POEMAS EM PORTUGUES

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NÃO ME PERGUNTES

Ary Franco (O Poeta Descalço)

Se apenas em um único dia, deixei de te amar!
Se ainda lembro de ti e lamento teu afastamento.
Se choro noites insones, contigo no pensamento.
Se espero que um dia resolvas para mim voltar.

Se lastimo tua partida, sem um adeus sequer.
Se lembro da noite que, de moça te fiz mulher,
De  nossas loucuras de amor vividas no passado.
Se ainda sinto o mel de nossos beijos trocados.

Se só a saudade me faz companhia na solidão.
Se o brilho de tua imagem ilumina a escuridão.
 Se em meio à noite fria faz-me falta o teu calor.
Se hoje ainda te adoro com redobrado ardor.

Se choro com a falta daqueles teus carinhos.
Se me sinto um errante perdido no caminho.
Se inda és a musa de meus sonhos doirados,
Protagonista desse romance ora acabado.

Se é imensurável o tamanho de minha paixão,
Esta paixão que mora em meu pobre coração.
Se espero que não tenhamos chegado ao fim.
Que num amanhã tenhamos voltado, ENFIM!!

DUETO

 LUIZ POETA Y EUGENIO DE SÁ

FUGITIVOS
Luiz Poeta

Na tela plana da TV, tão colorida,
no para onde do não sei, eles se vão…
a solidão, por ironia, lhes dá vida;
cada um deles só quer ser um cidadão.

Eles são nômades sem ser, pois são forçados
a abandonar a insegurança de onde moram,
levam os filhos e a esperança… alguns trocados
e o silêncio de uma dor que sempre choram.

É um novo tempo obscuro, cuja luz
está nos olhos e nas mãos que alguns estendem;
cada um deles vai levando sua cruz
a intenção de ser feliz é o que eles vendem.

Buscam na pátria mais fraterna que os acolha,
qualquer trabalho, proteção, cidadania…
soterram sonhos… afinal, não têm escolha…
são – de um painel – uma cruel fotografia.

Quando eu os olho, minha lágrima mistura
toda ternura que me dou… choro seu pranto…
minha palavra é um migrante que procura
Só um lugar para curar… meu desencanto.

E assim eu faço da metáfora, meu grito
Mais solidário, mais humano e fraternal,
Tomando, para mim, a dor de um povo aflito
Que quer apenas…simplesmente…ser igual.

BANDIDOS DO LEVANTE
Eugénio de Sá

Chegam em barcos, como os argonautas
Roupa em farrapos, corpos regelados
E não há sons de harpas nem de flautas
Mas gritos dos que morrem afogados

E os que na borrasca não soçobram
Pisam em terra e olham para os céus
Agradecem vergados, e redobram
Nas graças a Allah, que é o seu Deus

Entre eles vem gente apavorante
Disposta a espalhar morte e terror
Afirmando ser Deus o seu mentor

Mas como pode um Ser feito de amor
Inspirar atropelos de tal montante
Aos bandidos malditos do Levante?

22.Dez.2016

QUANDO  MEU SORRISO FALA

Luiz Poeta

Se eu te amo e minha boca silencia,
Meu olhar, contrariando o meu receio,
Grita anseios, produzindo a fantasia
Que repousa dentro do meu devaneio.

Tenho o tema, o coração e a vontade,
Mas o  grito sufocado não permite
Que eu liberte esse desejo que me invade
E sussurre  que te amo… ou que te grite.

No dilema entre a voz e o fitar-te,
Meu olhar transforma a emoção em arte
E  uma lágrima sublime que resvala

Pinta a  tela dos meus lábios onde o riso
Reproduz o sentimento mais preciso
Dos meus olhos, quando o meu sorriso fala.

