CRONICAS, ARTIGOS E OUTROS TEXTOS

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Abril 2.020  nº 30 

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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

 

 

A Resiliência
Por: Dr. Rubens Camargo Siqueira

Resiliência é um termo do campo das ciências físicas e refere-se à capacidade de os materiais voltarem a sua forma original, quando são forçados a deformar-se, sendo exposto a uma pressão. Transpondo este conceito de uma forma mais abrangente, significa apresentar uma resistência aos choques. E esse entendimento tem sido usado nas áreas de saúde, finanças, indústria, sociologia e psicologia.

Resiliência é a capacidade concreta de retornar ao estado natural de excelência, superando uma situação crítica e fora do comum, tirando proveito dos sofrimentos inerentes às dificuldades.

A resiliência é, portanto, a capacidade que uma pessoa tem de se adaptar ou evoluir, a partir de uma situação adversa. É aquela “volta por cima”, ou “entrar nos eixos” novamente, depois de um furacão negativo que passou pela vida.

É importante saber que a pessoa resiliente adoece menos, toma decisões mais acertadas, assume riscos controlados, trabalha melhor em equipe e consegue assumir mais responsabilidade. Por ter maior equilíbrio emocional, consegue usar suas habilidades e interagir de forma mais amigável com as pessoas.

O que faz que algumas pessoas sejam mais resilientes do que outras?

Várias pesquisas tentaram descobrir características ou fórmulas para as pessoas terem esta capacidade de resiliência e entre elas destacam:

  1. A)Habilidade de compreender os eventos que viveram e integrar essa compreensão à sua vida como um todo, ou seja, possuir uma visão de mundo (por exemplo, um conjunto de crenças religiosas, espirituais ou filosóficas) dentro do qual esse sofrimento adquira algum sentido, ela conseguirá superar esse trauma mais facilmente.

  2. B)Habilidade de dar sentido emocional à vida (sentir que a vida tem significado) e perceber os problemas mais como desafios do que como cargas pesadas

  3. C)Habilidade de usar os recursos de que dispões para lidar com os problemas da vida, ao invés de ficar na atitude de “eu não posso fazer nada porque não tenho dinheiro, ou não tenho amigos influentes, ou estudos, etc”. Assim entendemos que é importante que essa visão do mundo leve a pessoa a uma atitude ativa perante seu ambiente.

Mas sem dúvida o caminho mais eficaz é a fé.

É comum ouvirmos relatos de pessoas que afirmam ter superado alguma adversidade em sua vida utilizando-se simplesmente da fé. Independentemente da crença, religião ou credo, todo o ser humano precisa ter fé. É como um “seguro de vida”, carecemos do amparo de um Ser Superior, Onipotente e capaz de livra-nos seja qual for o perigo, a despeito das nossas fraquezas e limitações.

A fé é capaz de atenuar o sofrimento, trazer esperança, enxergar caminhos alternativos, mobilizar o individuo a agir para superar a dor e não se deixar sucumbir por ela.
A fé é o principal “combustível” para a nossa capacidade em “dar a volta por cima” e recomeçar.

Para além da pandemia temos de continuar a pensar a paz, e, para isso, temos de caminhar para uma necessária equanimidade
Por: Eugénio de Sá

Imaginemos uma ausência completa de conflitos no nosso ser; seria como uma harmonia repetida à exaustão, onde não há nunca notas dissonantes, ou seja; uma paz de espírito prolongada no tempo.

Mas aí, cabe a pergunta: será que essa (teoricamente) almejada serenidade, essa imperturbada tranquilidade, não se tornaria a breve trecho demasiado monótona e até fastidiosa? – O questionamento impõe-se, porque afinal essa não seria mais que uma antecipada vivência da quietude eterna, e nem a paz reflexiva de um monge tibetano se lhe poderia comparar.

Como em tudo, nesta vida o segredo está no equilíbrio. Segundo Buda; « ‘O caminho’ não está no céu, está no coração de cada um. »E eu acrescentarei: ao nosso equilíbrio interior corresponderá aquele que vamos conseguir levar aos outros. E que essa cadeia assim sustentada seja multiplicada e levada cada vez mais longe.

