CRONICAS,ARTIGOS E OUTROS TEXTOS

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Mayo  2.020  nº 31

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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

TRAICÒES ,FALTA DE ESCRÚPULOS E FARSAS: VIVIMOS IMERSOS EM UM MUNDO DE VANGLORIAS
Por;Oliva Corado

Acreditamos que somos os seres evoluídos do universo, mas é o contrário: somos o retrocesso constante e a perda

Vivemos em um mundo de vanglórias, onde são premiados os mais ruins, aqueles que traem, quem não tem escrúpulos, quem pisa em alguém para alcançar objetivos próprios. Em um mundo de farsas, onde a única coisa real é a burla. Esse é o mundo que criamos e alimentamos todos os dias com nossas ações ou passividades; estas dependem do que nos convenha segundo soprem os ventos em nossa bolha de indiferença e egolatria.  

Um mundo de falta de respeito ao outro e a todo ser vivente. Somos sociedades de indivíduos descartáveis e espantalhos. Indivíduos que perderam toda a integridade, que a venderam em troca do efêmero que dura o mesmo que um pontapé na bunda. Estamos feitos de autodestruição, uma humanidade que dia a dia se empenha em sua luta por desaparecer; não sem antes carregar tudo o que encontra à sua passagem, tudo o que não lhe pertence, mas de que se apropriou descaradamente acreditando-se dono e, pior que isso, patrão!

E com essa premissa andamos pela vida acreditando que outros nos devem homenagens e que devem se arrastar diante de nós para dar-lhes o que por direito lhes corresponde; mas necessitamos que se humilhem para que nos vejam lá em cima, nessa altura onde qualquer um pode cair com o sopro de uma brisa.

E pensamos ingenuamente que o que nos faz maiores é um sobrenome, um título, um posto de trabalho, uma marca de roupa ou uma loção. E quando em realidade o que nos faz grandes, o que nos cria, o que nos converte em seres humanos é nossa capacidade para sentir a dor do outro, para ver com os olhos do outros, calçar os sapatos do outro. O que nos converte em seres humanos são nossas ações diante da injustiça, da burla, da deslealdade e da opressão, da avareza de uns poucos que acreditando ser patrões da Pátria pisam nos direitos de milhares.

No fundo do abismo já estamos como humanidade e se não tivermos a capacidade de reagir e pensar como coletivo.

Acreditamos que somos os seres evoluídos do universo, mas é o contrário: somos o retrocesso constante e a perda. Acreditamos que lastimando outros estaremos a salvo, que a dor nunca nos tocará, que nunca teremos a sede de outros, e que nossas deslealdades, nossas traições, nossas egolatrias serão suficientes para não cair nunca no fundo desse abismo que tanto tememos: o da pobreza e da miséria no qual obrigamos milhares a viver.

No fundo do abismo já estamos como humanidade e se não tivermos a capacidade de reagir e pensar como coletivo, dando conteúdo à nossa existência e unificando critérios, propostas, ações, acabaremos na autodestruição definitiva. E não haverá títulos, nem loções, nem postos de trabalho, nem pretensão alguma que possa nos resgatar.

É comum vermos as faltas dos outros e covardemente esconder as nossas; deveríamos talvez começar por nós mesmos com esse exercício tão simples de olhar-nos no espelho e conversar com nossa memória individual e coletiva sobre essa humanidade que se julga auto suficiente quando nem sequer pode respirar por si mesma.

Oxalá algum dia aprendamos a ver-nos sem vestes e aprendamos da nossa fragilidade e inconsistência e, que não seja tarde nesta marcha sem retorno que empreendemos com nosso mundo de vanglórias. 

O CÁNCER,ESSE MAL MAIOR PARA O QUAL A CURA VAI SENDO CADA VEZ MAIS REAL
Um Apontamento de Eugénio de Sá

Receber o diagnóstico de uma doença como o câncer mexe com a vida de qualquer pessoa e as de todos os que estão à sua volta. As reacções são as mais diversas porque cada indivíduo reage de uma forma diferente. Por norma, todas passam por diversas e sucessivas fases; negação, revolta, depressão, aceitação.

Na grande maioria dos casos o factor medo está sempre presente: medo de morrer, da cirurgia, dos químicos, dos efeitos colaterais, de ficar careca, de deixar os filhos, o cônjuge, etc. Daí, que o apoio emocional seja importantíssimo. A pessoa precisa de ser ajudada, mesmo que esse entendimento não lhe seja tácito. E então a pergunta põe-se: como ajudar uma pessoa que não pede para ser ajudada?

