POEMAS EM PORTUGUÉS

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Noviembre   2.019  nº 25
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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

OCEANO DE SOLIDÃO
Regina Carvalho

A vida é como o oceano. E a vida de uma pessoa é como um veleiro.
Os pensamentos são picos que se erguem sobre suas ondas como ilhas
e os sentimentos como ventos se espalham.
A alegria e a tristeza são ventos. A dor e o amor são ventos.
A felicidade é um zéfiro, uma benção.
A pessoa feliz é aquela em harmonia com seus pensamentos
e sentimentos, pois sabe usar os ventos como seiva da sabedoria
para aproveitar as ilhas e descansar durante a jornada
apreciando o acalento das ondas.

Adormeço nesse oceano que me cerca.
Ele é suave como um crepúsculo e a solidão arrebata minha alma.
Abraçada a este mar de estrelas que vejo pela janela
Buscando acalmar a solidão da alma… escrevo…
Escrevo para provar o gosto e o aroma do vento, para ser chama,
Para encontrar a calma, mesmo que distante.
São devaneios noturnos, coisas loucas que se sente,
Escrevo para quebrar a solidão dos meus dias
Buscando acalmar a solidão da alma…

Escrevo sem rimas, sem cuidado, sem nada… Apenas escrevo
Para encontrar a calma, mesmo que distante. Então escrevo…
Apenas palavras para uma carta, um doce bilhete para
na garrafa a ser lançada ao mar,
Nela te conto que o oceano sabe isto: que a vida, em seus estojos de jóias,
é infinita como a areia incontável e pura
Uma mensagem deixada a própria sorte
Para atravessar o mar… 
Este mar de solidão…

SEMENTEIRA
 Regina Coeli Rebelo Rocha

Ventos açoitam, um frio insano gela
Os sonhos róseos de uma tez morena
Em tenra casca a emoldurar, pequena,
Caminhos jovens vistos da janela…

Cercas se curvam ao tempo que atropela
Podres moirões em solidão serena,
Enquanto os invasores entram em cena,
Jogando ao chão porteira sem tramela…

E no cair de chuvas copiosas…
E no calor do sol, beijando ardente,
O arame frouxo veste-se de rosas…

E aquele Amor, guardado qual semente,
Germina ao fim de esperas dolorosas
E explode em cores suaves… docemente!

A ÉTICA HUMANA
Eugénio de Sá

Das muitas definições, que as há a rodos
Da humana ética, porque essencial
Direi desse princípio original
Que ele é o mor princípio dos princípios todos.

Procura o ser que somos, na satisfação
Dos seus muitos desejos naturais
A felicidade proposta aos mortais
Enquanto lhes bater o coração.

Ganha então dimensão o raciocínio
Lutam as tentações c’o a razão
E os sentimentos vibram de emoção
Perante a consumação d’algum fascínio.

São as escolhas que o caráter dita
No livre arbítrio que ao homem concerne
Mas que o podem baixar à condição de verme
Se elas servem a outros de desdita.

Por isso, há regras que regem as acções
Que cada um de nós em si caldeia
Pois não deve chocar-se com a alheia
A liberdade das nossas razões.

Nota:
A ética é a ciência da conduta humana, a teoria do comportamento moral das pessoas na sociedade. Ela busca a compreensão racional das acções ou atitudes dos homens. O desenvolvimento do conceito de ética é atribuído aos primeiros filósofos da Grécia antiga.

CAMINHANÇAS – Luiz Poeta

A vida mente, meu amigo, não te iludas;
A vida muda… e o que é que tu conquistas ?
Uma simplória solidão; se te desnudas
Da emoção, a ilusão é o que avistas.

Teu sonho some na distância, não insistas
Em ressonhar o que a razão tão implacável
Destrói, matando intenções idealistas
Quando a razão já não é tão irretocável.

Por mais que brilhe a superfície dos espelhos,
O que enxergas não é só realidade;
É um olhar que vê, na dobra dos joelhos,
A fé que pinta os olhos de felicidade.

A vida mente solidões… tão necessárias
Para que possas repensar tudo que fazes
E nessas fases de angústias arbitrárias,
Nem sempre trazes teus coringas, reis ou ases.

