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Marzo  2021 nº 41

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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

COLABORAN: Ilka Oliva Corado. Eugenio de Sá.-Magna Aspásia Fontenelle.-Ary Franco

Liliana Foresi: Censurada e perseguida há 30 anos, jornalista merece reparação pública
Ilka Oliva Corado

Liliana López Foresi, é uma referência do jornalismo comprometido, não com os que subornam, nem com os que destroem, mas com os que resistem e se irmanam quando as coisas andam mal. É um mito, uma lenda do jornalismo que muitos da oligarquia argentina através dos anos tentaram desvanecer. Quem pensa em jornalismo humano, indispensável, responsável, com enfoque de gênero e ético na Argentina sabe que tem uma representante: Liliana López Foresi. 

Mas, se Liliana é tão importante para os alicerces do jornalismo feminino com opinião política na Argentina, por que continua censurada depois de 30 anos? No dia 2 de maio completarão 30 anos que a profissional foi vetada nos meios públicos. Ela foi a primeira mulher a conduzir um programa de televisão de enfoque político idealizado por ela mesma, no canal 13. Revista 13, jornalismo de opinião, em 1991. Apresentou o Festival OTI da Canção. A primeira em apresentar o Festival de Cosquín em 1998, mesmo que tivesse que fazer isso com escolta policial pelas ameaças contra seu filho. Ganhadora de vários Martín Fierro e nomeada Mulher do Ano por votação pública e pela Fundação Konex como uma das cinco melhores apresentadoras da década. Em 1991, Liliana despontava, era a heroína, saída da classe trabalhadora que ia à frente, sozinha, abrindo caminho para outras no jornalismo de opinião política, e sozinha também se enfrentando ao Grupo Clarín e ao Menemismo.

Liliana López Foresi foi censurada por sua ousadia, em tempos de democracia.

Depois da censura na televisão continuou trabalhando no rádio e em canais via cabo autogerido; e teve que hipotecar sua casa em várias ocasiões. Em meados de 1994, tentaram suborná-la para que apresentasse um programa de televisão que ela mesma podia produzir, pelo qual lhe ofereciam milhares de dólares para a produção e para os salários, mas com agenda a favor dos que tinham ajoelhado a Argentina com o neoliberalismo. Liliana, estoica e honrada, respondeu que não, apesar de que nessa ocasião, pela necessidade econômica podia haver dito que sim, sem pensar duas vezes, mas preferiu aguentar, brigar contra a corrente antes de vender seus ideais e sua dignidade. 

Demasiado formosa fisicamente, porque a uma mulher se perdoa a beleza do corpo se a utiliza para escalar e arrebatar, para benefício próprio e de uns quantos, mas quando uma mulher questiona, analisa, encara e denuncia a esses quantos na televisão pública e, além disso, tem uma beleza física inverossímil com a qual não trafica, com o que não se sente superior a qualquer outra mulher, que não a faz ser arrogante ou soberba, então o ódio que provoca é muito maior. Porque se converte na indômita, naquela que o poder não pode ter em sua cama embora tenha milhões para comprá-la. E na inveja de outras mulheres que a partir do poder ou da mesma posição de trabalho querem eliminá-la da paisagem. Umas por sua inteligência e outras por sua forma física.

A ordem foi anulá-la do jornalismo para sempre, não só durante o governo de Menem. Mas antes desta censura, a perseguição contra Liliana já vinha sendo gestada, quando a despediram da Rádio Mitre em 1989, onde também tinha um programa de análise política. Para o Grupo Clarín e o Menemismo Liliana López Foresi foi mais que uma pedra no sapato, era a voz de um povo que se expressava nela. Não só a demitiram e lhe fecharam as portas em todos os lados, e para que não exercesse o jornalismo, começaram a fustigá-la com ameaças de morte. Chamaram-na por telefone ao trabalho para dizer que iam matar seu filho, em 1997.

Viveu atentados contra sua própria vida, cortaram os pneus de seu carro por duas vezes, entraram em sua casa 4 vezes quando ela não estava, mudando os móveis de lugar e deixando notas com as conversações telefônicas que tinha com sua mãe desde a costa, porque nesse verão Liliana havia ido trabalhar no interior, com custódia e tudo. Entre tantas formas de intimidação e tortura psicológica que viveu evidenciou-se que uma das policiais que a cuidava resultou ser informante dos mesmos que a tratavam de encurralar e isso se soube porque a outra companheira comunicou, preço que pagou com um balaço que lhe atiraram de um automóvel em marcha.  

