CRÓNICAS, ARTIGOS Y OUTROS TEXTOS

 

Todo lo publicado en  ARISTOS INTERNACIONAL está sujeto a 
la ley de propiedad intelectual de España

 

 

Um mundo feito de mudança
Crónica de Eugénio de Sá
Sintra, 12 Março de 2018

« Este mundo é feito de mudança », afirmou-o António Gedeão, e o poeta tinha razão. Com efeito, em cada década, em cada lustro, e mesmo em cada ano que passa, muito do que era considerado inovação passa rapidamente à condição de obsoleto. Isto é hoje um lugar comum dizer-se, mas também é verdade que nem tudo o que evolui ou muda, muda para melhor.

Veja-se o que se passa, por exemplo em matéria do projecto social que queremos preservar tal como foi pensado para um mundo melhor na segunda metade do século passado, um mundo onde sejam respeitados os direitos humanos, um mundo onde não tenhamos de nos sentir inseguros porque ameaças de guerra pesam sobre nós, um mundo mais equilibrado, com o flagelo da fome a ser – ainda que aos poucos – erradicado.

Há que avançar, sim, mas para melhorar as condições de vida dos seres humanos que nos conduza a uma sociedade mais humanista.

Os japoneses, seguidores da doutrina budista, têm uma expressão criada pela sua filosofia de vida. Chamam-lhe “muga”, e que consiste em considerar que todos temos mais um sentido além dos que conhecemos, e que tem por finalidade a de nos permitir avançar com equilíbrio sem termos de atrapalhar as passadas e tropeçarmos nas nossas próprias pernas. É uma figura de estilo, naturalmente, mas que quer dizer que devemos avançar, sim, mas sem darmos passos dos quais nos possamos vir a arrepender.

A poesia dita de intervenção, para ser eficaz nos seus objectivos, recorre-se naturalmente dos exageros da caricatura. Vejamos a essa luz as duas primeiras estrofes do poema que escrevi sob o título “O Terceiro Milénio”:

Quando o novo milénio despontou
Esperei ver algo que o mundo esperou,
 Uma metamorfose esplendorosa
Mas o larvar percurso se frustrou
E vi o que ao meu ser desesperou;
O nascimento de um ser perturbado.

Sem asas, sem voar, não progrediu
E assim deixou de ver, e nem sentiu,
Fez-se dura a cegueira no seu interior
Tenho a certeza que esse novo homem
 Ignora as lágrimas que a outros consomem
E é assim imune aos surtos do amor.

Com efeito, à medida ue se entrava milénio dentro, mais aos justos chegavam sentimentos de decepção perante as expectativas promissoras que nos haviam deixado os derradeiros anos do século XX.

Foi a 11 de Março do ano 2 000 que aconteceu o “crash” da Nasdac, a bolsa nova-iorquina, a derrocada das empresas tecnológicas. Um mês depois entrar-se-ia num plano inclinado que ameaçou tornar-se sem retorno. E o mundo tremeu, simplesmente porque as economias eram interdependentes e os mercados, todos eles, foram obrigados a iniciar um processo de auto regeneração, mas eram caminhos desconhecidos, cujas hesitações levaram a uma inevitável crise de consequências então imprevisíveis. Houve pânico, de tal sorte que os homens frios de Wall Street e de muitas outras Wall Street do mundo começaram a frequentar as igrejas e a pedir a Deus a Sua intercepção. A um Deus de cuja existência se haviam esquecido mas ao qual recorriam então, como última salvação que julgavam possível.

Triste, muito triste, foi ver que logo que surgiram os primeiros sinais de reorganização, os homens e mulheres que tinham, e ainda tem, os destinos no mundo nas suas mãos, rapidamente pensaram que as soluções mais sólidas para obviar que tudo se repetisse passavam pela redução de benefícios aos que trabalham por conta de outrem; a massa anónima de trabalhadores que garante à finança os altos lucros a que está habituada.

