CRÓNICAS ARTIGOS E OUTROS TEXTOS

Todo lo publicado en  ARISTOS INTERNACIONAL está sujeto a la ley de Propiedad Intelectual de España  octubre  de 2.021 nº 46

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É PRESICO MUITA CORAGEM PARA DEIXAR A PÁTRIA QUE NOS OBRIGA A EMIGRAR
Ilka Oliva Corado
Brasil

Depois da cerca a pátria se converte em saudade perene. Sabem-no os indocumentados mais do que ninguém. Converte-se nessa carta velha de papel rasgado por tanto dobrar e desdobrar. Está na lembrança dos dias de chuva, da plantação crescendo, das flores frescas ou do aroma do café torrado em panela de barro.

A névoa da terra que se deixou ao outro lado da cerca atravessa as fronteiras e se infiltra pelas frestas das janelas dos arranha-céus onde trabalham limpando os banheiros e os pisos as gerações que tiveram que emigrar porque na própria terra não encontraram nada mais que violência e fome; foram largadas ao esquecimento e obrigada a emigrar em massa. 

As flores tenras das goiabas vermelhas aparecem titilando entre a queimação do meio-dia nos sulcos da plantação onde trabalham em bandos milhares de indocumentados; sonham com a água fresca do rio e com a sombra das tamarindeiras; a pátria então é um delírio. Sentem-na os ombros dos pedreiros que carregam os sacos nas grandes construções, porque o indocumentado é sempre o último, o que carrega mais, o que trabalha mais horas, o que recebe menos pagamento, o que sempre diz sim, o que nunca pode dizer não; aí dói a pátria na ferida da alma. 

Dói nas mãos das mulheres que limpam casas, na artrite dos ossos, nos braços das babás que cobiçam crianças alheias, enquanto as próprias ficaram na terra longínqua ao cuidado dos avós ou das tias; a pátria então é um vazio insondável. Dói nas despedidas que não puderam ser dadas, nas notícias que chegam dos decessos dos seres queridos, nos abraços postergados, nas promessas, nos planos para o futuro, na necessidade do reencontro, nos adeuses definitivos quando se acende uma vela e se reza à distância pelo descanso da alma de quem morreu; aí no bulício de um quarto lotado de indocumentados. 

Dói na reclamação das crianças que exigem desde o outro lado da cerca, o abrigo e a companhia. Dói nos pés cheios de bolhas e na pele arrebentada dos que caminharam durante dias fugindo da fome e da exclusão, buscando em outras terras um respiro.

Dói no púbis terno das meninas manchadas que foram carne de canhão no caminho espinhoso por onde transitam os migrantes indocumentados nas corridas espavoridas em outros solos, onde são vistos como despojos; então a pátria é uma ferida em carne viva e um trauma por toda a vida.   

A pátria que exclui, que violenta, que mata de fome, que desaparece, que cospe, que humilha, que obriga a emigrar. Que separa famílias. É a pátria que dói, o pedacinho de sua terra que vai ancorada no peito, que emerge entre os poros, que palpita sem cansaço no coração ferido, que se curte na pele, que envelhece no cansaço dos anos e à qual desejam voltar um dia, é a pátria mal agradecida que recebe milhões de dólares em remessas dos filhos que obrigou a migrar e que jamais a esquecem: é a pátria do indocumentado e para amá-la assim há que ter coragem de saltar para o outro lado da cerca. Não é para qualquer um!

O QUE È AFINAL O SENTIMENTO DO AMOR?
Eugénio de Sá
Portugal

Sabemos que quando ele acontece tudo o mais passa a ser secundário. São então activadas várias áreas do cérebro e a concentração de hormonas aumenta sempre que estamos perto ou simplesmente pensamos na pessoa amada.
E esse tão agradável e sublime sentimento todos procuram vivê-lo, mas há que cuidado; além de complexo ele tem ser vivido a dois e ser acarinhado e alimentado no dia-a-dia do casal.
Ele é tão importante para o género humano que ao longo dos séculos poetas e cantares o enalteceram e honraram com as suas criações. Apesar das mudanças que a sociedade tem sofrido, o amor continua a caracterizar-se por desenvolver um intenso sentimento emocional nos apaixonados.
«O grau de activação cerebral durante as primeiras fases de uma relação romântica parece influir tanto no nosso próprio bem-estar quanto no nível de sucesso ou fracasso da relação. Por exemplo; a felicidade, o compromisso com o par e a satisfação com a relação têm a ver com a intensidade da activação do cérebro.»

Isto, quando o Cupido decide esgrimir o seu arco e disparar a flechada, não há nada a fazer; os seus alvos sempre sucumbem.
É o chamado amor â primeira vista que a todos encanta e que parece prometer durar pela vida inteira. Este tipo de amor começa por envolver ternura, paixão e arrebatamento. E além de arrebatar os amantes deixa deliciados quantos os rodeiam.
Mas o sentimento do amor também conhece outra forma de nos inundar o coração; pode chegar de mansinho, sequer sem se anunciar, até que damos por nós apaixonados, e então ele se vai tornando cada vez mais forte.
Tantas vezes ele está como sói dizer-se: ao nosso lado e nem tínhamos dado por isso.
No fundo, não importa como o sentimento do amor nos invade, o importante é que o casal tenha consciência de que ambos deverão cuidá-lo e preservá-lo como o sentimento maior que une os corações humanos.
Escrito para o dia 29 de Setembro de 2021,
Dia Mundial do Coração

 MUDANÇAS DE ESTAÇÃO
José Ernesto Ferraresso
Brasil

Percebo a natureza quando se modifica a cada muda de estação. O ar e o tempo que vão recriando a atmosfera e trazem consigo a criatividade e a Inspiração dos artistas, gente cuja sensibilidade é tangida por novas emoções.
A natureza regenera-se paulatinamente, numa formosa mutação.
Que cena encantadora; surgem novas flores e novas paisagens multicolores. Chega a inspiração dos artistas; dos pintores escritores e outros, que Deus premiou com dons para que deslumbrassem o seu semelhante.   
E essas cenas que acabam de chegar fazem-nos encantar com a poesia e emoção incrível, num principiar de siclo sermpre inesquecível.
Poetas meditam, direcionam o olhar e procuram palavras para divagar e cantar os méritos e as glórias que se abrem
aos seus olhos. Apenas  belezas, magia da natureza e palavras que vão ensaiando versos, rimas, estrofes e metrificações. Instantes que os poetas criam e que saltam para as telas dos pintores e as pautas dos compositores.

 

!VENHO DE OUTROS VALORES NÃO DESTES DE AGORA !!
Por: JJ. Oliveira Gonçalves
Brasil

Preparas uma mesa perante a mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.”  (Salmo 23)

Venho de outros tempos. Venho dos tempos de lá. Me estranham estes tempos. E movimentos. Pois são tempos vis de cá. Naqueles tempos, a Verdade era Verdade. E a mentira era mentira. Correto era apenas o correto. O certo. O direito. E o decente. Hoje, o correto está errado. E do errado fez-se o correto. São tempos medonhos os tempos a que sobrevivo. Nasci, lá, em Bagé. Nas terras de Ibagé. Terra de coxilhas, arroios e varzedos. Sinto Saudade daqueles céus. E dos frondosos e esmeraldinos arvoredos. Se o Cacique era lenda ou não era, à Alma isso pouco importa. Sou fronteiriço com o pensamento empoeirado de andarilhas Distâncias… Sou poeta e sofre-me o coração de Nostalgias… Naqueles tempos? O homem era homem. E a mulher era mulher. Casal era um macho e uma fêmea. E a Família geralmente era Christã. E a Bíblia um complexo e sábio Catecismo. Que exorcizava o diabólico comunismo! A gente? Era a ovelha do Rebanho (sem preconceitos!) do Senhor. De Jesus. Do Bom Pastor. Lá, então, Deus era Deus – Onipotente, Onisciente, Onipresente. Cá, nestes tempos sórdidos, desregrados, maculados, o que é ou quem é Deus – aos vendilhões do Templo?

O Tempo é um potro enigmático! É o mais velho dos potros e sempre o mais jovem. Mas sempre o mesmo potro! É um potro de longas crinas negras. E de longas crinas brancas. Um dia, o Potro – que é o Tempo – passou e me disse que eu seria professor. E mandou que me preparasse. E fui. Cumpri longa Jornada. Durante 30 anos. Sempre em sala de aula. Ostentei a Cruz em minha mão direita. E em minha mão direita, também, esgrimi com minha Excalibur. No magistério, nunca fui rei. Por causas óbvias. Pois como pode ser rei quem combate a matrix, o establishment – mais conhecidos por sistema? Fui odiado. Caluniado. Perseguido. Mas, em doses homeopáticas, também fui amado. Eis que, se não fosse, não teria vencido. Lutei batalhas de ferro e aço. Contra corações de pedra! Ah, ferimentos e feridas! Contendas em visível desvantagem. (Eu fui um cusco brigando com cachorros grandes!) Minha vida defendi contra as tocaias do negro astral! Seja como for, jamais desisti de lutar o Bom Combate! Trago nas Dores do corpo e nos ais da Alma as marcas daquele aguerrido Bom Combate! Onde a Cruz e a Espada me salvaram. A Cruz Christã. E a Espada Excalibur. A Crença e a Honra venceram. Aliadas à Coragem, à Persistência e à Justiça!

15 de outubro de 2021. Mais um Dia do Professor. Falar nisso, aonde foi parar o professor? O que aconteceu com ele? Não sei. Mas, com certeza, governadores e prefeitos escravagistas devem saber! Quanto a mim, estou aqui. Com esta esmola a que os donos de senzala chamam de salário! Sei: cumpri minha jornada com denodo, dedicação e bravura. E com muita luta. Mesmo com as garras em pedaços, contra um inimigo visível, abjeto, cruel e desumano! Fui professor. Honesto. Dedicado. Digno! Cumpri (e cumpri bem!) essa Jornada belíssima e inegavelmente dolorida que Deus me mandou cumprir!

É isso. Indeléveis resquícios das andanças de um professor honesto!!

 

O BARQUEIRO E O DOUTOR
Marilza Pereira Calsavara
Brasil

  
Um doutor precisava atravessar um rio até a outra margem e contratou um barqueiro, simples e humilde.
Durante o trajeto o doutor entabulou conversa com o barqueiro:
-O senhor sabe ler e escrever?
-Não senhor
-Então você está perdendo uma parte da sua vida.
– O senhor conhece MOZART?
Nessas alturas já estava na metade da travessia, e o barqueiro perguntou:
-Doutor o senhor sabe nadar?
-Não senhor…
Então o senhor perdeu a vida inteira, porque o barco furou, está entrando água e vai afundar…
Como dizia o meu sábio avô PORTUGUÊS:
“MAIS VALE UM ANO DE TARIMBA, QUE TRÊS OU QUATRO DE COIMBRA”.