Sabe-se quão importante é o testemunho de quem já passou por todas essas fazes e por todos os exames e tratamentos, e ultrapassou vitoriosamente a temível doença. Quando se trata de ajudar um paciente que inicia o seu tratamento é muito importante que ele chegue a um entendimento com quem se presta a ajudá-lo. Quando isso acontece, depressa se gera entre ambos uma empatia que leva à compreensão e à assimilação.

Quem já viveu na pele um caso de câncer, e sobreviveu, pode sempre transmitir a sua experiência como pessoa curada, que desenvolveu em si um sentimento consolidado de esperança e de gratidão. Entre si e o novo paciente vai gerar-se uma grande cumplicidade, e essa é uma relação única e insubstituível, complementar ao apoio psicológico de um profissional.

Sei do que falo, pois eu próprio, nos anos oitenta, passei por uma situação semelhante, ao ser-me diagnosticado um sarcoma nos tecidos moles num dos membros inferiores. Fui então sujeito a duas cirurgias sucessivas que impediram a tempo que as células se propagassem a outras zonas do corpo, o que tornaria letal este tipo câncer. Posso hoje dizer que sou um raro sobrevivente de um tipo de tumor maligno, que nessa época matava em média 96% dos que o contraíam.

Em 2008 fui solicitado por uma instituição de S. José do Rio Preto (SP) – Brasil, que se ocupava de tratar o câncer, para preparar o conteúdo de um  folheto destinado a  ser distribuído aos seus doentes, com a finalidade de lhes aligeirar os efeitos psicológicos dos tratamentos a que eram submetidos.

Na oportunidade produzi duas versões dirigidas aos dois sexos. Chamei a esse texto: “Parábola de uma árvore a um ser humano”. A versão que aqui apresento é a dirigida às mulheres.

Parabéns os profissionais de saúde que enfrentam com coragem o coronavírus!
José Richards 
Rio de Janeiro Brasil

 

Deus é bom! A maioria das pessoas infectadas e hospitalizadas pelo coronavírus, na Ilha do Governador, tem sido curadas. Na semana passada o percentual era de 70% e agora aumentou para cerca de 75,5%. A notícia é excelente! Estão de parabéns os profissionais de saúde que com coragem travam uma luta simultânea contra a doença, falta de leitos de UTI e de equipamentos em muitos hospitais.

Não está nessa conta de recuperados, as milhares de pessoas que se trataram em casa. Orientados por médicos, fazem a quarentena e se recuperaram, com remédios e realizando procedimentos caseiros de isolamento social.

A guerra conta a Covid-19 é muito grande. É uma guerra mundial que mete medo e que todos os cuidados de prevenção são necessários para proteção pessoal e coletiva, dos familiares, amigos e de todos os nossos vizinhos.

Acredito que agora os cuidados precisam aumentar para que essa a pandemia acabe o mais rápido possível. Não ter medo da doença pode ser um erro fatal. Exagerar nos cuidados com a utilização das máscaras fora de casa é absolutamente indispensável, além dos outros procedimentos e cuidados, como lavar as mãos com sabão ou passar álcool gel depois de qualquer contato com pessoas ou objetos além, naturalmente, dos procedimentos de higienização que cada um de nós precisa fazer ao chegar em casa, para proteger nossas famílias.

Por outro lado, são inacreditáveis as notícias de que gestores públicos na área da saúde estejam se aproveitando para fraudar a compra de equipamentos, como os respiradores, para ganhar dinheiro fácil nesse momento tão difícil para a humanidade. São atos criminosos pelo roubo e pelo absoluto desrespeito à vida de quem está sofrendo numa UTI e precisa do aparelho na luta que trava pela vida. É inacreditável!

1 comentario en “CRONICAS,ARTIGOS E OUTROS TEXTOS”

  1. «UM APONTAMENTO» (Eugénio de Sá) : Esse descortinar de uma superação, significa doar-se para semear esperança,para as incertezas e expectativas… Angústias e obstáculos vencidos, são exemplos marcantes que ensinam e testemunham pela experiência,
    a ter boas expectativas e fé diante do inesperado : A SUPERAÇÃO! Dizem que o segredo do amor, é o amor…e, essa maneira de
    transmitir e repartir um problema vivido, é amor que traz alento e esperança…

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O TER, O SER, E O PARECER
Um Apontamento de Eugénio de Sa

  Na sociedade actual prevalecem desejos cada vez mais associados ao «Ter» como a   crescente ambição de posse de bens materiais, de par com um irreprimível desejo de consumismo, e sede de poder, em detrimento dos maiores valores reais da vida, o que coloca a humanidade no abismático caminho da destruição social, psicológica e ambiental. 

