POEMAS EM PORTUGUÉS

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febrero  2.020  nº 28
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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

COLABORAN: Virginia Branco (Brasil)…Euclides Cavaco (Brasil)…Eugenio de Sá (Portugal)…Santa Catarina Fernandes Da Silva Costa (Brasil)…Amilton Maciel Monteiro(Brasil)…Carolina Ramos (Brasil)…Rita Rocha (Brasil)…
Regina Coeli Rebelo Rocha (Brasil) Marise Toledo ( Brasil)

M A R   D E   R O S A S
Virginia Branco
Brasil

Abriu-se no meu peito um mar de rosas
onde navegou  uma distinta galera.
Pelos mastros um adeus; Mãos amorosas
faziam-me crer que vivia noutra era.

Exalando o perfume da quimera,
lindas rosas vão murchando no meu peito.
Mar revolto rasgou a minha esfera;
– O verbo, o predicado e o sujeito.

Abro minhas mãos, mas não me abandono,
Contudo meu vazio está flutuando;
-Aguarda por outra onda…, espraiando!

Criei para a saudade um belo trono,
que vou decorar com minha dor e meu rastro.
Esperarei  noutra maré o mesmo mastro !

DÁ-ME TEU COLO
Regina Carvalho
Brasil

Dá-me teu colo!
E deixa que eu adormeça em teu peito e tenha os sonhos da minha infância! Permita-me ter medo e coragem para confessá-lo.
Consinta que eu solte meu ser por caminhos onde seja possível andar sem armadilhas… Sem receios… Sem mentiras.

Dá-me teu colo,
e preserva em teus braços os meus segredos de menina, as minhas incertezas de gente grande, meus anseios de ser e ter.
Faz com que eu abandone o mundo lá de fora por alguns momentos e, depois, me solte ao vento.
Dá-me teu colo,
e toma minhas mãos nas tuas com o carinho que só tu sabes fazer. Enxuga minhas lágrimas com expressões verdadeiras
sobre um mundo como o que gostaria de ter.

Dá-me teu colo,
e apresenta-me a paz em feição de realidade. Não como coisa sem sentido. Não me diga apenas… Mostre-me!
Dá-me teu colo,
e dê abrigo ao meu teimoso ser, às emoções que quero conservar. Esparge em meu corpo gestos castos e suaves!
E protege minhas costas para que enfim eu possa repousar… E para que me sinta em casa dentro dos teus braços
como aquela que você esperava e que afinal chegou.
Dá-me teu colo,
e procura-me, busque por mim dentro dos meus olhos, e num sussurro diga o meu nome.
E com a aquarela do teu amor historie comigo uma vida bonita, destas onde o amor permanece.
Cavalga comigo num corcel branco, numa noite de luar, para um lugar que mesmo sendo apenas uma fantasia em nossos sonhos
será uma ilusão segura que me trará de novo à vida.
Dá-me teu colo,
e enfeita minha face com rabiscos feitos com teus dedos traçando linhas que outra vez me liguem ao mundo doce e terno em que tanto preciso crer. A probabilidade de ser mais do que a ternura de uma noite -.. o amor de uma vida inteira.

TRIBUNA DOS FADISTAS
Euclides Cavaco

Tu Lisboa
Que sempre foste e ainda és
Proscénio do fado
Viste com glória aplaudir
Egrégios vultos do fado
Grandes vozes do passado
Que viste também partir
Num triste adeus magoado.E este povo que os ama
Guarda hoje comovido
A letras de oiro e de fama
O seu nome enternecido
Na nossa história do fado.Lembramos com nostalgia
Do fado a nobre rainha
A nossa saudosa Amália
E com todo o esplendor
Recordamos a Severa
E o Marceneiro que era
Do fado um grande Senhor.A linda voz de Lucília
Fadista de corpo inteiro
O Maurício e o Farinha
E a nossa Hermínia que tinha
No fado lugar cimeiro.Prestamos o nosso preito
Às vozes que admiramos
De Manuel de Almeida
E notável Carlos Ramos
Nosso sentido respeito
Ao Tony lá no Painel
À Júlia Peres e Tristão
E prò Vasco Rafael
Fica a nossa gratidão.Também um justo tributo
Aos nomes que aqui não estão
Castiças vozes do fado
Grandes estros do passado
E que o deixaram de luto
Fica o póstumo obrigado
E a mais honrosa menção.Eu rendo neste poema
Minha singela homenagem
Aos fadistas que partiram
E que o fado difundiram
Com a sua voz suprema
E toda a dignidade.De vós não morre a memória
Permanece a fausta imagem
Da vossa fama e glória
Ficará sempre a saudade!..

