ENTREVISTAS EN PORTUGUÉS

 

 

EDWEINE LOUREIRO 

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Minha entrevista de hoje está centrada numa grande pessoa à que a que eu admiro e tenho muito carinho   :Edweine Loureiro  ; minha intenção é que os leitores de nossa Revista LunaSol conheçam-na através de suas palavras.

P.- Edweine  fala-nos sobre ti?

R.- Sou um brasileiro, residente no Japão há quinze anos, e que sempre foi um apaixonado pela Literatura. Sou advogado por formação, e professor e escritor por paixão. Acredito que a leitura é um elemento transformador: e foi essa crença que me levou a dedicação aos estudos e à leitura, desde os tempos de menino na Amazônia.

P.- ¿Recordas com carinho os momentos de tua meninice e tua primeira juventude?

R.-  Foi uma infância que, dentro das condições financeiras limitadas de meus pais, teve, claro, como qualquer infância, momentos de alegria. Mas nunca fui uma criança irrequieta, de sair para brincar com os amigos. Sempre concentrado nos livros, pois sabia que, para mim, os estudos eram o único meio de conquistar um futuro melhor.

P.- ¿Podes nos contar como foram?

R.- Como disse, de muito estudo. Minhas brincadeiras e jogos fazia-os, sozinho, no quintal de minha casa. Talvez isso tenha sido muito importante para a escrita, pois tais brincadeiras solitárias eram um exercício à criatividade e à imaginação.

P.- Como pessoa sensível que és ¿ que ramo das belas artes te atrai mais?

  1. R. Além da Literatura, o Cinema. Foi assistindo as filmes de Chaplin, cujas histórias eu imitava e/ou recriava, que comecei a tomar gosto pela narrativa. A paixão pelos livros já a tinha: o Cinema veio completar esta paixão pelas Arte.

P.- Que compositor do Barroco e do Romantismo tem influído mais em ti?

R.-  Gosto da música clássica, mas meu conhecimento sobre o tema ainda é básico. Talvez minhas preferências sejam ainda limitadas por isso. Não conheço tanto os compositores barrocos,  com exceção de Johann Sebastian Bach e Vivaldi. Já entre os românticos, gosto muito de Beethoven e Chopin.

P.- ¿Gostas da música popular que é a estampa viva, dos povos ?

R.- Gosto muito da Música Popular Brasileira. Gosto, claro, da Bossa Nova. Mas cresci com aquelas canções compostas por grupos irreverentes e contestadores dos anos 80 no Brasil: Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Nenhum de Nós, Camisa de Vênus etc. Esses grupos trazem-me maiores recordações pessoais que, por exemplo, a Bossa Nova.

P.- Agora vamos ir ao campo literário. ¿Que te move a escrever? ¿É uma necessidade vital em ti?

R.- Escrever é tudo. Se passo um dia sem rabiscar uma linha que seja, sinto-me mal ao fim do dia. As letras sempre foram e sempre serão de vital importância para mim.

 P.- ¿Recordas ao primeiro poeta que leste e como influiu em tua vida?

R.-  Foi o Poeta brasileiro Alphonsus de Guimaraens (escreve-se assim mesmo). Seu poema intitulado Ismália fascinou-me. Foi o poema que utilizei para ministrar minha primeira aula de literatura: eu tinha, então, quinze anos de idade.

P.- Que classe de poesia preferes, a clássica ou a vanguardista?

R.-  Geralmente, quando escrevo, procuro não pensar nestas divisões. Tanto a poesia clássica quanto a vanguardista têm me ensinado muito no processo de encontrar minha própria voz, meu estilo.

P.- O mundo das letras é muito extenso, além de poesia e trovas ¿escreves outro género literário?

R.-  Escrevo muitos contos e minicontos. Escrevia mais crônicas – mas não as tenho escrito ultimamente. De três anos para cá, também tenho me dedicado muito à Literatura infantil. Tenho alguns livros para publicar neste gênero.

P.- Recordas o primeiro que escreveste?

R.- Meu primeiro texto foi um poema, escrito já aos quinze anos de idade, que mandei para um concurso sobre Pablo Neruda. Não foi premiado, infelizmente. Confesso já nem me lembrar dos versos, mas foi o primeiro esforço, minha primeira tentativa como escritor.

P.- ¿Tens publicado algum livro? ¿Tens em projeto uma futura publicação?

R.- Sim, tenho cinco livros publicados: sendo os mais recentes de poesia – FILHO DA FLORESTA (2015) e NO MÍNIMO, O INFINITO (2013). Agora, estou em negociação com uma editora para a publicação de um livro de trovas. E já enviei para duas outras editoras meus livros de Literatura Infantil, entre estes o que obteve o Prêmio Ganymedes José, da União Brasileira de Escritores, em 2015. Aguardando as respostas, no momento.

