássaros em seus ninhos

Todos versos têm seu destino
Quero que os meus entrem pelos olhos
Despertem emoções, acalentem os corações
Sejam luz em dias escuros.

Que inspirem sorrisos, gestos de gentileza
Mitiguem as dores, enxuguem as lágrimas
Restaurem os corações partidos
Que meu versejar traga momentos de alegria e esperança.

EXISTÊNCIA POÈTICA
Daniela Storti

Tudo é poesia e fantasia
Corpo, alma e coração
Verso, estrofe e canção
Melodia de amor que contagia

Tudo é alegria que abraça
Vida, esperança e graça
Evento, sentimento e superação
Liberdade força e emoção

Tudo é sobrevivência
Traçada numa existência poética
Que brota do fundo do peito
Aniquilando o sofrimento

Surge a aurora, nasce o perdão
Aplaca a morte, fere a angústia
Cala o mal, mostra a verdade
Nascem as flores semeadas no jardim da vida.

ABELHAS
Adão Wons

O dia começa
O barulho do zumbido
Começa o dia de trabalho.
O sobrevoo de flor em flor
Abastecem- se do néctar.

Distribuem vidas
Com o pólen espalhado
Nos abastecem de alimentos.
Porém a mão humana
Ameaça a extinção das abelhas

Mas não só as vidas delas
Porem de toda a vida na terra
Os agrotóxicos tomam conta do mundo
Devastam colmeias
Geram doenças
O mundo em rota de extinção.


PAZ e AMOR.
Adão Wons

Cessem a guerra!
Todos somos iguais
Todos nascemos livres
Nuclear nunca mais

As ambições pelo poder
Estão acabando com a terra
Nenhum país e nem um homem
Tem direito de aniquilar vidas

A Paz deve ser prioridade
Para o homem continuar a viver
O mundo precisa de Paz
Não de guerras nucleares

Nem de ódios
Nem de competições
Nem de poderio bélico
O mundo precisa de PAZ e AMOR.

GAYA
Adão Wons

Terra que nós habitamos
Que nós acolhe
Que nós sustenta
Vida que transborda
Todos os dias
Na árvore
Que oxigena nossa vida.
MOVIMENTOS
Adão Wons

A noite aconchega-se
Entrelaçando a lua grande
Acalentando tantos amores
No horizonte nascente

Onde o tempo não cessa
As horas insaciáveis
Das estrelas cadentes

Cruzando o céu a meia noite
Transbordando universos
Em duradouros pomares de estrelas.


DIVERSIDADE, EDUCAÇÃO E ESCOLA
Adão Wons

Lembram Bourdieu e Passeron
A primeira instituição educadora
Nossa família.
Depois a escola
Nas diferenças, respeito
Na diversidade, o aceite
Na simplicidade um gesto de amor
Sempre com afeto e amor
Igualdade de direito
Com compromisso e individualidade
Escutar, enxergar, ouvir
A educação é

Uma instituição de reprodução social
Formação social.

1 comentario en “POEMAS EM PORTUGUÉS”

  1. Boa tarde a todos os poetas que discorreram suas emoções
    aqui neste mês final de Novembro.
    Antes desta peste Pandêmica, a gente estava esperando
    chegar o Natal e vamos ter uma reunião de oração e amor.
    Agradeço aos amigos Drª Eunate Goikoetxea e Eugênio de Sá
    e cumprimento a todos os poetas pelos poemas discorridos
    nestes trabalho digno de aplauso
    Bravo amigos!

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POEMAS EM PORTUGUÉS

Todo lo publicado en  ARISTOS INTERNACIONAL está sujeto a la ley de propiedad intelectual de España

Octubre  2.020  nº 36

La Dirección no se responsabiliza de las opiniones expuestas por sus autores. 
Estos conservan el copyright de sus obras

AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO PORTUGUESA

COLABORAN : Virginia Branco.-Regina Carvalho.-Eugenio de Sá.-Santa Catarina Fernándes de Silva Costa.-Celso Henrique Fermino.-Cláudia Fontenele da Silva.-Diego Demetrius Fontenele.-Yvany Gurgel do Amaral.- Iran Lobato.-Mario Matta e Silva.-Tito Olivo.-Lúcia Ribeiro.-Rita Rocha.-

