POEMAS EM PORTUGUÉS

 

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Resiliência humana
Eugénio de Sá

Contar o sonho em verso, que beleza!,
Que não pereça o que há melhor na gente
A vida é muito mais que o pão na mesa
É enxergar pr’além do evidente
Tal as células que as feridas regeneram
Também em nós sempre nascem viçosas
Novas esperanças que tudo superam
Verdes vontades firmes e ardorosas

E assim o ser humano revive e se avigora
Encontra em si insuspeitado arroubo
Que lhe devolve a força agregadora

E esquecidas as dores do inditoso improbo
Folga-lhe a alma, e logo volta a aurora
Aventureira e livre, como a sente o lobo.

JARDIM CELESTE
Ary Franco (O Poeta Descalço)

Se pudesse, trocaria as flores do meu jardim.
Orquídeas, rosas, margaridas, cravos, jasmins.
Todas por estrelas, formando uma constelação.
Entre elas andaria, afagando-as com as mãos.

A mais brilhante daria à minha eterna amada.
Com outras mais, alumiaria caminhos escuros,
Corações tristes e as trevas de almas penadas.
Clarearia mentes e pensamentos escusos.

Muitas daria para os meus como estrelas guias,
Para orientarem o rumo a tomar em seus dias.
Outras mil distribuiria pela nossa humanidade,
Unindo a todos, sob suas luzes, numa irmandade.

Mas, admirando-as espalhadas pelo firmamento,
Este desejo insano fenece em meu pensamento.
Que brilhem onde estão; onde Deus as colocou,
Junto a outros astros que ELE divinamente criou

Volto ao jardim e parecem-me mais belas as flores.
Elas perfumam meu caminho e orlam-no em cores.
Orquídeas, rosas, margaridas, cravos, jasmins.
Permaneçam comigo! Jamais se afastem de mim!

 O MEIO AMBIENTE
Amilton Maciel Monteiro
O assunto do momento é a Ecologia
e o estrago que se faz ao meio ambiente,
com toda a poluição que noite e dia
corrompe o nosso mundo incrivelmente.

Ao ver a natureza em agonia,
nas várias partes deste continente,
talvez saiamos dessa letargia
em que dormia quase toda gente!

E diante o mal causado ao gás ozônio,
pretende-se conter o pandemônio
que assustará o mundo em poucos anos…

Agora falta ver quem paga a conta,
pobres e ricos acham alta a monta…
Mas, se esses planos falham… Ai dos danos!

FLORESTA
   Cema Raizer
Na infância convivi
com a floresta…
Senti o cheiro da terra
Respirei o ar mais puro
Ouvi sons da natureza…

Curiosa e muito feliz
subia nas arvores para ver aves
em seus ninhos
alimentando os filhotes…

Colhia frutas silvestres
Admirava flores exóticas
A floresta era um outro mundo
Pra lá de encantado…

Nela eu me abrigava
do sol e da chuva
Sempre achando
que floresta não tinha dono…

Sustetada pelas raízes
enfeitava e protegia meu mundo
Acreditava que a floresta e eu
viveríamos pra sempre…

 Música… meu sol!
 Carolina Ramos – Brasil

A música e a alma! – Eis, a união perfeita,
sem que exista  maior, desde que a vida é vida!
A música, ao nascer, já tem destino … é eleita
para encantar quem chega… e  abençoa-lo à partida!       
Se a música morresse… a magia, desfeita,
tornaria a existência amarga e mais sofrida
sem o bálsamo amigo e sem a ideal receita
que cura qualquer mal… ou mágoa indefinida!

Se chove dentro em mim… sem que chova lá fora,  
tenho a música – um sol, fiel, à minha espera!
…Afago o meu piano… as notas, ganham cores,

a consolar a dor de um coração que chora!
– E, ao sol, que me devolve a luz da primavera,
desnuda-se minha alma… envolta em sons e flores!

AGUARDE A VEZ…
Carlos Alberto Cavalcanti

Aperreado, a ponto de um chilique,
o miserável chega ao hospital,
enfrenta fila, sol e temporal,
sem que alguém um remédio lhe medique.

Resmunga, tosse um bafo de alambique,
remexe o bolso, pega um Sonrisal
para escapar da crise do pileque
e da indigesta espera matinal.

Por depender do SUS, pira, suspira
impaciente e pálido na fila;
desconfia não ser levado a sério.

Desiludido, logo se retira,
diz impropérios, pega sua mochila,
vai se acampar de vez no cemitério

MEU IDEAL
Fábio Siqueira do Amaral

Olhei-me no espelho,
nos reflexos dos meus olhos,
e fiz com que minhas idéias
falassem aos meus ouvidos
dos seus desejos sinceros. 

E elas disseram: 

Quero ter as mãos tão fortes
para prender uma outra
que se estende,
como para soltá-la
quando desejar ser livre. 

Quero ter no coração
um amor tão ardente,
sem nenhum preconceito
ou distinção,

mesmo tendo em mente
o troar de mil carrilhões
e o bimbalhar de vozes doentes. 