Reflexões sobre a paz interior e a paz no mundo

Além da liberdade, a meta mais valiosa para o ser humano consiste no alcançar a paz. Mas não uma paz fundada em artifícios gerados a partir de estratégias de grupos ou de facções, sejam elas de cariz forem, mas uma verdadeira equanimidade interior, ganha a partir de grandes transformações na alma humana, sempre perpassada de inconstâncias e desejos, quase todos baseados numa injustificada avidez.

Na realidade, os objectivos maiores traçados pela humanidade não são passíveis de se concretizar sem que o conceito de paz seja plenamente intuído e aceite, e as suas premissas e condicionantes praticadas, individual e colectivamente.

O mundo é vasto e a diversidade das culturas instaladas na espécie é enorme,e seria excessivamente utópico pensar-se que essa autêntica ‘babel’ de pregões dogmáticos, que origina tantos focos de conflitualidade, possa ser fácil de ultrapassar. Daí, que se espere de quem governa os povos do planeta, aprenda a lidar primeiro com o seu próprio equilíbrio interior para que o possa transportar para a mesa das negociações, local onde devem ser resolvidos os conflitos, todos os conflitos. Deles se espera que nunca deixem que suas teimosias, porventura irracionais, aproximem da morte e da devastação as populações que deles dependem.

Como escreveu Tam Huyen Van; “A paz não será alcançada através de posturas, receitas, regras, livros, imposições sociais ou políticas. Ela tampouco será atingida com leis, decretos, directrizes. Estas acções apenas se manifestam como fruto das necessidades comuns ou excentricidades de uma cultura mundial em permanente estado de superficialidades, convencionalismos ou jogos de poder.”

O ser humano ainda não soube, ou não foi capaz, de ultrapassar a sua natural tendência para a violência como o fazia no seio da primeiras tribos, e não sabe dominar esse instinto a não ser pela via de outra força que se lhe sobreponha, ou pela ingestão, forçada, ou não, de substâncias de características soníferas ou hipnóticas. Só os seres espiritualmente mais evoluídos aceitam voluntariamente mudar essa tendência e tornarem-se pessoas equilibradas e conscientes, e, por isso mesmo, passíveis de lutar para promover a paz. Porque esse objectivo maior surge como uma necessidade quando a mente, expurgada do que é iníquo e acessório, se liberta, e consegue perceber o erro da sua visão obsoleta e distorcida do mundo exterior.

* O autor é Embaixador da Paz em Portugal

Liberdade e Prisão
Por: Santa Catarina Fernandes da Silva Costa  

O tema deste mês foi livre. Bem pensado! Como poderemos desenvolver uma matéria sobre um assunto qualquer que não nos remeta à liberdade, que nos falta agora?   

Quando poderíamos imaginar que uma ordem mundial teria tanto poder de trancafiar o mundo em seus lares e interferir no nosso sagrado direito de ir e vir? Como não lembrar do prazer de sair às ruas, ou, éramos obrigados   por alguma razão? E onde estão essas causas de corpórea locomoção?  Os motivos desapareceram. De repente ninguém necessita mais, a não ser por questões de sobrevivência. Mesmo assim, com restrições. Até os alimentos espirituais foram suspensos quer sejam em grandes templos, museus de arte erguidos ao céus, quer sejam   em salões pobres, espalhados em florestas ou bairros distantes. O pão celeste nunca falta. Chega por vídeos, nos falando de esperança, de fé, persistência e nos preparando para o pior. Seria mesmo o pior?

As mensagens ecoam: “aqui somos peregrinos, nosso lar está acima dos céus dos céus, o céu está elevado acima da terra”.  A mente ferve:  Para onde vou depois dessa passagem? Vou num lugar acima da terra?

De repente com os nossos corpos presos se movendo nos cômodos da casa ou fora dela, entre corredores com flores ou só com folhas verdes, não nos importamos mais com tudo isso que nos cerca e nossa mente nos leva para o alto “ Elevo os meus olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra. Ele não permitirá que os teus pés vacilem; não dormirá Aquele que te guarda. É certo que não tosquenejará e nem dormirá o guarda de Israel. O Senhor é quem te guarda; O Senhor é a tua sombra à tua direita. De dia não molestará o sol, nem de noite, a lua. O Senhor te guardará de todo o mal; guardará a tua alma. O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre” Salmos 121, um cântico de proteção de Deus sobre a humanidade!

Porém, os braços estão cheios de abraços para estender e os beijos presos dentro dos lábios! As imagens desfilam diante dos olhares assustados e o coração bate por rostos que não podem ser tocados. A voz ainda chega à distância, em aparelhos por homens criados. No entanto, não são quentes, são gelados!