POESIA PARNASIANA –
A  LENDA, O POETA  E  A VIDA
( A UM POETA )
Por: Virgínia Branco

Parnaso sugeriu a forma da tua poesia.
Ainda em embrião visitaste o Templo de Atenas,
e foste testemunho do amor e da paixão
de  Possidon (Rei dos Mares e dos Cavalos )
por Medusa, sua amada!
Pégaso nasceu desta paixão firmada.
Um cavalo branco,  alado,
que em seu voo te levou até ao Mte Helicon,
onde residiam as musas.
Pégaso no seu cavalgar,
imprimiu uma patada, que se firmou
nas terras do Monte.
E qual poço artesiano ;-Eis que
muita água  d’ela brotou!.
Hipocrene foi o nome dessa fonte.
Tu  Poeta saciaste nela as tuas sedes.
Verdadeiro amante da clássica Poesia.
Apolo partilhou contigo a magia
da ambrósia que te alimentou
e te ofereceu a imortalidade.
Pégaso voou por terras e mares
Chegando contigo ao rio  Tejo
que já conhecia grandes Poetas, além das marés!
Ali as ninfas te beijaram…e encontraste terreno para  teus pés.
Uns braços maternos te acolheram e amaram.
O mesmo  mar e rio que viram partir as Caravelas
ofereceram- te  muita inspiração,
de que És fonte perene,
porque bebeste a água de Hipocrene !

MEU PLANETA TERRA
Regina Carvalho
Brasil

Oh Planeta azul Oh meu Planeta Terra!
Dos mares tão verdes-azuis…
Das árvores verdes de esperança,
Espetáculo tão belo que contagia o coração puro de uma criança.
Mas a natureza esquecida e ofendida clama a justiça,
o castigo de todo orgulho e cobiça, dos filhos da terra.

Que com o mal fez a guerra, e que a causou, na vida linda que Deus nos consentiu.
A natureza triste já não tem tanta beleza, pois está perdendo a cor…
Para ajudá-la basta um pouco de amor.
Pois preservá-la não é nada mais que um dever, e amor é ajudá-la a viver.
O lixo o espaço infectando, e o deserto confirmam a tristeza,
Que vem acabando com a beleza da linda natureza
E a nossa terra está sendo destruída,
Mas não é preciso de olhos para ver,
Nem de mãos para tocar,
Mas é preciso um coração para sentir,
que um dia a Terra pode se curar.
A Terra tão límpida e imensa está sendo destruída,
e, por isso um dia poderá não ter vida!
“No momento Gaia está apenas chorando,
pois sabe que do Homem, a destruição é uma herança…
Mas cansada da poluição, sente o tempo chegando,
um dia Humanidade, sentirás que de Gaia, virá a vingança.”

FERVENDO, EM DECIMAS
Eugénio de Sá
Portugal

A cem graus ferve a água e dá o mote
Às fervuras que temos nesta vida
Ferve em tristeza uma causa perdida
Ou de um perdido amor ferve o derrote
Fervem uns olhos lindos ao dichote
Ferve numa quezília o palavrão

Ferve uma mãe que morre d’aflição
Ao ver em perigo o filho desvalido
A raiva ferve aos atos sem sentido
Ferve o ouvido ao som de uma canção.
Ferve na carne o sol em combustão
Que nos dota de tom a branca pele

Ferve d’insuportável e repele
Uma mordaz e vil insinuação
Fervem no ar as notas da canção
Que nos recorda uma ilusão perdida
Fervem em pranto memórias da vida
Que nos trazem ruídos de saudade

Ferve o desejo num corpo sem idade
Pois sem idade é todo o coração.
E se o ciúme ferve e dói na carne
Ao falso anúncio de traição fatal
Mais ferve a injustiça de um Natal
Que um velho passa só e abandonado

Porque é dos velhos esse triste fado
Como dos jovens é a inconsciência
Quando lhes ferve o vício em consistência
Mas se ferve o amor não se derrama
Se o soubermos manter como uma chama
Que se alimenta da nossa paixão.

LUGAR INCERTO
Santa Catarina Fernandes da Silva Costa
Brasil

Em que tempo ficaram os meus pés
em que estação desceu o meu sorriso
em que caminho ficou minha direção
em que tarde foi depositada minha esperança
em que noite foi abrigado o meu soluço.
Sem pés só restaram os joelhos.
Sem sorriso, murmúrios de preces.
Sem direção o nada amedronta e se agiganta.
Sem esperança cai a rocha ferida,
num tempo qualquer,
numa estação qualquer,
num caminho qualquer,
numa noite qualquer,
sem piedade e nenhuma guarida.