Sextilhas
Ensaio sobre a tristeza
Eugénio de Sá

De estio vestiu-se o dia e eu gelado
Implacável a dor manteve-me acordado
Até que com promessas de calor
O sol vem sacudir-me a letargia
Mas esta mão inerte nega a guia
Do meu frio coração morto de dor

E assim renego o verso salvador
Que a tristeza é demais e o desamor
Inda me zurze a alma desumano
Fustigando-me a esperança envergonhada
De nada serve quere-la alevantada
Na frustração lhe pesa o desengano

Horas passam imunes à razão
Que teima que a poesia é solução
Na tarde já emerge o sol poente
E o olhar volta a cair na pena
Mas a dor inda não é pequena
P’ra que me dote o gesto tão dormente

Cai a noite e o seu manto estrelado
Cobre de brilho novo este meu fado
E a mão ligeira como por encanto
Faz alçar-se da mesa a pena leve
Que desliza num verso inda que breve
Para contar a história deste pranto

Prof. Garcia
(Caicó-RN)
Glosando José Lucas de Barros (Natal-RN)
José Lucas de Barros:

QUANDO NÃO HOUVER MAIS FLORES,
NEM CANTO DE PASSARINHOS,
QUE SERÁ DOS TROVADORES
NA SOLIDÃO DOS CAMINHOS?

QUANDO NÃO HOUVER MAIS FLORES,
Perfumes nos roseirais,
Nossos poetas cantores
Não cantarão nunca mais!

Sem verdes jardins nos campos,
NEM CANTOS DE PASSARINHOS,
Meus poetas pirilampos
Vagarão tristes, sozinhos!

Sem poetas sonhadores,
E a natureza completa,
QUE SERÁ DOS TROVADORES
E dos sonhos do poeta?

Ante a natureza morta,
E os poetas sem seus pinhos,
Quem será que nos conforta
NA SOLIDÃO DOS CAMINHOS?

A UM JOVEM SUICIDA 
Thalma Tavares
(Brasil)

Pela porta entreaberta o velho pai assoma.
Olha triste, em silêncio, a família e a casa.
E em soluços explode a dor que ele não doma,
o mal contido pranto, a lágrima que abrasa.
A todos, de um só golpe, o sofrimento arrasa.
Inconsolável mágoa a casa inteira toma.
Parece que a tristeza, enfim, deitou sua asa
sobre um lar onde a paz era único idioma.

Tempos depois passou a dor e o desconforto.
Mas do pai, que abraçou um dia o filho morto,
como eterno castigo a dor não se apartou.

Ficou-lhe na lembrança – e pela vida inteira –
a débil voz do filho e a queixa derradeira:
– Estou morrendo, pai!… A droga me matou!

BATISMO

Humberto Rodrigues Neto

Presa, ainda, a um contexto radical,
prega a Igreja, num quase fatalismo,
que a mancha do pecado original
só se apaga no rito do batismo.

E afirmam seus ardentes corifeus,
que tal norma nos veio das alturas,
e está expressa na voz do próprio Deus
que  nos fala através das Escrituras!

O que crê no vazio desse aranzel,
às dúvidas que tinha se omitiu:
não leu “dezoito-vinte” de Ezequiel,
ou distraiu-se e nem sequer o viu!

Diz ele: “O que pecou, raciocinai,
há de esmoer-se em dores e empecilhos;
do filho o mal não cobrarei ao pai,
nem o mal deste imputarei aos filhos”!

ORAÇÃO DO CEGO

Delcy Canalles

Senhor,
eu agradeço a vida
que  me deste
e a riqueza interior
que  trago em mim.
Sem a visão,
Senhor ,
Tu me fizeste
e eu agradeço a vida,
mesmo ,assim !
Apesar desta eterna
escuridão,eu posso ouvir,
posso falar
e andar…
E nada há melhor
que um coração,
capaz de amar ,
sentir e palpitar!
Senhor,
esta cegueira
que carrego
é física,
é ,apenas, aparente,
pois,Tu, desenvolveste
os meus sentidos,
e eu posso ver
de forma diferente !
Há pessoas que não têm
tanta riqueza,
embora possam tudo
enxergar,
pois não veem, como eu,
essa beleza,
que a natureza
está a lhes mostrar!
Elas são cegas,
todos nós sabemos,
pois cego
é todo o ser
que não quer ver.
E, nós, Senhor,
chamados cegos,
vemos
e te louvamos
para  agradecer!

