POEMAS EM PORTUGUÉS

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ANTÍTESE
Luiz Poeta

Sem luz, a sombra se apaga…
Sem sombra… existe luz ?
Melhor ver o brilho da adaga,
Que ver o opressor de capuz.

A sombra transforma os sentidos,
Ninguém anda sem claridade,
É cego quem vive escondido
Nas sombras da impunidade.

Se a dor é tristeza e penumbra,
O amor é uma luz colorida
Que enfeita, abençoa e deslumbra
pessoas que amam a vida.

A luz é energia divina
Que emana do amor de Jesus
A prece, por mais pequenina,
A Deus certamente seduz.

E se somos luz, quando oramos
Sozinhos… unamos as mãos;
Porque quando nos abrigamos
Na luz, somos mais que irmãos.


A VELHA VELA
Ary Franco (O Poeta Descalço)
 
No altar da capela, à beira do exaurir, bruxuleante,
Lembra a velha vela quando de sua chama iniciante.
Ao seu lado, uma outra já foi colocada para a substituir.
Luta agora contra a lufada da brisa que a quer extinguir.

Foi feita para durar apenas sete dias, em curta existência.
Mas quantos diante dela, contritos e ajoelhados, rezaram.
A todos ouviu iluminando-os com inabalável indulgência.
Muitas promessas foram feitas, sem saber se as pagaram.

Vários vieram para agradecer as dádivas alcançadas.
Uma mãe ofereceu a vida pela cura da doença de sua filha.
Casais enamorados juraram perene união, de mãos dadas.
Um cego agradeceu a Deus os quatro sentidos que inda tinha.

Ao som da Ave Maria, fiéis oravam na missa iniciada.
A imagem de Jesus Cristo crucificado santifica o Templo.
O pavio curto da vela é consumido em pouco tempo.
E envolta no espiralar da fumaça, a velha vela se apaga…

 O ENCANTO DO CINZA
Eugénio de Sá ( Portugal)

Se elas soubessem do encanto que tem
O tom de prata dos seus belos cabelos…
Se elas soubessem, viam-se pr’além
D’outras mais jovens com as quais competem.

Mulher madura, sabe que os tons cinza
Com que a vida pintou os teus cabelos
São d’entre as coisas belas, a mais linda
Que pode suscitar bastos desvelos !

O charme numa idade mais madura
É um bem precioso a contemplar
Por quem sabe o que é a formosura,

E adivinha o quanto sabes dar
Em matéria de amor e de doçura
A alguém que esqueceu o que é amar.

ADEUS À CASA PATERNA
Amilton Maciel Monteiro

Em casa, não se via a minha mãe chorar
perante os filhos seus, em circunstância alguma,
por mais que ela enfrentasse o que esta vida arruma
para ferir os bons, buscando aprimorar…

Assim, cravou profundamente, igual verruma,
meu jovem coração, que quase quis parar,
aquela solitária vez que vi rolar,
dos olhos de mamãe, gotinhas, uma a uma…

Seu pranto foi sereno, mas tão expressivo
que a mim mil coisas disse, no silente instante;
lições que eu conservei por esta vida afora…

Que me ensinaram ser varão, mas afetivo
e me fizeram ver quanto é feliz bastante
levar o amor dos pais quando se vai embora!

G a i v o t a
Ernane Gusmão

Ave inquieta rufla as asas belas
Eriça as penas fartas de brancura
Sente o tropismo indócil da aventura
É parte… vai em busca das procelas.

Enfrenta o temporal na envergadura
Luta com as ondas e escarnece delas
As asas ledas a aspargir bravura
No mar revolto mais parecem velas.

E quando, aos poucos, cessa a ventania
Crespas ondas começam a serenar
Subindo aos ares doida de alegria,

Vomita o canto em gritos de vitória
E desgraçada, envolta nessa glória
Julga, iludida, ter vencido o mar.

SE ELE NAO TIVESSE NASCIDO…
Carolina Ramos (Brasil)

Nossos olhos não leriam estas palavras,
nem tu… nem eu seríamos o que somos,
se ele não tivesse nascido!…
A Trova, mera quadrinha…
passaria por nós, despercebida, sem que nela sentíssemos
a magia que cativa e que aglutinaria
a imensa família, de Irmãos de sonhos e ideais… que somos!
Se ele não tivesse nascido… seríamos, por acaso, Trovadores?!
A desfrutar da Trova as glórias que nos dá,
vagaríamos (sem bússola) bagagem nas mãos,
pelos escaninhos deste Brasil, tão grande…
tão somente para ver nosso nome, entre outros nomes,
valorizado por gente que sente, que sonha e que canta como nós?!

Ah!…Se ele não tivesse nascido!
Nossas alegrias, por certo, seriam menores!…
Dias monótonos!… sonhos não sonoros… menos ricos … e sem cor!
Nossas vidas, pobres de emoções… e tão menos felizes!
Fala, por nós, a voz deste poema:
– Somos gratos!