Cai a chuva.
A rocha se desfaz
Em pedaços cinzentos.

15 de outubro de 2020
(Escrita em 13.0l.2009 (Antologia Poética
Entrelinhas Literárias – 2011)

 OCEANO VERMELHO
Santa Catarina Fernandes da Silva Costa
Brasil

Lamento por ti
Lamento tu
Que te espelhas
E consciente sabes
Que não tem mais espelho.

Rios de abandono
Descem, profundamente,
afundando as tuas ilusões.
E as massacram
Embaixo de muralhas
Constituídas de silêncio.

Sei que saudosa estás
Do brilho do espelho.
Sei que procuras
tua imagem,
em fragmentos de cristais.

Sei que navegas
no teu próprio oceano
e te afogas
nas águas
que tu mesma criaste.
Impossível nadares
em ondas tão fortes.

Impossível espelhares
onde não tem mais espelho
Impossível chegar a ti
o brilho do sol
pois a noite
Já possuiu teu corpo.

E as águas descem
tingindo teu oceano de vermelho.

(Poesia datada  de 12.09.81-
Extraída do meu livro Universo Utópico)

 Poeira do tempo
Celso Henrique Fermino
Brasil

Quem, do poeta, sentirá lembrança?
Seus versos no vento serão soprados
Algumas rimas ou mínguos bocados
No prazer da última andança

Perder-se-ão como minha esperança
Daquele descendente não gerado
Condenado à sangue e então extirpado
Para quem será a pena minha, lembrança?

Meu nome na lombada… na estante
Na poeira do tempo desaparece
Aos olhos – cegos: à memória – distante

Quis da vida mais do que ela oferece
Cometa intenso, dúbio, em apogeu
Que no afã de se encontrar se perdeu

AD AETERNUM
( tercetos para Ana )
Por: Celso Henrique Fermino
Brasil

A imagem perpetrada na memória;
Noite despretensiosa era;
Arauto da nova história.

Astronauta brilhante,
Nunca esquecerei o instante
A me deparar com aquele sorriso.

Acabou com a tranquilidade.
Naquele momento já sabia a verdade.
Azul das contas no peito;

Atro manto a lhe cobrir;
Não sabia como agil;
Ante a figura iluminada que chegava

Aprazível sentimento invadiu-me
Novidade bem-vinda – inesperada
Ansiedade do encontro – inevitável

Aumentou-me a pulsação já instável
Nebuloso ambiente, de
Anteparo me serviu

Aflição infla-me o corpo, agora pueril
Necessidade de mostrar-me
Agora, nada mais a fazer

Ali, ela na minha frente
Nos meus braços é onde a queria
Apertando-me ao seio latente

Ambiente apropriadamente impróprio
Nervosismo penetrante
As palavras, inexplicavelmente fluíam

Aproximações quase irresistíveis
Naturalmente impressionante
Assustando a cada frase dita

Afinidades reveladas
Nostalgia confessada
A que planeta me levaria?

Antares, a estrela que mais brilha
No universo dos seus olhos, sou ilha
Adorável raptora

Arrasta-me com você
Navegadora das constelações
Abraça-me e juntos viajaremos

Angelicais expressões do seu rosto
Norteando minhas vontades
Ariano incontrolável, sedutor

Aprendiz como um infante
Nu, desarmado proposital
A espera do Amor

Antes, modelo da perfeita
Nada mudou, ótima continua
Amadurecida-mulher, Nereida

Anjo da minha nuvem
Nefelibata tornei-me, oh!
Antítese da Tristeza

Alegria que o meu coração inunda
Néctar dos deuses que abunda
A despertar-me o desejo

As horas: obstáculos
Negligentes encantados, nós
A cortina cai: fim do espetáculo!

Adeus! Um beijo preso na boca restou
Notívago à rua me lancei errante
Apaixonado ad aeternum estou.

SPLEEN 
Celso Henrique Fermino
Brasil

Onde estás, maldito Thánatos,
impiedoso e célebre déspota
que para o lúgubre túmulo
não leva esse pobre tísico?