E é a isto a que se vem assistindo desde então, com as vertentes mais amargas reflectidas nos dispositivos de segurança social e de saúde, com orçamentos cada vez mais magros para fazer face às sempre crescentes necessidades das populações. E enquanto isto se passa no ocidente dito mais favorecido, noutras áreas do mundo por este exploradas assiste-se a uma miséria e fome que caminham sempre em crescendo para índices extremos de carência absoluta.

A esses, os que mandam neste mundo, eu questiono:

 Ah, homem deste tempo, meu irmão
Quem te criou assim, n’ambiguídade?
Quem com féis e vinagres, quem então
Te temperou o carácter de maldade
E fez de ti um poço de omissão?
 
Vê que pla mão da tua humanidade
Podes mudar o mundo e seres melhor
Veste-te de altruísmo e humildade
Assume a realidade, inunda-te do amor
Com que Deus nos criou; em irmandade!
( do meu poema “O homem do tempo presente” )

Da análise que aqui deixo, e após reflexão profunda, creio bem que a economia mundial, através dos seus núcleos de decisão, vai também alterar as suas práticas no sentido de repor alguns parâmetros que levem a recuperar intenções anteriores. Não fora assim, e tornar-se-ia insuportável o continuado asfixiamento das populações, subordinadas a interesses que, decididamente, não são os seus. E afinal, leitores amigos, é obrigação maior da sociedade perseguir os caminhos do humanismo e da conciliação, tendo sempre por horizonte a melhoria de vida dos povos, independentemente da geografia onde vivem.

Há quem diga que temos uma crise de grandes políticos, homens realmente votados à cousa pública, homens de visão, como os que estiveram na construção da União Europeia, como Konrad Adenauer ou Charles de Gaulle, e outros que lhes sucederam, como Helmut Khol, Harold Macmillan, Amintore Farfali e George Pompidou, só para falar nalgumas personalidades europeias cuja acção mais se evidenciou. No entanto, é minha convicção e, porque não; fé, que outros homens se virão a perfilar para merecer a história pelas melhores razões, tal como os citados. Esperemos que assim seja, porque afinal este mundo continua a ser feito de mudança.

FUGITIVO DO DESTINO

Ary Franco (O Poeta Descalço)

Com minh´alma sufocada por inúmeros sentimentos pecaminosos de revolta, não consigo olvidar aquele neném ainda embrião no ventre de sua mãe atingido por uma «bala perdida», condenado a sobreviver com o espírito aprisionado em um corpo mutilado com sequelas irreversíveis.

Um turbilhão de perguntas aflora-me à mente em busca de respostas plausíveis, somente encontradas em minha Crença Espiritualista Kardecista.

Não existe uma ordem cronológica/etária para a nossa partida eterna. Um nonagenário não irá desencarnar obrigatoriamente primeiro que um bebê, criança, adolescente, etc… Pertence unicamente a Deus designar quando nossa missão estará cumprida e para a qual aqui viemos. Nem um minuto à mais ou a menos.

Focado no acima exarado, resolvi ilustrar o que afirmo com o conto que segue abaixo:

João chegou aos seus 36 anos de idade sempre preocupado por  quanto tempo duraria sua vida. Quando e como seria sua derradeira viagem para o Outro Plano.

Certa noite, num “sonho acordado”, um Mensageiro de Deus aproximou-se de seu leito e disse-lhe: “João, para tua tranquilidade, encerrarás a missão que te foi confiada daqui a 2 anos, quatro meses e dois dias, mais precisamente às 17:30h do dia 25 de outubro de 2019.” Sobressaltado, sentou-se ofegante na cama e chorou convulsivamente, arrependido de ter conseguido resposta para a pergunta que sempre se fazia.

Daquele dia em diante, colocou sua vida em risco crendo piamente que nada lhe aconteceria antes da data aprazada.

No incêndio de uma creche salvou duas crianças das chamas, burlando a vigilância dos bombeiros e adentrando o prédio que estava prestes a ruir. O chão quente não lhe queimava os pés, a fumaça que inalava não lhe sufocava. Agarrou as crianças desfalecidas e, correndo entre labaredas, entregou-as aos bombeiros atônitos com o feito heroico. Quando ia voltar em busca de eventuais novas crianças, foi imobilizado pelos bombeiros e o prédio ruiu às suas costas, impedindo-o de realizar o novo intento. Chorou convulsivamente!

