POEMAS EM PORTUGUÉS

 

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DESTINO
Carolina Ramos

Vai, Poeta… e recolhe na corola
que à beira do caminho se oferece,
o mistério da Vida, a suave esmola
do aroma que se expande como a prece.

Vai, Poeta… que o mundo tem surpresas!
Surpresas tantas, para quem procura
abrir a alma aos sonhos e às belezas,
de coração em festa e de alma pura!

Vai, Poeta… se o teu olhar se embebe
nas lágrimas de luz que o sol derrama…
deslumbra-te! O teu íntimo recebe
a semente do Amor, do Amor que inflama!

Esquece a dor que mora na tua alma.
Se o mundo fere, com afiado gume:
– dá-lhe em troca o desdém da tua calma!
– dá-lhe teus versos cheios de perfume!

– “Louco!” – o mundo te chama. E te castiga!
E o que te dá?! – a fome e o horror da guerra!
– Louco é o mundo! Que insano o mundo siga:
– dá-lhe o perdão e a paz que um verso encerra!

Vai em busca da tua namorada,
a vestal do infinito, a meiga Lua
– mesmo após a conquista, imaculada –
que sempre foi e sempre será tua!

Vai buscar as estrelas que no espaço
trocam mensagens, meio à noite escura!
Prende o Universo inteiro em teu abraço,
com ele esbanja oceanos de ternura!

Deixa que o ouro do Sonho te enriqueça
e hás de ter sempre um coração menino!
Vai… que o beijo das Musas tua alma aqueça!
Poeta, vai … e cumpre o teu Destino!…

O RECOMEÇO
Ary Franco (O Poeta Descalço)

No fogo cruzado de olhares trocados.
Na aproximação dos corpos ardentes.
No ardor de nossos beijos apaixonados.
No ardil de teu sorriso sensual e atraente.

Nasceu uma paixão, cicatrizando feridas.
Chagas se fecharam ao me dares nova vida .
Sobrevivente de um relacionamento desfeito.
Vítima da infidelidade de um amor suspeito.

És o lenitivo que me fez de novo acreditar
Que existe uma mulher em que possa confiar.
Crer que meu mundo não se desmoronou.
Que há um recomeço, que nem tudo se acabou!

Dá-me tua mão, teus lábios, teu acalanto,
Teus braços e abraços, teu sedutor encanto.
Dar-me-ei por inteiro a ti. Meu amor, minha vida.
Jamais me deixes, meu coração te suplica!

O AMOR
Gabriela Pais (Portugal)

O amor é um friozinho gostoso,
aquele calor molhado escaldante,
berlinde que rebola saltitante
ou motor que desliza perigoso.

O amor é rio d’ águas cristalinas,
é corrente insípida caprichosa
que segue por vereda tortuosa
ou ruma por margens diamantinas.

É mar que afaga sirenas sorrindo,
quando se dissemina com deleite,
ora perturbação sem que respeite,
o sossego das ondas iludindo.

O amor é brisa suave que amima
ou tufão que quebra toda a razão,
é pássaro que na aragem se arrima
ou fratura as asas e o coração.

 DESPEDIDA
Amilton Maciel Monteiro

Já estou me despedindo desta vida,
pois sei que está chegando ao seu final…
Depois de uma existência tão comprida,
ter que partir é coisa natural…

Aqui vai meu adeus, gente querida;
não quero ninguém triste… Que, afinal,
não fujo de algo mau e que a partida
reflita o meu viver, sempre cordial.

Se acontecer que eu chore em meu adeus,
amigos, não será por sofrimento;
é só a expressão dos sentimentos meus…

E os últimos suspiros e abalos,
se eu os tiver, serão só de lamento
pela pena que eu sinto por deixá-los!

FALAR DE AMOR
(Dueto Carvalho Branco -Eugénio de Sá)

Falar de amor…Com que voz?
Com os lábios de Iracema?
Com o silêncio dos sós?
Com o escuro do cinema?
Com os versos de um poeta?
Ou com paixão bem concreta

Falar de amor sob a lua
que acoberta enamorados…
Dizer “meu homem, sou tua!”
e viverem abraçados…
Será sonho de verão?
Será quimera, ilusão?

Falar de amor, madrugada,
voando os dois pelo éter,
vivendo nessa escalada,
sonhos de amor de Deméter…
Quando vem chegando aurora,
a solidão os devora!

Falar de amor?… Compaixão!…
Amor é pra ser vivido,
se sentido em coração…
De palavras é despido,
não é meio de expressão,
ele é todo doação!

