POEMAS EM PORTUGUÉS

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EM BUSCA DE TI
Ary Franco (O Poeta Descalço)

Este luar que agora me prateia
É o mesmo luar que me pranteia.
Todas as noites vagueio a tua procura
E sem ti chego às raias da loucura.

Rasgo brumas nevoentas, tresnoitado.
É este afã que me mantém acordado.
Cada esquina dobrada é uma esperança.
A paixão me impele, mas não te alcança.

Sei que és amante da boemia noturna,
Mas para mim vales imensurável fortuna.
Inda que sem teu amor, quero de novo te amar.
Sigo com a desdita de procurar sem te achar.

Se amanhã te encontrar, sem qualquer rejeito,
Sem maiores reservas, ter-te-ei em meu leito.
Submissa, indiferente, deixarás que te afague
E poderei novamente possuir-te, desde que te pague.

DE NOVO, AS TREVAS
( Entrelace )
Eugénio de Sá  / Humberto – Poeta

De inquisidor poder é feita a ditadura
Quando se empunha um báculo despótico
E aos gritos se invoca um deus neurótico
P’ra se impor a livre-arbítrio uma escritura!
 
Ao se suporem do universo o centro,
fazem do engodo seu apostolado,
sempre a empurrar-nos, tímpanos a dentro,
falsos mitos de um credo superado!

Assim se lembra a medieva idade
Que das trevas foi tida e historiada
E dela não ficou d’ injustiçada
A memória cruel da cristandade!

Faz-se a Igreja de omissa e de esquecida
de sua mais hórrida e venal tragédia:
os mártires aos quais ceifou a vida
nos fogareiros vis da idade média!

Outros tempos são estes entretanto
Vertidos das raízes do passado
Que longe de o manterem relegado
Repetem dos insanos o seu canto!

Judeus, espíritas e muçulmanos
sofreram as torturas mais horríveis
enquanto os cardeais, nédios e ufanos,
aos rogos se alheavam impassíveis!

Plo Islão surge agora essa chamada
E em seu nome os novos mentecaptos
Querem dizer ao mundo que estão aptos
A empenhar na morte a horda alienada!

O que comete tais atrocidades
e instrumento se faz de tal sandice,
mascara os livros sacros de inverdades
dizendo coisas que Deus nunca disse!

Do oriente médio ao novo mundo
Propagam-se explosões e barbarismo
Dos que se dizem deuses d’altruismo
Mas dos demónios são solo fecundo!

São lendas que procedem de um contexto
que afirmam registrado no Alcorão!
Mentira, pois Alá, em nenhum texto,
nos incita a matar o nosso irmão!

No torpe engano os jovens são lançados
Neste troar de vozes p’la razão
Manipulados por falsa devoção
jorram sangues em vão, despedaçados!

Versados nas teorias do Talmude
Dele supõem já ter violado os lacres
E incitam a sua ingênua juventude
à vil carnificina dos massacres!

E os tantos que morrem inocentes
esbulhados da vida e das entranhas
são carne pro canhão das vis façanhas
deste bando inaudito de incoerentes!

Toda uma mocidade promissora
que Deus fadou aos mais fraternos atos
fica à mercê da sanha destruidora
dessa grei de assassinos e insensatos!

Pobre, este mundo que não tem emenda
E desaprende com facilidade
Que o horror traz horror e mortandade
E não repõe justiças pla contenda.

Mas quem da Bíblia e do Alcorão faz messes
das mais diabólicas cavilações,
precisam muito mais das nossas preces
que das nossas acerbas maldições!

 

RARA SEDUÇÃO – Luiz Poeta – 

No sonho que te sonho tu passeias…
Bucólica, vestida de luar
Diamantes cintilando nas bateias
Do céu… e eu perdido em teu olhar.

Enfeitas meu amor com teu sorriso,
Teu riso desafia a alma da flor
Que brota nos jardins do paraíso,
Narciso até te olha… com amor.

No sonho que te sonho, tu me fitas,
Bendita com teu jeito de princesa…
Afago os teus cabelos…não me evitas,
Bonita…enfeitando a natureza…

Afetuosamente tu me tocas,
Evocas mansamente meus desejos;
O orvalho nos meus olhos não retocas,
Preferes completar-te nos meus beijos.

A fonte cristalina te espelha
Querendo te sentir sem te tocar,
A árvore mais forte se ajoelha,
Na intenção de mais te admirar…

As flores se abrem à tua passagem,
São pajens do esplendor que tu possuis;
Teus gestos se completam na paisagem
E aos poucos nos meus sonhos te diluis.

Então, com o mesmo amor que te criara,
Na avara intenção de te amar,
Construo, na emoção que te repara
A rara sedução de te sonhar.

MULHER

Mulher, etéreo óleo-sobre-tela,
Pintura em tons seletos de harmonia;
Aplausos ao pintor, na maestria
Do uso do pincel que a faz mais bela!