O mundo nunca parou! Tantas pestes e tragédias registradas em países diferenciados. Agora estamos todos nós nivelados na regra do Sagrado.

 Não importa estar com o corpo preso ou liberto, se tenhamos ou não bens materiais, conta bancária farta, ou seja pobre ou mesmo miserável; a igualdade de Deus nos tomou, nós, os filhos todo de um único Ser pensado que desejou dar vida a esse pó, que num espaço curto de tempo, voltará para dentro da terra e com ela se fundirá e será pó eternamente.

No entanto, nada mais importa, nem sair e nem ficar. Se voltarmos à nossa origem, entenderemos que tudo na vida é mera ilusão e passa como vendaval e furacão. Vencer os obstáculos, eis a questão. Não desperdiçar um instante sequer é a solução.     

Tudo muda dentro do quadro de prisão que deixa de ser, e passa apenas ser um tempo para reflexão. Passaremos de uma forma ou outra por essa provação, mas com o coração aberto e jubiloso, sabendo que há vida depois dessas longas noites, que se transformaram os dias, em plena escuridão.

Ao ligar o canal com o mundo vemos hospitais lotados, homens e mulheres, heróis do momento, mascarados e arrastando macas. Mas não teria algo mais atrás desse transtorno focado? Nenhuma coisa boa está acontecendo neste universo pesado de tantas injustiças e atos impuros praticados? Não estariam os homens, criaturas humanas, passando por uma transformação ou estaremos caminhando para uma escravidão?

Seria esse vírus o pior causador de todas as mortes, ou haveria outra coisa ainda pior, camuflado?  A quem recorrer quando se vê grades ainda piores, além de um sistema de saúde falido nos anos passados agora demonstrados, que como uma serpente sinuosa, é agora usado em nome de um vírus, todo o veneno jogado, como causador de todas as mortes causadas?

Desta feita, corações explodem por mil razões, aneurisma estourado pela agonia, diabetes aumentam, outras doenças se manifestam e tombam nos braços no coronavirus.
Enquanto isso, os amantes escrevem versos de amor no meio da dor.

COLABORAN: Ary Franco (poeta descalzo) Brasil…Ilka Oliva Corado (Guatemala)…

A CONTROVERTIDA RAÇA HUMANA
Crônica de Ary Franco (O Poeta Descalço)

Mobiliza-se uma centena de pessoas, pede-se auxílio ao Corpo de Bombeiros, para ajudar a um gatinho que subiu em uma árvore mas não consegue descê-la. O vizinho do lado envenena a minha gata porque o incomodava à noite, miando no telhado, quando estava no cio.
Dezenas de pessoas se esforçam para devolver ao mar baleias encalhadas na praia. Outros matam-nas com seus arpões para industrializar seus despojos.

Um cavalo atolado num pântano, até quase o pescoço, é retirado de lá após muitas horas de esforço por um multidão de voluntários que o socorreram a tempo. Outros açoitam-no impiedosamente, obrigando-o a galopar mais rápido ou a transportar cargas pesadas, que ultrapassam sua capacidade física de levar a cabo tal tarefa.
Uma nação é massacrada com bombardeios constantes. Mais tarde, outros enviam “piedosamente” suprimentos para os sobreviventes.

Uns pesquisam em laboratórios curas para males. Outros criam armas com capacidade, cada vez maior, para destruição em massa de seus semelhantes.
Como poderemos tipificar o chamado racional Ser Humano? Deus nos envia para cá, todos iguais à sua semelhança. O que nos faz optar por caminhos tão diferentes?
Aí fica a pergunta que não quer calar-me: “Quem somos, afinal?!”
Saibamos usar o Livre Arbítrio que Deus nos deu!

Pandemia é oportunidade para notar punhaladas cometidas por governos neoliberais
Por: Ilka Oliva Corado

Sempre são os mais vulneráveis que pagam o pato. Esta pandemia uma vez mais dá a oportunidade para que os povos abram os olhos e notem uma a uma as punhaladas que estão sendo dadas pelos governos neoliberais de seus países. Salvar as oligarquias sempre foi sua finalidade além de saquear o Estado, o que quer dizer, o bolso do povo. Nada se soluciona orando, é a ciência junto aos recursos humanos e materiais os que devem estar à disposição da sociedade neste momento; qualquer mandatário que diga à população que como solução se encomende a Deus, além de ser um cretino e de estar brincando com a vida das pessoas, está se burlando da inteligência natural de todo ser humano.