O BURRO DA PALESTINA
Por: Artur Soares
Portugal

Conheço uma lenda que diz que “o burro da Palestina é muito vigoroso, aguenta o calor, alimenta-se de cardos; a forma dos seus cascos torna segura a sua marcha; enfim, embora lento, a sua manutenção é pouco custosa. O único defeito é a teimosia”.
É verdade, lento e teimoso!
Como o burro – peço perdão – parecemos nós também.
Urramos em casa, nos supermercados, no comércio, nos estabelecimentos de ensino, às portas e nos corredores hospitalares, nos combustíveis – nestes, Deus malivre! – e já não temos voz que se oiça nos restantes locais da urração. Somos roubados pelos políticos que governam o país, pagamos facturas da destruição que fizeram aos bens nacionais, engordam-se com a pele e os ossos de quem trabalha e, nós, como o burro da Palestina, comemos cardos e somos lentos na marcha. Pior: não marchamos e não fazemos a estes ensebados o que eles fizeram aos monárquicos em 1910.
Avançamos no ritmo que nos é próprio: lentos a pensar, calmos na acção da vida presente e receosos do futuro. Aceitamos e trilhamos os caminhos pedregosos e nada fazemos para melhorar a via de uma vida social digna a que temos direito. Avançamos no silêncio e deixamo-nos “comer” por uns confeitos que nos atiram aos pés, que só os vigairos distribuem.
Como o burro, teimam em nos oferecer um jugo e um fardo que, mostrando-nos sistematicamente a mentira e os assaltos aos bolsos vazios, ainda nos mostram farrapos de atitudes sem sentido, que nos enfraquecem e nos sujeitam. E, ao contrário do burro da Palestina, as mulas existentes a quem damos o voto, causam manutenção elevada ao País e, os seus cascos, tornam débeis a nossa marcha: o futuro, rigor, disciplina social, educação verbal e alegria de ser português.
Por isso, paciente leitor, recorda que nasceste Homem!
Mesmo que sintas ou se não tens a sorte de crer que foste feito “à imagem e semelhança de Deus”, deves recordar pelo menos que a tua sorte é inestimável.
Podias ser uma criatura viva, mas condenada ao torpor cruel da vida ferina, ao mecânico acanhamento do instinto, à muda e obscura reclusão das tocas, dos remoinhos e das fossas!
A tua sorte podia ser a do burro teimoso da Palestina que se alimenta de cardos, ou de uma cobra que se enterra no lodo, ou uma toupeira que se movimenta nas trevas, ou de uma infeliz rês destinada à tosquia e ao matadouro. Mas ao contrário, és um Homem, um ser que caminha na vertical e que olha o céu, iluminado pelo espírito, capaz de ser purificado e redimido pela própria dor!
A tua alma é, apesar de tudo, tão nobre que pode vencer o génio e desejar a santidade! Tu és co-proprietário de um planeta! O vento é teu servo, o fogo é teu escravo, a força das águas ilumina-te e aquece-te, todos os poderes da natureza estão sob as tuas ordens; percorres o firmamento, descobres o infinitamente pequeno, descobres o mistério dos germes e dissolves o átomo; sabes revelar o passado, pensar o presente e programar o futuro!
As palavras podes transmiti-las com sinais e sons e, o pensamento, com todos os seus tormentos e paixões, é a tua nobreza, o teu penhor de passagem para lá dos seus próprios limites! És mortal como os burros e as éguas de toda a Terra, mas somente para ti, resplandece a esperança – que para certos é certeza – da vitória final sobre os teimosos e os adeptos da normose. Tu és, mesmo no cárcere da carne e do tempo, o impaciente “sopro” de um Criador, que não se fez e/ou desejado foi para comer cardos e ser lento na caminhada. Acorda homem de Deus! Não permitas que te saquem a espiga!
(O autor não segue o novo Acordo Ortográfico)   

 

CRÓNICAS ARTIGOS E OUTROS TEXTOS

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O jogo Xadrês visto à lupa dos novos «moralistas»
Eugenio de Sá
Portugal

Está a ser estudada a proibição do Xadrez, por se tratar de um jogo «racista»: as brancas contra as pretas, onde também as brancas começam primeiro.

Existem peões que são sacrificados, típicos do capitalismo; há também um sério “abuso animal” ao brincar com Cavalos em movimentos rígidos, sempre em L;

e Bispos ao «serviço» de uma Monarquia.

Como se tudo isso não bastasse, nos deparamos com uma ação deliberada do Machismo e do Patriarcado, já que a Rainha é quem mais tem que trabalhar no jogo, em benefício de um Rei que mal se move.

Estamos estudando seriamente um jogo mais «inclusivo.

E depois há aquela rebaldaria toda dos bispos, da rainha e dos peões se andarem a comer uns aos outros!

Até metem cavalos ao barulho!!!

Uma indecência! Uma vergonha! Um escândalo!

Preâmbulo
Eugenio de Sá
Portugal

Constatações, impulsos, desabafos, mágoas, alegrias, raivas, revoltas, desesperos, espantos, intervenções e reflexões diversas… O mundo dos sentimentos humanos é vasto, e o seu inventário atinge o impressionante número de duzentos e sessenta sentimentos identificados. Dir-se-ia, por isso, que é uma fonte inesgotável onde bebem poetas, escritores, jornalistas e toda uma plêiade de comunicadores.

Ao produzir esta (despretensiosa) Crónica procurei a racionalidade para sustentar a razão porque escolhi agrupar os sentimentos humanos em três grandes segmentos de que nós, os poetas, nos servimos para criar a poesia que tanto amamos. Denominei-os de VontadeMenteEmoção; elementos para uma visão analítica da Criação Poética.

No entanto, na Criação Poética estes três macro agrupamentos não são estanques; eles funcionam como um sistema de vasos comunicantes em que a partilha de sentimentos assim classificados

e ordenados é comum na defesa da abordagem dialéctica que vai fluindo da imaginação criativa do poeta.

Para a sociedade, a periferia é onde se conjugam todos os males.
Ilka Oliva Corado 
Brasil

Historicamente para a sociedade classista e racista, na periferia se conjugam todos os males do mundo e, por isso, quem é de periferia automaticamente tem que ser ladrão, abusador, velhaco, violador, assassino e tudo quanto a mente humana possa conceber. Tirar essa marca é um trabalho titânico porque o estigma é uma espécie de DNA. Porque ser da periferia se converte em impedimento para conseguir trabalho, para estudar, para estabelecer relações sociais fora dela. As pessoas veem o povo da periferia como delinquentes com os quais é preciso tomar cuidado. É excluída de entrada.

Por isso, ser da periferia é lutar contra a corrente permanentemente, contra o sistema que violentou as periferias, que as empobreceram e que as excluíram de qualquer direito e benefício como parte da sociedade. Acusou-as de ser o máximo perigo do país. As famosas zonas vermelhas abundam na América Latina. Essa América Latina socavada, despojada, humilhada e manchada pelas grandes máfias oligárquicas que são o perigo real para a população. Literariamente, as célebres favelas dão um romantismo aos sonhos. Porém, como é viver sem água potável, sem energia elétrica, sem ruas pavimentadas e sem esgoto, sem condução, sem trabalho, sem moradia.

Como é viver isolado e sem os alimentos básicos, sem remédios e sem atenção à saúde. Como pretende a sociedade que um ser humano sobrevivendo nessas condições possa terminar seus estudos básicos e ir para a universidade?Como se supõe que os pais de família possam alimentar seus filhos, se lhes são negadas as oportunidades de desenvolvimento? Como se pretende que tenham uma vida integral se são violentados diariamente pelas forças de segurança? Se vivem as limpezas sociais que buscam eliminá-los? Se encerram os jovens em prisões que são centros de tortura, por sua origem e aparência? Se a violência institucionalizada os obriga a delinquir.

Porque foram violentados em toda a sua vida, os que chegam à adolescência, sem amor-próprio, sem sonhos, em um estado de depressão profunda, brigados com a vida, sentindo-se lixo, são utilizados pelas máfias oligárquicas para que repartam a droga que eles produzem, para que entreguem os pacotes, para que cobrem as dívidas dos filhinhos de papai e mamãe que, por seus privilégios de classe, são os intocáveis. E passam a vida nisso. Quanto vale uma adolescente de periferia? 

Desaparecem e não acontece nada. Negar-se a delinquir ou fazer o trabalho sujo das máfias oligárquicas significa morrer.Quanto valem as meninas da periferia? São as que formam parte das estatísticas de desaparecidos; suas vidas terminam em bares do país ou do estrangeiro porque são o melhor negócio, o mais rentável: seus corpos para o tráfico sexual. O que esperar de uma criança quando ela crescer, se a bombardeiam com a televisão com telenovelas e séries de narcotraficantes?

Se no rádio o aniquilam com canções de drogas e cartéis o dia inteiro? Se a mensagem do governo é: quanto mais trapaça, mais triunfo. Se além disso lhe negam qualquer recurso e oportunidade. E que esperam que façam os pais e mães se têm que trabalhar 16, 18 horas por dia para que comam pelo menos uma vez por dia?

Ser de periferia é ter tudo contra, por isso, nadar contra a corrente é a resistência. Só a periferia mesmo pode se dignificar. De fora só chegará a exclusão, a calúnia, o rechaço, o abuso, o menosprezo, a injustiça.

Por isso, quem é da periferia tem a missão titânica de ser rosto e voz de sua comunidade, tem que representar a periferia em qualquer lugar onde estiver. Por essa razão tem que cuidar de suas palavras e seus atos.

Tem que ser um ente de mudança, entre a infância e a adolescência, tem que influir para que essas meninas, meninos e adolescentes em lugar de se verem como lixo, se vejam como seres humanos que podem derrubar a barreira do ódio e da injustiça e alcançar seus sonhos. Porque para isso cultivaram em toda a sua vida a habilidade da resistência e de nadar contra a corrente.

Quem é da periferia tem que cuidar da forma como caminha, como fica em pé, como fala, seus gestos, porque há gente observando, gente que o verá para baixo sempre e gente que o verá como exemplo a seguir. Ser da periferia é esforçar-se três, dez vezes mais que qualquer outra pessoa. É dar 110% em tudo o que faz. É madrugar e se deitar tarde, estudando, repassando e exercitando sua mente e seu espírito. Ser parte ativa da comunidade. Ser uma pessoa funcional dentro e fora de casa, com isso rompendo a estrutura patriarcal dos papéis de gênero. Um menino de periferia pode lavar roupa da mesma forma que uma menina e fazer limpeza e arrumar as camas e lavar o banheiro. Lavar a louça. É utilizar a tecnologia ao seu favor, ver documentários sobre cultura, arte, esportes, lugares inóspitos; tudo o que não lhe permitem as circunstâncias econômicas podem encontrar na tecnologia.

Se juntam em grupo e vão à casa de alguém que tenha internet e algum aparelho onde possam visitar as plataformas digitais. É claro que se pode fazer isso, porque é uma das responsabilidades da resistência. O recurso que não se tem, se busca até encontrar. É a própria periferia que tem que lutar contra o bombardeio televisivo que só busca menosprezá-la. Como? Realizando programas culturais, ambientais, políticos e esportivos dentro da comunidade. E para isso é necessária a ajuda de todos, dos docentes, dos vendedores do mercado, dos motoristas de ônibus, das famílias, dos adultos. Só a periferia pode dignificar a si mesma.

É um trabalho lento, não se verá a mudança a curto prazo; será geracional, mas deve ser feito. Também plantar árvores nos barrancos para impedir que desmoronem. Pode-se fazer e para isso só temos que nos informar das façanhas realizadas por outros, em outros tempos, em piores circunstâncias. O ser humano tem capacidade de realizar o impensável.

A periferia tem a obrigação de ser sementeira de mentes analíticas que questionem o sistema e que tenham força para mudá-lo; para isso deve nutrir-se diariamente da memória histórica e ter força de vontade.

1 comentario en “CRÓNICAS ARTIGOS E OUTROS TEXTOS”

  1. EUGÉNIO de Sá: «Vontade, Mente,Ação!» – realmente a imaginação voa, numa liberdade criativa, numa reflexão em busca da verdade… e junta sentimentos! Com criatividade, mostra a razão. Tão criativo, que faz o leitor meditar sobre o tema. Gostei!

    ILKA OLIVA CORADO : Linda, Inteligente, Corajosa e Humana : a autora e sua escrita! Obrigada e Parabéns!