Gratos somos a ti, LUIZ OTÁVIO!
Sendo quem foste… e sendo o que ainda és…
pudemos , também, ser o que hoje somos!
Um Templo abriste… E nos chamaste a entrar!
São tuas as saudades e os louvores,
daqueles que , feliz, tu abraçaste
e, na emoção do abraço, transformaste
em teus fiéis IRMÃOS… OS TROVADORES!

TRISTEZA
Gabriela Pais (Portugal)

A tristeza esmaga dúlcido peito,
tentando ocultar seu estado febril,
mas a nostalgia mantém seu jeito
em feridas que sangram no vazio.

Desamor na reflexão do sentir
que penetra na alma que vocifera,
na profundeza do abismo a ferir,
com gadanhas cortantes tal qual fera.

Tristeza não demole, mas consome,
é noite pungente escura como pez,
é criança moribunda p’ la fome.

Pairar p’ lo ar não lapida frigidez,
desacertos como mar que carcome,
prazer triste de almas com aridez.

IGUAÇU
Emiliano Perneta (Brasil)

Ó rio que nasceu onde nasci, ó rio
Calmo da minha infância, ora doce, ora má,
Belo estuário azul, espelhado e sombrio,
Quanto susto me deu, quanto prazer me dá!

Quantas vezes eu só, nestas manhãs de estio,
Ao vê-lo deslizar, pomposamente, lá,
Pálido não fiquei, tão majestoso vi-o,
Orgulho do Brasil, glória do Paraná!

Companheiro ideal! Durante toda a viagem,
Foi o espelho fiel a refletir a imagem,
Dos mantos e dos céus, discorrendo através

Da floresta, ora assim como um cão veadeiro,
A fugir, a fugir alegre e alvissareiro,
Ora deitado aqui quase a lamber-me os pés!

INVASÀO
Herbete Felipe Souza

Qual poderosa esquadra de fragatas,
Tu aportaras em terra sem defesa;
sorrateira …roubastes de surpresa
A paz que havia em minhas serenatas.

Minh’alma que entoava altas sonatas,
Hoje, embala vil pranto de tristeza…
Mas carrego comigo,em riste, acesa
Uma fé que afugenta almas ingratas.

Sucumbi … fui refém dos teus gracejos,
ancorado ao perfil do teu sorriso!
Mas fostes a represa dos desejos

Na bravia maré dessa vontade.
Quem me dera sonhar com o paraíso,
perfazendo ao teu lado outra metade

SER ÁGUA
Eliana Ruiz Jiménez (Brasil)

Às vezes sou água transparente
que brota do cio da mata
modesta forma, nascente
que devagar se dilata.

Às vezes sou água espraiada
que passa desavisada
e recebe rejeitos, dejetos
ao cruzar caminhos de concreto.

Às vezes sou rio que desaba
que se acaba na cachoeira
mas se refaz e corre
rio que cai não morre
na ribanceira.

Mas sempre, sempre
sou água do mar
porque o fim de toda água
é se deixar ao vento
e ondular.

HÁ CERTOS MOMENTOS NA VIDA…
Dáguima Verónica

Tem certos momentos na vida da gente que queremos um amigo…
Um amigo de verdade…
Um amigo capaz de amar
para que saiba ouvir,
entender,
partilhar,
ajudar.
Há certos momentos na vida que precisamos de carinho…
Um abraço demorado…
Envolvente…
Confortante…
Pleno.
Ah, aquele amigo alto astral, cheio de energia vibrante…
Que cante uma canção ao pé do ouvido…
Que fale tudo sem dizer nada…
Que não se canse do silêncio…
Que acorde nosso sorriso
e faça adormecer a solidão…
Que se apaixone pela nossa presença…
Que se case com nossa confiança.
Um amigo que atravesse nossa transparência
e mesmo assim diga:
– Eu te amo, estou contigo para o que der e vier!

MEU PAI, MEU FILHO!
Regina Coeli

Um velho pai, um velho e nada mais,
Alquebrado, vencido e sem juízo,
Ontem e hoje um homem tão sem siso,
Que não sabe o que fala e o que faz…

Deixar-te, ignorar-te, isso jamais!
Segues comigo pelo chão que eu piso,
São tantas queixas e tão pouco riso
Desde um tempo que trago lá de trás…

Se pode um outro falho coração
Atrever-se, quem sabe, a perdoar,
Eu me perdoo, pai, tanto te amar!

E esse amor, um jardim em floração,
Perfumará de afetos o empecilho
Que fez de ti, meu pai, meu doce filho!

 

2 comentarios en “POEMAS EM PORTUGUÉS”

  1. Este é mais um notável acervo poético no qual me vejo honrosamente representado.
    Aqui fica a expressão da minha admiração aos meus ilustres pares, e um louvor a quem nos editou,
    Eunate Goikoetxea, que assim continua a contribuir para a divulgação da poesia lusófona contemporânea.

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  2. Parabéns a todos os poetas, belos poemas. Quando me arrepio ou sinto as lágrimas a querem aflorar nos meus olhos, a ouvir música ou a ler poesia, como foi o caso, é porque realmente são bons, sentimos o que contêm, o que nos transmitem. Parabéns também para a Revista, pela força e o querer de toda esta equipe, em dar a conhecer ao mundo a beleza da poesia.

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