POEMAS EM PORTUGUÉS

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Agosto 2.020  nº 34

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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

COLABORAN.-Ines Aroeira Braga.- Virginia Branco (Portugal) .-Iran Lobato de Andrade
(Brasil).-  Luiz Gilberto de Barros -Luiz Poeta (Brasil).-Eugenio de Sá- (Portugal).-José Ernesto Ferraresso
(Brasil).-Ary Franco ( Brasil).-Mario Matta e Silva(Portugal).-Gabriela País- (Portugal).-Carolina Ramos (Brasil)Carlos Rodríguez ( EUA).-Cecília Maria Rodrigues de Souza( Brasil).-Thalma Tavares (Brasil).-Adão Wons (Brasil).-

LEMBRANÇAS
Maria Inês Aroeira Braga

Como esquecer as coisas do passado?
…A mesa posta sob luz de velas…
Era um móvel apenas… Recordado,
Passa a viver entre lembranças belas..

Um canto que ficou tão esquecido…
Um quadro, uma bacia, um lampião…
Mas eles pertenceram a alguém querido,
E hoje teimam em virar recordações…

Velho porão… a porta escancarada,
Trazia medo de duende ou fada,
Que quisesse criança aprisionar…

É hora de abrirmos as comportas…
O passado é um livro… E as flores mortas
Que ele guarda, nos chamam a recordar…

AO MEU NAMORADO
Virgínia Branco

Falo-te baixinho
assim de mansinho,
porque te quero bem.
Não sei se é paixão
este sentimento
que brota insano,
a cada momento,
sem gota d’engano.
Ouço-te falar
e fico a pensar
na tua voz maviosa,
no teu jeito de amar.
Nesta relação amorosa ;
–Nos beijos que damos,
no sangue que fervilha.
Abraços qu’enlaçam
cá na nossa ilha !
E no que demoramos
em lençóis de cetim…
É assim que te quero,
em noites de luar
e dias de festim !
És como as ondas do mar
num vaivém de marés.
Na espuma das ondas
espraia-se a sedução!
Mas é o meu colo
e o meu coração,
que alberga quem És !

TEU «EU» IRMA,EM ALFA É RECONHECIDO
Virgínia Branco
Portugal

Estavam 99 rosas no jardim,
exalando o perfume das quimeras;
– Numa invenção plena de magia,
onde tua luz é hino de alegria,
na entrega que fizeste a  S. José
das tuas lindas primaveras.

Das tuas pétalas s’emanam sinfonias,
Cânticos angelicais, doces harmonias
que para o mundo são poesias!
Tua vida é exemplo de fervor;
-Tuas preces são ouvidas lá nos céus,
por um Deus de misericórdia, Deus de amor !

Teu nome de  Baptismo foi esquecido,
mas teu “ EU” irmã, em  ALFA é reconhecido..
Com a tua vivência em Cristianismo, podes dizer “ SOU”
Pois em OMEGA teu espiríto será incluído.
Ficará repleto da luz perene de Jesus
A tua vida é  Divina, simples peregrina.
Abre-se agora à luz do sol deste dia,
Mais um botão da flor que tu És !
São agora 100 rosas no jardim.
Flores d’entrega, d’heroísmo e de Fé !

 

 

FALANDO DE MULHER
Luiz Poeta – Luiz Gilberto de Barros

Como é difícil falar deste ser maravilhoso
sublime, misterioso,  denominado mulher…
Como é difícil calar um verso impetuoso,
de um poeta habilidoso que no fundo sempre a quer…

Meu Deus, como é complicado riscar um verso discreto
que fale esse dialeto dos homens, pobres mortais,
um verso bem  inspirado que  diga o que a gente sente,
por elas… que incompetentes que somos, que animais!

A mulher é tão completa, sonhadora… realista…
Que nós, os especialistas, delas não sabemos nada,
E não basta ser poeta, ser homem ou ser amante
deste ser apaixonante, desta musa tão amada…

Para entender cada gesto ou ímpeto ou devaneio…
Quem não precisa de um seio para se tornar menino?
Somos seres tão modestos diante desses monumentos
Nunca estamos desatentos ao talento  feminino.