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CRONICAS ARTIGOS E OUTROS TEXTOS

Todo lo publicado en  ARISTOS INTERNACIONAL está sujeto a la ley de Propiedad Intelectual de  España  Julio de 2.021 nº 43

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Abrir o coração para alguém que clama por ser escutado é algo que todos deveríamos praticar
Ilka Oliva Corado

Estou buscando varinhas de bambu para amarrar o talos dos girassóis que estão crescendo e já começam a dobrar; caminho entre as prateleiras cheias de vasos com uma variedade de verão, cores de flores fogo, amarelos de várias tonalidade e os verdes das folhas que vão desde o verde garrafa ao verde abacate. 

Os amarelos e alaranjados vivos. Idosos são contratados temporariamente para cuidar das flores na estação; se os vê regando-as, tirando as folhas secas e colocando-as cuidadosamente nas prateleiras. Os jovens estão na área de terra e adubo, carregando as sacolas e colocando-as nos carros dos compradores. 

O sol está a pino, é meio-dia e o calor de junho é abrasador; ainda não é verão oficialmente, mas o clima deixou atrás os dias frios de inverno que até os últimos dias de maio se resistia a ir embora. Eu vou à área dos vasos, outra paisagem fascinante, há os baratos que são de plástico para ir subindo de preço até os feitos à mão que custam um salário e meio.  

Os tamanhos variam para dar passagem à imaginação: um recipiente enorme cheio de flores de morto, ou de flores das dez, um azul copado de girassóis. Outro vermelho com flores alaranjadas e amarelas. É uma viagem ir aos viveiros de plantas; é uma viagem a outro mundo, onde tudo é puro, o mundo da natureza que sempre nos ensina que somos tão insignificantes, comparados com a imensidade de sua beleza e resistência. 

Encontro as varinhas de bambu que são mais baratas que as de plástico e se veem tão lindas sustentando os talos dos girassóis. Mas não têm preço marcado; ao meu lado está um senhor europeu falando com outra empregada negra, eu os interrompo e lhes pergunto o preço, o senhor imediatamente pega seu aparelhinho e escaneia a etiqueta e me diz o preço: quatro dólares e noventa e nove centavos o pacote com seis varinhas. 

A empregada vai para outra prateleira e o senhor fica conversando comigo; ao escutar meu inglês com sotaque latino-americano me fala em espanhol imediatamente e se apresenta; muito prazer, sou fulano de tal. 

Assombrada lhe pergunto se fala espanhol e me diz que sim, que aprendeu em seus trabalhos anteriores. De onde você é, me pergunta e lhe digo que da Guatemala; ao escutar o homem suspira e me diz que teve um chefe guatemalteco quando trabalhava em uma empresa de TV a cabo; hoje estou aqui, me diz, neste viveiro, mas tenho trabalho. 

Claro que sim, isso é o importante, lhe digo para animá-lo. Eu sou sírio, me conta imediatamente, e eu entendo sírio e lhe digo que eu li sobre seu país; não, não, me diz, agora já não é país. Não? Pergunto-lhe, Síria não é país? Bem, Síria sim, mas eu sou assírio, e busca em seu celular a internet e me mostra Assíria. 

Eu noto que está nervoso, buscando com a mirada se não o estão vendo seus superiores conversando sem fazer nada. Se quiser caminhamos entre as prateleiras, para que quando olhem pensem que está me mostrando algo. Seu rosto se ilumina e começa a caminhar. Tenho ainda 15 minutos, estou em horário de trabalho e devo regressar logo, mas noto sua necessidade de se expressar e encontrou em mim um canal receptor para fazê-lo, assim que nada me custa compartilhar com ele esse tempo.

Assíria, torna a repetir e se converte em um novelo de lã, desenrolando-se, me fala do cristianismo, da antiga Grécia, do que viveram há 700 anos, de que estão dispersos pelo mundo, que agora o povo assírio está regado pelo mundo. 

Como os armênios, lhe digo, que viveram o genocídio turco e agora estão regados pelo mundo; sua cara de surpresa com alegria dá continuidade à conversa; assim é, me diz, e me fala da grande Mesopotâmia, com a inquietação e a fascinação de um historiador. É um homem enxuto, muito magro, com um metro e sessenta de altura, ficando calvo, apenas com uns quantos cabelos loiros, vestido com calça de lona e camisa quadriculada com as mangas arregaçadas.  

Seguimos caminhando entre as prateleiras; me encanta falar com pessoas como o senhor, lhe digo, assim inteligentes; sorri e me responde: a mim também. E continua o novelo desenrolando-se e eu o escuto fascinada, ele se desborda, a história de seu povo lhe sai pelos poros; cada vez que falo, me lê os lábios e eu falo mais devagar para que possa entender o espanhol; ele também fala devagar, averiguando as palavras, buscando-as na sua memória para ordená-las e poder falar.

Damos a volta ao viveiro e eu me despeço, terminaram meus 15 minutos de tempo e tenho vontade de dar-lhe o meu número de telefone, para que algum dia nos juntemos para tomar um café e conversar de seu povo, das migrações dos assírios, dos armênios, da antiga Grécia, do Oriente Médio, dos muçulmanos e dos cristãos e todos essas guerras de séculos atrás que ele tem a ponta da língua. Mas, tenho a má sorte de que sempre que dou meu número de telefone a um homem em situações assim, pensam que o que quero é cama; assim me despeço com a vontade de seguir a conversa. 

Começo a caminhar para a caixa para pagar as varinhas de bambu; ele emocionado me pergunta se posso entrar no site de internet do viveiro e falar de seu trabalho, de como me tratou, me mostra seu nome na camisa, eu lhe digo que sim, que com muito prazer. Aqui estou, nesta área sempre, venha, regresse qualquer dia e seguimos conversando me grita pela última vez.

Claro que sim! Respondo. Faço o pagamento e vou embora com minhas varinhas de bambu e um conhecimento novo sobre os assírios dos quais não tinha a mais mínima ideia. Abrir a alma e o coração diante da necessidade de expressão de alguém que clama por ser escutado, é algo que deveríamos praticar todos os seres humanos; nos surpreenderíamos das coisas que aprenderíamos dos demais. 

As solidões com que convivemos
Eugenio de Sá
Portugal
 
Normalmente falamos de solidão quando queremos significar a sensação de isolamento que nos invade.
 
Há dois tipos de solidão; a que ocorre por circunstâncias a que a nossa vontade é alheia, e a outra, aquela a que nos obrigamos quando e sempre que queremos reflectir ou reviver, a sós, memórias de momentos que foram caros.
 
A propósito desta última, que muitos de nós cultuamos, escreveu Rainer Maria Rilke: “Uma única coisa é necessária; a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante horas, é a isso que é preciso chegar. Estar só, como a criança está só”.
 
A propósito, lembro que escrever é um acto de solidão, mesmo que o escritor esteja envolvido por um ambiente de ruído, ele consegue isolar-se e assumir uma solidão interior propícia à criação.
 
As solidões, as que consideramos necessárias e contemplativas podem ser também libertadoras, porque a solidão é inerente ao ser humano: nós nascemos sós, atravessamos nossa vida como um ser destacado, e finalmente morremos inapelavelmente sós.
 
As solidões impostas machucam, maltratam, mas devemos entender que elas nos facultam a liberdade de reflectir sobre nós mesmos e a nossa relação com os demais. É da solidão do ser que brota a purga de tudo o que é estranho à essência do ser humano.
 
Pode, pois, concluir-se que a solidão pode ser (ironicamente) boa companheira; é como se nos víssemos reflectidos num espelho, duplicados de nós mesmos. Solidão amiga, conselheira, e tantas  vezes, necessária ao nosso equilíbrio interior.

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CRONICAS ARTIGOS E OUTROS TEXTOS

Todo lo publicado en  ARISTOS INTERNACIONAL está sujeto a la ley de Propiedad Intelectual de  España  Junio de 2.021 nº 42

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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

COLABORAN:Ilka Oliva Corado-Eugenio de Sá

Médicos cubanos demonstraram ao mundo que, apesar do bloqueio, resposta está na solidariedade
10 DE JUNIO DE 2021 
Por ILKA OLIVA CORADO

No meio de um sistema putrefato, infestado de corrupção e impunidade que carcome até os últimos alicerces da sociedade guatemalteca e leva à sua passagem as vidas de milhares de vítimas, se destaca uma brigada médica que carrega nos ombros os mais vulnerados, porque chega até onde os médicos nacionais não vão. E são os médicos cubanos dispostos a enaltecer o trabalho de salvar vidas.

Um bando de criminosos que colocam suas marionetas no governo de turno se encarregou de arrasar com os recursos e com isto fazer sucumbir o povo ajoelhado diante da violência constitucional, da fome e da miséria; enquanto as grandes máfias dão passagem livre a todo ato delituoso que enriquece os que vivem com o dinheiro do povo.

Enquanto isso, a fome acampa nos lodaçais, também na seca e com ela as doenças crônicas provenientes da miséria; uma alimentação deficiente e às vezes nula. Sem remédios, sem recursos, sem um diagnóstico médico, sem um tratamento adequado, sem doutores e sem um posto de saúde perto dos mais vulneráveis, esse sistema insalubre colapsa pedindo clemência diante da turba de criminosos que tapam os olhos e os ouvidos, mas abrem a boca para cuspir as mesmas ladainhas há cinco séculos. Nesta terra de opressores cínicos e oprimidos que acreditam ainda nos milagres das imagens de gesso que lhes mostram os religiosos, a rebelião é só uma canção do Caribe…

Poucos médicos se formam na Guatemala com o ideal humano de ajudar o próximo, a maioria o faz pensando na mamata de uma clínica privada ou um emprego em um hospital privado. Por isso, ainda que saibam a cura, embora possam receitar, jamais darão uma consulta àqueles que não possam lhes pagar o preço que impõem. São tão cínicos como os donos de terra e gente. Poucos são os que se integram na missão humana e por mais que lutem é como arar no mar diante do colapso sanitário do país das eternas tiranias.

Então é quando chegam os médicos cubanos para dar duro neste país de lastro neoliberal, sucumbido na miséria, podre de corrupção, de cínicos, de escritores de tuítes, de revolucionários de redes sociais, de intelectuais de papel, de artistas de boa vida e de passarelas, de cineastas arrogantes, de poetas charlatães. A esta terra que exporta mão-de-obra barata ao país que a necessite. A esta Guatemala de ventre violado, de desmemória. De povos milenares que se negam a morrer ajoelhados diante do colonialismo do mestiço racista, classista e lacaio.

Os médicos cubanos atravessam montanhas, rios, lodaçais, terras secas, os quilômetros que tenham que caminhar seja de noite ou de dia, para ajudar os irmãos dos povos originários, aos dos arrabaldes, aos camponeses, aos operários de lombos partidos, como nunca fez um médico mestiço guatemalteco que se negou a entrar nas entranhas de sua pátria por puro menosprezo de seu próprio sangue milenar.

Alguns, que aprenderam antes da universidade a solidariedade humana e que a medicina só ajudou a reforçar suas bases, fazem o louvável trabalho, mas são poucos. Somos gratos a eles. E aos médicos cubanos que levam a dignidade de seu povo a outras terras por meio do abraço humano de medicina. “Vão e ensinem a todos” se aplica muito bem às brigadas de médicos cubanos. Pois demonstraram ao mundo que apesar do bloqueio a resposta sempre será o amor e a solidariedade.

ROBERT BURNS
Eugenio de Sá

Robert Burns, foi um poeta escocês também conhecido como o Bardo de Ayrshire, nasceu em Alloway, em 1759 e faleceu em Dumfries, corria o ano de 1796. Viria a ser considerado o poeta nacional da Escócia.

