POEMAS EM PORTUGUES

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A  F E R I D A
Virgínia Branco
Portugal

Quando nos magoam,
surge no peito uma dor profunda
e a nossa alma fica  pesarosa, triste.
Quando parte alguém,
achamos que o nosso ser não resiste.
Há dores que não contamos a ninguém.
Desgostos, dizem que passam com o tempo.
Olhos que lacrimejam,
um coração a sangrar,
trémulas as mãos
que os  mais amigos beijam
e um desgosto a mascar.
As minhas feridas não saram,
amenizam com o passar do tempo,
mas por vezes afloram
e são a maior razão
da minha metamorfose.
Ficamos mais fortes com o sofrimento
e mais perto de Jesus, da Cruz e do Seu perdão.
Toda a dor dá desconforto.
Se é física acaba por ser curada.
Mas se for emocional,
já que provém do desgosto
pode doer para sempre !

PARANOIA
Eugénio de Sá
Portugal

Quem é este que agora me atormenta
Donde saiu a horrenda criatura
Que clama a sua ira, truculenta,
E me põe na garganta esta secura?

Que mal lhe fiz que justifique o brado
E a maldição que sobre mim lançou
Porquê esta algazarra e o tom irado
Com que férrea vontade me alcançou?

Ah; mas vou reagir ao vil ataque
Que promete tornar-se uma agressão
Não posso voltar costas ao basbaque
Sem que me atinja torpe e à traição

Encho-me então de raiva e vou gritando
Quem és tu criatura, porquê tanto azedume?
E ele, com feroz ronco, vai bramando:
Então não sabes? – Sou o teu ciúme!

A PAZ DE UM POETA
Eugénio de Sá
Portugal

A paz que eu quero é feita de justiça
Não uma paz qualquer, a qualquer preço
Não pode ser um fim, mas um começo
Que ao homem mostre o erro da cobiça

Bradam aos céus os actos de impudor
Sobre a pobreza triste e postergada
A que vive escondida, acocorada
Sempre esbulhada por vis e poltrões

Não mais hipocrisias, podridões
Em que com falsas falas se acarinha
Enquanto se preparam as traições

Que as próprias bruxas feias e daninhas
Sentem inveja dessas urdições
De seres cuja conduta é tão mesquinha

A FAMÍLIA
Alfredo dos Santos Mendes
Portugal

Desfolho um velho álbum, recordando,
os anos que por mim foram passando,
e fico revivendo cada pose!
Na voragem do tempo que passou,
é bem notório o rasto que deixou,
na sua mais cruel metamorfose!

Me revejo no colo maternal.
Protegido de todo e qualquer mal,
por barreiras de amor e de bondade!
As fotos vou passando, vou crescendo!
Têm histórias de vida que vou lendo,
Rejubilando de felicidade!

Reparo numa foto carcomida.
Com sua imagem já muito sumida,
e que fora tirada no quintal.
Um manto de alva neve emoldurava,
enorme mancha humana que posava,
para mais uma foto de Natal!

Olhei para meus pais e meus avós.
Sorridentes olhavam para nós,
denunciando o seu modo de amar!
Recordo com saudade aquele dia,
em que vi realizada a fantasia,
e ganhei um carrinho p’ra brincar!

Tantos anos passaram desde então!
Se foi desenrolando a sucessão,
a família foi sendo renovada.
Perante a realidade indesmentida,
eu já sinto fugir de mim a vida…
E aguardo a minha hora de chamada!

Errar e Perdoar.
» Pela Semana do Perdão «
José Ernesto Ferraresso
Brasil 

O ser humano não busca ser solidário,
vive isolado e não quer ser incomodado.
Não procura olhar para o próximo,
que precisa de um carinho e está a seu lado.

No olhar de pobre, uma esperança;
de um rico, o luxo e a opulência.
Do mendigo, a espera de esmola,
do desesperado, a procura do consolo.

