POEMAS EM PORTUGUÉS

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Mayo  2.020  nº 31  

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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

 

 

COLABORAN: Luiz Barros (Luiz Poeta Brasil)…Dáguima Verónica de Oliveira (Brasil)…Eugenio de Sá (Brasil)…Ary Franco (O Poeta Descalço) Brasil…Garcia (Brasil)…Gabriela  País (Portugal)…Regina Coeli Rebelo Rocha (Brasil)…Carolina Ramos (Brasil)…Thalma Tavares (Brasil)…

SAUDADE É LEMBRANÇA QUE DEU CERTO
Luiz Poeta
Luiz Gilberto de Barros
o Rio de Janeiro

O abandono não resiste à saudade…
O amor invade a solidão como um menino
Que sempre gosta de brincar em liberdade
No coração de quem se faz mais pequenino. 

É impossível se esquecer do que foi bom;
Quem dá o tom de cada cor que sempre volta
É a emoção que pinta a vida de neon,
Quando o silêncio faz do amor sua revolta. 

Nunca se perde na penumbra da tristeza
Essa leveza que transforma a fantasia
Na alegria de amar, quando há beleza
Na natureza, se ela é feita de poesia.

Filosofias não inibem certas dores;
À revelia dos discursos da razão,
O coração  coleciona seus amores,
E se distrai com os ardores da paixão. 

Cada saudade é uma lembrança que deu certo,
O resto é só mera lembrança… é nostalgia;
Trazer de longe o que é mais triste para perto
É conviver com a  mais cruel melancolia. 

Quando a saudade se aproxima sem convite,
Ela permite que o amor venha com ela
E que o silêncio dos segredos se limite
A rabiscar a emoção que vive nela

Já que ninguém consegue ler um pensamento,
O sentimento de amar o que fez bem,
Faz a saudade construir, num só momento,
O melhor riso solitário que se tem. 

A vida insiste em nos mostrar um tempo alheio
A cada anseio, muitas vezes, tão fugaz
E a saudade, do mesmo jeito que veio,
Num  devaneio… mansamente… se desfaz.

 

DE UNA NOITE FRIA
Daguima Verónica de Oliverira
Brasil

De uma noite fria
As nuvens escuras
Gerava uma tempestade
Uma dor sentia
Implodia sóbrios pensamentos
Me afligindo meu coração
A deixar uma tristeza

Vendo umas linhas
Escritas com suavidades
Reanimei com as dedicações
Onde via muita sinceridade
Nela emanava uma felicidade
Ingerindo uma grande alegria
Como sub escrevo
Aos poucos aliviando

Dores do coração
E a tristeza cedendo

O seu lugar, uma grande paz
Linda emoção
Impecável alegria
Via a chuva de meu quarto
Entre os vidros da janela
Iluminava uns clarões nos céus
Relâmpagos que barulhava um som
os poucos o dia amanheceu com um lindo sol

Eugenio de Sá
-Portugal-

Para mim, a escrita não é só uma forma mais ou menos engenhosa de juntar palavras, ela vale pelas raízes que for capaz de estender ao encontro d’outras sensibilidades.
Quantas vezes me lanço à tela branca e virgem com garras nos sentidos, mas sempre consulto o coração antes de deixar divagar os pensamentos sobre o que me vai na alma.
A solidão que nos impomos com objectivos reflexivos ou contem-plativos é necessária ao nosso equilíbrio interior.
Nesta vida, quando pedimos chuva temos de saber como lidar com a lama.

VERSOS

Com pena descrevo as penas
Que me vão no coração
As leves partem voando
Com aves que vão levando
Ramos de libertação.
As mais pesadas carrego
Qual cruz que Deus me quis dar
E como Ele as arrasto
Por este caminho vasto
Que não sei onde vai dar!

Não deixes a horas mortas
Tua vida franqueada
Que há gente na madrugada
A querer abrir essas portas.