A Liliana López Foresi a tinham vigiada dia e noite, lhe seguiam os passos, no governo de Menem e de Fernando De la Rúa. Sim, em tempos de democracia. Mencionei neste texto só algumas das formas de tortura psicológica e atentados vividos por Liliana durante os anos posteriores à sua demissão, mas poderia escrever folhas e folhas porque o que buscavam era desesperá-la para que se suicidasse ou fosse embora do país. Mas não aconteceu uma coisa nem outra. Liliana, apesar da afronta, resistiu. Compreende-se perfeitamente o que pode fazer o neoliberalismo em tempos de democracia apenas no papel. Liliana López Foresi poderia ser uma desaparecida a mais em tempos de democracia e não teria acontecido nada, como nada aconteceu nesses 30 anos em que continua censurada.

Porque dos criminosos se entende o proceder, à forma em que controlam e manipulam o sistema e às pessoas que formam alianças com as máfias oligárquicas. Deles já sabemos suas técnicas e seus modos. Mas, e os humanistas, os progressistas, os que falam de dignidade, os jornalistas éticos profissionalmente e que estão do lado da verdade e do povo? Os que denunciam as injustiças? Deles é que eu falo ao me referir a estes últimos 30 anos. Liliana tem resistido com dignidade e caráter, tem sua própria página na internet e se denomina uma jornalista livre, e o é. Mas lhe arrebataram 30 anos de desenvolvimento profissional, de crescimento dentro da profissão, a isolaram, a deixaram de lado, a enterraram em vida, lhe negaram um desenvolvimento econômico ao não poder exercer sua profissão ganhando um salário.

Como mulher e profissional lhe negaram o direito à prosperidade e à realização. Porque quiseram matar sua alma, arrancar-lhe a sensibilidade, convertê-la em um ser sem sentimentos, ou melhor, em um ser com sentimento de autodestruição pela frustração e pela raiva. E é uma injustiça total. E o fizeram os bons, os consequentes, os humanistas, os que sonham e falam de um povo digno e em resistência, os que falam de memória histórica; com seu silêncio, com dar as costas nestes 30 anos.

Os grandes jornalistas humanistas reconhecidos em toda a Pátria Grande, os que abalam Cuba, a Chávez, os que adoram Dilma e Lula, os que gritam orgulhosos, viva o Che!, os que vêm às Mães e Avós da Praça de Maio como o exemplo mundial do que é a resistência e o humanismo. Os que chamam de irmão a Fidel, os que denunciaram o golpe de Estado na Bolívia, os que denunciaram a ditadura de Lenin Moreno, os que viram em Cristina e Evita a grandeza das mulheres na política argentina e latino-americana. Os que dizem, obrigado Perón, obrigado Nestor. 

Os que dizem que não é ódio, mas sim justiça, quando encarceram aos responsáveis de crimes de lesa humanidade em tempos de ditadura. Os que defendem a liberdade de expressão. Fizeram-no as feministas, as grandes feministas que são um farol na América Latina. Os humanistas que são um estandarte latino-americano. Acaso somos candil da rua e escuridão da casa? Como é possível que em 30 anos, a Liliana López Foresi não se peça uma desculpa pública em nome do governo e lhe devolvam seu trabalho nos meios públicos do país? Porque a Liliana não foi demitida por medíocre nem por falta de preparação ou capacidade para estar em um posto de trabalho, foi demitida por ter coragem, por se atrever a dizer em televisão nacional o que nesse tempo os outros ocultavam, foi demitida por levantar a cara, por oferecer o peito, solitária. 

Por não haver dito sim com submissão e voracidade. Por não ter ido para a cama dos que manejam as marionetes. Foi demitida porque outras mulheres de poder não puderam com sua beleza e inteligência. E calaram todas as que também com inveja desde sua mediocridade viram sua demissão e censura como uma enorme oportunidade para elas, para se levantarem mesquinhas todos os dias e traidoras de seu próprio gênero e da liberdade de expressão, de suas próprias profissões.

