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Mayo    2.019  nº 19

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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

Em dias de chuva, como hoje
Por: Ilka Oliva Corado
 

Sim, sim, sim, fumo regularmente o meu quarto, como nesta manhã chuvosa de chipi chipi. O cheiro da folha de Sage me lembra o cheiro de poyetones em chamas na pequena cidade de Guatemala. Aqui não há poyetones, nesta enorme cidade industrial existem apenas fábricas que andam no bairro das Empacadoras, embora na outra vez eu tenha visto uma fornalha numa fazenda nos arredores da cidade e senti que perdi o ar e que não conseguia respirar Um forno! Eu gritei e corri do pequeno estábulo onde estavam as cabras e atravessei o pomar e cheguei à galera que tinha um forno artesanal no centro. Uma fornalha !, gritei novamente animada e meu grito foi ouvido pelas cabras, pelos tomates, pela alface e pelas macieiras e pereiras que começavam a se encher de frutos tenros. Sentei-me chorando sob a sombra da galera enquanto o imaginava humando, com salpicos, quesadillas, marqueses e semitas da minha Comapa nativa.

Sim, sim, nos dias chuvosos, como hoje, a Guatemala jorra pelos meus poros, inunda meu quarto, sua névoa chipi chipi entra pelas rachaduras na janela e balança nas teias de aranha que eu nunca limpo, e eu Perco a noção de tempo e confundo os bordos com carvalhos e nas tulipas vejo flores de maio, no botão cerejeiras, flores de chacté e a erva que começa a esverdear parece o zacatal do arado no meu Grande Amor. distorce em dias chuvosos, como hoje.

Eu sirvo o café fervido em um batedor de barro da aldeia de Las Crucitas, a paisagem do rio Paz está estampada nas paredes em meus resumos e o som da água caindo de La Joya nas pedras do riacho se harmonizam com o chipi chipi esta manhã de abril. Os dias de chuva têm um encanto estranho, um poder subliminar que faz a Guatemala brotar dos meus poros e plantar no jardim: os carvalhos, os pinheiros, os ciprestes, as lagoas, as plantações de La María del tomatal; os pascuas, as variedades, os güisquilares, os medlars, o pequeno caminho e o caminón, e, como uma enorme pintura impressionista, as lembranças mais felizes da minha infância na cidade de Peronia.

Sim, sim, sim, deixei o corpo sem alma, meus pés caminham por outras terras, mas meu espírito nos dias chuvosos, como hoje, volta a mergulhar na lama das estradas de terra que abrigaram minha infância. Eu o observo, tomando meu café fervido e imaginativamente saboreando um Semite de Adelona no palato. Tempo de flores de izote e dos últimos jocotes vermelhos de Jalpatagua, tempo para semear a milpa para que a semente germine com as primeiras chuvas. Tempo das últimas mangas de pashte ou piche e tempo também, aqui, nesta enorme cidade industrial, da fonte que em seus dias chuvosos faz a Guatemala brotar de meus poros e a grama verde do jardim se tornar um livro de histórias que eu nunca terminei de escrever.

Sim, sim, continuo a fumar o meu quarto, porque o cheiro de Sage me faz lembrar dos dias em que eu cortei chipilin e escovei no arado, no meu Grande Amor, em dias chuvosos, como hoje.

No dia da mãe, penso na universalidade dessa nobre qualidade humana.
Por; Eugenio de Sá

 Ao vir falar-vos nas mães dos nossos dias penso, por exemplo, numa mãe européia, que ensina ao filho o que é a Torre Eifel, quem foi Napoleão, Luis Pasteur, Charles Beaudelaire, Lord Byron, Sheakspear…

 Mas que talvez omita o que significou e significa o muro de Berlim, Hitler, Auschevitz, Staline, o Gulag…

 Ou evoco uma mãe centro-africana, de seios tristes e chupados, vendo o filho famélico morrer à míngua, sem que valha, sequer, a pena preveni-lo dos perigos do ébola da aids, da lepra, que lavram por todo o continente. Ou contar-lhe da gananciosa exploração dos recursos naturais e humanos que os mais ricos praticam com os mais pobres, causa maior da sua desventura. 