O físico, outrora lépido,
agora, de amante, réles mímesis;
quem sabe em lauda póstuma,
compreenda meu destino mísero.

Apavora-me o ambiente cláustico.
Trêmulo fico ante a púrpura túnica
que orna o fétido féretro,
lar derradeiro desse tétrico bêbado.

O fúlgido cortejo fúnebre
conduz meu corpo mórbido
a reencontrar minha gênese
nas profundezas mais lôbregas.

As Tágides do sáfico pântano,
recitam místicas éclogas,
escancarando as portas do cárcere
que abrigará meu corpo flácido.

Plácido o corvo sórdido
sorri um riso ácido,
jubilando-se com o fim mórbido
desse insano sôfrego e ávido.

A vida, sempre uma ópera mágica,
ensaia seu epílogo trágico;
eternizando momentos tórridos
em um ósculo deste, mesmo tímido.

Oh! spleen, viciante tóxico!
Meu mais secreto cúmplice.
Conhecedor dos desejos mais íntimos.
Revela-os nas inaudíveis súplicas:

– Encerra-me essa cólera
que se avoluma em meu âmago,
turvando minha mente límpida
e consumindo todo meu ânimo.

– Dá-me um cálice de doce bálsamo
venenoso e deita-me nesse mármore,
para que não mais haja dúvida
quando secar a lágrima última.

A treva tinge de negro a lâmpada.
A multidão chora lânguida
diante do prematuro óbito
do poeta de “sangue árdego”

que trôpego diz: – Não chorem, oh! Bávaras!
O pecado único desse pródito,
foi querer alinhavar cândidas páginas
que separadas ficaram por duas décadas.

ALÉM
Cláudia Fontenele da Silva
Brasil

Além da negra noite,
Além das nuvens tempestuosas,
O sol há de raiar no horizonte.
Quando olho para você,

Vejo que o amor não se acabou.
Enxergo por entre a espessa neblina e
Carrego comigo seu sorriso de menino.
Diga-me o que aconteceu?

Somente mais uma vez
Faça-me crer
Que o amor não acabou.
Choro quando chove

Pois quero disfarçar a dor do meu peito.
Ninguém precisa saber
Que tudo terminou.
Além da negra noite,

Além dos dissabores,
Continuo crendo
Que nosso amor
Não se dissipou.

Procuro reviver em meus sonhos
Nossa história de amor…
Esvaziada estou sem você, meu amor!


ARCO-IRIS
Cláudia Fontenele da Silva
Brasil

Foi por amar tanto
Que os olhos se encheram
De pranto;
Que as melodias se perderam

No vasto oceano,
Em meio a tormenta
Do seu coração.
Foi por amar tanto

Que no céu surgiu
O arco-íris
Quando a tempestade cessou.
Foi por amar tanto

Que as nuances do amor
Coloriram o gris da solidão,
E reverter o pranto
Em folguedos de alegria

Foi por amar tanto
Que você encontrou
O pote de ouro
No final do arco-íris.

CINZA
Diego Demetrius Fontenele
Brasil

Estou nublado por dentro
Igual aos dias cinzentos
Que trazem consigo o frio.

Cinza sim
No meio do caminho
Entre o branco e o preto.

Um pouco do branco gelo
Que molda as montanhas
Que escava fiordes e vales.

Um pouco do preto céu
Que permite as estrelas brilharem.
Um pouco dos dois

Estabilidade do cinza
Sabedoria dos grisalhos
Que sabe que não vai
Encontrar o branco da paz aqui.

Mas sabe que irá
Além do carbono
Passar na forja
Até diamante tornar.

FUTURO
Diego Demetrius Fontenele
Brasil

Porque acredito no futuro
Estou regando as plantas
Semeando flores
E plantando tâmaras.

Por crer no amanhã
Mantenho o sorriso
Mesmo que as lágrimas
Continuem caindo.

Não duvido das nuvens
Escuras que ainda pairam
Sobre nossas cabeças

Mas sei que além delas
O sol mantém todo
O seu brilho.

TRATADO DE PAZ
Yvany Gurgel do Amaral
Brasil

Numa noite de sonhos
Vi-me sozinha num túnel
Colorido de estrelas,
As vias eram duplas
E resolvi percorrê-las.