A mulher é tão divina e o homem é tão carente…
Meu Deus, como é atraente falar de uma mulher:
Inteligente, sensível, talentosa, companheira,
Eu daria a vida inteira para tê-la… quem não quer?

Mas tê-la inteiramente: no espírito, em pensamento…
Em todo e qualquer momento e… na cama, por que não?
Afinal, o coração de um homem só é completo
Quando este ser predileto habita seu coração.

VIGÍLIA
( Soneto Alexandrino )
Iran Lobato de Andrade
Brasil

Num sono suarento de sonhos medonhos,
vejo vagar o teu vulto nas vespertinas
do campo santo, de solidão e ruinas,
onde brotam os lírios roxos, e tristonhos.

Na persisto entre as cruzes em abandono,
oro pela paz dos mortos sob’as casuarinas,
ouço o teu cantochão de funéreas surdinas
nos alvos vasos de rosas murchas no outono.

Entre os ciprestes, com feição silente e queda,
um marmóreo aprisco entalhado na pedra
vela teu sono, com angelical ternura.

Num ímpeto, abraço a lápide fria,
deponho a lira que por ti ainda suspira,
na solidão da cruz da tua sepultura

AO BEM O QUE É DO BEM
Eugénio de Sá
Sintra-Portugal

Quem te não louve, Pai, não haja quem
Porque provês de paz nossa jornada
Alimentas de bem o que é do bem
E desprezas o mal porque é do nada;

Pois que de nada são feitos aqueles
Cuja ruim semente é puro joio
Donos de uma vileza que os faz reles
Como reles é quem lhes dá apoio.

Dotaste, Pai, o Ser da liberdade
Pra que – sem sangue – o bem se repusesse
E haja esse bem onde houve iniquidade.

Ecos deste milagre que fizeste
Lembram que Tu existes de verdade
Aos que teimam esquecer o que nos deste.

MOMENTOS
José Ernesto Ferraresso
Brasil

Procuramos aceitar uma idade
que acabou de chegar.
Idade crítica que temos de suportar.
Conflitos, problemas, dúvidas, empecilhos, no entanto,
udo parece nos sufocar.

Não queremos apenas sentir. Somente viver!
Estamos certos de que isto mais tarde temos que aceitar.
Assim foi com a nossa adolescência,
quando começou aflorar.

Mas não nos importa a idade que
aparentamos ter, o que nos importa é o nosso
estado de espírito para enfrentar.

A velhice não tem idade. Nem a percebemos chegar
e nem sentimos. Nada nos deixa incomodar!
Encaro dessa maneira a vida, portanto,
vamos curtir, sentir, valorizar e amar!

Aproveitemos nossa velhice! Aproximou e nem senti.
Enfrentaremos este momento confiando em nosso ser!
Vamos ser positivos no nosso modo de viver e de pensar.

Percebemos que o tempo parou e não deixaremos nada nos
incomodar. Tenham Fé, Amor, Confiança e Esperança,
que um dia vai melhorar!

POR TI, MEU LÁBIO SANGRA
Ary Franco (O Poeta Descalço)
Brasil

Na incontida volúpia de nossos beijos trocados
Mordeste minha boca com erótica sofreguidão.
No ritmo de teus ais, saciamos desejos alienados.
Sangra-me o lábio, pulsa-me mais forte o coração.

“Besame mucho” ao fundo, mais nos estimulava.
No ardor de nosso sexo selvagem, eu te sufocava.
Cingida em meus braços, arfavas assaz satisfeita,
Cúmplice de nossa mútua entrega total e perfeita.

Enfim, abres os olhos e sorris dengosa para mim.
Tanto queria eu que esta noite jamais tivesse fim,
Mas o inclemente sol já se faz imiscuir no horizonte
E arrefece nossa doce loucura agora agonizante.

Preocupada e carinhosa, acaricias-me a boca ferida.
E, sob o lençol que agora nos cobre, pedes-me perdão.
Desejo que o faças muitas vezes mais, minha querida.
Mostras a quanto vai o gozo manifesto de tua paixão!

