CRÓNICAS,ARTÍCULOS, ENSAYOS EM PORTUGUÉS

 

Todo lo publicado en  ARISTOS INTERNACIONAL está sujeto a 
la ley de propiedad intelectual de España
En la actualidad se encuentra en trámite el Depósito Legal 

Por Erlon José Paschoal*

              Será que teremos de ver tudo de novo? Desde que me conheço por brasileiro, a história é sempre a mesma: quando chega a hora de distribuir melhor a renda e diminuir as aberrações sociais, inventa-se uma crise. Motivos não faltam: pode ser o petróleo, a queda da bolsa na Rússia, as sabotagens, o rombo das contas públicas, a pressão cambial, o descaso pelas causas coletivas, a ganância desenfreada das classes dirigentes querer manter a qualquer custo seus privilégios e sua impunidade ou a corrupção bilionária já tradicional na política brasileira. A razão, porém é sempre a mesma: para que os ricos continuem ricos, é preciso que pobres fiquem mais pobres e a classe média abra mão de mais alguns objetos do desejo. Aumentam-se os impostos, pioram-se os serviços e mantêm-se intactas as prevaricações e os desvios institucionalizados. A classe média, aliás, tenta a todo custo afastar o fantasma do rebaixamento, mas as ameaças aterradoras e ininterruptas da desempregabilidade não a deixam dormir sossegada. Ao mesmo tempo, a suspensão generalizada de políticas públicas inclusivas e o modus operandi de nossas classes dirigentes nos deixam a incômoda impressão de que elas não deixam escapar quaisquer chances de se manterem mais ricas e poderosas, mesmo que seja às custas da miséria de milhares. 

Somam-se a isso o descaramento, o cinismo e a desfaçatez ostentados com orgulho por representantes de todos os poderes usurpados recentemente no país. Não se dão nem mais ao trabalho de disfarçar o golpe baixo e sujo, as perseguições judiciais fraudulentas e criminosas, os roubos à vista de todos, os milhões pulando das malas,  o desmanche de setores estratégicos da economia do país, o racismo, o ódio do povo, o desprezo pela maioria da população e as difamações e calúnias disseminadas cotidianamente pela mídia sórdida e mau caráter contra líderes da oposição e do partido que ganhou legitimamente as últimas eleições. Chega até mesmo a ser difícil explicar ao mundo como um pulha, um rato golpista ficha-suja traidor e corrupto das inúmeras malas abarrotadas de dinheiro, se mantêm no poder por força e obra das quadrilhas organizadas que tomaram o país de assalto, sem que a população reaja à altura.

          A bandidagem golpista vai velozmente empurrando o país para o abismo do retrocesso econômico, social e político, sob o silêncio da maioria da população que até há pouco batia panelas, empunhava patos e camisetas verde-amarelas e vociferava contra a corrupção! Será que sabiam que na realidade estavam gritando «Fora nossos Direitos», «Acabem com a Petrobrás», «Queremos Trabalho Escravo», «Rasquem a CLT e a Constituição», «Queremos os Corruptos no Poder», «Chega de Previdência», “Vendam a Riqueza Pública a Preço de Banana”? Sentem-se enganados talvez e por isso se envergonham? Ou seriam orgulhosos demais para admitir que foram realmente patos e presas fáceis das quadrilhas que juntas tramaram o assalto?

         Os meios de comunicação hegemônicos, por sua vez, forjam um cenário de avanço, de modernidade com a perda dos direitos básicos ocultando todas as falcatruas, tramoias e canalhices das quais são cúmplices e comparsas, além de enfatizarem a todo momento, como disse certa ocasião Hermann Hesse, “a cômoda recusa a todo  problema profundo, a renúncia covarde e orgulhosa a todo questionamento realmente importante, a fruição pura e simples dos prazeres momentâneos” e de informações ostensivamente manipuladas intoxicando os mais desavisados e fazendo com que a maioria não se aprofunde em qualquer coisa realmente séria. E assim agradam aos poderosos e recebem vultuosas somas de dinheiro padrão FIFA.