Deparei-me com espirais
Entrelaçados pedindo paz
Entre os homens na terra,
Com a coragem contumaz
Denunciei a guerra.

E assim um novo sol
Brilharia no distante arrebol
Espraiado e muito colorido,
Ouvindo-se somente o alarido
Dos caminhantes perdidos.

A bela rosa seria para todos
Um motivo de encantamento,
Não haveria mais o lamento
Da dor dos injustiçados
Nem lágrimas dos desgraçados.

Num rústico banco solitário
Na linda preservada floresta
Só haveria a alegria da festa
Porque o homem foi capaz
De assinar um tratado de paz.

CORTESÃ
Iran Lobato

A seda que te envolve a epiderme
e o tredo olor com que vendes amores,
não te obliteram os acres odores.
– Fragrância ímpar ao funéreo verme.

Côncava sobre o leito entre véus leves,
burlas deleites com falsos valores
num lupanar com rotos cobertores,
em orgia e afagos, em momentos breves.

No efêmero prazer da luxúria
e ao se exaurir o frescor da derme,
libarás o absinto da loucura.

Sob um chão ocre, convexa e inerme.
O que te sobrou da carne espúria,
será orgasmo, do faustoso verme.

ESCRITO NA AREIA
Mário Matta e Silva
Portugal

Se a maré esta manhã vai na vazante
E deixa por momentos o areal molhado
Eu olho o horizonte meio nublado
E sigo pé-ante-pé praia adiante.

Vou deixando os meus passos marcados
E dou por vezes pulos de contente
Inspirando a maresia sob um sol reluzente
De mão dada, como felizes namorados.

Mais além na praia, com alguns banhistas
Há toldos e toalhas, crianças e futebolistas
Com tons de aguarela: registo multicor;

E então, na areia molhada, deixo esta frase gravada
Até que mais tarde pela espuma seja apagada:
“Sabes que te amo muito meu amor!”

RIMANCE DA INOCÊNCIA E DA PAZ
Por: Mario Matta e Silva
-Portugal-

AOS TRÊS ANOS

Avô,
Eu piquei o balão
Com um pau, gande, assim…
E o balão

Avô,
Lebentou 
Fez pum, ao pé de mim !

Avô,
Eu quelo um pau mais compido
Para chegar ao sol…lá  em cima,
Picá-lo quando está vemelho
Para o vele lebentar…
Ele é muito lindo !
Eu quelo lá chegar,
Tu não que já és velho

Avô !       
Na PAZ da inocência, mais tarde então
Abre-se-lhe o coração…
Feliz, a saltitar
Pede-me um conselho.

AOS OITO ANOS

Avô,
Já sou mais senhora
O Mundo em paz, gostava de abraçar…
E aos homens maus perdoar!

Óh, ternura encantadora
Nesses seus olhitos vivos
Da inocência cativos,
Em meu já desiludido olhar!

Abençoei-a com voz insegura
Perante sua limpidez tão pura
Cheia de sonhos e de ilusão
Que um dia se extinguirão…
Até que…

AOS DOZE ANOS
Avô,
O Jó é meu
Dei-lhe um beijo molhado
No jardim, ao pé das flores
Foi o primeiro beijo que dei
Eu sei…
Mas tive assim uns calores
No abraço que ele me deu!

Ai Avô,
O Amor é grande  assim ?
Tão grande como o Céu ?

Afaguei-lhe a cabecita  p’rá  beijar
E na Paz, alimentei-lhe a inocência que teceu
Segredando-lhe: o Amor pode ser ainda maior que o Céu
Ele pode ser tão grande como o Céu e o Mar! 
      
Lisboa, 2020
( Dedicado às minhas netas )    

12 de Outubro de 2020

SER LIVRE
Tito Olívio

Vi um passarinho a fugir da gaiola,
Dançava e cantava ao som da viola.

Cabeça com penas de tom amarelo
E negras no corpo, mas curtas, com jeito,
O pé saltitante com salto direito,
Voando prà frente, conquista o castelo.

No alto da torre chamada menagem,
Abriu bem as asas, saudando a vitória,
Gravando bem fundo na sua memória
Que quem quer ser livre precisa coragem.

No céu sem limite, na luz que se acende,
Descreve no espaço sorrisos felizes.
O mundo te espera com muitos matizes
E livre das grades, a nada te prende.

