POEMAS EM PORTUGUÉS

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VATE

Luiz Poeta
Luiz Gilberto de Barros
Às 13 h e 21 min do dia 20 de abril de 2009 do Rio de Janeiro
para o talento do meu irmão Eugénio de Sá.
 
Meu verso voa como garça… um oceano
Não o separa do teu verso que me espera 
No cais que abriga o teu sorriso lusitano,
Em outro plano, muito além da estratosfera…

A poesia ganha forma e movimento,
É só o vento indicar a direção,
Que a emoção passa o fluir no pensamento
E Portugal conduz a nau do coração.

Que bom voar, sobrevoar, alçar-se inteiro
Sobre o lirismo de um vate português
Que com talento, sentimento e realeza,

Junta-se a alma de um poeta brasileiro
Que com respeito, sentimento e altivez
Faz reverência à sua lírica nobreza.

VATES

Eugénio de Sá
Às 02H00 de 24 de Abril de 2009 de Lisboa
Em resposta ao meu querido irmão Luis Poeta –
Luiz Gilberto de Barros

Vaticinei em versos, qual profeta
qu’inda seria o mar que nos veria
trocar poemas e abraços um dia
na forma que nos fosse mais dileta,

Esse dia chegou, e com as gaivotas
voando alto sobre essas palavras
chegaram os teus versos que aqui lavras
ao jeito afável com que te comportas.

Chamas-me Vate a mim, que sou teu par
nestas andanças doces da poesia
que nos eleva a alma a levitar.

Mesmo sem nau, mas com a mesma extasia
Que Cabral experimentou ao ancorar
Te encontro, meu irmão, na maresia.

TAL VEZ…
O último Poema
Eugénio de Sá

Foi no mar que tudo começou;
A mão que pedia para escrever,
os olhos, cheios de brumas,
que me ditavam os versos

e os vertiam na alma,
os cheiros da maresia
e de peixe acabado de pescar,
e o embalo da mansa perturbação da água

pela brisa do norte, chegada em murmúrios.
Foi neste mar de Portugal,
ao largo das alcantiladas penedias da Roca,
onde a terra penetra fundo no Atlântico,

que me senti, pela primeira vez, Poeta!
Não, porque as letras que ía desenhando
convergissem numa rima obrigatória,
mas porque a lógica deu lugar ao sonho

porque senti emergir a doçura,
da contumaz razão analítica,
porque não lia na minha escrita
nada que não fosse amor, beleza, perdão.
A cadência da larga ondulação

como que… por magia
afagava em mim as vivas arestas das memórias
deixando-as suaves, castas, redentoras.
Hoje voltei ao mar.

Andei… largas horas à deriva,
tal como me habituei a deixar que a pena
lavre os pensamentos, sem rumo definido.
Falei-vos… no presente (?) – Estranho !

– porque hoje havia decidido
falar-vos de poesia…no passado.
Não sei se o vou conseguir, ou se é mais uma
das utopias desta mão já cansada,

deste espírito que se vai, aos poucos,
desapossando da metáfora,
provavelmente pela crua realidade
das desilusões colhidas.

Hoje havia decidido escrever, queridos leitores,
sem complicados artifícios, sem códigos
…um último poema.
E para quê rimar, se vocês entenderam?

– Se não puder ter ambos,
entre a poesia e o mar… talvez fique com o mar
e a vossa recordação,
que guardarei neste velho coração.

 

FALANDO DE MULHER
Luiz Poeta – Luiz Gilberto de Barros

Como é difícil falar deste ser maravilhoso
sublime, misterioso,  denominado mulher…
Como é difícil calar um verso impetuoso,
de um poeta habilidoso que no fundo sempre a quer…

Meu Deus, como é complicado riscar um verso discreto
que fale esse dialeto dos homens, pobres mortais,
um verso bem  inspirado que  diga o que a gente sente,
por elas… que incompetentes que somos, que animais!

A mulher é tão completa, sonhadora… realista…
Que nós, os especialistas, delas não sabemos nada,
E não basta ser poeta, ser homem ou ser amante
deste ser apaixonante, desta musa tão amada…

Para entender cada gesto ou ímpeto ou devaneio…
Quem não precisa de um seio para se tornar menino?
Somos seres tão modestos diante desses monumentos
Nunca estamos desatentos ao talento  feminino.

A mulher é tão divina e o homem é tão carente…
Meu Deus, como é atraente falar de uma mulher:
Inteligente, sensível, talentosa, companheira,
Eu daria a vida inteira para tê-la… quem não quer?

Mas tê-la inteiramente: no espírito, em pensamento…
Em todo e qualquer momento e… na cama, por que não?
Afinal, o coração de um homem só é completo
Quando este ser predileto habita seu coração.