EU COMIGO
Mário Matta e Silva

Cá estou eu de novo.
Eu,  comigo.
Comigo unicamente.
Ausente inda que presente
Um querer sentir que me renovo
Neste dar-me tão antigo!

Cá estou de novo … noutro apertado nó
Num diálogo sem inimigo
Olho-me,  sinto-me…  e  só
Viajo no tempo e louvo
O facto de ser eu o meu melhor amigo
Mesmo quando me torno em meu próprio estorvo!

Cá estou de novo numa labiríntica encruzilhada
Penso no que procuro e ainda  não encontrei
Tropeço e avanço neste acidentado caminho!
Aturo-me, agrido-me, revolto-me… eu sei…
Há dias em que o mundo é uma grande laranja vazia…sem nada
E nele me refugio, só,  comigo…gemendo em verso,  mas baixinho.

DAY AFTER
Mário Matta e Silva

Percorro o calendário calmamente
Singrando um percurso sinuoso
Aconchego-me nesse sol reluzente
E tento passar o dia de hoje mais gostoso.

Depois de hoje, não sei como será
Envolto nos lençóis eu dormirei
Espero a madrugada que nascerá
E deixará para trás tudo o que recordarei.

O amanhã chegará, no seu compasso
Lembro-me do que foi feito, carrego o que faço
Sentindo nascer a claridade vinda do escuro

Rodopio no tempo, voraz, absorvente
Trilhando um caminho que é triste ou é contente
Redigindo com amor, versos ao futuro.

 

OS SENTIMIENTO
Gabriela Pais
(Portugal

Os sentimentos tem altos e baixos,
paixões carregadas e desapegos,
desgostos e alegrias estão afixos,
aptidão de sentir, dar aconchegos.

Sensações são como águas do mar,
umas serenas sem lamentações
ou revoltas sem se poder domar,
emotivo apaziguar de emoções.

Há dias de sol, chuva e tempestade,
ente que graceja algumas que choram,
a vida ondula com velocidade,
is tempo e amor que males evaporam.

Sentir sem superar sonhos melhora,
perceber outros não só por metade,
encontrar o horizonte que acalora,
chegar e dar ao amor nossa vontade.

ACENO DA ILUSÂO
Carolina Ramos
(Brasil)
                                    
Se a vida é uma ilusão, também a alvura
do amanhecer que aponta com luz mansa,
rasgando as vestes de uma noite escura,
é uma ilusão vestida de esperança!

A aurora rosicler no astral perdura
por tempo breve de ilusória dança,
a alternar róseos véus de seda pura,
enquanto o mago sol no céu avança!

Amo a Ilusão! O Amor! O Sonho! o Belo!
E se o mundo se empenha em que tristonho
se torne o meu viver, eu me rebelo!

Do aceno da quimera não me esquivo!
Sei que me iludo porque ainda sonho,
mas, porque sonho é que eu ainda vivo!

PROCURO-TE NO SILÊNCIO
Carlos Rodríguez
(UEA)

Procuro-te no silêncio de meu lençol
quando cai a noite
quero romper a beijos teu corpo
entre gemidos de fogo

quero te amar
e estremeces minha insónia
com brutais paixões
encontraremos rincões ingnorados

refaremos o amor
e sentiremos o mais profundo do alma
quero amar-te esta noite…

OU TU, ÉS EU
Cecília Maria Rodrigues de Souza
Brasil

Antes, era tudo tão belo, tão diferente,
Eu não convivia com a tristeza,
Nem sentia nostalgia ao sonhar.
Amei-te, foi só!

Um amor desejado, imenso, fugaz,
Que nasceu de repente com um olhar,
Viveu horas de alegria, sonho, fantasia,
Mas foi marcado pela saudade.

Por começar a viver
Em um dia de partida.
De tudo, restaram as lembranças
Que me impulsionam a te procurar,

Mesmo sem saber
O que fazer para te achar!
Sei que estais em mim,
Nos meus olhos, no meu sorriso
Nas minhas lágrimas,

Na minha mente, no meu ser,
Em tudo que é meu,
Sou tu, és eu!
Tantos anos vividos e nada mudou!