  Ah, mundo, para onde vais,
  se a minha visão distante
  se perde na cinza das brumas
  de um horizonte inconsequente,
  e triste.
  E.Sá

Vejamos o que nos diz o filósofo e sociólogo Erich Fromm: 

  “A relação das pessoas com a Natureza tornou-se profundamente hostil. Sendo, como somos, «fenómenos da Natureza», existindo dentro dela pelas próprias condições do nosso ser e transcendendo-a pela dádiva da razão, tentamos resolver o problema existencial desistindo da visão messiânica da harmonia entre a Natureza e a Humanidade, optando por conquistá-la, transformá-la, de acordo com os nossos interesses, até que essa conquista se tornou cada vez mais semelhante à destruição. O nosso espírito de conquista e a nossa hostilidade cegaram-nos para os fatos de que as fontes naturais têm os seus limites e podem eventualmente esgotar-se, e de que a Natureza pode voltar-se contra a violação humana.

  Somos uma sociedade de gente visivelmente infeliz: sós, ansiosos, deprimidos, destrutivos, dependentes – gente que se alegra quando matou o tempo que tão desesperadamente tenta poupar.”

O “TER”, o “SER”, e o «PARECER»

  Para muitos, possuir bens materiais parece ser hoje o único meio de valorização pessoal. Este conceito encontra nos seus defensores a justificação de que para se ser reconhecido e ganhar notoriedade, é necessário “Ter”. Para esses, a procura da felicidade parece passar exclusivamente pelo Ter e/ou por aparentar “Ter” (o querer “Parecer”).

  Uma manifestação do “Ter” é o da apropriação. E o detentor do bem obtido quer ser reconhecido com vencedor. Porque nenhum desses indivíduos quer sequer aceitar que pode vir a perder aquilo que conquistou. Se me alargasse um pouco mais, iria indubitavelmente cair numa caracterização próxima do neo-liberalismo mais ou menos selvagem – com o seu cortejo de práticas condenáveis – onde o meu contumaz espirito analítico e, eventualmente, censório. me levaria. Mas, decidida-mente, não foi isso que hoje aqui me trouxe.

  No fundo, a grande diferença entre o “Ter” e o “Ser” equivale à diferença entre uma sociedade centrada nos bens materiais, nas coisas, e outra que se foca nas pessoas, porque deve ser para isso que nos organizamos enquanto sociedade dita civilizada.

O “Ser” é o assumir a consciência da realidade, do que se é, e de que existem os outros num mundo que a todos abriga, e, como tal, que deve se respeitado.

Ao “Ser” estão subjacentes os conceitos da independência e da liberdade, a nossa e da pátria que nos reconhece como seus filhos. Negar-lhe esse mór direito seria traí–la e,consequente, trai-nos a nós próprios.

  Para mim, sermos felizes é sentirmo-nos em paz, e isso implica estarmos de consciência tranquila, de bem connosco próprios e com os demais, porque, na justa medida das nossas possibilidades, contribuímos para o bem colectivo.

PORQUE SERMOS SÓ O QUE TEMOS, É POUCO, É MUITO POUCO!

As meninas também jogam (e entendem de) futebol
Ilka Oliva Corado

Cheguei aos “campos do lago”, assim são chamados os campos de futebol que estão em frente à praia da Rua Montrose, e minha grande surpresa foi ver times mistos de meninas e meninos; não pude conter o pranto pela emoção, aquele instante para mim foi catártico. Na minha infância, tinha crescido brigando com moleques, desafiando-os com socos para lutar por meu lugar no campo.

Diziam-me que o futebol não era coisa de meninas, que fosse brincar com bonecas e lavar pratos. Eu em resposta os desafiava e dizia que iam ver que eu não estava brincando; o primeiro que falasse veria o sangue pingar. Foi assim que me tornei especialista em brigas de rua: um soco direto no nariz e voavam os pingos de sangue, o que me assegurava o lugar no time. Dentro do jogo, a coisa era outra, rasteiras a toda hora; ignorada, ninguém queria me passar a bola, ninguém confiava que uma menina pudesse marcar um gol. Fui cavando meu lugar à custa de boladas e pontapés. A vingança eram as técnicas de paredão, até que já não fiquei em último lugar e não puderam “fuzilar-me” com boladas.