Quero ser uma luz
para iluminar caminhos
dos que pretendem
um vôo infinito
no infinito universo
mesmo que depois
minha luz se ofusque
com o roçar das asas
de minha criatura

Quero ouvir
quando me chamarem…
Quero sentir
quando sentirem…
Quero estar
onde me buscarem… 

Quero ser o complemento
a tudo aquilo que falta
estando sempre
mesmo sem ser lembrado.

Quero ter meu espírito
sempre calmo no meu corpo
de tal forma que nunca temerei
olhar-me os olhos num espelho
e perguntar às idéias
quais são meus secretos desejos.

Quero lágrimas
    Cristina Cacossi – Bragança Pta

Quero lágrimas que caiam e fecundem
a porção do bem que está por vir
lágrimas que caiam e lavem
as mentiras, as falcatruas
que caiam e purifiquem
a intenção guardada
caiam e eternizem
rios de amor
e divulguem
a verdade
mostrem 
o rumo
vicem
a vida.

Os dois, à uma !
Eugénio de Sá
Para o seu irmão de coração, Luiz Gilberto de Barros (Luiz Poeta).
Escrito às 10 horas da manhã, em Lisboa, a 17 de Março de 2014

Ambos somos cultores da Lusa verve

Que tanto amamos, e tão intensamente
E sentimos no sangue que em nós ferve
A nobreza da estirpe dessa nossa gente.

Sentimos, meu irmão, que este oceano
– mesmo em diferentes margens plantados –
Ama que o poetemos, mano a mano
E louvemos o amor d’ambos os lados.

Ecoa plas arcadas desta bela praça
– que Dom José domina a bel prazer –
O aplauso português à tua nobre raça;

A linhagem que trazes no teu Ser
De poeta maior, da herdada graça
Que te assiste a vontade e o saber
 

À bênção, Portugal
Luiz Poeta – Luiz Gilberto de Barros
Às 22 h  do dia 17 de março de 2014 do Rio de Janeiro, Brasil,
para o meu amado irmão português Eugénio de Sá.

À bênção, Portugal, tu que me deste,
Entre tantos irmãos, de casta lusa,
O luso cavaleiro que se veste
Do amor à língua mãe, mais mãe que musa.

À bênção Portugal por este irmão,
Fidalgo da palavra e da poesia,
Que um dia diluiu seu coração
Na emoção que  move a fantasia.

À bênção, pelo grande timoneiro
Eugénio, que num dia especial
Tornou-se o mais nobre mensageiro

Do amor mais verdadeiro e fraternal
Deixando em mim… e em cada brasileiro
Que o leu… a voz do amor de Portugal.

 

QUEM SABE
Amilton Manciel Monteiro

Eu não desejo mais cantar o amor,
pois creio que o cantei até demais;
por isto deixem-me cantar a dor,
talvez, assim, acalmarei meus ais.
O amor eu canto desde o meu alvor,
tal qual os passarinhos nos ninhais,
os quais encantam muito observador
ao ver o amor vibrar entre animais…

Comigo, infelizmente, não deu certo,
já que cantei, cantei de peito aberto,
e o meu amor jamais apareceu…

Quem sabe, ó Deus,  se agora eu só cantar
as dores da alma, que vão me matar,
o amor virá… Se ainda não morreu!


A NOITE DO POETA 
Thalma Tavares

A noite é catedral onde o silêncio reza.
E eu sou caminheiro do sonho
num país de penumbras.
Tenho a fascinação
do mistério das sombras
e a cada crepúsculo sinto
adolescer mais um poema. 

A noite invadiu-me por inteiro
e criou raízes em meu ser.

Meu amor é uma árvore de estrelas
bordando o chão enluarado
de caprichosas rendas.
Então vem o Sol, operário de fogo,
e rouba de meus olhos
pedaços de minha noite.
Assim, haverá sempre uma saudade
de ramos estiolados e dispersos
sob um sol sem poesia. 

E surgirá o dia a nos brindar
com seu buquê de angústias,
seus monstruosos ruídos
e eu me chamarei tristeza
a desejar mais um ocaso. 

Mas em breve, eu sei,
um crepúsculo no horizonte
anunciará a noite com seus silêncios,
seus mistérios, solidões e nostalgia.

E a noite, então, se faz
a catedral onde o silêncio reza…
E é lá que a inspiração pula do peito
e tange o bandolim da fantasia.
E eu, acordando de um tédio ensolarado,
juntarei os meus ramos dispersos,
cortejarei a lua e as estrelas
e serei novamente poesia…

 DOIS DESTINOS
Professor García

Se o destino cruzou nossos caminhos,
E traçou retilíneas paralelas,
Seguiremos nas trilhas dos sozinhos
Eu e tu, todos dois, escravos delas. 

Nossos sonhos repletos de carinhos,
Tantas juras de amor, puras tão belas,
Serão hoje contadas noutros ninhos
Ou nas telas de lindas aquarelas. 

Quando tu me juraste eterno amor,
Não pensei que o destino traidor
Tinha feito de nós dois peregrinos, 

Dessas juras de amor que segredamos,
Resta apenas do pouco que guardamos
as saudades sem fim dos dois destinos!

 

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