POEMAS EM PORTUGUÈS

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La Iª edición del Concurso de  Poesía Maestro D. Emilio Sánchez Plaza,  convocada por la revista ARISTOS INTERNACIONAL   ya tiene ganadores. Todos los que hacemos la revista  felicitamos a todos ellos  y agradecemos la alta participación

1º QUANDO A SAUDADE SE APROXIMA SEM CONVITE

Luiz Gilberto de Barros….Luiz Poeta

O abandono não resiste à saudade…
o amor invade a solidão como um menino
que sempre gosta de brincar em liberdade
no coração de quem se faz mais pequenino.

É impossível se esquecer do que foi bom;
quem dá o tom de cada cor que sempre volta
é esse amor que pinta a vida de neon,
quando o silêncio faz do amor sua revolta.

Nunca se perde, na penumbra da tristeza,
essa leveza que transforma a fantasia
na alegria de amar, quando há beleza
na natureza transformada em poesia.

Filosofias não inibem nossas dores;
à revelia dos discursos da razão,
o coração  coleciona seus amores,
e se distrai com os ardores da paixão.

Quando a saudade se aproxima sem convite,
ela permite que o amor venha com ela
e que o silêncio dos segredos se limite
a rabiscar a emoção que vive nela.

E a maneira mais sublime e delicada
de expressar essa alegria  tão… fugaz…
é libertar, numa saudade delicada
o melhor riso que uma dor nunca desfaz.

Como um olhar que se perdeu num tempo ausente
e de repente surge de uma abstração,
cada saudade é uma emoção que só quem sente,
sabe enfeitar a dor da própria solidão.

2º  ELOGIO AO SONETO
  Roberto Rodrígues

    Muito cedo senti que a poesia
    Tinha a sua apoteose no soneto.
    Eram tempos saudosos em que lia
    Duas quadras gentis, mais dois tercetos.

    Dentre as flores, o soneto lembra a rosa,
    Dentre as joias luzentes o diamante,
    Das mulheres, a musa mais formosa,
    Dos perfumes, o olor inebriante.

    Tu, poeta, que buscas nessa hora,
    Doce pólen, a mítica ambrosia,                                  
    Acharás no soneto, sem demora,

    A pintura e moldura da magia,
    O castelo dos clássicos de outrora,
    A beleza inconsútil da poesia.

3º POETA
Iracema Raizer

Observando o mundo à sua volta
ele resume poeticamente
o que lhe dita a inspiração…

Parece não ter fim
esse constante pensar do Poeta
Descreve mil vezes
a lua as estrelas e o mar
como se fosse a primeira vez…

Encantado é seu saber
que transcreve um grande abraço
ao perpetuar o calor humano
num imaginário encontro…

Mesmo não tendo
todo o tempo do mundonos
faz entender e crer
nos lindos sonhos

Emoção poética
do maravilhoso encanto
de um espaço sem fim…

           

 EM DEFESA DO SONETO
Menção honrosa
 Carolina Ramos

Quem desdenha o Soneto não alcança
 o quão fere a  Poesia o tom moderno,
hermético e vulgar, que rude avança
a denegrir na sombra, um sonho terno!

De cantar, o Soneto jamais cansa,
a resguardar em si valor eterno,
doado pelos Mestres, cuja herança
fez da Poesia a negação do  Inferno!

O Soneto, escandido com requinte,   
desce do Olimpo pelas mãos da Musa!
 Seus versos cantam livres, sem acinte!

E a desprezar as críticas maldosas,
usa da métrica…  da rima abusa 
e em vez de  pedras… oferece rosas!!

POEMAS

DE  IMPROVISO
Ary Franco (O Poeta Descalço)

 Preciso escrever, uso o teclado do computado
Vou dedilhando-o como se fosse ele um piano
 Quero falar de flores, felicidade, alegria, amor
 Afogar mágoas no mais profundo dos oceanos

 Fora destas quatro paredes há vida lá fora
      O tempo urge e quero cantar, sorrir , agora !
 Ouço música a tocar, crianças a brincar
Inda resta-me tempo que possa aproveitar

Por uma nesga da cortina o sol vem me chamar
    Apresso-me em querer este poema logo encerrar
     A inspiração chegou-me fora de hora, sem aviso,
  Mas obediente, poetei mesmo que de improviso

   Satisfeita minha endorfina, já fiz o que ela quis
Agora, por favor, deixe-me ir, preciso ser feliz
  Até breve meu frio computador; não leve a mal,
A vida me espera, lá vou eu ! Mesmice…tchau !