No corpo, um escultor bem a revela:
Suaves ondulações em simetria;
Sua alma, altar da dor e da alegria,
Embala uma oração doce e singela…

Aroma bom de mato e de pureza…
Um ser de  amor, regado a emoção…
Rainha em meio aos bens da Natureza…

Mulher, tu és a mais sensual canção,
Cantada em poema cheio de beleza,
Pelo poeta, no tom do coração!

Regina Coeli Rebelo Rocha
Brasil

SER ÁGUA

Às vezes sou água transparente
que brota do cio da mata
modesta forma, nascente
que devagar se dilata.

Às vezes sou água espraiada
que passa desavisada
e recebe rejeitos, dejetos
ao cruzar caminhos de concreto.

Às vezes sou rio que desaba
que se acaba na cachoeira
mas se refaz e corre
rio que cai não morre
na ribanceira.

Mas sempre, sempre
sou água do mar
porque o fim de toda água
é se deixar ao vento
e ondular.

Eliana Ruiz Jimenez (Brasil)

HÁ CERTOS MOMENTOS NA VIDA…

Tem certos momentos na vida da gente que queremos um amigo…
Um amigo de verdade…
Um amigo capaz de amar
para que saiba ouvir,
entender,
partilhar,
ajudar.
Há certos momentos na vida que precisamos de carinho…
Um abraço demorado…
Envolvente…
Confortante…
Pleno.
Ah, aquele amigo alto astral, cheio de energia vibrante…
Que cante uma canção ao pé do ouvido…
Que fale tudo sem dizer nada…

Que não se canse do silêncio…
Que acorde nosso sorriso
e faça adormecer a solidão…
Que se apaixone pela nossa presença…
Que se case com nossa confiança.
Um amigo que atravesse nossa transparência
e mesmo assim diga:
– Eu te amo, estou contigo para o que der e vier!

Dáguima Verónica( Brasil)

UM MINUTO DE SILÊNCIO
Thalma Tavares

Peço a todos um minuto de silêncio
pelas árvores que tombam
nas florestas dizimadas
em nome da ganância
e de um progresso irresponsável.

Façamos um minuto de silêncio

 pela morte da vergonha,
pela morte do amor,
pela justiça e pela urbanidade
falecidas no coração dos homens
que do alto de suas tribunas
dizem o que não sentem,
o que não sabem e o que não querem.

Um minuto de silêncio
pela falência das leis que não impedem
a destruição da natureza,

que não impedem a violência urbana
nem a corrupção dos costumes
e não garantem a segurança
nem a paz dos que trabalham. 

Um minuto de silêncio pela utopia
em que os poderosos converteram
a paz social e a democracia.

Façamos silêncio pela morte de Deus
no coração dos que governam,
pela ternura humana que todos os dias
morre um pouco em nossa própria casa
quando as rajadas da violência
devastam o vídeo de nossos televisores.

Façamos silêncio pela indiferença,
pela passividade e pela covardia
com que assistimos à morte destes bens
sem coragem de agir para evitá-la.

Façamos silêncio

pelo provável passamento deste poema
cuja mensagem, daqui a algumas horas
será sepultada sob a laje da indiferença
dos homens sem memória.

Um minuto de silêncio, senhores!
Vamos deixar que passe,
com o pouco do sentimento que nos resta,
o cadáver do respeito próprio
que caba de falecer dentro de nós.

PENA
Eu tenho pena de quem não tem pena
de ver penar a quem penar merece,
porque a piedade é dádiva serena
que abranda o orgulho,  enquanto à alma aquece !
 
Quem não tem pena e ao pecador condena,
antes que o próprio Deus perdão lhe desse,
 tão pobre tem a alma e tão pequena,

que a divina bondade desconhece!
Deus é a Verdade! É o Verbo que decide! 
E quem deve pagar há de pagar no dia
desse acerto final que ações divide!

E eu tenho pena, sim, desse coitado,
que condena, sem pena e, que ironia!,
talvez sem pena venha a ser julgado!

Carolina Ramos
Brasil

INVASÀO

Qual poderosa esquadra de fragatas,
Tu aportaras em terra sem defesa;
sorrateira …roubastes de surpresa
A paz que havia em minhas serenatas.

Minh’alma que entoava altas sonatas,
Hoje, embala vil pranto de tristeza…
Mas carrego comigo,em riste, acesa
Uma fé que afugenta almas ingratas.

Sucumbi … fui refém dos teus gracejos,
ancorado ao perfil do teu sorriso!
Mas fostes a represa dos desejos

Na bravia maré dessa vontade.
Quem me dera sonhar com o paraíso,
perfazendo ao teu lado outra metade!

Herbete Felipe Souza

1 comentario en “POEMAS EM PORTUGUÉS”

  1. Feliz ao ver meu singelo poema «Em Busca de Ti» ladeando com insignes e nobres Poetas, aos quais felicito.
    Agradeço à nobre amiga e insigne Poetisa Eunate esta honra a mim deferida.

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