A felicidade é cousa impalpável
Não é matéria mas envolvimento
São sentimentos num só sentimento
É um estado d’alma admirável.

Recebe em ti a força deste abraço
Oh meu amor tão novo mas tão grande
Que ele nos envolva sempre como um laço
E esse cercado nunca mais se abrande.

A lágrima que cai, água salgada
é hídrica saudade que ficou
mas é também ternura libertada
em memória do amor que terminou.

Não quero de Vulcano o sobressalto
Nem de Mavorte o ferro ensanguentado
Se o mór defeito meu peito ergue mais alto
Que em mim seja o orgulho derrotado.

Passarinha que não voa
Só atenta um passarão
Lava as penas na garoa
Está pronta p’rá diversão.

Não pode uma paixão ser comedida
Porque o risco é total, se considerarmos
Que assim ficamos sempre ao rés da vida!

Aquela moça de olhos verde-mar
Que entre cílios me fita na penumbra
Ignora o quanto me deslumbra
O misterioso tom do seu olhar

Corrupção, vício soez
Que põe a saque este mundo
Há que dar-lhe fim de vez
Enterrar o mal bem fundo

Agora, meu amor, que me roubaste
os restos de coerência que índa tinha
fazes de mim o pária que investaste;
um ébrio que nem vê onde caminha.

Abre o teu espírito ao que mais te apraz
Não o mantenhas sempre a tropeçar
Nos preconceitos do que está pra trás.

Neste mundo, os loucos guiam os cegos.
William Shakespear.

 

PARÁBOLA DE UMA ÁRVORE A UM SER HUMANO
Por: Eugénio de Sá
Portugal

Ontem… caíram algumas folhas da minha copa
e nem ouvi a chuva que pingava sobre a minha insónia.
Nada que a razão cíclica não regenere, ou não fora eu também
filha do Criador.

Aqui, sob a minha ramagem, costuma vir uma mulher refrescar-se,
matar as suas fomes de azul, mitigar as suas sedes de infinito,
resolver as suas nostalgias e os ecos dos seus silêncios.
Ouço-lhe em confissão os pensamentos e calo as suas mágoas,
os seus desesperos, as suas secretas esperanças…

Do tanto que a conheço e compreendo, já me basta fitá-la
para lhe adivinhar os estados de alma.

Nunca me importou saber como se chama, onde vive, se tem família,
em que trabalha… Mas já não poderia passar sem ela, sem o seu calado
convívio, ainda que ela me ignore os sentimentos.

Afinal, nós, as árvores, somos como os seres humanos; vivemos de pé,
e em nós também corre uma seiva que nos alimenta e mantém a existência.
Também adoecemos, recuperamos e, finalmente, morremos.
Nem sempre de causas naturais.

Mas, dizia eu; a minha sensibilidade ao que se passa com esta minha amiga
permite-me adivinhar-lhe uma doença, uma doença grave.
Há dias, ouvi que balbuciava um desabafo: «mas porquê eu, meu Deus?»
– Inquiria-se, angustiada.
Julgo saber do que se trata e tenho muita pena de não poder dizer-lhe
para a sossegar; mas estás viva, pulsa-te a vida, tens a natureza à tua volta,
a acarinhar-te, tens-me a mim para te entender e apoiar.
Olha a tua alma; ninguém tem um retiro melhor, mais aconchegante
e aprazível que a sua própria alma.

E o mais importante: Não permitas que uma doença te esvazie essa alma
da poesia e dos sonhos que certamente ainda tens . Sim, porque a tua
poesia está na capacidade de poderes continuar a sonhar a vida.
Numa palavra: está na tua esperança, na fé com que sentes nas mais
pequenas coisas a presença de Deus.

Sabes; o câncer, que tanto temes não passa de um simples distúrbio de
células, um processo um tanto desordenado do seu crescimento.

E afinal, quantos distúrbios tu já resolveste dentro de ti própria ?…
– Confia na ciência, e deixa o resto com Deus. Ele saberá o que fazer
com as tais células. 