    E o dinheiro, onde está? Quem ganha com a alta do dólar, do preço da gasolina, do gás, com a venda das estatais, a destruição do Estado de Direito e com a criminalização dos movimentos sociais? Estas perguntas afligem a milhões de brasileiros ignorantes da real situação econômica dos agentes financeiros que controlam nosso país. E para ilustrar a infâmia dos dirigentes golpistas, o salário mínimo foi reduzido em dez reais ficando minimamente básico e as classes abastadas se posicionam veementemente contra a bolsa família. O trabalho honesto em nosso país infelizmente tornou-se um mau negócio agora terceirizado e a vigarice vai de vento em popa: da canalhice de nossos congressistas ao cinismo torpe de muitos juízes; do roubo de cargas ao desvio de verbas; do tráfico de influências às comissões para as liberações; do comércio ilegal de drogas e armas às falsificações generalizadas; da esperteza intermediária a sem-vergonhice sorridente; nestas áreas os lucros elevados apontam para um crescimento constante e gananciosamente abusivo, encabeçado e gerenciado há muito pelos bancos. 

E se tivéssemos uma classe dirigente realmente interessada em buscar saídas coletivas para nossas questões sociais mais graves, composta em sua maioria – pasmem – por pessoas íntegras e honestas? Como seria? Pois, enquanto não cultivarmos valores que norteiem claramente nossas atitudes, não há Reforma que dê jeito nas anomalias grotescas de nossa organização social e na desfaçatez de nossos agentes públicos. Neste contexto, reduzir a distância entre o que se diz e o que se faz, entre o que se pensa e o que se expressa, passam a ser as principais exigências e os principais alimentos de um futuro mais saudável e mais humano. Será que encontraremos a saída?

O homem é o predador do homem

( Homo hominis lúpus )

Apontamento de Eugénio de Sá

Num tempo em que a terra ainda estava preservada de agressões e se mantinha no estado mais puro, havia uma lenda tribal que dizia que se o homem bebesse da água onde o lobo saciou a sede, ficaria com os traços comportamentais daquele animal que fazem dele um animal temido mas respeitado no seio da alcateia.

Mas a natureza já não é a mesma e os homens já não bebem onde bebem os lobos. E o homem transformou-se no maior predador do próprio homem.

Esta afirmação revela que o ser humano é capaz de grandes atrocidades e barbaridades contra o seu semelhante, e, tendo em conta o que diz a tal lenda, conclui-se que poucos homens usarão hoje a mesma hídrica fonte de vida que a dos lobos, cujo comportamento em alcateia é marcado pela nobreza e pela lealdade com os da sua espécie.

Segundo Hobbes, “o individualismo do ser humano compele-o a viver em guerra com os outros”. Esta frase expressa o conflito latente entre os homens, indicando que de todas as ameaças que um ser humano pode enfrentar, a maior delas é o confronto com os seus semelhantes.

Daí, que os maiores desafios que enfrentamos como espécie são criados por nós próprios, porque vemos que para o ser humano é comum os mais fortes explorarem os mais fracos, quando deveriam protegê-los. Isso revela que o Homem é o predador do próprio homem, constituindo-se um vilão para ele próprio.

 O lobo solitário que vive em nós
Para quem o faz sozinho
a viagem pela vida pode ser bem dura

Embora durante largos períodos da nossa vida tenhamos a ilusão de que estamos acompanhados, é a solo que tomamos as grandes decisões, as que mais nos condicionam a existência.
Na realidade, poucos são os espíritos que um dia partilharam os seus dias no silêncio do entendimento absoluto com o companheiro. E esses terão de agradecer a Deus por lhes haver verdadeiramente mitigado a sua solidão.
Lembremo-nos que a própria morte é um acto solitário.
« Pensando nos lobos solitários,
é impossível também deixar de mencionar a dita «Idade do Lobo», expressão usada para falar da fase da vida na qual certos homens, por volta dos 45/50 anos, entram na famigerada «crise de meia idade». A psicologia explica que na Idade do Lobo os homens percebem que não viveram as suas vidas conforme desejaram porque seguiram apenas as regras da sociedade. Isso os leva então a querer fazer tudo o que nunca fizeram, e com pressa, pois sentem que não lhes resta mais muito tempo de vida. A patologia a ser percebida aqui é a seguinte: o Lobo busca desesperadamente “fazer as coisas que não fez” em vez de simplesmente “fazer o que gostaria de fazer”. »
Querermos converter o “homem lobo do homem” num ser incondicionalmente amigo do seu semelhante, é talvez o maior objectivo da civilização, mas infelizmente revela-se utópico nos tempos que correm, plenos de controvérsias e indefinições.