Não percebemos a presença de Deus.
O homem procura o mal e a discórdia.
Faz uso do orgulho, da vaidade e do egoísmo,
poucos optam pela bondade e simplicidade.

O nosso Deus é amor,
quer a paz e não a guerra.
A verdade e não mentira,
prega a crença e a humildade.

Seu Filho, que morreu crucificado,
sempre estará a nosso lado.
Procura consolar o desesperado,
que quer compreensão e ser amado.

O mal nos persegue,
está em todos os lugares.
O bem sempre nos é mostrado;
como humanos, procuramos o errado.

Errar faz parte do ser humano,
temos a obrigação de aceitar.
Nossa melhor qualidade
é admitir e saber perdoar.

 

Meu Jeito De Ser!
José Ernesto Ferraresso
Brasil
Sinto no meu íntimo algo lindo acontecer.
Mas tudo em ti é amor, acredita!
Quando tenho vontade de escrever.
Ser Iluminado!
Vejo que estás um pouco irresistível ,
Tudo em ti é amor e paixão.
És um ser inteiro iluminado e incrível.
Emoção ao ler!
Nas linhas, sinto tua compreensão;
Que eu vejo em ti um entusiasmo.
E nas suas leituras existe comoção.
Escrevo Direcionado!
Consigo o modo de me expressar.
E relembro de ti nos meus versos.
Que me tocam e me fazem rimar.
Perdão Reparado!
José Ernesto Ferraresso
Brasil
Remorso é um arrependimento ou reprovação.
Que acusa a consciência, rejeita e anula.
Que ocasiona um sentimento de aflição.
 Nível Intenso De Culpa!
Sinônimo de um arrependimento de ação.
Que modifica uma opinião indesejável.
Que pode levar a uma reflexão ou introspecção.

Ato De Perdoar!

Remorço paralisa a vida é mágoa e penitência.
Necessita do bem e ir ao encontro da remissão.
Perdoar para receber a vida e a indulgência.

A Recompensa!

Remorso é momento de se arrepender.
Conseguir anular um perdão reparado.
Instante reflexivo para deixar de sofrer.

E DEPOIS DO VERSO…O POST-SCRPTUM
Mário Matta e Silva

Acabou-se o verso, o que fazer depois
Retomar a leitura interdita do passado
Ou remover nas sombras outro brado
Que trago como vibrante, como profundo?
Que mais existe ainda entre a lua, os sóis
Que venha preencher a escrita dos meus versos
E traga de rompante o bem fecundo
Febril, feroz, e agreste, deste mundo…

Depois do verso rescrito, (sobra-lhe o rascunho)
Fica-me o encanto de o saborear
Rasgando o manto de um azul profundo
Como se mergulhasse no azul do mar;
Secas folhas de outono, rescrevendo a vida
Escrevo sem descanso pelo meu punho
Numa esperança vã de encontrar guarida
E depois, emocionalmente, chamo-lhe de querida.

Num post-scriptum breve, com frases de amor
Concluo a obra de escrita a que me dediquei
Nunca soube se de véspera, ou se sonhei
Sentindo teu corpo leve e morno…e o seu odor;
Flagelo de inspirações, meio taciturnas
Estrelas no firmamento, poesias nocturnas
Que preenchem o tempo do meu querer imenso
No Mundo vertiginoso e agreste a que pretenso.

Post-scriptum imergente das letras desenhadas
No corpo de um caderno, a obra feita
Tendo por paixão composição perfeita
Onde viajo no tempo que então me resta;
Obras dos meus ídolos, poesias mais amadas
Que como frutos suculentos caem no meu colo
Num solfejo cantante desfeito em harmonia
Canto o Universo, bem dizendo o dia.