Na América Latina temos muitos desses monstros, horrorosos por traidores e descarados, por gritões e idiotas. Por ver os povos em necessidade e dar as costas para se pôr à disposição da corrupção e das máfias. Esta pandemia levará a muitos das capas baixas da sociedade, porque o rico nunca perde, mas essas mesmas capaz baixas devem ter a memória para não esquecer e ficar em pé quando isso passe para fazer uma mudança desde abaixo, desde a raiz. Esse mal deve ser arrancado pela raiz. Não se pode propagar mais a burla, o saque, o racismo, a impunidade, a homofobia, o machismo, a miséria, que se propaga a partir dos governos latino-americanos. 

Os povos que conformam a Pátria Grande têm a força necessária para fazê-lo, só necessitam decidir-se, armar-se de coragem; que a cólera da exploração, da humilhação e da burla os indigne para levantar-se em rebelião. Se falamos de uma nova ordem mundial, que essa ordem seja posta pelo povos e não pelas oligarquias. Já chega de abaixar a cara e pôr o lombo. Que a erradicação do neoliberalismo seja o triunfo diante do abuso das grandes máfias. Já é tempo do povo tomar o poder, dirigir seu próprio caminho, que seja dono de suas terras e do que produzem. 

Não virá outra oportunidade mais extraordinária do que esta. É tempo de guardar a energia, por aqueles que hoje não podem guardar a quarentena porque têm que sair para buscar o pão, porque nenhum governo responde por eles. Pelos que se rompem fazendo pão, plantando vegetais e frutas, colhendo-os, aos que os transportam e vendem para que os mercados nesses momentos não estejam desabastecidos, para que a população tenha como se alimentar.  Já se aplaudiu grandemente os médicos que atenderam dia e noite em hospitais e centros de saúde, é tempo de pensar nas enfermeiras porque elas têm o triplo de trabalho dos médicos e sempre têm sido relegadas pela sociedade. De agradecer ao pessoal de limpeza que sempre foi visto somente como os que limpam os banheiros. Mas não dizer a eles somente obrigado, mas fazer mudanças de raiz para que seus direitos trabalhistas sejam outros, os justos. 

Já que se aplaudiu os médicos por seu esforço, esse sacrifício dá uma noção mínima, mas dá, de como fica as costas do diarista que trabalha a terra; se aos médicos se aplaude, aos que trabalham no campo há que beijar-lhe os pés e as mãos, mas não só isso, fazer mudanças de raiz para que seu esforço seja remunerado como corresponde e não sejam mais explorados. A mesma coisa com as empregadas domésticas; a grande maioria não pode ir às suas casas para a quarentena, porque a classe média e a burguesia não podiam passar sem elas, porque podem cair as mãos das madames se lavarem um prato ou recolherem a caca do cachorro.  

Claro que há uma missão depois de tudo isto: o novo mundo. E esse novo mundo, com novas leis nas constituições, tem que chegar com direitos humanos e benefícios trabalhistas para os imprescindíveis. Os povos já foram levados como gado ao matadouro durante séculos, é tempo de rebelar-se. Há muito por mudar e por fazer. Construir escolas, hospitais, centros de saúde, universidades. Eliminar os exércitos e criar campos recreativos. Porque a nova ordem mundial não pode ser imposta por eles, tem que ser organizada pelos povos e isso só é possível com a revolução cultural. Há muito por fazer. Estão levando embora os minérios latino-americanos em troca de um centavo, eles devem ficar na América Latina. O livre mercado só funciona para as oligarquias. Os povos necessitam outro modelo de desenvolvimento. O da unidade, da solidariedade, o do humanismo. 

Há que guardar a energia, porque têm que desaparecer os bordeis e os bares para que nenhuma menina, adolescente e mulher torne a ser explorada sexualmente. Porque se tem que dar urgentemente o direito ao aborto, livre, legal e gratuito para que nenhuma mulher seja encarcerada por tomar decisões sobre seu próprio corpo e morra no intento por sua pobreza.  As endinheiradas o fazem por privilégio de classe. Há que reajustar as molas latino-americanos e isso é trabalho da classe operária, pois nenhum privilegiado sabe o que arde a cara ao passar doze e quatorze horas ao sol carregando blocos destruindo as mãos, engraxando sapatos, recolhendo lixo, carregando pacotes, trabalhando a terra. Não sabe o que é não ver a luz do dia em uma maquila. 