   Embora com poesia ainda publicada em vida, a obra poética coligida em 1801 foi “um dos maiores fermentos do Romantismo, a cujos ideais de licença erótica na poesia e na vida se pode dizer que ele sacrificara a sua. Pela liberdade apaixonada, o erotismo desenfreado, a pungência dorida, a malícia viril, o domínio absoluto de uma linguagem que é menos dialectal do que fabricada por ele com dialecto em inglês literário, a arte consumada de uma musicalidade perfeita, a sua grandeza de lírico é extraordinária. Mas nem a simplicidade aparente, nem o tom popular, excluem uma aguda perspicácia e uma culta desenvoltura, que tudo absorviam e tornavam em original poesia que foi uma rajada de ar fresco nos convencionalismos poéticos do século XVIII. Sátira violenta e revolucionarismo libertário igualmente estão presentes nesta poesia desavergonhadamente autobiográfica. “.

   Apresentado que está o poeta pela voz autorizada de um mestre Jorge de Sena, vamos ver alguma da sua poesia.

ANA

Aí vinho que ontem bebi
escondido numa choupana
quando em meu peito senti
os negros cabelos de Ana!

O judeu lá no deserto
que bebia o que Deus mana
não sabia o mel oferto
nos lábios ardentes de Ana!

Reis, tomai o Leste e o Oeste,
desde o Indo até o Savana,
mas dai ao corpo que as veste
as formas trementes de Ana!

Encantos desdenharei
de imperatriz ou sultana
pelo prazer que darei
e tomarei só com Ana.

Vai-te, faustoso deus diurno!
Vai-te, pálida Diana!
Suma-se o claror nocturno,
quando eu me encontro com Ana!

Venha a noite em negro manto!
Sol, Lua, Estrelas, deixai-nos!
Só com penas de anjo o encanto
direi dos gozos com Ana.

 

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Enero  2021 nº 39

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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

 

COLABORAN: Ilka Oliva Corado.-Eugenio de Sá.- Ary Franco.-

 

Três turnos por dia
Ilka Oliva Corado
Brasil

Tento abrir a porta da padaria e o vento que está contra o faz mais difícil, mas além disso é uma porta antiga, com dobradiças antigas sem manutenção que tornam a porta uma fortaleza; quando finalmente consigo me bate nas costas, saio revirada para a frente e mal consigo manter o equilíbrio. A moça que está no caixa sorri e também o senhor mestre padeiro, um senhor de uns 75 anos de idade. Cale-se que a bandida me pegou nas costas, digo como forma de responder à saudação. 

Busco pão francês, quero comer feijões coados com pão francês, mas o pão francês, francês da Guatemala, eu só encontro indo ao centro, digamos; nos arredores só encontro padarias mexicana, russas, polonesas e indianas, no supermercado compro baguete francesa, mas o pão francês da Guatemala só que se aprenda a fazê-lo e assim estou há vários anos que quero aprender a fazer pão e nada, a preguiça não me deixa. 

Nessa padaria fazem pão mexicano e guatemalteco, mas o guatemalteco é só imitação porque tem a forma, mas a farinha e sua preparação são de estilo mexicano e o pão tem o sabor de pão doce mexicano. Os donos são árabes que encontraram nesse setor operário sua mina de ouro, têm várias padaria de pão mexicano com trabalhadores mexicanos, que as pessoas pensam que é na realidade uma padaria de seus paisanos. Vende até piñatas. Os donos mal aparecem para que os pessoas não os vejam, os que dão a cara são os trabalhadores mexicanos. 

A tarde está fria, logo começará a nevar; os dias amanhecem nublados com capas de gelo fino sobre a grama e escarcha nas janelas dos carros. É outono e escurece na metade da tarde. Pego minha cesta e busco os pães franceses, pirujos, que os mexicanos chamam de bolillos; enquanto vou pegando um por um com a pinça é inevitável escutar o mestre padeiro tentando ter uma conversa com a jovem no caixa, que terá não mais de 20 anos, é uma menina, mal presta atenção; terá seus pensamentos em outro lugar, além de estar atarefada desinfetando o balcão, as pinças e as cestas onde os compradores põem os pães.

O padeiro insiste com grande necessidade, é como se tivesse sede e pedisse água. Já com o pão na minha cesta passo pelo caixa e enquanto a jovem faz a conta eu pergunto a ele: desculpe que me meta onde não sou chamada, mas foi inevitável escutar sua conversa; onde é que diz que quer ir passar suas férias quando for embora daqui? o mestre padeiro se compõe, ajeita a postura e torna a pôr o cotovelo sobre o balcão, imagino que está em seu tempo de descanso, porque está de uniforme com todas as medidas de higiene estabelecidas pelo estado em tempos de vírus. 

Ele tem o cabelo grisalho, é magro, tão magro que seu aspecto não é saudável, se mata de trabalhar. Se nota o cansaço, na voz, no rosto, em seu corpo. Olhe, me diz, quando for embora daqui vou passear nas praias do México, em todas, vou deitar na areia para me bronzear, vou andar de lá para cá, de norte a sul, de oriente a ocidente e vou conhecer meu país, que não conheci porque vim diretamente do rancho para cá. 

Quanto tempo faz que está aqui neste país? 25 anos e 23 nesta padaria. Aqui trabalho na parte da tarde e saio às 11:30 da noite e vou ao outro trabalho no hotel que está aqui perto, passando a rua vira à esquerda, conhece? Não. Bem, aí há um hotel e aí trabalho também das 12 às 6 de manhã e às 8 entro num restaurante para lavar pratos e saio às 12. Mas agora mesmo por causa do vírus não tenho tido trabalho no hotel nem no restaurante, apenas uma quantas horas.  

Olhe que trabalhava dormido e por pouco me dava diabetes porque tomava desses sucos energéticos, desses, olhe e mostra umas bebidas que estão em uma geladeira, mas me descobriram o açúcar a tempo e deixei de tomá-los; tenho economizados seis mil dólares. Já criei meus filhos e com esse dinheiro vou regressar a meu México, para morrer por lá, mas antes quero ir às praias comer mariscos. Vou me dar a grande vida no México. Não imagina o que me custou economizar esse dinheirinho. Sim, sim, eu imagino. E de que lugar você é? De Jalisco, de um rancho na periferia, era puro mato no meu tempo, mas já está asfaltado agora e a gente chega mais rápido. Dizem que há até autopistas. 

Meu pacote de pão espera, já paguei à caixa e está entrando mais gente na padaria que não tem muito espaço e com isso da distância social, o mais recomendável é que saia para que eles possam comprar à vontade. Me despeço da jovem e do mestre padeiro, desejando-lhe sorte em seu retorno ao México, que não sei quando será e se será, porque isso de regressar á a ilusão e a esperança de tantas pessoas indocumentadas que ao assomar a alba do novo dia, é o primeiro em que pensam para conseguir escapar momentaneamente da realidade do aqui e agora.

Pedaços de vida
EVOCAÇÃO DE AMOR
Por:  Eugénio de Sá

De visita à ilha da Madeira, ao desembarcar do velho Angra do Heroísmo, lá estava no cais a me esperar um velho amigo das andanças jornalísticas de Lisboa em que ambos militáramos anos a fio. Arnaldo Barão, o Arnaldinho, como a rapaziada da arte carinhosamente o tratava, mantinha-se o “malandro” de sempre: longa madeixa, já sal e pimenta, a tombar-lhe, rebelde, pela testa e um sorriso gaiato que lhe rasgava o rosto, de orelha a orelha.
Após os exuberantes abraços que a saudosa ausência justificava, Arnaldo disse-me, com o entusiasmo pela vida que o caracterizava: nem penses ir para algum hotel ! – Ficas lá em casa. A patroa já tem tudo pronto para te receber. Calei-me e segui-o, ambos ajoujados ao peso das duas pesadas malas que trouxera comigo (um delas com presentes para ele e para a tal «patroa», como ele lhe chamava, com ternura).
Ainda no caminho para o carro, Arnaldo foi-me dizendo que nessa noite iríamos a uma festa que o seu amigo, um tal Alexandre dava em sua casa, para comemorar o aniversário do seu neto mais velho.   Mas se ele é teu amigo e não meu, ía eu a retorquir… – Nem penses que te baldas, cortou o Arnaldinho, sem me dar mais hipóteses. E continuou: aqui na ilha os nossos amigos são recebidos como família pelos que cá vivem e que assim  nos consideram.
Depois de um bom duche e de um reparador almoço, fomos até ao café da Sé, mesmo no centro do Funchal, matar o vício do cafezinho. Vício que alimentáramos ambos quando, frente a frente, nos noturnos frios do gabinete da redação, lá íamos batendo o queixo, enquanto alternávamos as pancadas na velha máquina de escrever com o entornar das canecas cheias do negro, aromático e precioso liquido, mantido quentinho na velha garrafa térmica que partilhavamos

Dois dedos de conversa e lá se nos foram chegando, com pretextos diversos, amigos e conhecidos do Arnaldo, curiosos pela visão do desconhecido personagem que o acompanhava.
Falámos, rimos e contámos anedotas picantes, novas e antigas. Enfim; o trivial em reuniões despreocupadas de homens vividos e bem dispostos.
Caía o dia e tomava forma a conhecida beleza da noite naquela bela urbe que é a capital madeirense.
Um passeio pela marginal – que entretanto se  iluminara de vistosas e coloridas luzes – emprestou delícias ao caminho percorrido a pé até à casa do Alexandre, uma belíssima vivenda de dois pisos, feérica e festivamente iluminada. Na soleira da porta, lá estava o anfitrião; um simpático senhor de alvas cãs a ornar-lhe as têmporas, a cruzar o limiar do último quartel (teórico) da existência humana.
Estranha empatia se gerou, de imediato, entre mim e o ancião.
Mal nos conheceramos e já ele me apresentava calorosamente à família como «o amigo de Lisboa». Falamos um pouco mais e Alexandre pediu-me que descesse com ele à cave do edifício, onde guardava uma esplêndida garrafeira, que reunira, com paciência e determinação, durante longos anos.

Passamos em revista as garrafas cuidadosamente guardadas. Todas tinham uma história, de todas Alexandre ia falando com pormenores; a origem, as castas, o previsível paladar do precioso nectar mantido à temperatura ideal….
Depois dirigimo-nos a numa pequena sala intima vizinha à adega, que decorara com simplicidade, mas também com conforto. É aqui que me retiro para meditar, para ler um pouco, para ouvir música e relembrar a minha vida, confessou-me Alexandre.
Sentemo-nos, meu amigo, convidou ele. E, depois de abrir um garrafa que escolher cuidadosamente e dela nos servir dois copos, ligou um gira-discos onde pôs a tocar um velho 45 rotações. Começaram a ouvir-se os acordes de uma elha canção brasileira; “se esta rua fosse minha, eu mandava-a ladrilhar com pedrinhas de brilhantes para o meu amor passar….”.
Olhei o rosto de Alexandre; duas lágrimas rolavam lentamente pela sua face, marcada pela vida. Quedei-me num silêncio respeitoso. Aos poucos, o meu anfitrião foi recuperando da emoção experimentada e confessou-me: sabe, Eugénio, meu novo e já querido amigo; vez por outra assalta-me uma grande nostalgia e lembro-me, com grande carinho, de uma namorada que tive, jovem ainda. Ela morreu muito nova, de uma doença incurável. Era uma menina de 19 anos. Amei-a muito e esta era «a nossa música».
Regressei a Portugal dias depois e os primeiros passos que dei em Lisboa levaram-me diretamente a uma discoteca onde pedi o disco, explicando ao vendedor: olhe, meu amigo, a letra da música é assim: “se esta rua fosse minha…..”
Saí feliz com o disco embrulhado debaixo do braço.