Não vás cair noutra sem ter qualidade,
Que a vida é boa, mas em liberdade!

 O POBRE E NOVO-RICO
Lúcia Ribeiro
Portugal
 
Se choras é porque choras.
Se cantas é porque cantas.
Por isso te desencantas
Com o mundo em que vivemos
Porque a vida está difícil…
Só é fácil para estafermos.
Incompetentes que singram
No trabalho e na política
Que só pensam em dinheiro
E que o trabalho dispensam
Levando vida fictícia.

MONTE ALEGRE
Rita Rocha

A montanha verdejante que te encerra
faz de ti nosso refúgio especial,
és poderoso, és tão belo, és minha terra!
Que, no mundo, não existe nada igual!

Monte Alegre, Monte Alegre, meu amor…
és o lugar deste povo tão ordeiro;
recebas hoje o meu canto com ardor,
para mim, tu hás de ser sempre o primeiro!

Quantas histórias me trazes à lembrança,
tão grande orgulho por ti, nossa riqueza.
és precioso, és torrão só de bonança,
até os céus só te cobrem de beleza!

Monte Alegre, Monte Alegre, meu amor…
és o lugar deste povo tão ordeiro;
recebas hoje o meu canto com ardor,
para mim, tu hás de ser sempre o primeiro!

Trazendo conosco tua bela imagem,
que ora levamos por esse mundo afora…
como se fosse sempre a boa miragem
 de um monte alegre, amor de uma nova aurora

Monte Alegre, 11/09/2020

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POEMAS EM PORTUGUÉS

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DUETO – A INTENÇÃO ERA A PERFEIÇÃO, de Humberto Soares Santa

& QUE A LUZ INICIAL VOLTE A BRILHAR, de Eugénio de Sá

A INTENÇÃO ERA A PERFEIÇÃO
Humberto V. Soares Santa 

A Luz encheu o caos e fez-se dia.
O ÉDEN foi criado de seguida.
A matéria foi som e energia
No barro que se ergueu e se fez vida.

Do GRANDE CRIADOR era intenção,
Tendo tornado o barro racional,
Criar um mundo feito perfeição,
Que fosse puro e imune a qualquer mal.

Hoje, com a Sua obra terminada,
A alegria de DEUS perdeu a chama.
Do bem que se propôs, há quase nada,

A natureza toda, em coro clama
E para apressar mais a derrocada,
O barro, a pouco e pouco, virou lama ! …

QUE A LUZ INICIAL VOLTE A BRILHAR
Eugénio de Sá

 … E a lama é derramada pelo mundo
Trazida pelos mares e pelos céus
Nela se afoga um clamor profundo;
Da efuída culpa dos incréus.

Esses que recusaram eleger
A salvação da terra, a mãe dos lares
Dos que ora vivem só de padecer
E a amargura mostram nos olhares.

E assim, de ameaça em ameaça,
Retorcendo-se em espasmos e lamentos
O planeta mergulha na desgraça.

Ouçamos o que trazem novos ventos
Que mudem a vergonha da devassa
 Que a Criação retorne aos seus intentos!

DUETO EUNATE GOIKOETXEA CANTO MARINHO   
& LUIZ POETA  MARINH…ÂNSIA

CANTO MARINHO
Eunate Goikoetxea ( España)

Profundo, silencioso, sonolento,
de atraente quietude, forte, imbatível;
teus sutis sussurros, traz o vento,
como um canto de amor suave, invisível.

Não tens a altivez da montanha,
mas ostentas a visão do infinito;
se mistérios ocultam tuas entranhas,
hoje meu pesar em ti deposito.

És como um sedutor irresistível,
eu, átomo imperceptível diante da tua paisagem
Tu te mostras por momentos, aprazível,
Em outros, tens um arrojo selvagem

Ante tua imensidão e poderio,
nada te resiste se despertas;
sucumbe frente a ti todo navio
e quedam, diante de ti, praias desertas.

Ao ver tua imensidão de verde transparência,
Entrega-se a alma ao êxtase, serena,
porém  submetes teu porte de onipotência
quando cobres de beijos espumantes,  a areia.

Quero adentrar-me em ti, livre,  sem velas,
sem remos, sem timão,  ir à tua origem…
como lantejoulas, mirar estrelas
e sentir que o céu e o mar minha vida regem.