Ah, como eu queria poder dizer-lhe tudo isto…
Mas não passo de um árvore, aqui quieta e muda,
sentindo, mas não podendo dizer o que sinto,
amando o vento, o sol, a água e este ser humano,
de quem só conheço o espaço que o seu corpo ocupa
sob a minha sombra. E os seus pensamentos,
quando se acerca do meu tronco e os desabafa,
ainda que calado.

Amanhã, quando se ela se chegar a mim,
vou acariciá-la com um dos meus ramos,
como uma amiga acaricia outra.
Quem sabe se ele entende e retoma a sua paz…

UM AMOR E UM TANGO!
Ary Franco (O Poeta Descalço)
Brasil

Em outros bailes limitei-me a um simples flerte.
Desta vez, em passos lentos, aproximo-me dela.
De soslaio, meio de lado, finge não me ver.
Seguro firme sua mão e puxo-a para mim.

Docilmente ela se entrega ao meu impetuoso convite.
Nada falamos, apenas nos sentimos um ao outro.
Cinjo-lhe pela cintura e inclino seu corpo para trás.
Trago de volta seus lábios para os meus.
Num simulado beijo iniciamos nosso evoluir no salão.

O vestido aberto na lateral deixa sua coxa à mostra.
Imagino o sublime existente a mais, além do mostrado.
Na cadência sensual do tango ergo seu corpo,
tal como a mais suave pluma,

e o deixo descer lentamente colado ao meu.
Nossos lábios quase se tocam e nos excitamos.
Estimulados por Eros temos instintos despertados,
mas se faz necessário dançar nossos corpos ardentes,

sôfregos, mergulhados num imaginário idílio porvir.
Já de há muito queria tê-la em meus braços e
hoje consegui inalar seu sensual olor,
sentir a cálida temperatura de seu escultural corpo,

ofuscar-me no cintilante brilhar de seus verdes olhos.
Prosseguimos em ritmo frenético deslizando
nossos passos pelo tablado, intercalados com volteios
e cortes compassados no espaço disponível.

Quando a orquestra se cala, despertamos de nosso êxtase
e de mãos dadas, deixamos o ar condicionado do salão
e caminhamos para o jardim. Sob as estrelas e banhados
pelo prateado luar, nos quedamos em beijos trocados.

Ao fundo ouvimos outro tango iniciado, mas
permanecemos inebriados pelo viver maior daquele novo
AMOR!  

TEU RETRATO
Professor Francisco García
Brasil

Na moldura contemplo o teu retrato
Que me deste sorrindo um certo dia,
E por vê-lo, confesso e te relato,
Que ainda vivo este sonho e fantasia. 

Passa o tempo e não passa esta alegria
Que conservo na mente e não maltrato,
Porque sem conservá-la, a nostalgia,
Transformava este sonho em sonho ingrato

Vendo o teu rosto lindo e sedutor,
Como eu lembro da força deste amor
Nestes seus lábios ternos, sensuais,

Ah! Que pena que o tempo nada sente,
E o que guardo comigo eternamente
É uma foto, consolo dos meus ais!

O OCEANO SEM CULPA
GabrielaPaís
Portugal

Imensidão que banhas a terra
de verde azulado magistral,
magia que por vezes emperra
na essência e conexão astral,
tamanha complexidade encerra,
entre céu e terra a função vital.

P’ lo grande oceano se navega,
se vive e se guarda na memória
ou pende na trepidez e nega.
Mistura de paixão e merencória,
a probidade clara renega,
vil trato da natura p’ la escória.

Loucura erguida a saber a sal
reflete num fundo conspurcado
sem culpa, sujo por gente do mal
passaste de espelho iluminado
a visão castigada, abismal,
negras nuvens num vento calado.

Desperta na esperança, confia,
que este mundo cerre o coração
ao descontrolo e torpor que o guia,
vislumbre a infinita solidão
do oceano puro que se erguia
e agora morre de podridão.