O QUE ESPERO PARA O ANO NOVO
Ary Franco (O Poeta Descalço)
Brasil

Como aposentado, espero ter um aumento na minha aposentadoria de 300%, para equiparar-me ao que deveria estar recebendo, proporcional ao quanto recebia ao me aposentar, isto é: a mesma quantidade de salários mínimos. Não quero mais precisar ser ajudado pelos meus filhos para poder sobreviver.
Como brasileiro, espero que os “donos da Lei e da Justiça” deixem de legislar em causa própria, abram mão de seus polpudos ganhos e os revertam a favor de nossos hospitais, segurança pública e educação. Tenhamos assistência médica, sem necessidade de pagarmos planos de saúde caríssimos e sermos atendidos e tratados com dignidade e respeito pelo SUS e Hospitais Públicos.
Como cristão, solidariedade para com os menos favorecidos e ajuda ao próximo, amando-os como a nós mesmos.
Como cidadão, quero poder sair à noite em segurança, sem risco de ser assaltado ou assassinado. Dormir sem ter que trancar minhas portas; com as janelas abertas no calor e sem grades de proteção, alarmes ou cercas eletrificadas.
Como chefe de família, quero contar com boas escolas e faculdades públicas para as gerações futuras estudarem, sem necessidade de ter que pagar colégios particulares. Depois de formados, quero empregos para todos poderem trabalhar e constituir suas famílias.
Como trabalhador, receber salário compatível com meus serviços prestados e poder cuidar condignamente de meus dependentes, dando-lhes o conforto necessário, sem que nunca passem privações.
Como ser humano, quero todas as ruas calçadas, com saneamento básico, escoamento perfeito de águas pluviais, livres de enchentes e/ou alagamentos. Coleta de lixo regularmente para evitar proliferação de doenças.
Quero ver minhas florestas e matas realmente protegidas, fazendo-se apenas cumprir as leis já existentes apenas no papel.
Quero o fim dos corruptos e dos corruptores. Quero que o funcionário público deixe de nos olhar de cima e passe a ser um servidor público, como na verdade o é.
Não quero esmolas do Governo, como cestas básicas, seguro desemprego ou terras para plantar (quero ganhar o suficiente para comprá-las). Não quero ganhar peixes para aplacar minha fome; quero ter condições de comprar minha vara de pescar. Quero deixar de ter que pagar impostos exorbitantes para sustentar políticos com padrões de vida nababescos.
Quero DIGNIDADE, RESPEITO E CIDADANIA DE FATO! Não quero sentir-me um palhaço escutando falácias dos políticos! Quero fazer parte de um povo educado, bem informado e culto. Não quero ver a ignorância ser fomentada pelos interessados em que o Brasileiro fique cada vez mais inculto e que ele só possa pensar e votar com o estômago e não com o cérebro! Hoje, causa-me vergonha, ao ver um caminhão acidentado, ter sua carga saqueada por um bando de pessoas famintas e desassisadas.
Finalmente, quero poder escrever uma crônica no dia 31 de dezembro de 2021, dizendo que tudo isso foi alcançado ou que, pelo menos, NÃO PIOROU!
QUERO, CADA VEZ MAIS, CONTINUAR A TER ORGULHO DE SER BRASILEIRO!   PELO MENOS ISSO, NÃO ME TIREM, POR FAVOR!

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Diciembre 2020 nº 38

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COLABORAN :Ilka Oliva Corado.-Eugenio de Sá.-Albertino Galvão.-Sávio Roberto Moreira Gomes.- Cema Raicer.-

A GRANDE CLARICE LISPECTOR COMPLETA 100 ANOS.
Por Ilka Oliva Corado
Brasil

A escritora que nunca acreditou que fosse extraordinária, havia demasiada pureza em sua alma para caminhar pela vida com o ego da intelectualidade. Seus textos abriam passagem entre a vida diária, com a máquina de escrever sobre os joelhos enquanto cuidava de seus filhos pequenos. A casa própria de que fala Virginia Woolf foi para Clarice essa máquina de escrever que a salvou do vazio. 

Clarice, que cresceu na pobreza, emigrante desde criança, que falava o português com um acento raro, depois pode viajar pelo mundo e provar o mel da folga econômica, nunca esqueceu sua origem.  Mas, como alguém que conheceu lugares especulares, que se juntava com pessoas alta estirpe no mundo da política, da cultura e das artes, escreveu um texto a uma galinha? Sim, ao sentimento de uma galinha que fugia para não se converter no caldo do dia para uma família. 

Quem podia escrever sobre arranha-céus, vinhos caros, vistas surpreendentes, sobre casas com tapetes persas, escreveu um texto a um homem cego como muitos dos que vivem nas ruas e são invisíveis para a sociedade. E que dizer da história da menina malvada que se burlava da pobreza de sua amiga quando fingia que lhe emprestaria um livro para ler, só para vê-la chegar todas as tardes à sua casa e bater na porta com ilusão, para depois arrebatá-la dizendo que nesse dia, não. 

Clarice escrevia para respirar, isso eram as letras para ela, seu oxigênio. Por isso a profundidade e consistência delas. Afastada do bulício da fanfarra que secunda a muitos escritores gloriosos, Clarice em solidão criou um volume impressionante de textos, todos importantes, essenciais, com as emoções à flor da pele.

Uma só linha de qualquer de seus textos deixa quem a lê em êxtase, ido, submerso nas profundidades de sua própria alma. Clarice tem essa capacidade, um talento extraordinário para transpassar todas as camadas da pele e chegar diretamente ao espírito humano. Seus textos não caducam, são atemporais porque mostram a realidade da vida em infinidade de circunstâncias. Sua habilidade para relatar o dia a dia de uma mulher, que será excluída pelo mundo dos homens, criado para eles mesmos. Isso não mudou ou mudou, mas muito pouco, nestes últimos 100 anos.

Afastada das normas linguísticas, Clarice cria sua própria linguagem, sua própria forma de expressão e de escrita. Rompe com tudo o que era imposto, navega sem radar lançando-se à água do mar sem salva-vidas, caminha sem medir os passos, sem temor, só avança e se adentra nas profundezas da alma. De Clarice Lispector não se volta jamais. 

Também pintora, a menina de origem russa, Chaya Pinkhasovna Lispector deu ao Brasil a maior das glórias em literatura. E a nós, seus leitores em todas as partes do mundo, a alegria de poder desfrutar de seu talento sobrenatural e da essência selvagem dos seus textos. 

Por haver-se atrevido a ser ela mesma, rompido com as normas impostas em literatura, por haver criado sua própria linguagem e mundo, por haver sido fiel à sua essência humana, Clarice Lispector é uma insurrecta. E eu a celebro no centenário de seu nascimento e sempre. Porque com seu ímpeto abriu portas para gerações de escritoras não só na América Latina.

O MAR E A VIDA
Um Apontamento de Eugénio de Sá

Portugal
À aventura das marés
Eugénio de Sá
Portugal

Difícil descrever toda a beleza
Da escuna navegando a todo pano
A vela grande, a genoa, e a grandeza
De um enfunado estai sobre um mar plano

Do cedro das cavernas da estrutura
Aos brilhos dos carvalhos do convés
É glorioso o seu estilo, e a bravura
De um casco à aventura das marés.

Se eu hoje navegasse em mar aberto
Em vez de caminhar ingloriamente
Por esta terra onde me acoberto,

Escolheria uma escuna, certamente
E procurava um rumo com o acerto
Dos que buscam um céu que os oriente.

Tempo passou, e um dia, em sequência a este poema, escrevi:
 O MAR E A VIDA
Um dia escrevi um poema, um poema sobre um barco, mais precisamente uma escuna, um três mastros de cuja silhueta graciosa decididamente me apaixonei.

E falei do seu casco, um casco nobre, elegante, que largava «à aventura das marés », foi esse o nome que escolhi para titular o tal poema, julgo que pelo halo de romantismo de que se reveste a expressão, ou quiçá por um desejo inconfessado que ainda dorme nos meus genes lusitanos, que clama por navegar até onde me leve a fantasia.

Hoje, aqui sentado, reflectindo no que foi a minha vida, pergunto-me se não terá sido isso mesmo; uma partida em busca da tal aventura das marés.
– Não sei onde me levará esta conversa contigo,
leitor amigo, mas certamente vamos encontrar-nos
algures nestas linhas que te estou a dedicar –

Prosseguindo, e ainda aludindo ao perfil (único) dessa preciosa embarcação, também escrevi algures – convictamente – esta afirmação: Não sou daqui, nem de parte nenhuma; minh’alma de poeta, porque universal; tem a deriva que o vento dá à escuna . 

Na verdade, creio bem que é esta hídrica e salgada força dos oceanos que ainda me move o jeito e a vontade em muito do que escrevo, e me terá influenciado no passado para que haja amado cada momento em que convivi com esse meio sempre sobrevoado pelas gaivotas, onde só mesmo elas se fazem ouvir, porque tudo o resto é silêncio. Um silêncio complacente, um fiel companheiro que não trai, que não questiona, que não critica ou condena os meus pensamentos e os meus íntimos anseios, ainda que implausíveis ou meramente utópicos.

Já vão alguns anos, escrevi:

Foi no mar que tudo começou; a mão que pedia para escrever,
os olhos, cheios de brumas, que me ditavam os versos e os vertiam na alma,os cheiros da maresia e de peixe acabado de pescar,
e o embalo da mansa perturbação da água pela brisa do norte, chegada em murmúrios.
Foi neste mar de Portugal, ao largo das alcantiladas penedias da Roca, onde a terra penetra fundo no Atlântico, que me senti, pela primeira vez, Poeta. (…)
( in: Talvez o último poema )

Mas o facto é que nunca cheguei a partir realmente à aventura das marés, fui-me deixando ficar por terra, sempre julgando que tinha os pés bem firmados nela. Pura ilusão, já que ninguém é realmente dono do seu próprio destino, e a cada esquina da vida podem surgir surpresas que mudam por completo projectos e certezas.

Todos nós somos treinadas testemunhas dessas coisas, ou mesmo vítimas de experiências – algumas bem desagradáveis – a que somos sujeitos. E creia, leitor amigo, que muitas delas aos poucos nos vão mudando os traços caracteriais que julgámos ter por adquiridos, e portanto imutáveis.

Não sou, obviamente, imune aos derrotes desta vida, mas não me queixo dela, aceito-a como resultante do caminho percorrido. Não sou, como reza um fado; «um convento cheio de sombras por dentro», todavia, bem cá no fundo desta alma de poeta, por vezes ainda ouço o gemido das enxárcias de uma escuna navegando a todo o pano à aventura das marés.

Eu quis fazer um poema alusivo ao Natal !
Por: Albertino Galvão 

Eu quis fazer um poema alusivo ao Natal! Um poema tão lindo como aqueles que os poetas com a sua nobreza, perspicácia e sensibilidade artística normalmente fazem nesta quadra festiva.   
Um poema que tivesse o condão de reacender a luz da esperança no coração daqueles a quem o infortúnio apagou; que pudesse minimizar a dor que mina as entranhas daqueles que sofrem de doença grave e prolongada; que pudesse restituir os bens perdidos àqueles que, sendo os menos culpados, são os mais atingidos por frequentes catástrofes. 
Eu quis fazer um poema alusivo ao Natal!
 Um poema que tivesse força para responsabilizar e castigar aqueles que, cegos pela ganância, destroem o planeta e que, por outro lado, lhe​​conseguisse restituir o​esplendor de outrora.  
Um poema sem frases feitas, vazias e banais, onde a palavra Feliz Natal tivesse a ousadia de entrar e de se instalar em todas as casas de qualquer canto do Mundo e as crianças não vissem o Pai Natal, apenas e só, como mero entregador de brinquedos  mas sim, (muito embora ilusória), como figura paternal detentora do sorriso e da felicidade.  
Eu quis fazer um poema alusivo ao Natal! Um poema onde a rima fosse pão e a métrica o remédio para quem precisa; onde cada verso fosse semente e cada estrofe terra lavrada e fértil.  
Um poema sem palavras de mágoa e ressentimento, sem pontos de interrogação, reticências, acusações, em suma, um poema livre de preconceitos e de expressão!  
Eu quis fazer um poema, alusivo ao Natal, livre e perfeito, mas não fui capaz!  Por não ser génio faltou-me o jeito e a arte, por não  ser Deus faltou-me a confiança, a Santidade a Omnipresença e, por ser homem, faltou-me tudo, em especial a arte, a sensibilidade e a perfeição!  