Se o lobo solitário que vive em nós tomasse uma saudável consciência disso, perceberia que seria mais fácil desfazer a confusão e distorção das suas ideias e conceitos, e, com calma, poder tratar as suas mazelas pessoais, do que sair, solitária e desesperadamente, tentando mudar o mundo à sua maneira. Porque, afinal, obrigar os outros à “sua” mudança, além de ser despótico, é injusto e coactor, e inviabiliza a inversão das tendências negativas que apontamos.

O TAMANHO DE UM CORAÇÃO
Ary Franco (O Poeta Descalço)

É muito comum avaliarmos a grandeza de um coração, baseando-nos no comportamento e atitudes tomadas pelo seu portador. Ledo engano, não passa ele do tamanho de um punho fechado e pesa em torno de 400 gramas.
Fulano tem um grande coração, o que encerra dizer que ele é bondoso, caridoso, amável, piedoso, sempre solícito pronto a ajudar e perdoar, distribuindo simpatia e espalhando alegria ao seu redor, amando… Beltrano não tem coração; é mau, insensível à dor do próximo, rancoroso, egoísta, intolerante, egocêntrico, etc…
Assim dito, acho que devemos nos esforçar por ocupá-lo com sentimentos louváveis, não deixando espaço para os pecaminosos. Ofereçamos flores aos que nos atiram pedras, perdoemos aqueles que nos ofenderam, estendamos as mãos àqueles que um dia nos viraram as costas, amemos ainda que sem sermos amados, ajudemos os carentes e teremos assim um grande coração, embora permaneça ele dentro das dimensões normais.
Façamos uma consulta a nós próprios e avaliemos o volume do coração que bate em nosso peito. Quero ter um imensamente grandioso, despido de melindres e louváveis requintes, sem portas, sempre aberto a agasalhar aos que sentem frio, consolar o aflito, levar uma palavra de alento ao desesperançado, incapaz de magoar intencionalmente algum semelhante.
Digo isso por sentir-me triste vendo alguns poucos corações apequenados à minha volta, tendo pena e lamentando por eles. Quão bom seria tivéssemos, todos nós corações, incomensuravelmente grandes, ainda que, na realidade, do tamanho de um punho fechado e pesando em torno de 400 gramas.
(Escrito com meu pensamento voltado para Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, Chico Xavier, Mahatma Gandhi, Martin Luther King e outros grandes nomes, de «grandes» corações)

A nossa diarista!
Marcelo Oliveira Souza

Hoje em dia é muito difícil encontrar prestadores de serviços de confiança, independentemente do setor, quando a gente sai do nosso círculo de confiança, o sofrimento é muito grande, não maior do que a desconfiança.
Assim quando procuramos uma diarista, começando aquela dificuldade de ter uma pessoa de confiança entre nós, mas quem escolher?
Após um triste acidente com a nossa vizinha, culminando em sua morte, a gente ficou de olho na diarista dela, que é uma pessoa de confiança.
Fizemos o convite e Dona Janete, estava entre nós, três vezes por semana, onde a mesma já chegou muito falante, como a gente é bem comunicativo, parece que deu certo.
Não teve esse negócio de timidez, o papo já rolava solto, onde a gente tinha que sair correndo se não o trabalho meu e dela ficavam para trás.
O interessante é que onde ela passa as coisas não ficam mais no lugar, na sua arrumação a gente que é o estranho, pois tudo fica em lugar diferente.
Numa de sua história ela disse que não faz faxina para policial, pois morre de medo de tomar carona com ele.
– Se acontecer dos bandidos o identificare
Cada casa é um caso novo para ela, como  numa residência onde tinha um papagaio que não tomava água – eu nunca vi isso – ela com pena deu água ao penoso e o bicho sucumbiu ao precioso líquido.
O seu esquecimento é a sua marca, onde ela troca tudo, até panetone já foi pro lixo, na confusão dela com dois sacos, de lixo e o da guloseima.
Quando a filha dela foi ver toda animada o presente do patrão, era um saco de lixo, levando a menina aos prantos, contudo teve badameiro que adorou!
Já foram  para o lixo nessas confusões: chave, celular, sombrinha e agora aquele “bicho” caro da loja especializada em chocolates…
Nessa confusão, chave é brinquedo de perder – não vai só para o lixo – fica em tudo quanto é lugar, mas felizmente a nossa ainda não sucumbiu  ao seu esquecimento.
Celular para ela tinha que ter  seguro, quando não perde, é roubada ou então cai no chão, tem que ser daquele bem resistente e barato, se não é prejuízo certo.
Tem um agora que pegou um vírus, que ela não consegue tirar, quando chega de madrugada, ele sempre grita: “-Mamãe, atende o telefone mamãe!” assustando todo mundo, que ao tocar aqui em casa, já virou piada.
Entre as sua histórias  de diarista, aprendemos a gostar a cada dia mais dela e dessa vez não vai ter saco trocado, vamos comprar o panetone sonhado daquela loja chique mesmo!
A nossa diarista é esquecida, mas dos compromissos conosco jamais se esqueceu, pelo contrário, sempre lembra de dar uma atenção a todos aqui em casa, merecendo o nosso respeito e admiração que nunca iremos esquecer.