Dando uma punhalada em Liliana davam uma punhalada em si mesmas e nas que vinham atrás, por isso hoje, 30 anos depois, ainda não existe um movimento nem no jornalismo nem em direitos humanos, nem por artistas, intelectuais, escritoras, poetas, políticas que exijam a reparação pública a Liliana López Foresi. Liliana é demais, é uma mulher com a qual não podem, demasiado inteligente, humana, ética, digna, mas sobretudo com uma resistência inesgotável. Vale dizer que aqueles que a demitiram naqueles tempos estão hoje em importantes cargos em meios de comunicação. O que fizeram estes 30 anos foi evidenciar não o poder que têm os oligarcas neoliberais, mas a dupla moral e a mediocridade dos que viram esta injustiça e se acomodaram buscando seu benefício pessoal, que enquanto estejam bem em sua nuvem, dentro de sua bolha, que lhe arranquem a pele e a alma a quem seja.

Liliana López Foresi merece a reparação pública em nome do governo e estar em um posto de trabalho à altura de sua capacidade e destes 30 anos de censura; me refiro a ser diretora de um meio de comunicação seja escrito, radial ou televisivo. Falo de que se reivindique o que lhe é devido. Se não for feito, os governos progressistas ficam com uma enorme dívida com o direito à liberdade de expressão, com os direitos humanos e com a resistência, lealdade dignidade de uma mulher que jogou sua vida exercendo o direito a denunciar e evidenciar com sua própria voz o que outros, inclusive os que nestes 30 anos, olharam com o rabo do olhos e viraram a cara para outro lugar.   

Por sua resistência, por seu profissionalismo ético, por sua visão de gênero, por seu humanismo e dignidade, Liliana López Foresi é uma das insurgentes da América Latina. Em vida, já é um mito. 

PELA PAZ
Carta aberta aos poetas e outros homens e mulheres de letras
Por: Eugénio de Sá

Meus ilustres Pares, alguns de vós também meus Amigos;
Não há paz sem justiça, não há justiça sem solidariedade. Considero, por isso, que cabe aos autênticos poetas e a outros homens e mulheres de letras que, porventura, hajam logrado merecer junto dos seus leitores o crédito que os torna lideres de opinião, a missão da defesa destes ideais maiores da sociedade civilizada.
Enquanto assumidos paladinos dos mais débeis e desprotegidos, devemos ter no horizonte como meta primeira a persecução de acções que nos fazem servidores destas nobres e encadeadas causas e, assim, definitivamente estaremos a colocar-nos ao serviço da paz
Estamos prestes a dobrar o quarto lustro do milénio terceiro da era Cristã. Nestes quase dezanove anos transcorridos tivemos já a lamentar inúmeras tragédias registadas um pouco por todo o mundo, com o seu cortejo de horrores, sempre mais nefastos para os mais humildes, os que menos têm para poderem ‘alevantar-se do chão’.

É pensando nesses e em tantos outros que ainda sofrem as muitas iniquidades que contra eles são perpetradas, voluntariamente, ou por criminosas incúrias e omissões, que temos de usar a nossa pena e torná-la eficaz na condenação dos culpados. E isto, meus caros Pares, é lutar pela paz com as armas que temos: a pena que tomámos com o dever de a honrar!
Não é nos salões, mais ou menos fechados à comunicação e frequentados por figuras de duvidosas convicções a respeito dos enunciados valores, que a justiça pode ser defendida. Seria pelo menos suspeita qualquer denúncia que de lá viesse pelos que mais a obstaculizam, porque isso seria um acto de gritante hipocrisia, face à manifesta conflitualidade de interesses.  Ao contrário; é tornando pública essa denúncia pela pena de quem nada tem a ver com as tais ‘conveniên-cias’ que melhor defenderemos quem de tal mais carece. E, se o fizermos com algum talento poético-literário, maiores e mais exponenciais e eficazes serão os resultados da comunicação.
Tenho consciência que, de uma forma ou de outra, todos vós quiçá tenham já vindo a contribuir para esta paz de que vos falo, através do apelo à razão para a consolidação dos valores da justiça e da solidariedade entre os seres humanos que ainda têm boa vontade e espírito nobre, altruísta e digno.
Todavia, nos tempos que correm é urgente que assumamos uma atitude ainda mais veemente e a proclamemos por todos os meios ao nosso alcance.
Temos de acreditar que a influência das nossas posições sistematicamente trazidas a público produzirá os seus efeitos.