 Não posso esquecer-me das mães de Israel, que, após sessenta anos de independência do país que David Ben Gurion sonhou, têm de continuar a ensinar os seus filhos a protegerem-se, em caso de ataque nuclear ou químico. Só porque vizinhos fanáticos – cujas próprias mães os incitam ao terror e à morte, e recebem, por isso, favores – teimam em querer riscá-los do mapa. 

 Ou lembro ainda uma mãe norte americana, contando ao filho as maravilhas dos inventores, que fizeram da grande nação a superpotência que ainda é; Alexander Bell, Thomas Edison, Albert Einstein, Henri Ford, os heróicos soldados do Dia D, da Coréia, das vítimas de Pearl Harbor e do 11 de Setembro…

 Mas que, certamente, deixará por explicar a recusa da assinatura do acordo de Kioto, e o que se passou em Hiroshima, no Vietnam, e ainda hoje se passa no Iraque e em Guantanamo… 

 À exceção das que armam seus filhos para o terror, não censuro, pelo contrário; aplaudo todas essas mães, pela piedosa – mas inevitavelmente temporária – ocultação de tanta iniqüidade.  

 Indigna-me, isso sim, o despudor dos que não quiseram e não querem saber que os seus filhos, netos e as sucessivas gerações que se lhes seguirão conheçam a vergonha dos seus atos. 

SER MÃE

Por:Eunate Goikoetxea

Na actualidade, a qualidade de ser mãe celebra-se no Dia da Mãe durante o mês de Maio, em diferentes países. Pessoalmente, considero que este reconhecimento devia ser considerado muito para lá do aspecto comercial; o trabalho de uma mãe jamais poderá ser recompensado, sobretudo porque o compromisso que uma mãe assume não é só o que lhe advém do acto de dar à luz, mas o de formar filhos que sejam pessoas de bem para a sociedade, e isso é um valor inestimável.

Nos nossos dias, o papel de uma mãe implica um forte comprometimento e requer a maior habilidade no desenvolvimento de actividades. Não é que as mães actuais sejam melhores que as nossas mães ou as nossas avós, mas devemos estar conscientes que os tempos mudaram e isto obriga a que o trabalho de uma mãe tenha de ser mais eficaz quanto a um conjunto interminável de tarefas e de desafios que lhe são colocados.

Lamentavelmente, esta mudança deu-se de uma forma abrupta, que muitas mulheres não conseguiram ainda assimilar no que diz respeito às suas próprias vidas, quando é tempo de começar a orientar os passos de outra pessoa; e é que, para ser honesta, é deplorável ver a quantidades de crianças e adolescentes que são «educados» através da tecnologia ou de alguém que pouco ou nada tem a ver com eles.

Muitas mulheres que trabalham estão conscientes que nem sempre vão poder estar com os seus filhos como quiserem. Na realidade, não há forma de compensar ou de substituir o amor e a presença dos pais. Às vezes o problema não é só a ausência física, senão também emocional, e isto faz com os meninos busquem actividades que lhes dão prazer como compensação dessa ausência. Hoje, este prazer chega-lhes em grande parte pel via da tercnologia, como as redes sociais ou os vídeo-jogos, pois representam uma descarga de adrenalina que proporciona o bem estar mas quer muitas vezes leva ao vício. 

Este mundo virtual acalmas os vazios de carinho e distrai a mente, mas é prejudicial na medida que a criança se isola num mundo distante do dos seres humanos reais e debilita a sua capacidade de se socializar. É assim que se pode criar um refúgio perante as dificuldades. Mais tarde, os vícios serão outros, mas é assim que começam face ao vazio da familia.

Reconheço que esta troca também se repercute nas mães que tem de saír de casa. Algumas vezes elas têm, inclusivé, de assumir o papel de cabeça de casal por ausência do pai, também porque a exigência do mundo actual requer que ambos os pais provejam  as necesidades dos filhos.