Tristes constatações
Eugénio de Sá
Portugal

Habituámo-nos à beleza de um horizonte verde,
ao afago do mar lambendo as finas e alvas areias,
ao doirado ondular dos prados nas gloriosas primaveras
  ao colorido esvoaçar da passarada nos verões encantados…

Habituámo-nos a ouvir a vida brotar da rocha
na  força vigorosa e incontida de uma nascente de água,
a olhar, encantados, as verdejantes savanas fervilhantes de fauna
  a respirar pureza na ramaria de sãs e frondosas árvores…

Habituámo-nos a desfrutar as manhãs claras e luminosas,
a esperar das frescas brumas promessas de um sol benfeitor,
a banhar-nos nas fagueiras transparências dos rios e dos mares,
a adormecer no fausto dos perfumados silêncios da mãe natureza…

Como vamos agora dizer aos nossos netos
que os esperam horizontes cinzentos e céus conspurcados,
que as areias das praias estão pejadas de resíduos que o próprio mar
enjeita, que as  gaivotas morrem afogadas em petróleo bruto?

Como vamos agora mostrar aos nossos netos
que o precioso líquido já nasce mirrado, em fios inconsistentes,
que as savanas são lamas fétidas e secas onde agonizam as últimas espécies,
que as árvores que restam serão em breve troncos raquíticos,  à mingua de seiva?

Como vamos agora confessar os nossos netos
que as ensombradas manhãs são só tristes começos de dias sem futuro,
que o ar que (ainda) respiram em breve será letal, tal como o sol,
  que o seu sossego será cada vez mais perturbado por sonhos de caos?

DESPEDIDA
Santa Catarina Fernandes da Silva Costa

Até quando os meus olhos poderão contemplar o seu caminhar,
Até quando poderá arrancar de meus lábios um sorriso,
meio esquisito, chateado e dolorido,
Na sua inocência simplesmente caminha e em mim acredita.
Aceita o meu afago, o deslizar trêmulo das minhas mãos,
Sobre seu corpo que já definha.
Ainda consegue demonstrar o seu carinho por mim,
e não sabe que próximo está o seu fim.
Até quando vou ter o prazer de abraçá-la!
Quando você chegou desnutrida, doente, aflita,

Dei-lhe abrigo, dei-lhe tudo o que eu tinha:
Um coração esmagado por alguém que partira,
E você ficou sozinha.
Uni-me à sua dor que também era minha.
Perdemos, juntas, um pedaço da nossa alegria.
Pouco desfrutamos uma da outra,
A saúde a abandonou.
Eu a procuro, mas ela já se foi.
Nada a fazer a não ser esperar
o dia no qual os meus olhos serão mares.

Águas de saudade vão tumultuar meu barco frágil e cansado,
de tantas vindas e de tantas idas!
Nem chegou e por que tem de ir?
Não poderia ficar mais um pouquinho
para me fazer sorrir?
Estamos no compasso da espera,
Da espera esmagadora que vai levá-la.
Mas eu ainda não sarei da marca que a ausência da saúde levou,
Meu coração sangrou e sangrou.
Assim você aqui chegou.

Desculpe-me se falhei na nossa breve jornada
Eu só queria protegê-la
Mas, sei, que agora é hora
De me calar, isto é, não dizer mais nada!
Estamos na mesma balança,
da incerteza dos dias, da Chamada!
Só posso demonstrar que a amo com gestos
E eternizá-la em simples versos
Quanto vale a saúde?
Presente da vida que pulsa,

Dor da alma que sangra
quando ela se vai embora.
Dorme, minha querida,
Estarei ao seu lado, na hora da partida.

SONHOS
Amilton Maciel Monteiro/SJ

Não ponha, não, limites nos teus sonhos,
se queres ser feliz a vida inteira!
Não falo nos maus sonhos enfadonhos,
dos pesadelos que não há quem queira.

Refiro-me a ter sonhos tão risonhos,
que enriqueçam de ideia alvissareira…
Por mais que ainda sejamos bisonhos,
nos elevam na vida e na carreira.

