POEMAS EM PORTUGUÉS

 

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A QUADRATURA DO CÍRCULO

( Eugénio de Sá )   

De harmonia é feita a criação
Formas redondas, como o sol e a lua
Vestindo a apóstrofe a qualquer ficção
Escrava da utopia e expondo-a nua

Por mais que a queiramos transformar
Nalguma imaginária quadratura
A forma equilibrada é circular
Arredondada,  almo de doçura
Dualidades há,  fundamentais
Que longe de se opor à teoria
São d’Eros os primores originais
E dão sempre ao retorno a primazia

De Platão sabemos conhecer
Que a humana cabeça é principal
No corpo que domina a bel-prazer
e lhe arredonda o gesto crucial

Mas se à eternidade é substância
Um círculo fechado considerar
Já no amor será exorbitância
Dar-lhe à constância forma circular

Porque o amor é dádiva sem preço
Não há nele medida equidistância
De um núcleo que lhe sirva de tropeço
Quando o coração nos vibra d’ânsia

A emoção é forte,  é verdadeira
Mas loucos, mesmo assim, sem lucidez
Lá vamos procurando pôr inteira
A alma, que em pedaços, busca a redondez.

ODEIO TE AMAR
Ary Franco (O Poeta Descalço)

Ontem te vi passar.
Surgiste como que do nada.
Qual a miragem de um oásis.
Sorriste sensualmente para mim.

Mal tive tempo de retribuir.
Meu coração não acreditou,
Quase chegou a parar.
Parecias flutuar no teu andar.

Por que me jogaste aquele sorriso?
Somente para me atormentar?
Para despertar-me leda ilusão?
Tua imagem ficou em minha retina

Linda e sensual morena anônima.
À noite levei-te comigo para meus sonhos.
Pela manhã, tive um despertar bisonho.
Afinal, o que fizeste comigo?

Quebraste a rotina do meu viver,
Justo quando conformado à solidão.
Reacendeste a chama bruxuleante
De um pobre coração exangue,

Machucado por muitas decepções.
Desculpe-me querida desconhecida,
Talvez um dia tornemos a nos encontrar
Mas, neste momento, odeio te amar!

DESPERTEI CHORANDO
Amilton Maciel Monteiro

Eu hoje cedo despertei chorando,
com lágrimas molhando o travesseiro…
Por que eu chorava tanto? E desde quando
vertia pranto qual um aguaceiro?

Não sei por que, mas na verdade eu ando
mesmo um chorão… tristonho o dia inteiro;
principalmente quando estou no bando
que só declama os ais do cancioneiro…

Mas debulhar-me em lágrimas assim,
ainda em pleno sono, para mim,
foi a primeira vez que isso ocorreu.

Certamente eu sonhei com meu amor
que eu tanto quis, mas me logrou pospor
sem mais nem menos – a um vulgar Romeu!

ESTRANHOS NO PARNASO
Thalma Tavares

Foi ao findar-se a memorável noite,
quando do sol já se escondia a lua
e a aurora punha lampejos em nossas taças vazias, 
que eles chegaram temerosos 
perguntando-me quem eras, que poderes possuías 
que me trazias recluso em teu palácio
e prendias ao teu chão meus pés andejos?…
Quem eras tu, afinal, que em tua honra
tantas taças se erguiam
e a quem tantos como eu erguiam lumes?

E eu não lhes disse que tu eras filho do infinito
nem que nasceras de um luminoso parto sideral, 
nem que eras um semideus de espumas e quimeras
recém-chegado do mais longe da saudade.

Eu não lhes disse que teu verbo era sol
dourando o impreciso
no indeciso côncavo do ocaso,
nem que eras um lapidário de harmonias
que cinzelava cânticos e prantos, 
musas no cio e sóis incandescentes.

Não lhes disse também que eu andava seduzido
pela beleza das musas que esculpias
ao som de tua cítara divina
nem que eras menestrel do inexprimível
com um recado de amor em cada verso,
ora tocando uma viola ardente,
ora acrescendo uma lágrima urgente
às dores do universo.

Não lhes disse de como te parecias ao Cristo
quando abrias no espaço os grandes braços,
nem de como te fazias menino
cavalgando o horizonte na linha de um quadrado.

Não lhes disse que eras um sismo de montanhas,
um bramir de oceanos e um sussurro de Deus…

Disse-lhes que tu eras um poeta, tão somente…
Eles sorriram aliviados e partiram indiferentes.

 COLHEITA DA VENTURA
Delcy Canalles

Num mundo só de guerras e conflitos,
de lutas, de maldade, de terror,
de indiferenças, dores e delitos,
de fome, de miséria e desamor…

Num mundo de tristezas e de atritos,
de doenças, de angústias, de clamor,
transformemos, enfim, tétricos gritos,
em culturas, tão só, de paz e amor!

Busquemos despertar no nosso irmão,
os sentimentos lindos da afeição,
calcados na vivência da ternura!

