CRÓNICAS, ARTIGOS E OUTROS TEXTOS

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Agosto  2.019  nº 22
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O desnudar da alma
Uma Crónica de Eugénio de Sá
Uma alma pobre acaba por desfalecer, esvaziar-se de vontade, e morre antes do corpo que a acompanha nessa viagem até à eternidade. Porque a verdadeira riqueza de um espírito é aquela que se funda no amor, no amor por si própria e pela humanidade.
A propósito, cito um trecho da página 38 da obra
“Meditações de Dom Quixote”, de José Ortega y Gasset:
 – O amor é um divino arquitecto que baixou ao mundo – segundo Platão – a fim de que tudo no universo viva em conexão». A inconexão é o aniquilamento. O ódio fabrica inconexão, isola e desliga, atomiza o orbe e pulveriza a individualidade.
A alma, essa desconhecida.
Esconde-se do mundo, e até de nós, a verdade de quem somos, realmente. E o que somos, para além de uma cúmulo de dogmas e conceitos, crenças e emoções, que nos condicionam e formatam o carácter? – Para os outros, somos a aparência que transmitimos pelas formas da nossa anatomia física, da máscara composta das nossas feições, enfim; do nosso aspecto geral, a que se soma o estatuto social, fruto das nossas conquistas e méritos, e ainda pelos comportamentos e atitudes que vamos assumindo em relação ao mundo que nos rodeia e nos acolhe, e que está bem carente de exemplos e referências de propósitos nobres e de acções de louvável sensibilidade humanitária.
Alguém – que não consegui identificar – escreveu esta sábia reflexã
 “ Não se deixe enganar pelo rosto que eu uso, porque é apenas uma máscara, uma das máscaras que tenho medo de tirar e nenhuma delas sou eu. Aparentar é uma arte que domino. Quero dar a impressão de ser forte, que dentro e fora de mim há um dia ensolarado e pacífico, que o mar é sereno e eu sereno ao leme, não preciso de ninguém. Mas não acredite em mim; o meu exterior reflecte serenidade, mas é apenas uma máscara, sempre a mudar, sempre a esconder o que realmente se passa cá dentro. Atrás dela há confusão, medo e solidão, mas isso eu escondo, e não quero que ninguém saiba que estou em pânico, porque assim a minha fraqueza e o meu medo ficariam expostos. Mas se insistir em viver a partir da mentira e do medo estarei a ser conveniente com o engano e a vergonha de não ser capaz de ser eu próprio “.
Embora se reconheça que a natural tendência do ser humano civilizado e actual corresponde a boa parte destas afirmações, temos de pugnar, isso sim, por ser fieis à verdade daquilo que somos, e deixemos aos demais a avaliação que quiserem conferir à nossa acção neste mun
Na realidade, uma consciência íntegra recusa a ostensiva ostentação de bens materiais e atitudes arrogantes, em detrimento de outras mais reflexivas, moderadas, e consentâneas com as de um espírito bem formado.
Não é, infelizmente, este o espelho do que vemos nos média, que vivem a bajular toda a sorte de vaidades e exibicionismos de gente que “eles” qualificam de VIP’s, ou seja: aqueles que, de alguma forma, se encaixam nos padrões ditos mais elevados da sociedade, mas que quase só consideram o que toca à vida material, porque outros, os que se vão distinguindo por actos valorosos e méritos próprios, e que porventura mereceriam mais ser objecto desse natural relevo, são por norma ignorados pelos senhores dos jornais e das televisões. Com excepção dos craques interventores no chamado desporto-rei: o futebol, e nalguns outros desportos de elite.
 Dentro de nós há todo um mundo dual que se move em direcções opostas, raramente convergentes, mundo que não revelamos, optando por manter a “fachada perfeita”. E isso basta para que vivamos confundidos, evitando quaisquer auto-análises que acabariam inevitavelmente por se revelar auto-censórias e, portanto, dolorosas.Todavia, contamos com a nossa vertente espiritual para nos alertar e conduzir ao equilíbrio e necessaria-mente à verdade, essa verdade que é mister que defendamos a todo o custo, dentro de nós para que a possamos levar aos outros.
E fiquemos com estas incontornáveis verdad
Podemos esconder-nos atrás da máscara mais sorridente, enquanto o nosso coração chora de dor; podemos adoptar o ar mais seguro, mas em nós poderá estar tremendo de medo a criança indefesa que somos; podemos disfarçar-nos sob um esgar ameaçador e até violento, mas não deixaremos de ser um ser rejeitado sofrendo a solidão mais profunda.
Podemos ser tudo isso, mas sempre teremos a opção de assumir a verdade em tudo o que somos e sentimos, e não nos envergonhar-mos de o parecer.

Atrever-se a curar a ferida
Ilka Oliva Corado
Não importa se a primeira expressão surge com medo, raiva, raiva, impotência ou frustração e é por isso que ela ressoa e lança chamas ou queima como brasas; se ele arranhar, se gritar, se chorar de forma lamentável ou se der um soco no vazio; realmente isso não é o importante, o importante é que a ferida começou a cicatrizar.
Não importa se os degraus são vacilantes, se são três para frente e um para trás, se vai para o lado ou em ziguezague, o que realmente importa é ficar de pé e tentar andar mesmo que a princípio você só possa engatinhar ou engatinhar; Em algum momento, a força e o equilíbrio virão e os passos serão precisos.
Não importa se a crítica vem como ondas, como lava, como um baque ou uma chuva, crítica não é importante, o que não é importante de fora, o que realmente importa é a metamorfose que está ocorrendo dentro, quando começa a se curar ferida.
Não importa se a mão treme e o pulso puxa com os fios da escova, um caminho curvado em vez de um caminho reto, o momento virá quando a calma fará com que a tela seja um jardim cheio de girassóis. E se o jardim não ocorre e se em vez de girassóis são pedras, rosas ou vestígios de uma cabana, onde é alcançado por um caminho inclinado, não importa, o primordial nunca foi o pino da janela, mas a própria janela mesmo que permite ver tudo o que quatro paredes não. A expressão é essa, é a janela da alma e ao abri-la a ferida é curada.
Não importa se o texto de uma matéria, artigo, ensaio ou poema não tem o contexto, a profundidade e a gramática apropriados, chegará a hora em que eles serão apropriados para os outros, ou talvez nunca aconteça, mas isso não é importante, o importante é que eles são o caminho para reduzir a necessidade de quem escreve naquele momento, porque é vital curar a ferida. O importante é curar a ferida, não o que os outros pensam. Tudo o resto é secundário.
Porque só curando a ferida a expressão se torna alegria, calma e felicidade. Chegará o tempo em que não vai doer mais, será então …, mas ainda que doa, a resistência está em atrever-se a curar a ferida.

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