Falar de amor, eu me atenho,
amor é fonte da vida;
é chama, é aceso lenho,
que aquece e nos dá guarida.
Vão-me as palavras ao vento,
mas amor é por Deus bento!…

FALAR DE AMOR
(Eugénio de Sá)

Não sei se falar de amor
Possa ser mais sublimado
Se cantado com ardor
Correndo as veias de um fado
Ou fazendo-nos sonhar
Num poema declamado

Camões a ele se referiu
Por ele morreu Dona Inês
E a dor que a Tristão cingiu
Fê-lo morrer outra vez
Que de amor também morremos
Se de nós tudo lhe dermos

Mas amor é tudo é nada
É em nós um alvoroço
Que nos toma pla calada
E nos aperta o pescoço
Como cordame de proa
Que ora folga, ora magoa

Amor é fogo sem fumo
Que arde em nós sem nos queimar
E que nos deixa sem rumo
Remexe sem molestar
Ave que voa na bruma
Rasando as ondas e a espuma

É bem que se expõe à lua
Buscando as sombras e a luz
Em alternâncias divinas
Benditas pelo Bom Jesus
Qu’isto de amar vem de Deus
Por isso Ele nos fez tão Seus

ORAÇÃO DO CEGO
Delcy Canalles (Brasil)

Senhor,
eu agradeço a vida que  me deste
e a riqueza interior ,que trago em mim.
Sem a visão, Senhor, Tu me fizeste
e eu agradeço a vida, mesmo ,assim !

Apesar desta  eterna  escuridão,
eu posso ouvir, posso falar e andar…
E nada há melhor que um coração,
capaz de amar, sentir e palpitar!

Senhor, esta cegueira que carrego
é  física, é, apenas, aparente,
pois, Tu, desenvolveste os meus sentidos,
e eu posso ver, de forma diferente !

Há pessoas que não têm tanta riqueza,
Embora, a tudo, possam enxergar
mas não veem, como eu, essa  beleza,
que a natureza está a lhes mostrar!

Elas são cegas, todos nós sabemos,
pois cego é todo o ser que não quer ver.
E, nós, Senhor, chamados cegos, vemos
e te louvamos para  agradecer!

SALMODIANDO
Thalma Tavares (Brasil)

Eu trago em mim um cântico proscrito,
diverso dos que fiz com euforia.
E como o querem cântico maldito,
novo verso lhe empresto a cada dia.

E enquanto eu canto noto o olhar aflito
dos que me ouvem com hipocrisia.
Mas quando elevo a voz ao infinito
minha lira não plange, salmodia.

E o meu canto se faz mais eloquente
clamando para que todo vivente
tenha pão, tenha vida em abundância.

Espero então, meu Deus, que o mundo entenda
que este canto de amor descerra a venda
dos olhos desumanos da ganância.

MEMÓRIA
Professor García (Brasil)

Esta dor que me fere e me magoa
Quando lembro da minha mocidade,
Nem me importa, que a dor, tanto me doa,
Se doendo não cura esta saudade.

Melancolicamente eu vou lembrando
De saudade em saudade eu vou vivendo,
Mas não posso esquecer de quando em quando
Que em teus braços, aos poucos vou morrendo.

Nesta luta sem trégua, em desatino,
Eu me agarro nas rodeas do destino
Dos arquivos ingratos da velhice,

Mas não posso esquecer que fui criança,
Guardarei para sempre na lembrança
A saudade feliz da meninice!

 

 

2 comentarios en “POEMAS EM PORTUGUÉS”

  1. A Marimba
    .
    .
    Geme tua nota, minha lira
    tem aroma de madeira,
    em teu som meu sangue delira
    como eterna primavera,
    de uma terra frondosa!
    .
    Une tua força a minha pena
    com teu ritmo misterioso,
    em sonoro eco de céu
    peregrino e melodioso,
    seu toque é precioso!
    .
    Alma indígena e fecunda
    berço do Qeutzal: O ala[ude
    leva alegría ou profunda
    melancolia de ataúde,
    e pela marimba, saúde!
    .
    Tu, a de luz andorinha
    iluminas os guisquiles
    e toda a casta chapina
    em tapete de guipiles,
    dos Maias e Pipiles!
    .
    És pão de justiça
    Eco de concreto, a origem
    marimbeiro e a delicia
    de teu registro aborígene,
    por teu trino te elegem!
    .
    Mais além da humana
    sinfonia, em seus abraços
    que a música emana…
    à alma faz em pedaços,
    ou ilumina seus ojasos!
    .
    Amo banhar-me em teu arroio;
    Sonhar teu épico teclado
    monórrimo grito crioulo,
    do som derramado,
    ao ouví-la…..eu, havia chorado!
    .
    A fitei em seus olhos
    alegría de chirimía
    vibrar, e com seus caprichos
    fazer, marimba minha,
    mágica melancolia!
    .
    Amas que me durma em teu arrulho
    de música e violino
    e adormeço em teu murmúrio
    que inunda todo o planeta
    talvez, porque sou poeta ¡

    .
    .
    Dr. Rafael Mérida Cruz-Lascano
    “Hombre de Maíz 2009”
    Guatemala. C. A.

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  2. En esta Sección, alentar gozosamente los trabajos publicados en idioma portugués. Idioma que desconozco en profundidad suficiente como para abrir honesto juicio sobre los mismos. El idioma es una suerte de canto del hombre, de tonada vibratoria, que exige para su debida comprensión no sólo el conocimiento de su gramática y/o sintaxis, sino la consustanciación plena con el ethos cultural que lo engendra en modo singular y comunicativo.
    Gracias, querida Eunate por recoger en estos vates el ritmo y cadencia de la lengua de Luís de Camôes. Quizás el amigo Eugéni de Sá pueda contribuir con su noble y justa mirada, a ofrendar una crítica literaria adecuada a este hermoso capítulo de ARISTOS INTERNACIONAL.

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