SOBRE NATAL E DEZEMBROS
Por: Sávio Roberto Moreira Gomes
Portugal
                                                  
Jamais imaginei a importância dos dezembros de minha vida,
jamais pensei em como cada dezembro foi importante
e que cada um deles foi único e especial!
Cheguei a achar que alguns dezembros foram inúteis
mas hoje, os percebo todos, como especiais!
Descubro no limiar do dezembro de minha vida,
o gosto de relembrar, de apelar para a lembrança,
de um dezembro qualquer num janeiro da existência,
ou, quiçá, um junho significativo!
Descobri, recentemente, que os dezembros
trazem esta mágica incrível, de lançar-nos em qualquer tempo
dentro do tempo de nossas vidas!
Tolamente sempre resisti às datas festivas!
Não percebia o exato sentido dessas ocasiões,
e sempre que podia, fugia desses eventos!
Mas, é dezembro, e me flagro surpreso,
tentando remontar cada dezembro passado,
prestando a máxima atenção no dezembro presente!
Este é o meu dezembro que resgata outros dezembros,
que relembra, que entende, que celebra, que conscientiza!
Jamais imaginei a importância dos dezembros,
que este dezembro me faz resgatar.
Que tenta recolher cada um deles,
Descubro no meu dezembro particular
cada rosto, cada sorriso de pessoas significativas!
Não me importo se não me lembro dos presentes,
me importo sim é com a lembrança de cada sorriso,
de cada beijo, de cada abraço, de cada individual “Feliz Natal”!
___Este é meu dezembro de lembrar dezembros,
no tempo de um Natal onde os abraços ausentes
serão memória de outros Natais.

MELANCOLIA…
Por: Cema Raizer
Portugal

Nessa fase marcante, de nosso planeta, fico a relembrar momentos da minha infância…
Relembrar é sempre melancólico, e enternece! Quando fico triste com alguns motivos de difícil solução, tenho
vontade de voltar no tempo do «faz de conta,» me aquieto e fico sonhando acordada… Viajo mentalmente pelo mundo
dos que amo, revejo momentos e reencontro valores!

Relembro postagens, poemas e textos do mundo poético de cada amigo! Percebo que juntos, formamos
um time que faz  rir e faz chorar…
Amigos de verdade que preenchem o nosso viver, pois os lemos e eles nos leem !  Uma bagagem imperdível !
Literatura cheia de vida e presença virtual.Trajetória descrita pela criação única, maravilhosa de cada um!
Inspiração que vem do passado  do presente, de sonhos e de vidas que buscam novos momentos! Bons poetas,
escritores antigos e recentes. Realistas, modernos, sonetistas, dramáticos e cômicos, enfim, poesias e textos desses
sonhadores entusiasmados pela inspiração!

Estampam palavras digitalizadas que «voam pelo espaço» chegam direto ao coração. É um interagir sem fronteiras!
Para mim, essa leitura, e respectivos comentários, são gratificantes. Sempre que chegam trazem mais valores na área
da leitura e escrita, em diversidade de tema, texto e poemas.
Essa  troca faz parte da interação e incentiva, a criar! Esse programa interativo, sempre mais atualizado, nos faz crescer,
incentivando poetas e escritores… Como exemplo: faz pensar que meu poema, «O Trem» estaria esquecido, triste,  parado e
mudo… Mas no mundo virtual,  está nos trilhos da poesia, em movimento, pois em algum lugar, alguém encontra: a nuvem de
fumaça, o apito estridente, a travessia do túnel, o viaduto, a ponte de  ferro… momentos  virtuais e reais ficam na memória
na história e na saudade de um tempo que não é mais, porém  perpetuados virtualmente na arte!
Momentos que se repetem nas horas magníficas, de inspiração e melancolia de todos os poetas!
Melancolia também acontece nessa hora bonita e virtual que registra nossos sonhos…
Aos que se dedicam para o sucesso dessa interação, um especial …o meu muito obrigada!

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Noviembre 2020 nº 37  

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Estos conservan el copyright de sus obras
AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

 

 

 

COLABORAN: Ilka Oliva Corado- Eugenio de Sá

 

TRÊS TURNOS POR DIA
Ilka Oliva Corado
Brasil

Tento abrir a porta da padaria e o vento que está contra o faz mais difícil, mas além disso é uma porta antiga, com dobradiças antigas sem manutenção que tornam a porta uma fortaleza; quando finalmente consigo me bate nas costas, saio revirada para a frente e mal consigo manter o equilíbrio. A moça que está no caixa sorri e também o senhor mestre padeiro, um senhor de uns 75 anos de idade. Cale-se que a bandida me pegou nas costas, digo como forma de responder à saudação. 

Busco pão francês, quero comer feijões coados com pão francês, mas o pão francês, francês da Guatemala, eu só encontro indo ao centro, digamos; nos arredores só encontro padarias mexicana, russas, polonesas e indianas, no supermercado compro baguete francesa, mas o pão francês da Guatemala só que se aprenda a fazê-lo e assim estou há vários anos que quero aprender a fazer pão e nada, a preguiça não me deixa. 

Nessa padaria fazem pão mexicano e guatemalteco, mas o guatemalteco é só imitação porque tem a forma, mas a farinha e sua preparação são de estilo mexicano e o pão tem o sabor de pão doce mexicano. Os donos são árabes que encontraram nesse setor operário sua mina de ouro, têm várias padaria de pão mexicano com trabalhadores mexicanos, que as pessoas pensam que é na realidade uma padaria de seus paisanos. Vende até piñatas. Os donos mal aparecem para que os pessoas não os vejam, os que dão a cara são os trabalhadores mexicanos. 

A tarde está fria, logo começará a nevar; os dias amanhecem nublados com capas de gelo fino sobre a grama e escarcha nas janelas dos carros. É outono e escurece na metade da tarde. Pego minha cesta e busco os pães franceses, pirujos, que os mexicanos chamam de bolillos; enquanto vou pegando um por um com a pinça é inevitável escutar o mestre padeiro tentando ter uma conversa com a jovem no caixa, que terá não mais de 20 anos, é uma menina, mal presta atenção; terá seus pensamentos em outro lugar, além de estar atarefada desinfetando o balcão, as pinças e as cestas onde os compradores põem os pães.

O padeiro insiste com grande necessidade, é como se tivesse sede e pedisse água. Já com o pão na minha cesta passo pelo caixa e enquanto a jovem faz a conta eu pergunto a ele: desculpe que me meta onde não sou chamada, mas foi inevitável escutar sua conversa; onde é que diz que quer ir passar suas férias quando for embora daqui? o mestre padeiro se compõe, ajeita a postura e torna a pôr o cotovelo sobre o balcão, imagino que está em seu tempo de descanso, porque está de uniforme com todas as medidas de higiene estabelecidas pelo estado em tempos de vírus. 

Ele tem o cabelo grisalho, é magro, tão magro que seu aspecto não é saudável, se mata de trabalhar. Se nota o cansaço, na voz, no rosto, em seu corpo. Olhe, me diz, quando for embora daqui vou passear nas praias do México, em todas, vou deitar na areia para me bronzear, vou andar de lá para cá, de norte a sul, de oriente a ocidente e vou conhecer meu país, que não conheci porque vim diretamente do rancho para cá. 

Quanto tempo faz que está aqui neste país? 25 anos e 23 nesta padaria. Aqui trabalho na parte da tarde e saio às 11:30 da noite e vou ao outro trabalho no hotel que está aqui perto, passando a rua vira à esquerda, conhece? Não. Bem, aí há um hotel e aí trabalho também das 12 às 6 de manhã e às 8 entro num restaurante para lavar pratos e saio às 12. Mas agora mesmo por causa do vírus não tenho tido trabalho no hotel nem no restaurante, apenas uma quantas horas.  

Olhe que trabalhava dormido e por pouco me dava diabetes porque tomava desses sucos energéticos, desses, olhe e mostra umas bebidas que estão em uma geladeira, mas me descobriram o açúcar a tempo e deixei de tomá-los; tenho economizados seis mil dólares. Já criei meus filhos e com esse dinheiro vou regressar a meu México, para morrer por lá, mas antes quero ir às praias comer mariscos. Vou me dar a grande vida no México. Não imagina o que me custou economizar esse dinheirinho. Sim, sim, eu imagino. E de que lugar você é? De Jalisco, de um rancho na periferia, era puro mato no meu tempo, mas já está asfaltado agora e a gente chega mais rápido. Dizem que há até autopistas. 

Meu pacote de pão espera, já paguei à caixa e está entrando mais gente na padaria que não tem muito espaço e com isso da distância social, o mais recomendável é que saia para que eles possam comprar à vontade. Me despeço da jovem e do mestre padeiro, desejando-lhe sorte em seu retorno ao México, que não sei quando será e se será, porque isso de regressar á a ilusão e a esperança de tantas pessoas indocumentadas que ao assomar a alba do novo dia, é o primeiro em que pensam para conseguir escapar momentaneamente da realidade do aqui e agora.

E como não, com 3 turnos por dia! 

O MUNDO VIVE HORAS DIFICEIS
Um Apontamento de Eugénio de Sá
Portugal

Em todas as latitudes deste planeta que habitamos vivem-se horas difíceis, muito difíceis. Desde logo, pela disseminação da pandemia assassina que a todos assusta e debilita, e por isso está a causar sérios danos também no que diz respeito à saúde mental das maiorias que são conscientes e responsáveis, embora os há também que teimam em ignorar as reais consequências do que se está a passar. Entre esses, contam-se alguns cujas responsabilidades que lhes estão cometidas os deveriam sentir-se responsáveis pelas condenáveis atitudes que lhes têm caracterizado a acção, ou a ausência dela. Alguns deles insistem mesmo em omitir-se das suas responsabilidades, esquecendo que os que deles dependem continuam a morrer às centenas de milhar. Felizmente que um desses irresponsáveis maiores acabou de ser erradicado.

Lembro que…

“A incompetência é a inabilidade de alguém desempenhar adequadamente um determinada tarefa ou missão”, assim a definiu Laurence J. Peter, na sua “Teoria Estruturalista”.

A certa altura, eu que tanto protestei contra os tiranos e incompetentes que mandam neste mundo, desesperado, escrevi estes versos:

…Pouco me reconheço no que vejo:
Néscios mandantes ditando a desdita
Já hesito em escrever aquilo que almejo
Plo limitado préstimo da escrita
( do meu soneto “A hora da partida” )

Entretanto, foi anunciado que os laboratórios da Pfizer estão a ultimar uma vacina contra o sars cov 2 que já provou ser eficaz em 90% dos casos. Imediatamente as bolsas europeias disparam para ganhos de 8%, e o mesmo aconteceu na América e na Ásia, o que revela a confiança dos mercados no que irá passar-se possivelmente já a partir de Dezembro próximo.