 

A FESTA CIGANA
Por: Magna Aspásia Fontenelle

Uma família vivia na fazenda ‘Estrela no sul do Arizona’, composta pelo pai, a mãe e os irmãos (sendo dois filhos legítimos e um adotado), um cachorro, um gato e a governanta. Viviam do cultivo da agricultura e agropecuária. O pai, homem rico, austero, trazia todos sob seu comando. Tinham hora pra tudo: almoçar, jantar, brincar, estudar. Assim, a menina Melania crescia junto com seu irmão Haine, não muito felizes devido a austeridade do pai, senhor Nicanor. Um dia apareceu nas redondezas uma caravana de ciganos, com suas coroças puxadas por lindos e potentes cavalos. Montaram suas barracas enfeitadas com lindos tapetes e almofadas coloridas, alumínios brilhando e as crianças brincando. As mulheres, com suas roupas coloridas, anéis, pulseiras, brincos, dentes de ouro na boca, cabelos presos com lenços coloridos, vendiam tachos de cobre, panelas e liam as linhas das mãos das pessoas, orientando sobre presente, futuro e descortinando o passado. Os homens se encarregavam dos animais, da compra e venda de gado e do ouro. As crianças acompanhavam as mães nos afazeres domésticos e nas andanças para as leituras das linhas das mãos. Assim, viviam os ciganos nômades no seu destino, mas tradicional nos seus valores e cultura.

Na noite da chegada à referida fazenda, foi preparado uma festa para comemorar o aniversário da matriarca dos ciganos, dona Encarnação, com muitas comidas, bebidas, boa música, dança das mulheres com vestidos coloridos, lenços nos cabelos e pulseiras. Os homens tocando guitarras com músicas românticas de origem cigana. Os proprietários da fazenda Estrela e de outras fazendas das redondezas também foram convidados para a festiva.

Ao lado da carroça, dona Encarnação olhava a fogueira que soltava labaredas de fogo que subiam aos céus, como quem reverenciava a lua majestosa e as estrelas que brilhavam,  inebriando todos num misto de magia .

Inicia-se a festa com a apresentação dos irmãos ciganos Ray e Esmeralda. Ray, rapaz jovem de cabelos e olhos castanhos, sorriso largo, olhar penetrante; Esmeralda, menina moça de cabelos negros compridos, olhos negros, sorriso marota, andar brejeiro. Dançava ao som da guitarra de seu irmão, que tocava melodia típica do povo cigano. A leveza dos passos da dança de Esmeralda era como a leveza da brisa que balança as folhas das árvores em noite de primavera. Bebidas e comidas típicas eram servidas aos convidados e aos ciganos. A festa transcorria na maior alegria. Eis que, de repente, apareceu uma cavalaria de justiceiros que chegaram atirando pra tudo que é lado e colocando fogo nas carroças dos ciganos e roubando suas coisas. Muitos ciganos morreram sem nem sequer poder se defender. Alguns fazendeiros, mulheres e crianças também morreram.

Um menino cigano se escondeu e, ao término da matança, se viu sozinho no mundo e foi até a Fazenda Estrela, que ficava bem próximo ao acampamento. O senhor Nicanor acolheu o garoto, que passou a integrar a família. Porém, Haine, irmão de Melaine, não gostava dele, sentia muita inveja, pois o ciganinho, Jessé, era alegre, gentil e ensinara Melaine a cantar e dançar como Esmeralda, que fora morta com um tiro no peito na noite da festa.

O que parecia uma boa escolha de vida para Jessé tornou-se um pesadelo. Ele era humilhado, perseguido, ridicularizado e sujeito a outros danos emocionais e psicológicos. Não obstante isso, a amizade entre o ciganinho Jessé e Melaine  crescia a cada dia.