Neste momento difícil que enfrentam nosso irmãos lusos,
busco no fundo o meu baú (coração) o acróstico que fiz à nossa adorada

Pátria Mãe.
Que Deus aplaque a fúria do fogo que devora nosso amado Portugal.

ACRÓSTICO A PORTUGAL
Ary Franco (O Poeta Descalço)

Pátria amada, irmã deste meu Brasil
Orgulho-me de ser vosso descendente
Receba meu abraço, oh povo varonil!
Tenho nas veias igual sangue quente
Ufanosa terra em que nasceu Camões
Gosto deste povo acolhedor e amável
         A tradição e idioma unem nossos corações
         Ligados eternamente de forma inabalável!

OS SENTIMENTOS
Gabriela Pais (Portugal

Os sentimentos tem altos e baixos,
paixões carregadas e desapegos,
desgostos e alegrias estão afixos,
aptidão de sentir, dar aconchegos.

Sensações são como águas do mar,
umas serenas sem lamentações
ou revoltas sem se poder domar,
emotivo apaziguar de emoções.

Há dias de sol, chuva e tempestade,
gente que graceja algumas que choram,
a vida ondula com velocidade,
eis tempo e amor que males evaporam.

Sentir sem superar sonhos melhora,
perceber outros não só por metade,
encontrar o horizonte que acalora,
chegar e dar ao amor nossa vontade.

POR TI, MEU LÁBIO SANGRA
Ary Franco (O Poeta Descalço)

Na incontida volúpia de nossos beijos trocados
Mordeste minha boca com erótica sofreguidão.
No ritmo de teus ais, saciamos desejos alienados.
Sangra-me o lábio, pulsa-me mais forte o coração.

“Besame mucho” ao fundo, mais nos estimulava.
No ardor de nosso sexo selvagem, eu te sufocava.
Cingida em meus braços, arfavas assaz satisfeita,
Cúmplice de nossa mútua entrega total e perfeita.

Enfim, abres os olhos e sorris dengosa para mim.
Tanto queria eu que esta noite jamais tivesse fim,
Mas o inclemente sol já se faz imiscuir no horizonte
E arrefece nossa doce loucura agora agonizante.

Preocupada e carinhosa, acaricias-me a boca ferida.
E, sob o lençol que agora nos cobre, pedes-me perdão.
Desejo que o faças muitas vezes mais, minha querida.
Mostras a quanto vai o gozo manifesto de tua paixão!


ACENO DA ILUSÂO
Carolina Ramos (Brasil)
                                       
Se a vida é uma ilusão, também a alvura
do amanhecer que aponta com luz mansa,
rasgando as vestes de uma noite escura,
é uma ilusão vestida de esperança!

A aurora rosicler no astral perdura
por tempo breve de ilusória dança,
a alternar róseos véus de seda pura,
enquanto o mago sol no céu avança!

Amo a Ilusão! O Amor! O Sonho! o Belo!
E se o mundo se empenha em que tristonho
se torne o meu viver, eu me rebelo!

Do aceno da quimera não me esquivo!
 Sei que me iludo porque ainda sonho,
mas, porque sonho é que eu ainda vivo!

 

PROCURO-TE NO SILÊNCIO
Carlos Rodríguez (UEA)
 
Procuro-te no silêncio de meu lençol
quando cai a noite
quero romper a beijos teu corpo
entre gemidos de fogo
quero te amar

e estremeces minha insónia
com brutais paixões
encontraremos rincões ingnorados
refaremos o amor
e sentiremos o mais profundo do alma
quero amar-te esta noite…

 OUTUBRO ROSA
Marcelo de Oliveira Souza
(Brasil)

As rosas vão sendo apertadas 
Elas vão desfalecendo… 
As pétalas caindo, 
Umas dão o retorno 

Com uma espetada, 
Não podem ser maltratadas! 
Outras rosas são apertadas 
Apalpadas e cuidadas 

São tão singelas quanto… 
Ainda mais amadas 
E cuidadas, mesmo na pressão ! 
Com as mãos espalmadas 

Elas procuram atenção 
De um lado e do outro 
As rosas são atendidas 
Muitas saudáveis outras feridas…
 
Mas nunca são atingidas 
Pela foice maldita 
Quando para o autoexame 
For dirigida. 

FANTASIAS
Odir Milanês da Cunha

De fantasia era pra ser o mundo,
com matizes totais nele dispersos,
escorrendo do córrego profundo
de onde, caudalosos, fluem versos.

O sol seria um sólio vagabundo
levando a lua a campos abstersos:
o mar, sendo das nuvens oriundo,
traria à tona deuses submersos.

Os vendavais seriam como a brisa,
os dias passariam mais pausados
e das noites seriam sem divisa.

Não haveria amores mal amados.
Talvez indícios de paixões, à guisa
dos poetas pra sempre apaixonados!