Continuo sem entender, por que o destino
Insiste em nos separar, se já imortalizou
A nossa historia de amor.

ESTRANHOS NO PARNASO
Thalma Tavares
Brasil

Foi ao findar-se a memorável noite,
quando do sol já se escondia a lua
e a aurora punha lampejos em nossas taças vazias,
que eles chegaram temerosos
perguntando-me quem eras, que poderes possuías
que me trazias recluso em teu palácio
e prendias ao teu chão meus pés andejos?…
Quem eras tu, afinal, que em tua honra
tantas taças se erguiam
e a quem tantos como eu erguiam lumes?
E eu não lhes disse que tu eras filho do infinito
nem que nasceras de um luminoso parto sideral,
nem que eras um semideus de espumas e quimeras
recém-chegado do mais longe da saudade.

Eu não lhes disse que teu verbo era sol
dourando o impreciso
no indeciso côncavo do ocaso,
nem que eras um lapidário de harmonias
que cinzelava cânticos e prantos,
musas no cio e sóis incandescentes.
Não lhes disse também que eu andava seduzido
pela beleza das musas que esculpias
ao som de tua cítara divina
nem que eras menestrel do inexprimível
com um recado de amor em cada verso,
ora tocando uma viola ardente,
ora acrescendo uma lágrima urgente
às dores do universo.
Não lhes disse de como te parecias ao Cristo
quando abrias no espaço os grandes braços,
nem de como te fazias menino
cavalgando o horizonte na linha de um quadrado.
Não lhes disse que eras um sismo de montanhas,
um bramir de oceanos e um sussurro de Deus…
Disse-lhes que tu eras um poeta, tão somente…
Eles sorriram aliviados e partiram indiferentes.

DISPERSO
Adão Wons
Brasil

Por hoje só quero
Pés descalços na areia
Ouvir os murmúrios das ondas
Sentir a brisa do mar

Por hoje só quero
Apenas desapego
Irmandade, cumplicidade
Reciprocidade
Curtir o cais que me encora
No agora, da hora
No tempo que não para

Por hoje só quero
Apreciar o meu subúrbio universo
Disperso do verso que não me aprisiona.

3 comentarios en “POEMAS EM PORTUGUÉS”

  1. Lindos poemas, carregados de imagens que ficaram no passado, que renascem no presente e porque não jogá-los no futuro?
    Para os poetas o tempo não existe, são ilusões e lembranças espalhadas nas páginas amarelas. Podemos tocá-las e vivê-las com a mesma intensidade do agora. Podemos nos debruçar em cima de uma lápide fria e retirar de lá as imagens mais belas e viver em segundos, uma vida inteira, em lágrimas! Sofremos sim! Sem esse sofrimento da saudade, da ausência a poesia não tem consistência. Estaria porventura sua moradia na dor? Não sei, só sei que nas horas amargas somos abençoados com versos mais belos! Mas também temos o ardor das páginas apaixonadas que ficaram amareladas! Talvez tiramos de lá a força do agora, quando o corpo decai e os cabelos se enfeitam de pratas!

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  2. O tempo, apesar dos pesares, passa muito rápido… Li todos os poemas, encontrei poetas já conhecidos e alguns
    poetas que conheci hoje! Sempre que leio um poema fico imaginando o poeta escrevendo os versos que a mente
    lhe dita…Cada um com sua inspiração, verso à verso, registrando seu pensamento…mas tenho a ideia de que todos
    tem apego a arte de escrever e, por isso chegam até aqui, sempre pelo amor a arte de escrever! Admirável vontade
    de interagir nesse recanto onde podemos sentir a emoção de ver editado o nosso trabalho. Parabéns a à todos e a
    Eunate, por mais essa bela apresentação Desejo de paz e saúde para todos!

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  3. Todas, todas as publicações estão lindas, aliás, como em todos os números de Aristos. Além da esmerada diagramação e da arte visual, há o talento e a inspiração dos poetas e demais colaboradores com seus aprimorados textos. A todos eles e à direção de Aristos Internacional, meus efusivos parabéns neste brasileiro abraço fraterno.

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