MULHER RENDEIRA

Magna Aspásia Fontenelle
(Brasil)

Entre risos e lágrimas
Na tua almofada
Trança os  bilros* entre si
Arcorizando**
Vai surgindo

A linda renda
No bordado
Como as delicadas
Flores   do cacto
Que embelezam  o sertão

De sol escaldante
Estrelas  cintilantes
Lua  enamorada
Sabiás  cantando
Uivos de ventos do norte

Folhas das palmeiras verdejantes
Bailando no ar
De cima do morro
Avistar  o mar
Que no horizonte

Se funde com o firmamento
Numa explosão de cores
Anunciando  o fim do dia
E o nascimento da noite.
Num  vai e vem de amanheceres

Renascendo  a cada poente
E  morrendo  a cada nascente…
É o  ciclo  da vida
Reiniciando!!!

VELHAS CARTAS
Iran Lobato
(Brasil)

Mandaste-me as velhas cartas que enviei,
Traçadas com teu nome em vertical.
Acróstico com rimário horizontal,
Pontuados com estrelas que no céu busquei

Pr’a que brilhassem co’ os dons que rimei
Num sonho em que eu julguei ser perenal.
Que murche então o meu exagero verbal,
E os velhos fanados papéis que mandei.

Vieram co’as marcas dos lábios que beijei,
Carmim de ilusões daquele amor fatal.
Espólio de vidas; fracasso afinal,
Ambrósia do infausto manjar que provei .

Devolve meus sonhos em que te assediei
Co’imenso amor que me fora letal.
Devolve-me o peito amigo e vital
Que ouviu teus ais, e enternecido  amparei.

Ah, por que incauto, em ti os versos semeei?…
Devolve-me que eu te devolvo igual
Tal amargor desta saudade mortal
Da taça de absinto que ingênuo libei.

Quem é Essa??
JJ. Oliveira Gonçalves
Brasil

Quem é essa que vem co’a madrugada
E um rubro beijo deixa ao travesseiro?
Será, ó, travesseiro, a Bem-Amada?
A do Amor-Maior? Amor primeiro?

A alcova – rescendida do seu cheiro
De sua sutil Essência impregnada:
A do dolente Adeus – e derradeiro!
(Chora, n’Alma, u’a Lágrima quebrada!)

Agora, eu ouço a Chuva no telhado…
Pingos respingos ressoam do Passado
Fragrância de gardênias – que inebria!

De sua pele, em meus dedos, a textura
De seu corpo o arrepio – e a ternura
De seus lábios a úmida Poesia!

( Rubro é o beijo… E o Amor uma balada…
Quem é essa que vem co’a madrugada? )

ESTRADA
Gabriela Pais
Portugal

Caminhando p’ la estrada esbugalhada
Chamada vida, cresce o desamor,
Brota o proveito de gente safada
De tão diminuto ou nenhum valor,
Os outros erva daninha execrada,
Humanidade à deriva, sem amor.

Desvairados e desvalorizados
O que se atravessa não tem memória,
Navega-se em mandos desencontrados,
Será tal mundo, uma sem glória.
Vaidades, sensos ocos represados,
Moribundos em sonhos sem vitória.

Estrada longa repleta de meandros
Como rio de águas turvas em absinto,
Ver um fundo sem brilho, vis malandros
Deste desesperado mundo faminto,
Espera-se que cheguem ventos brandos,
Olhar um porvir claro, bem distinto.

FESTA DA NATUREZA
Marilza Pereira Calsavara
Brasil

A natureza está sempre em festa,
Como a sua beleza atesta,
Os diversos sons da mata,
Os momentâneos silêncios,
O sussurro dos ventos,
O gorjeio dos pássaros.

Em momentos…
Todos cantam ao mesmo tempo,
Parecendo que estão a conversar…
Ou estarão trocando informações,
Sobre as várias estações,
Que terão que enfrentar?

Noutro momento… silêncio,
Parece que estão a meditar,
Como fazer para continuar,
Da festa da natureza participar,
E ao mesmo tempo nos alegrar,
Com sua presença tão colorida!