Outros laboratórios certamente se seguirão com idênticos anúncios para alívio dos sistemas de saúde um pouco por todo o mundo e tranquilidade das populações, até aqui ameaçadas e sacrificadas com tantos confinamentos que sempre implicam a limitação das liberdades individuais e colectivas, além das medidas restritivas que sempre limitam o funcionamento das empresas, com inerentes e significativas perdas das economias e com o inevitável aumento do cortejo de desempregados.

Vamos ver se finalmente se inverte a tendência tão negativa que nos trouxe este ano de 2020 e entramos em 2021 com o pé direito. Todos o merecemos.

O TER, O SER, E O PARECER
Um Apontamento de Eugénio de Sá

Na sociedade actual prevalecem desejos cada vez mais associados ao ‘ter’ como a crescente ambição de posse de bens materiais, de par com o consumismo e a sede de poder, em detrimento dos maiores valores reais da vida, o que coloca a humanidade no abismático caminho da destruição
social, psicológica e ambiental. 
Ah, mundo, para onde vais,
  se a minha visão distante
se perde no vazio das brumas
de um horizonte inconsequente
e triste.
Vejamos o que nos diz o filósofo e sociólogo Erich Fromm:
“A relação das pessoas com a Natureza tornou-se profundamente hostil. Sendo, como somos, «fenómenos da Natureza», existindo dentro dela pelas próprias condições do nosso ser e transcendendo-a pela dádiva da razão, tentamos resolver o problema existencial desistindo da visão messiânica da harmonia entre a Natureza e a Humanidade, optando por conquistá-la, transformá-la, de acordo com os nossos interesses, até que essa conquista se tornou cada vez mais semelhante à destruição. O nosso espírito de conquista e a nossa hostilidade cegaram-nos para os fatos de que as fontes naturais têm os seus limites e podem eventualmente esgotar-se, e de que a Natureza pode voltar-se contra a violação humana.
Somos uma sociedade de gente visivelmente infeliz: sós, ansiosos, deprimidos, destrutivos, dependentes, e gente que se alegra quando matou o tempo que tão desesperadamente tentamos poupar.”

O “TER”, o “SER”, e o «PARECER»

Para muitos, possuir bens materiais parece ser hoje o único meio de valorização pessoal. Este conceito encontra nos seus defensores a justificação de que para se ser reconhecido e ganhar notoriedade é necessário “Ter”. Para esses, a procura da felicidade parece passar exclusivamente pelo Ter e/ou por aparentar “Ter”

( o querer “Parecer”).

Uma manifestação do “Ter” é o da apropriação. E o detentor do bem obtido quer ser reconhecido com vencedor. Porque nenhum desses indivíduos quer sequer aceitar que pode vir a perder aquilo que conquistou. Se me alargasse um pouco mais, iria indubitavelmente cair numa caracterização próxima do neo-liberalismo mais ou menos selvagem – com o seu cortejo de práticas condenáveis – onde o meu contumaz espirito analítico e, eventualmente, censório. me levaria. Mas, decidida-mente, não foi isso que hoje aqui me trouxe.

No fundo, a grande diferença entre o “Ter” e o “Ser” equivale à diferença entre uma sociedade centrada nos bens materiais, nas coisas, e outra que se foca nas pessoas, porque deve ser para isso que nos organizámos enquanto sociedade dita civilizada.

O “Ser” é o assumir a consciência da realidade, do que se é, e de que existem os outros num mundo que a todos abriga, e, como tal, que deve se respeitado.

Ao “Ser” estão subjacentes os conceitos da independência e da liberdade, a nossa e da pátria que nos reconhece como seus filhos. Negar-lhe esse mor direito seria trai-la e, consequentemente, trai-nos a nós próprios.

Para mim, sermos felizes é sentirmo-nos em paz, e isso implica estarmos de consciência tranquila, de bem connosco próprios e com os demais, porque, na justa medida das nossas possibilidades, contribuímos para o bem colectivo.

PORQUE SERMOS SÓ O QUE TEMOS, É POUCO, É MUITO POUCO!

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CRÓNICAS, ARTIGOS E OUTROS TEXTOS

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Enero 2.019  nº 15 

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COLABORAN: Luiz Gilberto de Barros (Rio de Janeiro  Brasil).. Regina Carvahlo (Portugal )…Susana Custodio ( Sintra-Portugal)… Eugenio de Sá ( Portugal ).. Ary Franco ( Brasil) ..Nidea Vargas Potsch ( Brasil) .. Carolina Ramos ( Brasil ) 

E-MAIL DE UM PAI DO SÉCULO 21
Luiz Gilberto de Barros
Rio de Janeiro, Brasil

Queridos filhos…

Papai vai sair de casa.

Não se preocupem, pois não vou usar crack nem as drogas convencionais da década de 70; afinal, sou bem grandinho para esse tipo de decisões…adultecentes.

Vendi minha guitarra importada, o baixo, o teclado e os instrumentos de percussão, que por falta de amigos velhoscomo eu, só ocupavam espaço no meu pequeno quarto que sobrou da posse de cada um de vocês.

Levarei apenas o meu velho violão Di Giorgio, aquele dos tempos de faculdade, que me deu sua mãe de presente, quando toquei “Eu sei que vou te amar“ para ela, olhando bem dentro dos seus olhos. Naquela época eu tocava no… deixa pra lá ( vocês não se interessariam por minhas tolas redundâncias amorosas ).

Mas também não vou morar na rua. Como sabem, além dos remédios que compro com o dinheiro da aposentadoria, ainda me sobrará algum para uma hospedagem num hotel vagabundo ou numa quitinete para solteiros. Afinal, estou só sem estar, porque vocês estão sempre ocupados com seus tablets e afins eletrônicos –  acho inclusive que os celulares  tiveram uma expressiva porcentagem na minha decisão de abandoná-los – se bem que vocês já o fizeram há algum tempo com seus fones de ouvido, impedindo qualquer aproximação da minha parte e ser um incômodo estava me provocando diversos picos hipertensivos.

A propósito, joguei meu celular fora, mesmo porque já estava muito velho para tanta modernidade e o passado sempre teve mania de me visitar costumeiramente.

Se tiverem, ainda, algum resquício de sensibilidade e preocupação com a minha vida, e caso não tenham nada mais importante que ela nas redes sociais, procurem-me no google. Pode ser que eu esteja morando em alguma ilha desabitada, perdida em alguma parte solitária do Atlântico. Afinal, o google tem resposta para tudo e é possível que mesmo sem pistas ou comunicação, alguém me rastreie.

Ah, quando fizerem isso, não se esqueçam dos filhos de vocês. Lembrem-se de que as redes sociais são como fios de tomada nas mãos de crianças inocentes e talvez eu não tenha sido um bom pai, presenteando-os inicialmente com videogames e depois com computadores, entendendo que isto os tornaria agradecidos pelo pai que tiveram.

Deixo-lhes – desta vez – os copos que usaram e jogaram dentro da pia, bem como os talheres e pratos que nunca lavaram, nem quando promoveram suas festas e convidaram diversas pessoas como vocês.

 O lixo também ficará nos cestos – inclusive o do banheiro, cujo odor talvez os faça prestar atenção neles.  Se o vaso sanitário mais uma vez entupir por um absorvente desprezado, chamem um encanador e provavelmente ouvirão dele o que cansei de dizer a todo momento.

Podem ficar com a casa – e com as contas ( afinal, todos trabalham e ganham bem mais do que eu quando tinha suas idades ) porém prestem atenção nos gastos com a energia elétrica e com a água, pois o tempo que ficam no banheiro e com os secadores de cabelos quase me levou à falência.

Quanto ao telefone, à internet e à TV alternativa, não se esqueçam de olhar nas caixas de correio, pois já não estão mais no meu débito automático.

É bem provável que minha ausência mate minhas roseiras, orquídeas, violetas, samambaias e louros-de-jardim ( estou muito triste por isso ) porém, se tivesse algum animal, sofreria muito também por ele.

Desculpem a prolixidade – pelo menos desta vez apenas lerão, não ouvirão minha voz e nem reclamarão da repetição das palavras experiência e provação. 

Outra coisa: embora há algum tempo não me tomem a bênção por acharem “démodé”, apesar de irem à igreja todos os domingos – mais para paquerar e namorar do que para louvar ao Senhor, sou teimoso e os abençoo assim mesmo.

Portanto: Deus os abençoe.

Assinado: Você

Desculpem – tornei-me o mais banal dos pronomes de tratamento – há muito tempo não me chamam de pai.

APENAS UM PAPO COM VOCÊS
Regina Carvalho

 

Há pouco tempo uma Amiga me pediu uma foto, e eu disse que não a tinha… sou holográfica…

Depois resolvi procurar na gavetinha das lembranças uma foto e descobri surpresa que realmente não a tenho. Foto decente, que me fizesse justiça. Afinal, na minha idade (não adianta especular, pois não confirmo) e dizem as más línguas que sou um pedaço de mulher. Sei não… Foto de mim na meninice, mocidade, na maturidade… Naqueles tempos ter máquina fotográfica era um luxo… Revirei a gaveta e não encontrei nada que prestasse para dar à Amiga. A única melhorzinha que encontrei é de quando eu tinha 33 anos e essa já foi foto do meu perfil no Facebook.

Fiquei perdida em pensamentos olhando aquela foto e uma tristeza grande me assaltou. Refleti então porque ter fotos de um passado que já tão longe ia, da juventude que já acabou, da beleza que feneceu e algumas rugas deixou como sulcos na minha face, se esta foto traria lembranças da primavera da minha vida e acabei sentindo as lágrimas pelo meu rosto descendo. Desviei os olhos daquela foto e meu olhar pousou um pouco acima numa foto do meu filho e com minha neta.

E neste instante reconheci o quanto Deus é bondoso para comigo.

Ele sabia que no inverno da minha vida eu poderia olhar minha bisneta e iria ver nela a minha eterna primavera… E sorrir novamente.

A VERDADE DA MENTIRA
Susana Custodio ( Sintra- Portugal )

Elsa estava feliz, ali em casa sozinha, com as recordações, pensava como tinha sido o percurso da sua vida.

Já tinham passados tantos anos desde o dia em que o tinha conhecido, apaixonaram-se de imediato, não tiveram culpa, coisas do destino, ele homem estrangeiro de diferente cultura, outra religião, mas nada os deteve, nem o facto de lá longe ele ser casado.

Engendraram uma história, mudaram de cidade variadissimas vezes, Ah! As casas, umas grandes, outras pequenas, mas, o amor de ambos era assaz maior.

Pensativa, levantou-se, foi buscar um copo de água sorvendo-o em grandes goles.

Elsa estava de semblante deveras triste! Tantos anos depois e ele teria que voltar de vez para o seu País, uma história tão linda tinha chegado ao fim, que dizer aos amigos? Impossível contar a verdade, depois começou a rir às gargalhdas:

 – Matei-o!

Pronunciou em voz alta a respeitada e inconsolável viúva!

A POLÍTICA, OS POLÍTICOS, E A CULTURA DA MENTIRA 
Eugenio de Sá ( Sintra-Portugal)

Desconfie-se da mão que se esconde atrás dos arbustos;
o seu afago será sempre duvidoso.
… Porque “até o diabo pode citar as escrituras quando isso lhe convém”,
disse-o William Shakespeare.

…. …. …. …. …. ….

As novas técnicas de comunicação, servidas por gente impreparada, hipócrita, e de duvidosos princípios éticos, ameaçam transformar o conceito original e nobre da política numa feira, onde tudo se promete para nada, ou quase nada, se vir a cumprir.

Tanto assim é, que há quem defina hoje o homem e a mulher comuns de uma sociedade dita democrática como “optimistas que afinal não passam de pessimistas confundidos e enganados”.