Essa rara atração, tão embriagante
e essa aparência de um mundo eterno
seja, talvez,  a projeção distante
da paz que nos deu o ventre materno.

MARINH…ÂNSIA
Luiz Poeta  – Luiz Gilberto de Barros
Rio de Janeiro – Brasil

Um barco há de chegar, não desesperes…
Espera, deixa a onda te levar
E ama muito mais do que puderes,
O amor é um sonho livre em teu olhar.

Na brisa da manhã, um vento leve,
Há de trazer no porto,  o teu navio
E uma  sedução ardente e breve
Irá te arrebatar desse cais frio.

E quando a embarcação, suavemente,
Seguir seu rumo tênue sobre o mar,
Tu hás de te soltar nessa corrente
Capaz de te envolver e te embalar

Não penses em voltar, escolhe a ilha
Que possa abrigar teu coração,
Pois cada onda de mar apaga a trilha
Deixada nas areias da ilusão.

Navega a emoção de um novo amor,
Mas lembra que uma onda violenta
Pode afogar de vez a tua dor
Ou esse mesmo amor que te acalenta.

Se queres o teu mar, teu marinheiro,
Aprende a conhecer teus desenganos;
E escolhe o navio derradeiro
Que possa desbravar teus oceanos.

Os sonhos são eternos navegantes,
Que às vezes ficam tão longe do cais
Que mesmo quem os quer por uns instantes
Percebe que eles nunca voltam mais.

AS DOBRAS DO TEMPO
Eugénio de Sá

Verga-se-nos a vontade e a energia
A alguns momentos que o tempo suspende 
O amor e a morte exercem tal magia
Que o tempo pára, e a eles se rende.

Somos obra de Deus e a Ele se deve
– Como o exemplo que nos deu Jesus –
Que o nosso tempo seja intenso e breve
Feliz às vezes, outras uma cruz.

É o destino que todos carregamos
Neste deambular por que passamos
Qual asserção a que há que aquiescer;

Experimentando venturas, se amamos
Ou sofrendo atrozmente, se matamos
As mil razões que temos pra viver.

O GRANDE BARDO
Amilton Maciel Monteiro

Poema surge quando a inspiração
adentra em algum peito e se aboleta
até brotar, assim que a instigação
de seu amor, que por penar, decreta!

Poema, assim, é o próprio coração
boêmio e extra corporal do poeta,
que pulsa muito forte de emoção,
com sangue das palavras que arquiteta.

Também é a poesia trabalhada,
depois de longo tempo de jornada,
em que o poeta sofre e entretém-se.

Assim julgava Cassiano Ricardo
o lírico imortal e grande bardo,
que honra a sua terra joseense!

OITENTA E CINCO!
Ary Franco (O Poeta Descalço)

Neste mês farei oitenta e cinco primaveras.
Será que o difícil passou, ou agora vai piorar?
Como será daqui pra frente, o que me espera?
Esquecer nomes, não conseguir mais raciocinar?

Até agora foi fácil com a perene ajuda de Deus.
Em minha despedida conseguirei dizer adeus?
 Abraçar meus amigos, beijar meus parentes?
Ou serei chamado pelo Divino subitamente?

Inda tanto tenho a dizer, inda muito a fazer,
Mas sempre deixo pra depois na esperança
De que nunca será hoje que irá acontecer.
Mesmo idoso, sinto minh’alma uma criança!

Inda tenho sonhos e planos que quero realizar.
Talvez os faça, se aos noventa conseguir chegar.
Já sou um orgulhoso bisavô, ganhei dois bisnetos.
Já os tive no colo e beijei-os com todo meu afeto.

Planos? Procurar ajudar mais do que ser ajudado,
Alcançar a difícil humildade, sem subserviência,
Aprender a perdoar, amar mesmo sem ser amado,
Deixar um livro escrito que lembre minha ausência.

Se aqui continuo, talvez tenha pecados a pagar.
Talvez o Senhor Bom Deus inda espere algo de mim.
Enquanto isso, resta-me amar ao próximo e ajudar.
O que, perenemente, farei até meu derradeiro fim!

 

LONGE…
  Carolina Ramos – Santos – SP – Brasil

               “Longe é um lugar que não existe”
         Richard Bach

Ante a força do amor… distância não resiste!
O longe é o tal lugar, sem sol, que não existe
para alguém, confiante, à espera de outro alguém!