AMIZADE
Marilza Pereira Calsavara
Brasil

Amizade afasta a solidão,
Aquece o coração,
É um raio de sol,
Iluminando a escuridão.

Amizade é uma varinha de condão,
Que transforma num instante de magia,
Qualquer mágoa existente no coração,
Quando somos tratados como um irmão.

Irmão sem laços de sangue,
Mas com laços de fé,
De amor e caridade,
Que detém qualquer maré,
Que nos traga adversidade.

Ela nos livra de maldades,
Aflora como a verdade,
Que livre da falsidade,
Lembra toda a bondade,
Do nosso Mestre Jesus.

NINHO
Carolina Ramos
Santos SP Brasil

Quando a infância clareava o céu da minha mente…
céu de sonhos repleto…  um céu feito de  espantos,
eu lembrava da Gruta  excelsa  e  tão carente
de pompas, de calor… Tão pobre  e  sem encantos!

E sonhava construir um ninho – simplesmente,
como faz um sabiá, um pardal e outros tantos,
com palhas de carinho … ou penas, tão somente –
e ao Menino  aninhar com beijos e acalantos!

Mas… o tempo passou.  Junto à nave do sonho,
entre pedras da vida a debater-me,  encalho
e a esperança, a afogar-se… afunda  junto a mim!

Mas… Senhor,  não desisto!…  E, se o sonho foi falho,
nestes versos que, agora, entre penas, componho,
no céu deste soneto… eu Te aninho,  por fim!

2 comentarios en “POEMAS EM PORTUGUES”

  1. Parabéns mais uma vez amigos da Revista do Aristo Internacional.
    Não poderia deixar de cumprimentar todos os poetas e todo o
    coordenadores deste recanto literário, onde as oportunidades surgem
    todos os meses para abrir margem para cada poeta colocar seus
    momentos de emoções.
    Sucesso sempre meus amigos e parabenizo a todos vocês!

    Responder
  2. «VIRGÍNIA : «A Ferida» : Ah! Essa dor que se instala, e, silenciosa nos corrói, invisível para o mundo…Temos que aprender a superar!
    «EUGÊNIO:» PARANÓIA»: Querer justiça é um caminho penoso, muitas vezes, mas temos que lutar pela Paz e pelo Amor!
    «A PAZ DO POETA: É uma luta nobre!
    «ALFREDO:» » A FAMÍLIA» : Que linda e pura maneira de reverenciar!
    «JOSÉ ERNESTO:» «ERRAR E PERDOAR «: Levar à sério o ato de perdoar e pedir perdão,afirma que somos humanos!
    «MEU JEITO DE SER»: Uma verdade bem poetizada: Parabéns!
    «PERDÂO REPARADO»: Bela inspiração…bom seria nunca ter que perdoar…
    «MÁRIO M. SILVA:» DEPOIS DO VERSO O POST SCRIPTUM!»: Sempre expondo,versos inteligentes: Adoro ler seus poemas!
    «MAGDA A. FONTENELLE :» MULHER RENDEIRA!» Espetáculo bem trançado …em poesia!!! Ficou demais!Linda homenagem! AMEI!
    «IRAN LOBATO» : VELHAS CARTAS»: É bem assim, falar de velhas cartas! Tristes e lindas lembranças…saudade especial!
    «QUE É ESSA»: «JJ. OLIVEIRA GONÇALVES»: Triste verdade num versão inteligente!
    «GABRIELA PAES: «ESTRADA » : Um desabafo que não é só teu…é de todos nós..Obrigad
    MARILZA PEREIRA CASSALVA»:» FESTA DA NATUREZA»: Que cheguem, sim, os ventos brandos!»
    «AMIZADE»:Linda maneira de expressar, aquece o coração…magia que nos torna irmãos!
    «CAROLINA RAMOS» : «NINHO»: Teu poema e tua meiguice no teu encantamento! O Céu de teu poema semeado…existe!
    MUITO OBRIGADA ! A VIDA SEGUE …que nos mantenha unidos!

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