MEU MAR, MEU PARAÍSO…

Gislaine Canales

Águas azuis, areia, praia, mar
e um lindo sol, surgindo no infinito,
que docemente as águas vem dourar,
deixam meu paraíso, mais bonito!

Feliz, eu lanço ao mar, em meu sonhar,
um barco de esperanças, quase um mito,
e, então, consigo vê-lo a navegar,
num pranto de emoção, e alegre, o fito!

Vibra meu coração descompassado,
a boiar nesse mar só de alegria,
onde todo o ruim, foi afastado!

Esse mar, ora azul, ora dourado
serviu de inspiração a esta poesia
e em seus versos ficou eternizado!

Paz
Carolina Ramos

Eu quero a Paz de amar a toda a gente,
de ter amigos leais e, simplesmente,
poder cantar e não sentir vergonha
por ver ao meu redor o amargo tédio,
os sonhos que agonizam, sem remédio,
e o pranto que é escondido numa fronha!

Não quero a Paz do ilhado que, em si mesmo,
enterra o espinho recolhido a esmo…
nem quero a Paz das dúvidas caladas!
Desdenho a Paz cruel feita de medos,
que amarra pulsos… tranca em vis segredos
os anseios das almas conformadas!

Quero a Paz conquistada a cada instante!
A Paz estímulo que diz: – Avante!
Não, a Paz das renúncias doloridas…
Paz da omissão covarde que se oculta
no ricto de um sorriso, Paz que insulta
os passos sem porquês de tantas vidas!

Não quero a Paz tristonha e silenciosa
da derradeira pétala da rosa,
que entregue à brisa, sem destino, seca.
Eu quero a verde Paz das verdes folhas,
que sombra distribuem sem escolhas,
ao pobre, ao rico, ao justo… e  ao que mais peca!

Desejo a Paz do mar que beija a areia…
A Paz de crer que a vida não é feia!…
A doce Paz com gosto de esperanças,
que se partilha e jovialmente rola
de mão em mão – qual colorida bola
de um inocente jogo de crianças!

Anseio a Paz serena do Poeta!
Utópica e total! A Paz completa
que vai além da vida… sem ser morte!
A Paz que desconhece  os desenganos,
que valoriza os méritos humanos
e ao trabalho enobrece e dá suporte!

Paz de crer que o Amanhã, sonhado, existe!
E que o mundo é feliz… e não mais triste
o irmão abraça o irmão, fraternalmente!
Eu quero a Paz do ideal, o mais sagrado,
que é ver o mundo inteiro congraçado
na  PAZ feita de AMOR… de AMOR, somente!…

 

3 comentarios en “POEMAS EM PORTUGUES”

  1. Honrado e agradecido em mais uma vez ter um poema de minha autoria, publicado na conceituada revista LUNASOL.
    Que as digníssimas e eméritas Poetisas Cristina Olivera Chávez e Eunate Goikoetxea, continuem por muitos anos levando a cabo a realização deste ideal para gáudio de todos nós.
    Forte e fraterno abraço a todos os Poetas também contemplados com essa honraria.

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  2. Eis mais uma edição poética da LunaSol que reputo de grande qualidade, e na qual, honrosamente, vejo incluído o meu trabalho. Cumpre-se assim a manifesta vocação desta prestigiosa publicação internética; a de servir a causa da literatura e da poesia de raíz lusófona e hispânica.
    Os meus veementes parabéns às responsáveis; as minhas ilustres amigas Eunate Goikoetxea- y Cristina Oliveira Chávez

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  3. De que seria o Poeta sem que a sua semente, o poema,
    fosse brotar e frutificar onde quer que seja.
    Hoje a internet, como o vento (Lunasol), leva essa semente de
    «paz de amor a toda gente», como diz Carolina em seu poema.

    Sinto Deus em toda escala…
    Na vida, no pensamento,
    no cheiro que a terra exala
    entre a chuva e o próprio vento!

    Parabéns aos poetas sementeiros do amor.
    Nei Garcez
    Curitiba/Paraná/Brasil

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