Eu apanhava em dobro, porque já sabia da surra que minha mãe daria porque eu pulava a cerca e ia jogar futebol com os moleques, além dos encontrões para ganhar o posto na partida. Mas todo o sacrifício valeu a pena e muito mais a alegria, porque o futebol se converteu na minha paixão. Então, ao terminar o jogo, saía com o sangue quente pelas brigas e ia pra casa, para receber a surra de todos os dias, porque todos os dias, fosse como fosse, eu saía para jogar futebol.

Nesse dia de abril, eu chorei de alegria, com o pranto acumulado de toda uma vida que não pude conter, porque essas meninas não tinham que brigar para jogar futebol e, além do mais, em equipes mistas, coisa que eu nunca havia visto na Guatemala.

Uma parte de mim sentiu-se realizada. Depois de 15 anos vivendo nos Estados Unidos ainda não me acostumei: cada vez que vejo jogos mistos sinto a mesma emoção daquele primeiro dia e fico com os olhos cheios d’água, e lhes grito emocionada: passa a bola! Abra o jogo! Pare! Chute agora! E grito como louca em qualquer gol, como se fosse eu mesma que tivesse feito. É uma emoção indescritível ver meninas jogando futebol e muito mais quando os times são mistos e demonstram que elas de sexo débil não têm nada, porque dão fintas, amortizam, conduzem e anotam com a habilidade, a excelência, a magia e o estilo que não tem nada a ver com o gênero.

Como árbitra, tampouco o caminho foi fácil. Creio que sofri muito mais que como jogadora, porque ser autoridade e fazer valer o regulamento em um jogo de homens era desafiar o machismo e os estereótipos. E a única forma de demonstrar minha capacidade era agindo de acordo com a lei e, para isso, tinha que saber o regulamento de ponta a ponta e, além disso, entender o jogo e marcar uma falta no instante preciso. Ser árbitro não é qualquer coisa, é preciso saber aplicar o regulamento. Jamais vão perdoar a um árbitro uma falta mal marcada e um cartão que não foi dado a tempo.

No dia 10 de março, sábado, mais sonolenta que acordada, depois de ver um filme, mudei de canal e na Univision estavam passando um jogo da Liga Mexicana: América contra León. Eu não vejo futebol televisionado, mas chamou minha atenção escutar que quem narrava o jogo era uma mulher; no primeiro instante não acreditei, fiquei escutando, porque sei que há mulheres que participam como comentaristas, mas jamais como narradoras. Para narrar futebol é preciso ter uma habilidade de poucos e uma paixão inconfundível. Para narrar um jogo há que viver em tempo real, como vivem os jogadores em campo.

Fiquei escutando enquanto no coração começava a acelerar as palpitações. Está narrando? Perguntei-me. Uma mulher está narrando o jogo? Tornei a me perguntar, emocionada. Tão emocionada como quando vi naquele abril as meninas jogando em times mistos e como quando vi uma mulher receber as Olimpíadas da Grécia, cem anos depois que saíram daquele lugar, quando sabemos que no seu início as mulheres não podiam participar nem como espectadoras e muito menos nas disciplinas esportivas.

Repito, não vejo futebol televisionado, mas no sábado, 10 de março, fiquei grudada no televisor, deleitando-me com a qualidade de Íris Cisneros, jovem de 28 anos, mexicana, de pais salvadorenhos, que há pouco tempo forma parte da equipe de Univisión Deportes. A quem aplaudo por ser a primeira mulher de língua espanhola a narrar um jogo de futebol em Estados Unidos, não sei se no continente Americano, mas é a primeira vez que escuto a uma mulher narrando uma partida de futebol de homens de liga maior. Que tenha sido no jogo do América, resultou uma plataforma extraordinária para que sua estreia chegasse a milhares de lares.

Iris Cisneros, então, com isso, abriu uma porta enorme, para que mais mulheres sigam o caminho da narração esportiva, em qualquer disciplina, derrubando com isso o patriarcado e os estereótipos, e muito mais no futebol por razões óbvias. É uma pioneira e eu reconheço seu trabalho, a importância de sua projeção e o orgulho e a alegria de vê-la como mulher narrando jogos de futebol de homens.

Por Íris e por todas as mulheres que através do tempo abriram caminhos para nosso gênero nos esportes. Que venham mais!

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