Há muito por fazer quando isto passe, agora estão engasgando, firmando convênios, vendendo terras a torto e a direito, saqueando o Estado, mas chegará o tempo dos povos; nesse tempo temos que sair armados de valor apesar do medo e com a coragem e o amor que só têm aqueles que sabem o que custa ganhar o pão com o suor do seu rosto sendo humilhados noite e dia. É por isso que a mudança deve ser de raiz.

Permitam-me este desabafo!
Lucia Ribeiro

Tenho dificuldade em acreditar no Homem e no Mundo.

Tenho, apesar de saber que há seres humanos isentos, solidários e justos.

Como confiar num Mundo feito à imagem do Homem, cada vez mais irresponsável e ganancioso? Um Mundo que é um baile mandado para tantos. Muitos, de entre estes, se enraiveceram com as urdidas polkas hitlerianas, mas já ensaiam uns passos da dita dança.

Durante a 2ª grande guerra foi engendrado um genocídio incomum, habilmente ensaiado, para tirar de cena quem era frágil, incómodo ou de raça “menor”.

Hoje, temos, para além de outros vírus que por aí pululam ou pulularam, o “Corona Vírus19”, que antes de ser anunciado já estava instalado, algures por aí. A verdade é que para aqueles e aquelas pessoas mais atentas, ainda o vírus não tinha ensaiado a dança, já se falava na eutanásia, como um mal menor – O Redentor não sei bem do quê, mas fico-me com a minha ignorância e confesso-a publicamente – de tal forma, que os bailadores em golpes de cintura bem estudados, evitavam a todo o custo  os referendos, porque podiam coartar esta vontade indómita de eliminar os bailadores sem futuro na dança presente, mesmo que não fizessem parte das turma sénior e porque não era assunto de menor importância… era preciso poupar dinheiro. Ora, os referendos podiam não aprovar a dita e ser um pau de dois bicos com gastos ao quadrado. Ou seja: “Nem o referendo vence, nem os velhinhos morrem.” Ora, já nesta altura, se masturbavam crânios de génios a aprimorar as leis para a tal morte “assistida”, à falta de melhor nome, porque o nome que nos vem à cabeça é pouco simpático. Tudo isto para lembrar que a eutanásia foi aprovada segundo regras “muito específicas”; o que não quer dizer que os velhinhos lá de casa não continuem a “ver” a sua morte antecipada, mesmo pelos próprios filhos e outros familiares ou até por vizinhos, com recurso a meios pouco ortodoxos. Para os idosos sós ou com filhos pouco disponíveis foram criados lares, tendo em conta que é um sítio seguro, de respeito e onde, estes podem ter melhor qualidade de vida e convívio.  Pois é! Eis senão quando, pé ante pé, o vírus “Covid 19” veio por aí, penetrou em tudo quanto era sítio, mas o seu lugar de eleição, foi os lares para idosos. Lembrei-me agora que o 1º ministro do Japão afirmou já em 2013, malgrado a sua idade, que os idosos doentes deviam “morrer rapidamente” para o bem da economia. Grande lição! Ainda, sobre o Covid 19 e os velhinhos também surgiram opiniões muito “interessantes” vindas da Holanda bem como dos EUA, Europa…Enfim!  Mas a nata das premissas, chega-nos em português, vinda de um tal Bolsonaro, presidente de um país descoberto pelos portugueses por volta de 1500 e que viu em tudo isto, não o Apocalipse, mas uma possível Redenção.

Isto, digo eu, que não sou católica ferrenha, mas tenho olhos no coração.

2 comentarios en “CRONICAS, ARTIGOS E OUTROS TEXTOS”

  1. EUGÉNIO DE SÁ :Texto sobre a PAZ = O respeito e a predisposição de sentir e viver a Paz, mostra a importância de absorver,
    com atenção, o conteúdo do texto… Estar presente nessa leitura, é como ouvir boas dicas ou conselhos,já é meio caminho
    andado! Sem explosão e sem implosão a vida se torna mais em Paz. Não nascemos prontos, mas, podemos aprender valores
    que dependendo de cada um… e são bem-vindos esses valores de mão dupla, muito bem colocados.