A ÚLTIMA IMAGEM
Regina Coeli Rebelo Rocha
Brasil

Meu bom espelho, a linha do teu aço
Rimava imagens que por ti passavam;
Umas felizes mil sorrisos davam
Na generosidade do teu traço.

Outras perdidas, por perdido o passo,
Na métrica dos versos se quebravam
E em hino roto e triste elas entoavam
O mais sentido olhar, cansado e baço.

Testemunhaste uma ilusão perdida
E tudo aquilo que pintaste aí
Na tua aquarela que hoje é despedida.

Cais da parede em que viveste aqui
E em tua face a lágrima escorrida
É a minha imagem que morreu em ti

DESTINO
Carolina Ramos
Brasil

Vai, Poeta… e recolhe na corola
que à beira do caminho se oferece,
o mistério da Vida, a suave esmola
do aroma que se expande como a prece.

Vai, Poeta… que o mundo tem surpresas!
Surpresas tantas, para quem procura
abrir a alma aos sonhos e às belezas,
de coração em festa e de alma pura!

Vai, Poeta… se o teu olhar se embebe
nas lágrimas de luz que o sol derrama…
deslumbra-te! O teu íntimo recebe
a semente do Amor, do Amor que inflama! 

Esquece a dor que mora na tua alma.
Se o mundo fere, com afiado gume:
– dá-lhe em troca o desdém da tua calma!
– dá-lhe teus versos cheios de perfume!

– “Louco!” – o mundo te chama. E te castiga!
E o que te dá?! – a fome e o horror da guerra!
– Louco é o mundo! Que insano o mundo siga:
– dá-lhe o perdão e a paz que um verso encerra!

 Vai em busca da tua namorada,
a vestal do infinito, a meiga Lua
– mesmo após a conquista, imaculada –
que sempre foi e sempre será tua!

Vai buscar as estrelas que no espaço
trocam mensagens, meio à noite escura!
Prende o Universo inteiro em teu abraço,
com ele esbanja oceanos de ternura!

Deixa que o ouro do Sonho te enriqueça
e hás de ter sempre um coração menino!
Vai… que o beijo das Musas tua alma aqueça!
Poeta, vai …  e cumpre o teu destino

AS HORAS ERMAS
Thalma Tavares 
Brasil

Ah! solidão, como tu és danosa!…
Quando me cercas com o teu vazio,
minha alma triste, insone, pesarosa,
sofre de ausências neste quarto frio.

 Estendo as mãos ao nada e desafio
a noite, que se adensa vagarosa
sobre o meu corpo tenso e erradio,
a se agitar na insônia insidiosa. 

Não há ninguém em minhas horas ermas.
Apenas sombras do passado, enfermas,
povoam de saudade minhas noites. 

E então maldigo a solidão das horas
e a chegada acintosa das auroras,
que me fustigam com seus mil açoites.

 

2 comentarios en “POEMAS EM PORTUGUÉS”

  1. EUGÉNIO DE SÁ – «PARÁBOLA DE UMA ÁRVORE A UM SER HUMANO»: Maneira simples de focar
    num tema : com naturalidade! Mesmo parecendo, complicado… mostrando como exemplo a força
    da natureza, tornando mais simples de entender e assumir com coragem , tornando mais simples
    a vontade de vencer…e a vida segue o caminho da superação! Sabedoria que se inspira na Natureza!

    ARY FRANCO – » UM AMOR E UM TANGO»: Momentos saudosistas, que retornam relembrando sonhos
    de amor… Feliz o poeta que imortaliza o amor!

    REGINA COELI RIBEIRO ROCHA : » A ÚLTIMA IMAGEM: Um poema que tem a força e a coragem de
    de transpor a própria imagem que viu refletida na lágrima, morrendo na face de quem amou… a
    última imagem de de uma ilusão perdida e um final triste.

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