CRÓNICAS, ARTIGOS E OUTROS TEXTOS

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Noviembre   2.019  nº 25
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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

 

 

Romper com rivalidade entre mulheres imposta pelo patriarcado é nossa missão de gênero
Ika Oliva Corado

Não podemos deixar às gerações que estão por vir um legado de indiferença, de rancores, de discriminação

O domínio patriarcal pensa que nós mulheres devemos sentir inveja entre nós, agVista previa (abre en una nueva pestaña)radece quando nos odiamos, nos culpamos, quando nos dispersamos em lugar de unir-nos. Quando estamos distribuindo rasteiras para ver cair aquela que acreditamos ser nossa rival. A rivalidade entre mulheres é produto dos padrões patriarcais com os quais crescemos e que estão em todos os âmbitos da sociedade. Romper com isso é nossa missão de gênero.

Não podemos deixar às gerações que estão por vir um legado de indiferença, de rancores, de discriminação; essas meninas merecem crescer em uma sociedade onde as mulheres se comuniquem entre elas, onde se aplaudam as conquistas em lugar de se apunhalarem pelas costas. Uma sociedade onde se deem as mãos para avançar em busca de direitos, onde possam caminhar juntas e saber que qualquer mulher em qualquer lugar do mundo será uma aliada e não uma inimiga. 

Sim, eu sei, são sonhos muito grandes, mas os cumes mais altos são conquistados passo a passo; já fizeram tanto as nossas ancestrais e ainda não é suficiente. O que estamos fazendo nós para continuar na construção desse legado? O que é que vamos dar em troca desses direitos que nos deixaram nossas antecessoras?  Porque a muitas delas lhes custou a vida; foram humilhadas, ultrajadas, desaparecidas para que nós hoje tenhamos o direito de levantar a voz, o direito ao voto. As meninas não merecem que lutemos pelo direito ao aborto?

Uma boa forma de começar a romper esse esquema patriarcal que nos divide seria começar a dizer a outras mulheres que estão bem, que lindos são seus sapatos de tal cor, que sua blusa lhe cai bem, que se expressou bem em tal palestra, que seu trabalho é excelente. Que tal saia a deixa linda, que seu sorriso irradia. Que sua maneira de ser é contagiosa. Que seu humanismo é admirável, que suas ações convidam a imitá-la.

E não há nada de mal em dizê-lo, não há nada de mal que uma mulher diga a outra que está bonita, que lhe cai bem a cor do seu batom, que é linda até sem maquiagem. Isso não quer dizer absolutamente nada mais que isso, que é linda e há que dizê-lo. Há que dizer às pessoas que fazem bem as coisas, quando as estão fazendo bem. Há que dizer que as admiramos por seu empenho, por seu esforço, por seu profissionalismo. Não há nada de mal que outra mulher seja quem o diga. Romper com o padrão da inveja entre mulheres é vital para derrubar o patriarcado. E não, isso não significa que a outra mulher seja homossexual e que se está dizendo isso com outra intenção. Esse é o primeiro modo com que o patriarcado nos desafia; duas mulheres podem admirar-se mutuamente e isso não significa absolutamente nada mais que isso.

Que tal se nos desafiamos e começamos hoje mesmo, olhando ao nosso redor e dizendo às mulheres que nos rodeiam que estão lindas, que fazem bem seu trabalho, que são admiráveis? Talvez custe um pouco no primeiro dia, mas no terceiro eu lhes prometo que será como andar de bicicleta.

E pouco a pouco iremos entrando na luta dos direitos de gênero, e assim oxalá um dia saibamos todas as mulheres que não é necessário colocar o sobrenome do esposo para ser alguém, para mudar de status ante outras mulheres ou ante a sociedade, que isso não nos faz mais importantes, pelo contrário, nos coloca na situação de objetos propriedade de uma pessoa. Porque, onde existe uma lei comum, em que o esposo possa colocar o sobrenome da esposa e diga publicamente sou fulano de tal, da mesma forma que sucede com as mulheres? Sim, isso também é opressão do patriarcado contra as mulheres.