Dia Nacional da Tolerância
Thalma Tavares

As escrituras religiosas da cristandade, e mesmo as de algumas seitas orientais como o Budismo, pregam a tolerância como uma forma de elevação espiritual, mas lembram que a linha que a separa da conivência, da permissividade ou da complacência é muito frágil.
A tolerância, a indulgência, a misericórdia, o perdão, a empatia, são virtudes irmãs, sementes e frutos do verdadeiro Amor que é o mais belo sentimento do espírito humano. Não pode haver amor sem a prática dessas virtudes e elas não serão autênticas se não forem inspiradas por ele.
Ser tolerante é, acima de tudo, compreender as imperfeições do semelhante, é perdoar suas faltas, como gostaríamos que as nossas fossem perdoadas, mas não significa aplaudir estas imperfeições como se fossem virtudes ou esquecer de corrigi-las em nós mesmos, antes de observar os defeitos do outro.
Ser tolerante ou indulgente é, antes de tudo, praticar a empatia, ou seja, colocar-nos nas circunstâncias do semelhante, a ver o que sentiríamos no lugar dele, antes de censurá-lo, acusá-lo, criticá-lo ou dirigir-lhe uma ofensa. Lembremos Jesus em Mateus 7, 12: “Portanto, tudo o que quereis que vos façam os homens, fazei também vós a eles, porque esta é a Lei e os Profetas”.
A palavra tolerância, como muitas de nossa língua, é abrangente; não se limita a um significado apenas. O dicionário Aurélio Século XXI, por exemplo, registra oito sendo três deles utilizados pela Medicina. Há casos em que ela assume um significado depreciativo do ponto de vista ético e moral. Dizer, por exemplo, que há demasiada tolerância em nossa Justiça na aplicação das leis para com os seus infratores, é tão correto quanto chamar de “casas de tolerância” a certos bordéis de luxo que na realidade não passam de antros de prostituição. Dizer que o governo brasileiro tem sido tolerante demais com a corrupção que o avilta e o empobrece, é perfeitamente bem aplicado.
Mas, a intenção de consagrar, em boa hora, o dia 16 de novembro à Tolerância, tem o propósito de resgatar o sagrado princípio da Lei de Amor de que nos fala o Cristo, esse amor solapado pelo mar da ganância, do egoísmo, do materialismo desenfreado, alimentado pela globalização, pela mídia que vem endurecendo o coração dos homens e negando a sua condição espiritual.
Intolerantes são os prepotentes, os déspotas, os preconceituosos, os racistas, os discriminadores, os fanáticos religiosos que matam em nome de seus deuses e que promovem guerras absurdas. A intolerância, que é a maior responsável por todos os conflitos étnicos, ideológicos e religiosos, tem sido a causa da desagregação de famílias no mundo inteiro, a causa de muitas guerras e o maior de todos os obstáculos para o estabelecimento da Paz definitiva.
Que o Dia Nacional da Tolerância, não se estratifique, convertendo-se numa simples efeméride, mas seja anualmente um acontecimento vivo, conscientizador e possa, pela ação de todos nós, transformar gradualmente a intolerância em tolerância, em postura de amor, indulgência e compreensão. Quem sabe, seremos assim o primeiro povo a por em prática a recomendação do Cristo: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”, desde que amar uns aos outros, é o alicerce da Paz e o princípio em que se deve basear a verdadeira democracia 

EXCLUSÃO
Por Mara Narciso (Brasil)