OU TU, ÉS EU
Cecília Maria Rodrigues de Souza

Antes, era tudo tão belo, tão diferente,
Eu não convivia com a tristeza,
Nem sentia nostalgia ao sonhar.
Amei-te, foi só!
Um amor desejado, imenso, fugaz,
Que nasceu de repente com um olhar,
Viveu horas de alegria, sonho, fantasia,
Mas foi marcado pela saudade,
Por começar a viver
Em um dia de partida.

De tudo, restaram as lembranças
Que me impulsionam a te procurar,
Mesmo sem saber
O que fazer para te achar!

Sei que estais em mim,
Nos meus olhos, no meu sorriso,
Nas minhas lágrimas,
Na minha mente, no meu ser,
Em tudo que é meu,
Sou tu, és eu!

Tantos anos vividos e nada mudou!
Continuo sem entender, por que o destino
Insiste em nos separar, se já imortalizou
A nossa historia de amor.

ESTRANHOS NO PARNASO
Thalma Tavares

Foi ao findar-se a memorável noite,
quando do sol já se escondia a lua
e a aurora punha lampejos em nossas taças vazias, 
que eles chegaram temerosos 
perguntando-me quem eras, que poderes possuías 
que me trazias recluso em teu palácio
e prendias ao teu chão meus pés andejos?…
Quem eras tu, afinal, que em tua honra
tantas taças se erguiam
e a quem tantos como eu erguiam lumes?

E eu não lhes disse que tu eras filho do infinito
nem que nasceras de um luminoso parto sideral, 
nem que eras um semideus de espumas e quimeras
recém-chegado do mais longe da saudade.

Eu não lhes disse que teu verbo era sol
dourando o impreciso
no indeciso côncavo do ocaso,
nem que eras um lapidário de harmonias
que cinzelava cânticos e prantos, 
musas no cio e sóis incandescentes.

Não lhes disse também que eu andava seduzido
pela beleza das musas que esculpias
ao som de tua cítara divina
nem que eras menestrel do inexprimível
com um recado de amor em cada verso,
ora tocando uma viola ardente,
ora acrescendo uma lágrima urgente
às dores do universo.

Não lhes disse de como te parecias ao Cristo
quando abrias no espaço os grandes braços,
nem de como te fazias menino
cavalgando o horizonte na linha de um quadrado.

Não lhes disse que eras um sismo de montanhas,
um bramir de oceanos e um sussurro de Deus…

Disse-lhes que tu eras um poeta, tão somente…
Eles sorriram aliviados e partiram indiferentes.

O AMOR

Delcy Canalles

Hoje, algo estranho sucedeu:
Sinto vibrar acordes, dentro em mim,
e me pergunto:
O que aconteceu?

O que me faz sentir feliz, assim?
Por que há ao meu redor tanta beleza
e este desejo louco de cantar?
Até as flores têm mais realeza

 e há perfume e alegria pelo ar!
O mundo, hoje, sorri e eu sinto a vida
que antes não sentia!
Vejo poesia até no malmequer!

Quero viver e, antes não queria
e agradecer a Deus por ser mulher!
E medito, e perscruto o infinito
buscando a causa da transformação;

de repente, ouço um eco, como um grito
que vem das fibras deste coração:
-Sou eu que, hoje, cheguei em tua vida,
que, a ti, buscando, há muito tempo, vinha!

Sou entusiasmo e sonho. Sou calor!
-Mas quem és tu, ó alma irmã da minha?
-Quem sou eu? Adivinha!
Sou o Amor!

MENINO DE RUA

Edweine Loureiro (Japón)

Dormindo nos bancos,
faminto e aos prantos,
tem, no olhar,
um desencanto.

E as mãos pequenas,
tão castigadas na vida,
carregam as marcas
de uma infância esquecida.

4 comentarios en “POEMAS EM PORTUGUÉS”

  1. Tal como se ilumina este ecran ao toque tactil, também o meu espirito se iluminou com o conteúdo desta bela página poética na qual me honro de me ver representado ao lado de tantos e tão qualificados pares.
    A selecção parece-me perfeita e constitui mais um contributo de Aristos para a elevação cultural que se propôs.
    Os meus parabéns a Eunate.

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  2. Chegou-me às mãos, enviada pelo Poeta Eugénio de Sá, a edição, de novembro/2017, da Revista Aristos Internacional. Apresso-me em felicitar Eunate Goikoetxea, bem como os seletos poetas/escritores que ali inserem textos maravilhosos, pela excelência do trabalho, rico em poesia e cultura.
    Fraterno abraço!

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  3. Parabéns querida Eunate. Uma revista de poetas, onde demonstram as diversas sensibilidades e mais uma vez digo que muito me honra fazer parte dela. Parabéns para todos e abraços fraternos.

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