Mas sonhemos,  dormindo ou acordados,
se estivermos ou não enamorados;
nesta vida o que importa é bem sonhar…

Com um mundo melhor, com mais justiça,
saúde e amor…  e com menor cobiça,
para que Deus nos possa abençoar!

Corda Afinada…
Carolina Ramos – Brasil

Meu coração, tu sempre foste amigo,
nas horas de alegria ou de amargura,
a dividir as emoções comigo,
e a pulsar no meu peito com bravura!

Sabes bem! – hoje, a vida frágil ligo
a uma corda tão fina e  não segura!
Caso eu não possa mais contar contigo,
largo a corda e… me espera a sepultura!

Sacode a inércia que teu sono alenta…
Reage, coração! Pulsa! Desperta!
Se não consegues… Pelo menos, tenta!

Torna a afinar as cordas, meu “violão”!
Para quem segue o ritmo e o tom acerta,
a vida há de ser sempre uma canção!

BEIJA-FLORES
Rita Rocha 
Monte Alegre- RJ- Brasil 

No chão de relva  macia,
sentindo a beleza agreste,
lá vou eu, sempre de dia,
beijar a flor que me deste…

Entre a flor e os beija-flores,
que permeiam os espaços,
há também muitos amores
a «curtir» os seus abraços…

Nestes ares perfumados
que a beleza veste em cores,
veem-se amores espalhados
mitigando muitas dores…

Quanto perfume irradia
deste mágico recanto!
Assim que termina o dia,
se emudece todo canto.

Se a primeira estrela brilha,
eu me ponho a meditar,
e o sol, dourando a rendilha,
 traz encanto ao meu olhar…

Este olhar que inda procura
num chão de relva macia
a flor que ele fez ternura,
juventude, amor, poesia!…

ENTREGA
Regina Coeli Rebelo Rocha
Brasil

Sou eu o que buscavas e não vinha?
Sou eu a te envolver no meu afago,
Sensual lua a beijar águas do lago
Em que se banha e onde se faz rainha?

Sou eu o passo em que teu ser caminha?
O vinho, teu regalo a cada trago?
Sou teu prazer até num beijo pago,
Feitiço que enfeitiça e desalinha?…

Se sou aquela que chegou agora
Toda envolta em essência de jasmim,
Cheirando a novo tempo e nova hora…

… Eu fico, amor, contigo eu fico, sim…
Mas se não sou, oh! deixa-me ir embora
Chorar num canto o que sobrar de mim!

ASSUTA-ME E ENCANTA-ME..
Marise Toledo

Assusta-me pensar que outros sintam o que sinto;
Encanta-me que possam sentir como sinto.
Assusta-me viver e não amar;
Encanta-me saber que alguém mais possa amar tanto.
Assusta-me pensar que há quem leve a vida e não viva;
Encanta-me descobrir que mais alguém tenha descoberto que a VIDA é para ser VIVIDA.
Assusta-me Deus estar vivo e poucos se darem conta;
Encanta-me DEUS ESTAR VIVO
Assusta-me o que descubro;
Encanta-me o que encontro.

Assustam-me os que fogem de Deus;
Encantam-me os que querem Deus.
Assusta-me o que deixo de fazer;
Encanta-me a possibilidade de realizar.
Assusta-me quem tem medo da morte e não vive;
Encanta-me a VIDA ETERNA.
Assusta-me quem não se encanta;
Cada canto me encanta.
Assusta-me o que se perde “no vão dos dedos”;
Encanta-me cada encontro.

Assusta-me quem não se dá o direito de ter amigos;
Encanta-me quem sabe ser amigo.
Assusta-me quem não busca a santidade;
Encanta-me que se possa sonhar em ser santo.
Deus me encanta.
Sonhar me encanta.
Viver me encanta.
O olhar me encanta.
Os filhos de Deus me encantam.
A VIDA ETERNA me estarrece.

A VIDA É BELA!

Por amor de Deus, VIVAM, A VIDA É BELA!

2 comentarios en “POEMAS EM PORTUGUÉS”

  1. A todos de discorreram seus momentos aqui e em outras páginas sejam parabenizados e quero
    desejar sucesso sempre para estarem sempre conosco. Feliz Carnaval!
    São poetas natos e verdadeiros e ilustres na literatura formal. Parabenizo e Agradeço
    seus poemas aqui presentes e espero que estejamos sempre junto valorizando cada
    um a sua Pátria e sua linguagem literária. Aproveito para congratular toda essa parceria d colaboradores do site.
    Aplausos !!!!!!!

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