Seja por uma razão ou por outra, não se pode perder o foco no mais importante que assumimos quando decidimos trazer filhos ao mundo. A sua criança  é da sua exclusiva  responsabilidade, a responsabilidade dos seus pais. Por muito amorosos que sejam os seus avós, tios, vizinhos, ou empregados, nenhuma pessoa poderá substituir jamais o papel de um pai, ou, neste caso, de uma mãe.

Isto coloca as mães numa situação de maior exigência, stresse, e com menos tempos para si mesmas, o que, de certa forma, afecta a sua estabilidade emocional, a sua capacidade de estar e de cuidar dos seus filhos. As mães de agora que trabalham, ao regressarem de um longo dia de trabalho sentem de imediato a expectativa de amor dos seus filhos e esposo e experimentam um choque ao sentirem-se aprisionadas ao profundo desejo de estar com eles, mas a exaustão e o pouco tempo que dedicam ao mais importante das suas vidas pode afectar com qualquer relacionamento.

É justamente então que o pai deve acudir para ajudar nas tarefas do lar, e ajudar a educar os filhos de uma maneira que promova uma vida plena em familia, dotando-a do maior equilibrio possivel.

Tristemente, vemos também como surgem estudos e teorias que afirmam que os meninos não devem ser corrigidos, ainda que saiba que este é um tema controverso, porque, como em tudo, o ser humano, não soube ele próprio preservar o equilibrio. Eu não concordo que se justique o facto de uma criança não deva ser admoestado, ainda mais se recodarmos que os nossos ancestrais souberam formar-nos com disciplina.

Hoje, mais do que nunca, o mundo necessita de homens e mulheres com princípios claros, valores bem cimentados e determinados a lutar por uma sociedade melhor, com base no esforço e na perseverança; e isso, por muito prestigioso que seja um centro educativo, só se aprende no seio da familia.

Poesia é Metalinguagem!
J.J. Oliveira Gonçalves

Poesia é Metalinguagem! É uma linguagem sensorial. Mais para os Sentidos e Sentimentos, que para os olhos. É, por assim dizer: uma Linguagem dentro de outra. Uma linguagem mais oculta. Mais interna. Para ser mais sentida do que vista, a Poesia busca o rumo do coração. Embrenha-se pelas Trilhas Etéreas da Alma! Pode-se tocar nos versos. Pode-se, mesmo, acariciar-se a rima. Todavia, ainda que isso nos seja possível, o toque não significa entendê-la, compreendê-la. Tal toque, em busca de sua textura, não basta. Mas basta “enxergá-la” o coração. E recebê-la, de braços abertos, a Alma! Afinal, Poesia é Arte – não é mesmo? E Arte é para ser recebida – sentida por nossas Sensibilidades Interiores.

Poesia é Arte. Das mais belas do Espírito Humano. (E não será a mais bela? Ou será a Música?) Considero Poesia e Música Artes-Irmãs. Não gêmeas. Mesmo porque, então, não haveria diferenças, ou seja: as nuanças coloridas das individualidades. Na Música, sinto a presença da Poesia, em seus acordes, em seus tons, em suas misteriosas e envolventes 7 Notas Musicais. São somente 7 notinhas monossilábicas que nos fazem penetrar no diversificado e colorido Universo Musical. Na veracidade da recíproca, Poesia é, igualmente, Música. Eis que a Poesia – tal qual a Música – nos embala os Sentidos. Nos acaricia e enternece os Sentimentos. Penetra nas indecifráveis Solidões da Alma. E pode nos consolar dores, mágoas, vazios do coração… Além do que, Poesia também tem ritmo em seus versos. E as rimas podem nos proporcionar musicalidade. Uma musicalidade que nos embala e deleita o Espírito!

O Poema é mudo. Desde meu precoce e afetivo relacionamento com ele, notei que ele – o Poema – era mudo. Todavia, num gostoso e inexplicável paradoxo, embora mudo, vi, ouvi e compreendi que o Poema – em sua mudez – falava. E, desde lá, o Poema é belo e singular, em sua mudez. (E também nudez!) E, mais belo, ainda, porque nos fala. Nos fala aos olhos, sim, através das palavras multicoloridas: as chamadas Figuras Literárias. (Tatuadas na carne desnudada do corpo do Poema!) Nos fala às mãos. (Ávidas de sentir sua Textura – Etérea e Sentimental!) O Poema é mudo. Mas, nos diz muito! De repente, nos diz tudo! Depende de nós. De nossa Sensibilidade. De nossas Emoções. Além de mudo, o Poema é estático. Apesar disso, é dinâmico. E se move com o dinamismo da vida. Dos tempos. Se move no caminhar de nossos passos. De nossa imaginação. Enfim, de nossos mais vários, íntimos e ocultos Sentimentos! É assim que vejo e sinto o Poema!