Dias mais tarde, também foi o único sobrevivente de um naufrágio em que todos morreram tragicamente em um mar infestado de tubarões. Milagrosamente salvou-se incólume.

Herdeiro de uma milionária fortuna, sempre vivia abastado, desde sua puberdade. Desfez-se de todos seus bens materiais doando-os a orfanatos, asilos, creches e hospitais exigindo dos beneficiários sigilo absoluto sobre sua identidade.

Um dia antes da data prevista para sua morte, recolheu-se à uma casa de campo, em meio à mata espessa e lá pernoitou.

Passou o dia orando e pedindo perdão a Deus pelos pecados involuntariamente cometidos. O “tic tac” do relógio da sala fazia-se ouvir cada vez mais alto, deixando João suando em bátegas.

Às 17:28h do dia seguinte ouviu o ronco de um monomotor que parecia falhar e se aproximava em voo rasante da casa que ocupava. Em desabalada carreira correu para um descampado próximo tentando fugir do inevitável, deitando-se no chão, encoberto pelo mato não muito alto.

Concomitantemente, o piloto, evitando uma colisão frontal com a casa, deu uma guinada brusca na aeronave buscando uma aterrissagem forçada no descampado. Ao tocar o solo, partiu-se o trem de pouso e o pequeno avião arrastou-se de barriga por um trecho de cinquenta metros. Nesse percurso aleatoriamente escolhido pelo piloto, lá estava João. Não sofreu sobre um leito hospitalar, com seu espírito preso à matéria em vida vegetativa e sua partida foi indolor e imediata.

O relógio carrilhão badalava fatídica e exatamente 17:30h do dia 25 de outubro de 2019.

“NADA ACONTECE POR ACASO, NEM ANTES E NEM DEPOIS”“O BEM QUE PODES PRATICAR HOJE, NÃO DEIXES PARA AMANHÔ 

 

 

4 comentarios en “CRÓNICAS, ARTIGOS Y OUTROS TEXTOS”

  1. Sinto-me honrado e grato por mais uma vez poder aqui deixar expressas as minhas reflexões, porventura aquelas que têm a ver com os interesses das maiorias mais sacrificadas.
    Cumpre-me ainda aplaudir a crónica do ilustre poeta e amigo Ary Franco.

    Responder
  2. ARY FRANCO : !»FUGITIVO DO DESTINO»: Que legal, esse conto! Uma maneira de
    Prender a atenção do começo ao fim, trazendo uma meio
    seguro de fazer o leitor refletir automaticamente sobre o tema!
    Bom mesmo é sentir- se leve, livre e solto pelo dever cumprido.
    Gostei!

    Responder
  3. EUGÉNIO de SÁ : «O MUNDO FEITO DE MUDANÇA»: Uma crônica inteira para nossa realidade, sonhos e pesadelos….
    para o que nos dá segurança e pra os momentos inseguros!
    O mundo muda, sim, mas os problemas vão crescendo e avançando com maior velocidade, pois o despertar da humanidade, parece lento.O mundo é tão gigante, tão gigante, que o ser está, meio perdido, na expectativa.A ambição desmedida, e a mudança, passam ser uma sufocante e massacrante disputa em todos os setores e níveis em que o ser
    humano se encontra. O sofrimento atinge a todos, que acabam sofrendo por excesso ou por falta… Quem sofre com
    mais com isso? Acho que todos! Como finaliza sua crônica: «esperemos…»

    Responder
  4. Eugénio, , realmente as mudanças não param e ficamos espantados , na maior facilidade e ligeireza, amanhã o que hoje foi inventado, já está demode. Incrível ! Tão inteligente o homem, faltou a char a fórmula para acabar com a fome, com a violência, com o descaso. Ou o egoísmo impera no ser humano! Tudo pra mim e os outros?
    Mas sempre temos que ter fé e esperar esperar. Linda tua crônica. demais mesmo. Tudo verdade. Bjos, AugustaBS

    Responder

Deja un comentario