MEMORIAS
do mar e dos seus silêncios
Eugénio de Sá

    Ainda os ouço ecoar dentro de mim;
   aqueles longos silêncios,
   os que partilhei com o mar, e a minha poesia

    Comoções que a memória preservou,
   quiçá para mais tarde as reviver
   como se degusta uma reserva do melhor vinho

    Ah, esse mar amado, feito de lonjuras,
   sinto-lhe a falta do hídrico consolo,
   do doce embalo que leva à evasão e à paz

    Agora é tempo de o recordar, saudoso,
   mas, mesmo envolvido de uma total ausência de ruído,
   aqueles silêncios mágicos não os desfruto mais

    Quem sabe se voltarão a invadir-me de paz
    depois que um sino triste dobre por mim…

 

JARDIM SECRETO
Amilton Maciel Monteiro

Eu também tenho o meu jardim secreto,
tal qual o mundo inteiro, com certeza…
Mas só porque não sou nada discreto,
o meu “secreto” some na esperteza…

Quem lê meus versos tudo sabe, exceto,
talvez o que eu não disse por lerdeza,
porque o que escrevo eu mesmo interpreto     
no meu viver de inteira singeleza.

Se eu disse que te amei, também te disse 
que tudo o mais que eu fiz foi só tolice,
pois nunca mais eu tive um outro amor .

O que faltou dizer, eu digo agora:
eu sonho com teus beijos toda hora;
és a razão de eu ser um sonhador!

MULHER SEM MUROS
Thalma Tavares

Em que medita esta mulher sem muros,
esta que encilha o seu corcel de sonhos
e, como num Pégaso, cavalga
o mirífico, o lendário, a fantasia?…

Solta, mulher, as rédeas do teu verso,
transpõe todas as pontes,
derrama poesia.
Cavalga sobre os muros teus desejos,
desde os mais puros 
aos secretos e profanos 
e reza, sem temor, 
teu credo de esperança.

Verás que os colibris trazem nos bicos
o pólen das paixões
e os beijos que postulas
para a flor da boca que se abre
no cio dos amantes.

E então, em teu olhar
perdido no horizonte,
nova centelha de amor se acenderá
e entenderás todas as dores,
toda mágoa, toda angústia
e serás tão plenamente iluminada,
tão pura e tão completa
como plena será sempre 
a Lua do poeta.

 

DILEMA FILHO DA MÃE
José Ouverney

Existe mãe sem filho?  É o que pergunto.
Tudo porque uma dúvida peralta,
com poses libertinas chega e assalta
os mananciais deste cristão bestunto.

A religião é aquele eterno assunto
que recoloca em baixa estima a alta,
porque o excesso também leva à falta,
desfigurando a essência do conjunto.

Mas, reportando ao inicial dilema,
por isso eu não discuto religião:
minha ousadia não se presta a tanto;

o acento foge à ‘ideia” e engole o trema:
se o santo, em alguns «centros», é invenção,
em outros, quem dá carta é a “mãe de santo”!

C A L O R   D O   I N V E R N O
Dorothy Jansson Moretti,

Paradoxo? Não sei; mas saio à rua
e o sol é o mesmo velho sol do estio.
Parece que é o verão que se insinua,
reinstalando-se em pleno mês de frio…
 
Ou será que é o inverno que recua
sem querer aceitar o desafio
da massa de calor que se acentua,
exercendo absoluto poderio?!
 
Ombros nus e bermudas desfilando…
Parece praia…os homens observando
a garota bonita, de corpete.
 
E a japonesa, do seu banco alto,
olha atrás… e tem quase um sobressalto
com o tamanho da fila do sorvete

SONETO
Mario Quintana

Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
verde!… E que leves, lindas filigranas
desenha o sol na página deserta!

Não sei que paisagista doidivanas
mistura os tons… acerta… desacerta…
Sempre em busca de nova descoberta,
vai colorindo as horas quotidianas…

Jogos de luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço…
Pra que pensar? Também sou da paisagem…

Vago, solúvel no ar, fico sonhando…
E me transmuto… iriso-me… estremeço…
Nos leves dedos que me vão pintando

CRENÇA
Pedro Ornellas

Eu creio em Deus, que tudo fez do nada,
Deus poderoso, sem princípio e fim;
Deus invisível, mas que, ainda assim,
tem existência certa e comprovada!

Eu creio nesse Deus, eu creio sim!
Sinto a presença Dele em minha estrada!
Creio em seu Livro, a diretriz sagrada
que vida eterna põe diante de mim!

E, crendo em Deus, autor da profecia,
creio em Jesus, que a minha crença guia
e que a maldade odeia e deixa exposta.

Sem essa crença, tenho refletido,
torna-se a vida um fato sem sentido,
uma pergunta que não tem resposta!

QUANDO
Benedicta de Mello

Quando as tardes sentires mais bonitas…
E vires nas manhãs, luzes estranhas…
E os domínios das forças infinitas
Te atraírem acima das montanhas…

Quando esqueceres íntimas desditas…
Quando ficares a sonhar façanhas
Ou tiveres idéias esquisitas…
Quando perderes e pensar que ganhas…

Quando mentiras te fizerem crer,
E tanto em ti teu eu se vá mudando,
Que até mais um sentido logres ter…
Quando adorares quem te vai matando…
Quando teu já não for o teu querer,
Não há dúvida alguma, estás amando!…

 

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