O Poeta é um Profeta do cotidiano. Não é Anjo. Apenas um homem ou uma mulher-comum. Penso assim porque não consigo conceber um Anjo-Encarnado. Não posso imaginar um Anjo-Mundano. Porque este Mundo – repleto de homens maus, perversos e egoístas – descobriria esse Anjo e o mataria. Além do que, lugar de Anjo é no Céu. No Paraíso. Nesta Babel sem rumo – materialista e insana! – como poderia sobreviver um Anjo? (A não ser que, aqui, estivesse para expiar pesados e pretéritos Pecados!) Entretanto, posso dizer que o Poeta é um Ser Humano. (Que também deveria esquecer um tanto o “ser” e praticar mais o “humano”!) Escreve versos. Faz rimas. Anoitece e amanhece Poesia! Dedilha sua Lira. A Musa – que mora em seu coração e ilumina sua Alma – lhe inspira o Canto. E o Poeta, assim de mãos dadas com sua Musa, constrói o Poema! Eis a Arquitetura do verso. Que se multiplica em estrofes. Em sons. Em imagens. Em ritmos. Em cenários – reais, surreais ou imaginários! Tudo depende dos indispensáveis Aprendizados do Espírito! (De quem escreve e de quem lê Poesia: essa linguagem eivada de Símbolos e de Sentimentos!)

A Linguagem Poética é uma Linguagem Especial. Projeta-se além da Linguagem Comum. Não fosse assim, não seria Poesia. Somente a Linguagem Poética é Poesia! A Poesia foi feita para falar de Amor. Desde o Amor da mãe ao Amor da amante! Na Natureza, há Poesia. Há Poesia nos animais. Numa flor. No vôo do pássaro. Nas Lágrimas da Chuva. Na Canção do Vento. Mesmo na imobilidade solitária de uma pedra, há Poesia! Com Dramática e Enigmática Linguagem. Afinal, a Vida não é um Drama? Um Enigma? Um Enigma que não deciframos, mas, cujo Drama temos que interpretar todos os dias, neste atribulado Teatro da Existência?

Poesia é uma Linguagem Mágica! Tão Mágica quanto foi minha adolescência. Excepcionalmente, do Outono de 63 ao Inverno de 64. Um dia, foram-se as Flores da adolescência. E o róseo dos Sonhos. Sobraram-me, apenas, nesgas de Ilusão. Fez-se, então, a época de uma poesia pessoal do Absurdo! De Dor e de Saudade. Com tais experiências, aprendi, (concretamente!), novas Lições sobre Poesia. Lições duras e impiedosas! Senti-me num Cenário de imagens e personagens que me reportava à Idade Média, onde se desenrolara uma fatídica e surreal História de Amor Shakespeareana! Por isso, desde jovem, escrevo assim: com esta mania de abrir alguns Escaninhos da Memória, (ou o coração?), para ilustrar, com minha experiência, o tema então proposto. Foi o que tentei fazer, aqui, ao afirmar que Poesia é Metalinguagem. E não será Metalinguagem o ronronar do coração? E o arrulhar da Alma? Enfim, pergunto: não será Metalinguagem a inexplicável, poética e universal Linguagem do Amor??

1 comentario en “CRÓNICAS ARTIGOS E OUTROS TEXTOS”

  1. A Universalidade de ser mãe, como descreve EUGÉNIO DE SÁ, é uma profunda maneira
    realista de pensar nos caminhos da humanidade, nessa incerteza ou insegurança do que virá…
    do que enfrentarão as novas gerações de mães e filhos nesse ato de viver em paz…
    Uma mensagem realista e atual.( se é como entendi!)

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