Se queres ser feliz em tudo que produzes,
Acende as luzes sobre o sonho que evocares;
Assim serão fragilizadas tuas cruzes
E serás leve sobre o rumo que traçares.

Há tanta gente indicando tantos rumos,
Traçando prumos, nivelando o inexato,
Mas é no mar que o timoneiro esquece os prumos
E busca o rumo, navegando o insensato.

Nas rotas trôpegas, o pé que as trafega,
Há que negar a imposição da pedra em riste
Pois é no rumo verdadeiro que se nega
O que se prega pela boca do que é triste.

Por isso, colhe cada pedra do caminho,
Criando um ninho resistente a essa dor
Do desamor que sempre torna mais sozinho,
Quem não entende a dimensão real do amor.

RAZÃO DE SER
Cema Raizer

Às vezes
Escrevo um poema
Parecendo estar
Num mundo irreal…

Percorro caminhos
Tocada pela emoção e pela razão
Encontro sintonia
Na alma e na mente…

O pensamento espelha e reflete
Irradia e me  envolve…
Carinhosamente acolhe mensagens
Sinaliza sonhos que o tempo deteve…

Parecem misteriosos
Meus marcantes sentimentos…
Mas alegrias e tristezas mostram

O caminho
E revelam
A minha razão de ser mulher

RITMO
Cema Raizer

Que ritmo é esse
Que a vida impõe?
Estar sempre tranquila

Quero sair desse ritmo
De aceitar tudo

Para que a vida seja tranquila…
Não quero rotina
Quero virar meu mundo

Buscar desafios
Lutar por mim
Acreditar!

SÚPLICA
Carolina Ramos

Dá-me, Senhor, a benção que resume
a certeza de que, crescendo aos poucos,
hei de chegar a ver o excelso lume
– privilégio dos bons, quiçá bem poucos!

Dá-me a graça de olhar, sem ter ciúme,
namorados aos pares, de amor loucos,
da saudade a esquecer o frio gume
e o coração no peito a dar-me socos!

Dá-me ver rosas, mesmo em vaso alheio,
a enfeitar este mundo, às vezes feio
– feio porque o egoísmo assim o quis!

Dá-me um punhado tenro de esperanças…
Dá-me o riso espontâneo das crianças…
– Mais nada eu peço, para ser feliz!

NIÚSHA
Thalma Tavares

Ninguém ouviu seus primeiros vagidos,
nem a terra mãe de cujo ventre enorme
ele brotou soberba, silenciosa e em segredo.

Ninguém jamais ouviu as suas súplicas.
Nem os homens, nem os santos os céus,
nem aqueles dos nichos e sacrários.
Nem a lua ou as estrelas no alto,
nem mesmo o mar com quem se parecia…
Ninguém. Ninguém jamais ouviu e nem sentiu Niúsha..

Nem mesmo o pranto das mulheres puras
com o qual se faz a palidez dos monges
e se preserva a paz dos santuários,
teve o condão de desvendar o encanto
do nascimento da mulher poema.

Somente ao poeta coube o santo prêmio
de reter Niúsha em sua trajetória,
de fitar-lhe os olhos,
de beber-lhe o pranto,
de amar-lhe os gestos,
de aquecer-se ao fogo de seu corpo moço.
Somente ao poeta coube ouvir-lhe a queixa
de ser poema e de esvair-se em névoa
e se chamar saudade…

2 comentarios en “POEMAS EM PORTUGUÉS”

  1. Poetas amigos além das crônicas e relatos lidos , não poderia deixar de cumprimentar os amigos poetas daqui no Brasil que discorreram seus poemas muito bem elaborados, sobre o tema do Aristos de Novembro.
    Parabéns amigos e sucessos sempre e que Deus os conservem este talento da escrita para todos.
    Felicidade amiga Eunate por ter poetas de todo mundo participando deste maravilhoso evento literário. Abraços do amigo poeta aprendiz!

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  2. Muito difícil tecer comentários sobre os textos e poemas aqui apresentados com soberba maestria nesta maravilhosa Revista. Obrigada Eunates! Todos os poemas e textos sem exceção dos construídos sob o tema do mês aos que, simplesmente, foram elaborados ao sabor da inspiração dos poetas. Todos são tão belos que faltam palavras para os descrever com o carinho que merecem. Parabéns, Amigos poetas, escritores!

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