    Responder
  2. Boas narrativas, parabéns pelos vossos crónicas com bons fundamentos. Há muitos que querem a paz e tantos a quererem a guerra. Existe quem não acredite na humanidade, é natural pois caminha-se num mar de mentiras. Temos um mundo virado do avesso, vale-nos a esperança e a existência de pessoas de bom carácter.

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CRÓNICAS, ARTIGOS E OUTROS TEXTOS

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SEJAMOS JUSTOS
Eugenio de Sá ( Portugal)

POLITIZAÇÃO DA JUSTIÇA,
OU JUDICIALIZAÇÃO DA POLITICA?

– Nem uma coisa nem outra deve poder acontecer; dizem-nos as regras básicas da democracia, entre as quais se destacam os princípios éticos que regem o indivíduo e a sociedade!

É uma tentação irresistível dos dois poderes maiores de um estado de direito; a de um querer dominar o outro, embora ambos sempre o neguem à saciedade.

Vejamos:

 “O homem nasceu livre e em toda parte é posto a ferros.”

Com esta frase, Jean J. Rousseau começa por reflectir sobre o porquê dos homens deixarem o seu estado natural de vida para constituir-se enquanto sociedade civilizada.

E numa sociedade moderna, democrática, e justa, é indispensável que se promova um pacto social adaptado às características de cada povo, onde caibam os fundamentais princípios éticos que defendem cada cidadão, ou grupo de cidadãos dos “abusos” da politica e dos políticos. A esse pacto convencionou-se chamar-lhe: Constituição.

Quando o homem passa de seu estado natural (original) para um estado de membro de direito de uma sociedade civil, ele sofre mudanças muito significativas, como a substituição do seu próprio instinto (sentido) de justiça. A necessidade da observância dos princípios éticos e morais na sua conduta, faz com que passe a reger-se segundo outras regras que não as suas, e a dever usar a razão em vez de agir de acordo com os seus impulsos.

Ele perde assim a sua liberdade natural e o direito a tudo o que quiser alcançar a seu bel prazer, porém ganha a sua liberdade civil no seio da sociedade em que se inclui, que é limitada pela vontade e o bem geral, sendo impossibilitado de passar sobre o direito de qualquer outro indivíduo ou grupo de indivíduos.

Logo, a justiça existe exactamente para regular as condutas e sancioná-las, quando e sempre que necessário, de modo a permitir que a sociedade possa progredir, sem sobressaltos e atropelos. Tem ainda a justiça, na sua acção, objectivos pedagógicos a perseguir, que vão introduzindo melhorias tanto nos seus procedimentos, como, sobretudo nos comportamentos sociais, em geral.

Se há um tempo para tudo, este é, sem dúvida, o tempo dos juízes,

os super juízes da era moderna.

Assiste-se agora a um protagonismo político inovador por parte da magistratura, mormente nos países que nos tocam mais de perto; os latinos, a que pertenccmos, e onde é hoje exponencial uma (bendita) febre pelo controle da corrupção, tida como um cancro a extirpar da sociedade.

Daí, que se diga que a acção dos super juízes, os que se ocupam das grandes causas consideradas mais negativas pela sociedade – que as deve investigar e punir – assuma hoje uma especial importância, o que, por isso mesmo, os torna especiais objectos de uma grande exposição aos media.

De há muito está instalada no espírito das maiorias a certeza de que a justiça só funcionava realmente para castigar os pobres. O “sistema” parece agora ter acordado, e está a ponto de conseguir fazer inverter essa convicção colectiva. As polícias empenham-se, investigam e promovem acusações fundamentadas contra os mais poderosos, levando-os a à barra dos tribunais, que os condenam e os mandam para a prisão, como merecem. Políticos, gente da alta finança, presidentes e quadros superiores de grandes empresas, e até diplomatas de carreira, os que, invariavelmente, se sentiam imunes a investigações e processos jurídicos, agora sentem que lhes foge o tapete protector, e estão em pânico.

Parece que o “sistema” se está a querer regenerar a partir de dentro, e para isso conta com os tais super juízes, que parecem nada temer, a despeito das sérias e repetidas ameaças anónimas a que estão sujeitos.

Estes homens e mulheres corajosos e incorruptíveis, que sabem que a justiça tem de ser cega a outras razões que não as suas,  e já mostraram ser gente digna da admiração e do respeito de todos os que vêm na justiça uma ferramenta privilegiada para moralizar a sociedade, que disso bem carecida está.