 P.- ¿Gostas da solidão? ¿Precisa dela para criar e interpretar música para ti mesma?

  1. R. Sim, somente consigo criar quando estou sozinho. Mas não em completa “solidão”. Pois escrevo sempre com a TV ligada, no canal de cinema.

P.- És uma pessoa perfeitamente formada no mais estrito humanismo e quisera perguntar-te… ¿Como vês a situação política e económica em tua pais? Crês nos valores humanos e éticos?

R  Eu costumava ser mais cético em relação à humanidade, mas a experiência de residir no exterior mudou muito minha forma de ver a meu próximo: tento hoje analisar mais meus próprios erros, e entender mais as diferenças de comportamentos. Claro que, neste processo, ainda tenho muitas falhas de comunicação: e ainda me irrito, às vezes até excessivamente, quando percebo que alguém me trata com arrogância e desrespeito. Mas, no geral, tento estar mais controlado e tolerante. E sei agora pedir mais desculpas do que exigi-las: acho que este foi um avanço importante em relação ao rebelde da juventude. Quanto à situação política de meu país, ao contrário, não posso ser de modo algum tolerante: a esquerda no poder foi um verdadeiro “lamaçal”, e, na minha opinião, seus representantes merecem ser punidos por suas arbitrariedades. Em nome de falsos projetos sociais, a “Esquerda” (coloco assim mesmo, entre aspas) terminou por se reduzir a um grupo político que se enriqueceu de forma ilícita, enquanto nosso país afundava em uma crise econômica e moral sem precedentes. De tal modo que, sinceramente, não vejo nada de positivo para o povo se houver a continuidade de tais governos “bolivarianos”: não somente no Brasil, mas em toda a América Latina.

P.-¿Achas que algum dia chegaremos a atingir a confiança plena no ser humano?

R.- Acho a palavra plena perigosa. O ser humano é, naturalmente, cheio de contradições. A propósito, há um conto de Machado de Assis, que adoro, intitulado “A Igreja do Diabo”, que põe uma questão interessante: a de que o ser humano anseia pelo pecado, mas que, no dia de que este for oficializado, deixa de ser atrativo. E, nesse dia, como reflexo das contradições humanas, a virtude será mais almejada.

P.- ¿Qual é tua melhor qualidade e teu pior defeito?

R.-  A melhor qualidade: acho que a persistência em busca de um objetivo. Já o maior defeito, contraditoriamente, é a falta de paciência nas situações em que sinto estar próximo de  alcançar tal objetivo.

P.- ¿Que coisas são as que te fazem chatear?

R.-  Arrogância e desprezo. Penso assim: jamais despreze o potencial de outros. Afinal de contas, a vida é feita de ciclos.

P.-¿Que meta gostarias de alcançar na vida?

R.-  Seguir lecionando e escrevendo. E, mesmo que não consiga subsistir exclusivamente através da escrita, chegarei ao final da vida sem o arrependimento de não haver tentado. Não existe o fracasso para aqueles que tentam: acredito piamente nisto.

P.- ¿Que lugar ocupam em tua vida os afetos?

R.- Primeiro lugar, sempre. Sem o amor de minha esposa e de meus pais não poderia seguir adiante.

P.- ¿Que lhe pedes ao futuro?

R.-  Saúde para continuar tentando.

P.- ¿Desejas anexar algo mais do expressado aqui?

R.-. Somente quero deixar a mensagem de que, ao invés de i-phones, haja mais livros nas mãos de crianças e adultos. No mais, querida Eunate, obrigado, muito obrigado, realmente, pela carinhosa entrevista. Fiquei muito honrado e feliz. Gracias, mi amiga. E obrigado, também, a todos os irmãos da Revista LunaSol por este constante apoio e afeto. Um grande abraço do Japão a todos. Arigatō!

Obrigada,Edweine  em nome de LunaSol e no meu próprio por tuas amáveis palavras.

Assim todos conhecer-te-emos mais e admiraremos mais. Eunate

3 comentarios en “ENTREVISTAS EN PORTUGUÉS”

  1. A maior sabedoria de quem sabe o seu saber, é saber que todo dia sempre tem o que aprender.

    Parabéns a esse «menino do Amazonas», Edweine Loureiro, professor e poeta, que muito bem está nos representando no Japão, mesmo porque quem é poeta tem muito de menino, e todo menino é cativante já a partir de seu sorriso.

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  2. Bravos, Edweine, pela ponderação e a atualidade de tuas respostas às perguntas formuladas inteligentemente pela simpática e sempre gentil Eunate. Parabéns a ambos pelo ótimo desempenho!

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