Quem sente o coração pulsar de amor no peito,
bem sabe o que é sonhar e entende esse preceito
que o poeta, em seu verso, explica muito bem!
                                                                
Longe!… Estranho lugar… Tão triste se existisse!
Bendito seja o amor, que anula essa crendice
de que a distância é  algoz e afasta enamorados!

Quem ama tem o amado, em qualquer tempo, perto!
E todo instante é o instante ansiado e sempre certo,
que une dois corações, num só… se apaixonados!

Mesmo a enfrentar a dor de uma cruel partida…
partida que se estenda a extremos do além vida,
o abraço da saudade a nos ligar insiste!
E é a força da ternura o que este abraço traz!…
Uma força que acalma… e concordar nos faz
que  esse Longe é, afinal… lugar que  não existe!

      

IMAGINAÇÃO
Professor García

Partirei bem mais triste e tão sozinho,
Deste mundo feliz que tanto amei,
Ao lembrar da alegria do meu ninho
Nos instantes felizes que passei.

Peço a Deus que me mostre outro caminho,
Sem fronteiras, por onde eu passarei,
De onde eu possa enxergar mais um pouquinho
Deste mundo que um dia deixarei.

Não desejo partir Pai, nem tão cedo,
Mas eu sei que esta vida tem segredo
Que jamais a ninguém vai revelar,

O que quero é esquecer meus pesadelos,
Curtir muito esta paz dos meus cabelos
No meu simples, feliz e doce lar!

AOS POETAS E SONHADORES A DE TODAS AS CASTAS
Thalma Tavares

Cansado de debulhar tristezas
na umbrosa e seca espiga de meus dias,
atirei no abismo do poente
grãos de mágoas, desilusões,
descrenças e desesperanças…
Pedi asas à Poesia
para liberar meus sonhos
e andejar com eles
o espaço sem fim da fantasia.
E ela se mostrou sorridente e austera,
mas me estendeu a lira dos iniciados.

– Senhora, disse-lhe eu,
não sei tirar sons desse
nobre instrumento,
meus dedos jamais tangeram
tão delicadas cordas.
Ela sorriu de novo e me disse:

– Neste instrumento
só se toca com os dedos da alma,
com os sopros da inspiração.
Diante do meu espanto
ela estendeu a mão iluminada
e me apontou o caminho:

– Vai! Procura o Parnaso!
Teus irmãos te esperam.
Logo aprenderás
a por nos dedos da carne
a ternura gentil dos sopros
de tua alma.

E aqui estou, meus irmãos,
diante de vós, ofertando-vos
alguns modestos trinos,
pálidos gorjeios, gritos, hinos
que consegui tirar desta lira encantada
ao sopro da inspiração descompassada,
enquanto, peregrino da Poesia,
eu caminhava até aqui.

Recebei-me!
Aos vossos pés deposito
a lira modesta de meus sonhos.

5 comentarios en “POEMAS EM PORTUGUÉS”

  1. Parabéns à nobre amiga e insigne Poetisa Eunate Goikoetxea por mais esta bela edição da revista Aristos Internacional, da qual tenho a honra de participar com meu singelo poetar.
    Eterno sucesso é o que desejo.
    Abraços a todos

    Responder
  2. Belo, belo. Parabéns a todos os poetas, gostei imenso de lê-los e não são singelos, são poetas de mão cheia, de alma
    e coração. Parabéns também à poetisa Eunate e que continue a ter grande sucesso com esta revista, onde podemos
    por vezes exteriorizar o que sentimos. Abraços poéticos a todos.

    Responder
  3. Maravilha e parabéns aos nobres poetas por tão lindas obras.
    Parabéns a criadora do site por nos oferecer o melhor do coração.
    Estou feliz por encontrar a vocês!
    Meu carinho sempre!

    Responder
  4. «Que a luz inicial volte a brilhar…
    Poema de suplica ao retorno e um tempo melhor,
    e poder restaurar o bem e , com certeza, ser feliz!
    Linda reflexão, Eugénio!

    Responder
  5. Todos os Poemas que li até agora me encheram a alma de alegria e sentimento! Parabéns a todos os Poetas, Digníssimos colaboradores desta Revista maravilhosa! Saúdo também a sua Directora por tudo o que tem conseguido . Abraço amigo – Virgínia Branco

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