Falta agora saber-se da vontade e da inerente e substancial resposta dos políticos, na expectativa de que esses assumam, de vez, a jura que um dia fizeram de defender a grei, ao invés de dela se servirem, como infelizmente muitos deles têm feito ao longo de muitas décadas.

MEU AMOR PELOS ANIMAIS
Ary Franco (O Poeta Descalço)

            Desde pequenininho sempre tive um amor enorme por animais, inclusive insetos. Relutava em matar moscas ou baratas, ajudava cães abandonados na rua livrando-os da “Carrocinha da Prefeitura”, alimentava gatos dos vizinhos, tive porquinho da índia, cágado, hamsters  (aqueles que ficam brincando numa rodinha giratória), mas o mais excêntrico de todos foi o “Tilico”.
            Não muito distante de onde eu morava, existia uma granja e fiquei sabendo que eles botavam no lixo pintinhos machos, sem não antes torcerem seus pescoços. Sempre que voltava do colégio, saltava do bonde um ponto antes e visitava o latão de lixo da granja. Lá estavam eles às dezenas, mortos após um simples sopro entre as patinhas que os identificasse como não fêmeas.
            Isso repetiu-se durante semanas, até que um dia eu vi no latão um pintinho vivo! Ele estava se mexendo!!! Apanhei-o como quem rouba um anel de diamantes e corri, corri com a pasta batendo em minha costas como que a empurrar-me, incitando-me a um galope desenfreado até adentrar em casa.
            Mamãe, preciso ir na venda do “Seu Carlos” comprar farelo e milho picado. Olha o que eu achei! Esvaziei uma caixa de sapatos e com um conta gotas, dei um pouco de água ao “Tilico” goela abaixo. Deixei-o aos cuidados da mamãe e fui comprar a ração para ele. Tudo fiz correndo, de uniforme do colégio; apenas me desvencilhei da pesada pasta nas costas.
            Uma lâmpada acesa próxima à caixa de sapatos dava ao meu adotado o calor suficiente como as asas de sua mamãe. Ele beliscava o farelo e os pedacinhos do milho picado. Chorei de alegria. Estava salvo o meu mais novo “bichinho de estimação”. Dormiu no meu quarto com a lâmpada acesa.
            Por sorte, dia seguinte era um sábado e não tive aula. Dediquei tempo integral ao meu amado pintainho. Retirei-o da caixa e deixei que passeasse pela sala, tendo cuidado para minha cadela não querer comê-lo. Dias depois já estavam amigos e “Diana” até deixava-o encostar-se nela quando estivesse deitada. Papai aprovou a minha mais nova adoção e eu estava feliz! Ele até trazia diariamente do moinho em que trabalhava, uma caixa de clipes cheia de insetos que lá infestavam os sacos de milho.
            “Tilico” já reconhecia a voz do papai quando chegava do trabalho e ia correndo ao seu encontro para comer os carunchos trazidos especialmente para ele. Os insetos, uma vez com a caixa aberta, começavam a se espalhar e o “Tilico” não deixava escapar um, ficando com seu papo estufado. Era uma farra!
            Ele cresceu e já era um frango da raça Legorne. Um dia voou para cima do muro divisório com a casa vizinha e eu atraí-o de volta espalhando milho no quintal. Quando papai chegou do trabalho, disse-me que teria que cortar um pouco das penas da asa esquerda para impedi-lo de novas travessuras.
__ Papai, ele vai sentir alguma dor?
__ Não, é só as pontas das penas para desequilibrá-lo, caso queira voar novamente.
            Em pouco tempo tornou-se um belo galo e, aos domingos, nós o levávamos à Quinta da Boa Vista (morávamos pertinho dela) para brincar no gramado. Aí aconteceu o que mudou o destino do “Tilico”. Logo ao clarear ele começava a cantar “cócóricóóóó!!!” e os vizinhos (morávamos em uma vila com casas juntinhas, umas das outras) sutilmente reclamavam do “importuno despertador”. Desesperado eu o trancava no banheiro da empregada, mas o canto dele ultrapassava as barreiras do som. Colocava esparadrapo na ponta do bico quando ia dormir, mas assim que retirava o “cala a boca” pela manhã, antes de ir para o colégio,  ele desandava a cantar.
            Papai me convenceu a dar o “Tilico” para um fazendeiro que comprava ração para o gado, lá no moinho. Quando chegou o derradeiro dia, eu mesmo levei meu galinho e entreguei-o (chorando) ao “Seu Valadão”, fazendo-o jurar que não iria matá-lo.
__ Pode ficar sossegado menino. Ele vai adorar ficar num galinheiro cheio de galinhas para “cobrir”.
            Não entendi muito bem e perguntei se ele iria “casar” com elas e ele disse-me que sim. Voltei pra casa triste e me agarrei à Diana que aguardava minha volta.
            Esta é a história do “Tilico” e nunca mais fui olhar no tal latão de lixo da granja, com medo de achar outro pintinho e que tudo recomeçasse e triste ficasse no trágico final de uma próxima adoção.