E a nossa Humanidade embevecida,
há de sorrir feliz, agradecida,
ante a colheita doce da ventura!

 

QUEM APENAS AMO!
Cláudio Dortas Araújo

Sou tão ínfimo!
Como mensurar todo o amor que sinto?
Demonstrá-lo a quem está ao meu lado?
Acontece coisas tantas, fatos tantos,
Que apequenam o sentir mais profundo,

E faz parecer toda ingratidão maior do que
O tudo que sentimos.
Assim quantas decisões e desencontros,
Passam por nossos pensamentos?


E ficamos entre “a partida” e o sonho escolhido!
O que abraço!?
Só sei o certo é o amor escolhido, conquistado
Na experiência dos dias vividos, das dores vencidas,


Das lágrimas secadas com “beijos e abraços.
Tudo que tenho está em minhas mãos, e em todo instante
“Resgato”, pois é quem apenas amo… e só!

NÃO DISSE!
Marilene Azevedo

Não disse que não te amava
Disse que não te queria
Seria  desconhecer
A vida..E eu morreria.

Amar..Significa doar-se
E você não se doa a ninguém
Alimenta a carne fraca
E a alma fica além

Vive a cobrar o que não dá
Resquícios de cheiro alheio
Não serve para amparar

Amor ..Amar..Ser amado
Conjuga com lealdade
Congregando
Alma ..Amor
A carne a felicidade

 A BANDEIRA DA SAUDADE
Adilson Costa

E na branca bandeira da saudade,
Vejo o pranto num pano rabiscado,
Feito um trem que passou tão apressado
Na estação do que outrora foi verdade.

Já não vejo a menor necessidade
De tentar por no tempo um cadeado,
Pois que o tempo jamais fica parado
Ao postar-se de frente à vaidade,

Fiz um lenço daquela nostalgia
Que inspirava o poeta todo dia
Pela lágrima de uma inspiração,

Ao lembrar que a saudade ainda serve
De alimento ao poeta em sua verve
Quando faz de guarida o coração.

CREPÚSCULO
João Batista Xavier Oliveira

À tarde bocejante no cenário
plangente o sol despede-se do dia.
Ecoa sibilante nostalgia
num canto o canto altivo do canário.

Sonora à rede em pausa de harmonia,
parece que a saudade é itinerário
levando uma cantiga em tom sumário
aos tempos juvenis que irradia.

Canário mudo agora eu sei de cor
as pautas que o passado ora solfeja
compassos em meus passos sonolentos.

É tarde e bocejante em som maior
minha alma agora canta a paz que almeja
qualquer cantante dos áureos momentos!

CONHECENDO A VERDADE
Marina Moreira Pereira

Procurar conservar a Paz divina
apesar de qualquer perturbação,
doando ao companheiro o perdão
ao olvidar a mágoa pequenina

que tenha lhe causado o pobre irmão.
Assim o nosso Mestre nos ensina
e o Seu ensinamento descortina
a verdade através da oração.

Abandona o mal e constrói o Bem,
dando o melhor de si pra outro alguém.
Ampara com a maior sinceridade

o irmão que o persegue e calunia,
convertendo em celeiro de alegria
que vai acompanhá-lo à Eternidade!

 

SONETILHO DA VOLTA
Ronnaldo Andrade

Se por acaso imaginasse
Tudo o que estou sentindo,
Iria voltar sorrindo
E dizer assim: “me abrace”!

Eu queria que voltasse
Aquele tempo já findo
Pro lugar deste que está indo
E que ele não passasse.

Mas isso não acontece
E eu quase sem esperança
Ajoelhado faço prece…

Percebo que o tempo avança
E que ela não aparece
A este ser que não descansa…

DESENCANTO
Eugênia Silva de Diana Camargo

Desencantei-me das flores
Quando vi que tantos espinhos
Nos jardins espalhados
Sufocavam-lhes a beleza e as cores…

Desencantei-me das crianças
Quando vi que a violência
Impondo-lhes uma arma cruel
Apagava-lhes o sorriso e a inocência…

Desencantei-me dos jovens
Das lutas, das suas vivências
Quando vi que uma pedra
Esmagava-lhes a essência…

Desencantei-me do amor
Das juras e palavras mais doces…
Quando sinto que nada é eterno
E no tempo se perde o valor…

Enfim, estou na verdade
Pela vida, assim…
Não sei até quando
Desencantada de mim…

 

 

2 comentarios en “POEMAS EM PORTUGUÉS”

  1. É uma honra estar entre tão brilhantes poetas..A poesia deve ser sempre o antídoto, para aliviar os males do século. A falta de bom senso, respeito e o cultivo aos bons sentimentos! Aplausos!

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  2. Os meus parabéns, Eunate. A Aristos Internacional apresenta já grande poesia, mostrando-se, assim, à altura das melhores perspectivas que nós, os poetas, poderíamos augurar-lhe. Estamos prestes a virar a página deste 2017. Que 2018 seja ano da consolidação do prestigio deste excelente veículo da cultura Ibérica e latina.

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