O ciganinho Jessé, com o passar dos anos, tornou-se um belo rapaz, e Melaine  uma bela dama. Às escondidas, tornaram-se namorados e juraram contrair matrimônio.  No entanto, a condição social entre ambos era gritante e os pais de Melaine jamais aceitariam essa união. Jessé, aconselhado pela governanta Maria, partiu em busca de melhores condições de vida para se tornar rico e merecedor do amor de Melaine . Jurou a ela  que voltaria:  — Minha amada, espere-me que logo voltarei rico para nos casarmos.

A primavera floriu, verão de sol brilhante e vento no rosto passou, as folhas das árvores outonais caíram, indicando o fim e o início da vida, as chuvas chegaram trazendo o frio e  a água para regar as plantações e encher os açudes. Era o ciclo da vida na sua plenitude mostrando que findara mais um ano.

Passaram-se muitas primaveras, invernos, outonos e verões e Jessé não retornara. Melaine, desesperançada, enamorou-se de outro rapaz, fazendeiro rico. Casaram-se, mas, seu coração nunca esquecera aquele ciganinho…

Eis que um dia à tardinha, estava ela, o esposo, seu pai, irmão e outros familiares sentados na varanda da casa grande de seu pai, quando chega um homem bem vestido numa carruagem acompanhado de um cocheiro. Desceu da carruagem, cumprimentou a todos, que não o reconheceram. Senhor Nicanor, pai de Melaine, muito solícito, perguntou o que o moço desejava. Jessé, todo imponente, respondeu: eu sou aquele ciganinho que vocês acolheram em vossa casa, e eu vim cumprir minha promessa: desposar com sua filha Melaine.

Melaine, não acreditando no que vira e ouvira, desmaiou e foi socorrida pelo o esposo. Senhor Nicanor, diante da revelação, caiu sentado na cadeira atordoado, pois pensava que o ciganinho tivesse morrido. Haine ficou de boca aberta e mais uma vez invejou Jessé. Afinal, quem tinha carruagem e cocheiro era muito rico, enquanto ele vivia à custa do pai.

Os demais parentes ficaram admirados…

Somente a governanta Maria deu um forte abraço em Jessé, pois fora ela quem o encorajara a ir em busca de melhores condições de vida. Senhor Nicanor, já recobrado do susto, participou para Jessé a triste notícia de que Melaine estava casada com outro. Jessé, muito   decepcionado e magoado, imediatamente voltou para a cidade com o coração despedaçado, pois acabara de perder o amor de sua vida.

Melaine viveu infeliz com seu marido. Nunca esquecera aquele ciganinho alegre, gentil que a ensinara a dançar, que ficava nos campos, nos rios, nas árvores brincando, sorrindo, com a ternura da infância e o esperançar da vida. Mas, a condição social de Jessé os separou para sempre…

 

 

A CONTROVERTIDA RAÇA HUMANA
Crônica de Ary Franco (O Poeta Descalço)

Mobiliza-se uma centena de pessoas, pede-se auxílio ao Corpo de Bombeiros, para ajudar a um gatinho que subiu em uma árvore mas não consegue descê-la. O vizinho do lado envenena a minha gata porque o incomodava à noite, miando no telhado, quando estava no cio.
Dezenas de pessoas se esforçam para devolver ao mar baleias encalhadas na praia. Outros matam-nas com seus arpões para industrializar seus despojos.
Um cavalo atolado num pântano, até quase o pescoço, é retirado de lá após muitas horas de esforço por um mutirão de voluntários que o socorreram a tempo. Outros açoitam-no impiedosamente, obrigando-o a galopar mais rápido ou a transportar cargas pesadas, que ultrapassam sua capacidade física de levar a cabo tal tarefa.

Uma nação é massacrada com bombardeios constantes. Mais tarde, outros enviam “piedosamente” suprimentos para os sobreviventes.
Uns pesquisam em laboratórios curas para males e vacinas contra o vírus Covid 19 que ameaça dizimar a Humanidade , outros criam armas com capacidade, cada vez maior, para destruição em massa de seus semelhantes.

Como poderemos tipificar o chamado racional Ser Humano? Deus nos envia para cá, todos iguais à sua semelhança. O que nos faz optar por caminhos tão diferentes?
Aí fica a pergunta que não quer calar-me: “Quem somos, afinal?!”
Saibamos usar o Livre Arbítrio que Deus nos deu!

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