A resistência dos açafrões
 Ilka Oliva Corado
@ilkaolivacorado contacto@cronicasdeunainquilina.com

Eles pensam que não tem mais falta, que conseguiram pulverizar os anseios e que eles rasparam as raízes dos açafrados do campo. Eles pensam que deixaram as árvores sem cascas, sem forças, em terras corroídas. Eles acreditam que tudo é uma avalanche. Mas todo cipreste selvagem, nascido nas rochas, mostra o contrário. Eles pensam que eles silenciaram a música do goldfinch, mas os rebanhos que atravessam o horizonte mostram que existem trinos impossíveis de matar e que há belezas e liberdades deslumbrantes que nenhum ódio pode obscurecer.

Eles pensam que conseguiram cercar as tempestades de vento, dobrar a força dos mares, que eles compraram a essência das tempestades por meio centavo, assim como as compraram. Porém; a brisa de água salgada que acaricia a costa, mostra-lhes que não há dinheiro que possa comprar a imensidão do mar.

Eles pensam que as cadeias de montanhas de mil anos da América de folhas verdes são arranha-céus concretos e presunção. Como as casas onde vivem, construídas com o suor e a dignidade do trabalhador. Comprou com a deslealdade e a traição daquele que foi vendido.

Que eles acreditam. Eles acreditam que tudo é vendido e tudo é comprado, como eles foram comprados deles. Eles acreditam que eles têm o poder de mudar a natureza do amor. Que eles conseguiram derrotá-lo, murchar e com isso para nos derrotar. Porque apenas aqueles que amam são invencíveis. Porque somente aqueles que sentem, amam, sonham e se entregam, se entregam à vida que é o estoque de povos. As cidades que são o frescor da América Latina original.

Eles pensam que eles conseguiram nos fazer esquecer, que eles apagaram nossa memória, que, como eles, vamos nos vender. Eles pensam que, como eles, nos tornaremos traidores, iremos a leilão e, também, apunhalaremos pelas costas com a deslealdade dos lacaios. Como eles.

Eles pensam que nos cansaremos de lutar e que nos viraremos as costas e que nossos gritos se tornarão murmúrios e que eles se acalmarão, se sobrepõem em silencio com traição e aproveitarão o defeito dos ingratos. E que seremos como eles: perversos e cúmplices.

Eles pensam que vamos terminar a rebelião, que faremos chinchilete ou que vamos deixá-lo deitado em qualquer elevador de arranha-céus, ou pior ainda que nós vamos criptografá-lo em algum seguro do banco de corruptos. Eles acreditam que vamos cuspir os rostos de nossos antepassados e que os nomes de nossos heróis e heroínas vão rolar na avalanche, em direção ao abismo, enterrando-os para sempre. Os despistando. Eles acreditam nisso. Eles querem isso.

Eles acreditam que nossa fogueira se extinguirá, como chamas de tussa, mas é a lava de um vulcão em erupção. Eles acreditam que nos empurram para um abismo onde vamos rodar para a morte, eles não sabem que somos feitos de barrancos e recifes. De lama de bajareque e adubo, que somos terra, Pachamama. Que somos feitos de raízes de conacaste e cacau-mãe. Que nosso canal é o eco da canção dos pintassilgos rompendo o silêncio nas cordilheiras da América milenar, que se recusa a renunciar a sua essência original e autônoma.

Eles acreditam que eles nos derrotaram: esfolando-nos, torturando-nos, intimidando-nos, nos aprisionando, nos desaparecendo, nos assassinando; mas ainda não conhecem a resistência dos açafrões que embelezam os campos abertos, que nenhum traidor jamais poderá secar.

 

 

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