Numa recente ‘mesa redonda de comentadores da maior estação de televisão portuguesa, alguém falou na “espuma da politica” para significar os resíduos emergentes da inutilidade da acção dialética dos que se dedicam aquilo que é tido por indispensável num país gerido por uma típica democracia representativa; o diálogo político-partidário.

É claro que, compatibilizando a expressão com a analogia do que acontece com um mau vinho, chegaremos à triste conclusão que estamos perante uma grosseirazurrapa palavrosa, cujos resultados são certamente inaproveitáveis. Fala-se demasiado, para nada de significativo se dizer realmente.

No oportunidade, um dos interventores adiantou mesmo que, na sua opinião – e estas são palavras próximas das suas – se fossem tidas em devida conta, e sancionadas, as mentiras de quem anda na politica, grande parte dos políticos seria erradicada de funções.

E assim vai a política, eivada de hipocrisias, plena de vazios de ideias e de conceitos, alimentada unicamente pela vaidade e pelos interesses privados de quem por lá anda.

Há mais gente nas faculdades, é verdade, mas poucos são os que saem de lá com uma real vontade vontade de servir a cousa pública, e sem nenhum talento ou vontade para o fazer realmente.

Longe vão os tempos dos grandes pensadores e brilhantes oradores, cheios de fervor patriótico que iluminaram as bancadas do parlamentarismo constitucional no tempo da monarquia, e para além dele, já século XX adentro, e já em plena república.

Foi então tempo dos intelectuais, dos poetas, dos escritores se vestirem de altruísmo e se fazerem cidadãos comuns, assumindo o interesse colectivo como seu; querendo ir, como Eurípides e Sófocles na antiga Hélade, pátria da democracia, solicitar com eloquência, na praça pública, os sufrágios populares, para gáudio da grei,  sempre ávida de conhecer as ideias que consecutivamente fluíam, com entusiasmo, de numerosos cérebros privilegiados.

Em Portugal, tal como em muitos outros países, da Europa e fora dela, ainda há quem lembre, saudoso, esses muitos notáveis da palavra nobre e do gesto honrado, tal como o foram também alguns dos políticos emergentes do pós guerra, cuja profícua acção ainda nos foi dado conhecer no nosso tempo de vida. Esses “grandes” homens e mulheres que um dia sonharam criar um mundo novo; mais são, mais justo, e mais solidário.

Quase que o conseguiram, mas, uma vez desaparecidos, tudo se transformou e entrou em retrocesso.

Mesmo assim, a esses poucos ficámos a dever a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), um concerto alargado de nações, que, mesmo com as limitações conhecidas, tem permitido conter ou minorar alguns dos muitos conflitos que entretanto tiveram lugar.

Aos outros, os actuais, tenho sérias dúvidas que lhe fiquemos a dever alguma coisa, a não ser o arrependimento de haver votado neles.

 

DEUS, AGRADEÇO-TE A PAZ!
Ary Franco (O Poeta Descalço)

         Sentado no banco da imensa praça, à sombra de uma frondosa árvore, abro os olhos e “vejo” através das escuras lentes dos óculos, todos igualmente vestindo roupas brancas, imaculadas. São semeadores da união entre os homens de boa vontade.

         U’a música suave me enternece entre sorrisos e falas mansas dos passantes. Sinto no ar uma brisa amena e refrescante. A Humanidade de mãos dadas preserva a Natureza e Deus nos mandou chuva abundante para reabastecer nossos mananciais, sol para aquecer-nos no frio e tetos para abrigar-nos das intempéries consolidando nessas benesses a felicidade reinante no universo.

         Não mais existem guerras, lutas ou disputas pela Paz  mundial, pois ela graça abundantemente entre nós. Meus irmãos em Cristo labutam ajudando-se mutuamente, sem a ambição de ter e preocupando-se apenas em ser aquele que Nosso Divino Criador espera que sejam.

         Crianças brincam nos gramados entre flores e revoadas de pássaros me encantam com suas evoluções e melodias canoras. Todos usufruem da colheita daquilo que semearam e falam um único idioma, sem barreiras, muralhas e coesos, abençoados na convicção cristã de que DEUS ESTÁ ACIMA DE TODAS AS COISAS.

         Cantarolando, levanto-me, fecho minhas pálpebras, empunho minha bengala branca e volto para casa levando em minhas adormecidas retinas todo o esplendor deste mundo maravilhoso do qual, agraciado por Deus, faço parte.

O Valor da Palavra
Carolina Ramos  Brasil

            Dizer que o silêncio é ouro é lugar comum. Máxima aceita sem restrições, embora não totalmente correta. Em muitos casos, nem sempre o silencio substitui a palavra sem os deméritos que apontem para a fuga, para  o subterfúgio, para a dissimulação, sem passar de  cômoda abstenção que não define e nem compromete a quem lança mão deste artifício.

Nada substitui o valor de uma palavra em situações em que ela  assume a postura de marco entre o tudo e o nada. Entre a verdade e a mentira. Entre aquele o Sim e aquele Não, quando sequer é admitida a intrusão indecisa de um débil Talvez.

         Um Sim  define duas vidas ante um altar. Um Não separa dois corpos e arrasta duas almas rumo a destinos divergentes, à mercê dos tropeços que a vida trama ao reescrever o incógnito roteiro de seus novos passos.

         Há palavras frias, ferinas, afiadas como lâminas cruéis! Palavras que ferem, que castigam que matam! Amargas e cheias de veneno, tais como – raiva, ódio, medo, corrupção, vingança, guerra etc.!

         Em compensação, outras palavras há, belíssimas, de aura luminosa, de conteúdo imenso e transcendental! Amor é a maior delas!

 Amor! Palavra que deveria ser sempre escrita com maiúscula e que,  urdida dentro de suas reais dimensões, não caberia numa página, pois tem valor de imensidão!

 Una, sem sinônimos, a palavra Amor é de uma riqueza impar, embora continuamente desgastada e ultrajada sempre que, com vileza,  for dimensionada fora do critério divino com que foi criada.

Amor…é o começo dos começos! Palavra ilimitada em cuja dimensão infinita cabe um Deus!

O Amor não tem preço – Ele é o Tudo!

No entanto, sem que se entenda o porquê, Amor é a palavra menos usada e também a mais desgastada pelo desprezo da humanidade que, em sua constante rebelião interior, a ignora, trocando-a pelo apego às mazelas que paradoxalmente a conduzem ao Nada!

Vão-se os tempos, vão-se as gerações enoveladas nas teias que elas mesmas tecem, sem que consigam encontrar o fio condutor que as liberte do labirinto criado por suas próprias mãos, movidas por paixões dominantes que as arrastam, quando tinham tudo para conduzir, sem serem conduzidas. Dominar sem serem dominadas e, vencer, ao invés de serem vencidas.

Entretanto, assim como não há causa sem efeito, assim como um veneno fatal pode ainda ter um antídoto, há também uma palavra terna, que parece fraca, frágil… mas absolutamente, não é nada disto.

A palavra é Esperança – que tem força desmedida e se abastece na alma de cada ser, a ajuda-lo a sonhar… e sonhar sempre… uma vez mais!

E essa palavra, verde como um tenro broto que viceja, cresce e rasga nuvens densas do horizonte azul da Terra do Sonho, aponta confiante para outra palavra soberana, tão pequenina, três letras apenas que traduzem o coletivo anseio, acenando de longe num fraterno apelo: – PAZ!

 Há, entretanto, uma última palavra a ser anexada. Menor ainda, mas tão grande e poderosa, que é capaz de envolver todas as palavras do mundo, porque abraça o Amor, abraça a Esperança e abraça, também, a Paz! Essa palavra poderosa  e ilimitada tem apenas duas letras que a tornam dona do Universo.

– Essa palavra é – FÉ!

Lembranças de Outras Primaveras…
Nidia Vargas Potsch

Ao cair da tarde amena, as recordações e o perfume de muitas flores me chegam às narinas como se estivessem plantadas em pequeninos vasos ou no jardim abaixo, que avisto aqui da sacada. Seus diversos coloridos me encantavam deveras! Principalmente as orquídeas rosadas, os pequenos miosótis, as viletas africanas,  as rosas multicoloridas. Neste esplendoroso entardecer de poucas nuvens e firmamento muito azul, onde apontam as primeiras estrelas, volto meu pensamento a um passado não muito distante; vejo, como num filme, passeios de automóvel ao longo de belas e verdejantes estradas, pequenos barcos navegando por mares calmos ou aviões repleto de passageiros e muitas malas a caminho de merecidas férias… Férias estas, que nos levavam a brincar como se fôssemos crianças, bálsamo para esta vida atribulada, na qual nos divertíamos a valer… Os dias passavam rapidamente e sem que percebêssemos  já era hora de voltarmos. O sentimento de alegria e de felicidade permaneciam intactos ainda por algum tempo depois do regresso, porque preenchiam nossos corações reconfortando nosso espírito. Ficava tudo banhado com mil cores, como se um arco-íris enfeitasse nossas almas, iluminando tudo ao redor… É a Primavera reativando energias, reavivando o sentido de Viver!

 

7 comentarios en “CRÓNICAS, ARTIGOS E OUTROS TEXTOS”

  1. MARAVILHOSO AMIGOS. ESTÁ AQUI UM POUQUINHO DE TODOS VÓS. OS MEUS PARABÉNS!!! VALE A PENA VISITAR O ARISTOS INTERNACIONAL, DESCOBRIMOS SEMPRE ALGO QUE NOS ENCANTA. ABRAÇOS.

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  2. Fiz apenas um «reconhecimento da área» ,Encontrei aqui escritores que já li e reli, nos caminhos virtuais…por isso mesmo , voltarei
    para ficar em dia com novos temas, aprender mais, viajando pouco à pouco, no mundo encantado da leitura!
    Com afeto Cema Raizer.

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  3. LUIZ GILBERTO DE BARROS ( BRASIL) E-MAIL DE UM PAI DO SÉCULO 21 : Belo! Um pai bem brasileiro, emocionando com uma
    carta magna de independência! Adorei ver essa magia de tirar a carga pesada dos ombros… Uma carga que pesa de montão, sobre os «milhones de ombros», mundo afora! Divertida maneira de expor, claro! Desabafo e sem rodeios e expressão «matreira » !

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  4. NIDIA VARGAS POSTSCH » LEMBRANÇAR DE OUTRAS PRIMAVERAS: Lembrar é reviver… sentir os bons momentos
    que a memória dita! Inundar-se de tardes, de manhãs de noites… lembranças nos devolvem bons momentos e nos
    fazem sonhar o passado! Lindo o seu relato, Nídia… Aninhei-me em tuas lembranças sem pedir permissão …Mas nas
    lindas lembranças, cabe todo mundo, e sei que quem ama a natureza … é generosa! Beijos, Cema Raizer.

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  5. ARY FRANCO (O POETA DESCALÇO) «DEUS AGRADEÇO-TE A PAZ»: Maravilha Ary Franco, esse texto já estava dentro de ti,
    acumulado nas «visões» de uma vida…Esse é o Ary que nasceu Poeta e de «pé no chão,’ sente o mundo !
    Franco poeta, eu te reverencio!!!

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  6. Luiz Gilberto de Barros Emocionada com o texto! Belíssima mensagem! Se permites vou publicá-na minha página no Facebook Belo coração o teu que assessora tua bela alma meu conterrâneo

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  7. » O VALOR DA PALAVRA» Carolina Ramos Brasil: Bem claro o teu parecer!
    Um motivo que define valores no uso de palavras…Faz realmente pensar
    no cuidado que devemos ter na escolha! AMOR…Esperança… palavras
    que nos impulcionam à FÈ, e criam juntas , a PAZ! PARABÉNS!

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