Prega-se aceitação, mas se pratica exclusão. Os grupos se fecham, os iguais se atraem e se completam, deixando o diferente de fora. Rechaçam o que incomoda. Juntam-se os afins, o estranho não entra, e acaba esquecido.
Entremos numa escola. Vamos buscar a fase mais difícil de aceitação de si e do outro. Tentemos uma sala de adolescentes de 13 anos. São 30 alunos enfileirados em suas carteiras. Estão em relativo silêncio. É uma aula de História. A professora escreve no quadro, alguns copiam, mas o celular está ao alcance da mão. Ali o aparelho é usado para pesquisa, mas todos sabem que o WhatsApp impera. Ele é o Deus e o senhor que domina o mundo. O som de chegada de mensagem é uma ordem. É preciso atendê-lo com mais presteza do que se houvesse um incêndio.
No intervalo, as tribos se organizam, os semelhantes se agrupam, e dão risadas compartilhando mensagens. É esperado que haja preferências, mas é desagradável assistir a eliminação de um colega, por qual motivo for. Quem não se adequar estará excluído, seja dentro da sala, seja do lado de fora. Nessa guerra declarada há quem fique deslocado, de lado, ou, timidamente se aproxima, para ser rejeitado. Não, você, aqui não! Ah, como é ruim ser recusado no grupo! Essa idade é cruel.
Quem é criado num lar que oprime, isola, cala, aprende a eliminar. A prática da tolerância faz a aceitação daquele que foge ao padrão. Todos deveriam ser ouvidos, na sua singularidade, na sua característica ímpar, seja boa ou ruim. Aquele que não é bonito nem inteligente o suficiente, ainda que todos queiram ser belos, atraentes e brilhantes, precisa ser entrosado. A busca é penosa, o encontro é gratuito. Caso houver.
Quando existir alguma doença ou deformidade, alguma alteração gritante de comportamento, nem pensar. Espera lá! Mesmo o incompatível não precisa ser descartado. A escola está ali para ensinar isso. Os pais começam o ensinamento e depois o aprendizado de aceitação se complementa. Isso só não é nada para quem é perfeito e nunca sofreu bullying, mas aos inadequados, só restam o choro e a dor. Tem de brincar sozinho. Na hora de fazer um trabalho em grupo, sobrar. Ninguém quer aquela companhia. E mais adiante, vem a impossibilidade de se enturmar, fazer amigos, namorar, arrumar emprego, casar. Tudo isso exige muito mais esforço.
O politicamente correto é ridículo quando você não precisa lidar em relação a sua pessoa ou aos que ama, com palavras cruéis como aleijado, burro, doido, feio, gordo e demais termos pejorativos. Muitos querem ferir. Quem não escolhe palavras para designar adequadamente uma característica vai machucar gente. Até recentemente havia um hospital para atender crianças com necessidades especiais. O nome? Hospital da AACD – Associação de Assistência à Criança Defeituosa, criado em 1950. Bonito, não é? Foi amenizado para Criança Deficiente.
Tudo tem um nome e esse nome deve ser usado, porém com delicadeza na escolha. Veja o desastre de alguém ser referido como aidético, canceroso, leproso. São palavras pesadas e desnecessárias. Ter um problema de saúde não significa andar feito fantasma arrastando correntes. Pode-se amenizar na fala e na sensação de doença.
Tempos atrás havia um cartão de identificação no qual estava escrito: Sou diabético. Caso esteja passando mal, telefone para… Um dia trocaram os dizeres do cartão para: Tenho diabetes, caso esteja com um comportamento estranho dê-me açúcar, e avise…
Doce a mais ou a menos faz toda a diferença para quem tem diabetes. Para que tornar amarga a vida de alguém? Seja mais humano. Escolha a palavra certa, aceite o diferente, espalhe amor e a sua volta haverá paz. Clichês sem limites? Eu não me intimido em citá-los.

1 comentario en “CRÓNICAS,ARTÍCULOS, ENSAYOS EM PORTUGUÉS”

  1. Qualquer pessoa que goste de ler, tem aqui disponível, em profusão, leitura muito interessante. E isto vem-se repetindo de edição para edição, criando um louvável habituação no leitor e conferindo-lhe expectativas para o que se lhe vai ser oferecido de futuro neste espaço. E esta natural fidelização é o grande objectivo de todo o editor que se honra e orgulha do seu trabalho. Daí, que considere que Eunate esteja – justamente – feliz, porque tem muitas razões para assim se sentir

    Responder

Deja un comentario