 ALTAR DA MINHA CRUZ
Eugénio de Sá

( A todos os que consagram à poesia boa parte de si mesmos )

   Somos donos de um feixe de nervos, e, talvez por isso, embora apregoemos que buscamos a tranquila mansidão dos dias, só nos sentimos realmente vivos quando se tece em nós uma teia de emoções. E essa ânsia, essa necessidade, acaba por se tornar num vício que procuramos alimentar de exercícios espirituais sempre vez mais intensos.

   Daí, a tal solidão de que falamos quase como cousa almejada, pois só no isolamen-to a que nos votamos logramos enlear-nos na tal teia de emoções. E essa solidão não significa que tenhamos de estar fisicamente sós; pode haver gente à nossa volta, que a sempre esperada evasão espiritual nisso não encontra obstáculo.

   E é nesses momentos em que o tempo parece suspender-se, nesses momentos em que nos encontramos numa espécie de êxtase, que sentimos o impulso de escrever, de expor a alma à brancura da tela, que se nos oferece,  virgem, à voragem dos dedos que querem teclar sobre ela as palavras que reclamam por ser escritas.

   É desse íntimo “feelings storm” onde se debatem ideias e sentimentos, que acaba por brotar, espontânea, a nossa poesia, fundada na metáfora que cavalga a nossa expressão criativa.

   Corre dentro de nós todo um processo de exacerbação de sentidos; são as estridências da lenha que crepita numa lareira, é o uivar do vento entre as enxárcias de uma nave, são os latidos dos cães que alertam os caçadores, é o rebentar do mar nas rochas alcantiladas de uma penedia, é o manso pranto de alguém em luto pelo ente querido…

   E então enchemo-nos de ruídos, de fantasias, de frases soltas…de histórias por contar.

   Respeitamo-nos, e sabemos que podemos contar com o respeito de quem partilha connosco a sua vida, com a compreensão das pessoas que amamos e que nos amam.

É tudo uma questão de uma assumida separação de águas, como as de dois rios que correm paralelos até à foz sem que os seus leitos se misturem precocemente.

   E a vida vai correndo na bonomia da aceitação deste convívio inteiramente isento de crueldade. Quem nos conhece, aceita-nos como somos; às vezes evadidos da pre-sença física que prova que ali estamos, mas só na aparência, porque o nosso espírito voga quiçá por outras latitudes onde até os horizontes são quiméricos.

Um pouco mais, sobre a mulher…

Carolina Ramos

O assunto mulher é inesgotável! Tenho netas e bisnetas e penso nelas, em particular, ao abraçar o tema.

Nós, mulheres, que ao mundo já mostramos do quanto somos capazes, fazendo jus às nossas reivindicações, precisamos reconhecer estar na hora de dar um passo atrás! Ponderemos:

 Desde a conquista do direito de votar, já avançamos muito, e, por certo, muito ainda nos resta a conquistar, contudo é preciso reconhecer que, em alguns pontos, fomos além do pretendido! Reitero o que já disse publicamente, há algum tempo, em palestra sobre a mulher, ante um auditório plenamente feminino.

 Esse “além”, avançado após a corrida em prol das nossas justíssimas reivindicações, absolutamente não nos foi útil! Um pequeno passo atrás, em nossas andanças, não faria mal algum à conquista de direitos e nossa feminilidade até muito se beneficiaria com isto! Em virtude desse extrapolado avanço, nós, mulheres, de certa forma nos descaracterizamos um pouco, ultrapassando, por vezes, limites do bom senso. Exemplo: – Se a mulher atual conquistou seu merecidíssimo “lugar ao sol”, isto não quer dizer que se deva desnudar perante o “astro rei”, ou quase! Se vivemos numa cidade praiana que, idealisticamente, oferece o que há de melhor para repouso, diversão, inspiração, etc., nossas praias, a exemplo das demais do mundo, mercê desses avanços, transformam-se em vitrines abertas que exibem joias da beleza feminina, sem isentá-las da cobiça do sexo oposto.  Ou será justamente isto o que a mulher pretende, com essa exibição pública … alçada ao exagero?!

Negando-me a ser retrógrada ou puritana,  o que, no presente, até seria desculpável, asseguro, com apoio em longa vivência, que se conscientemente abrandada a atual exposição feminina e também um pouquinho contida a avidez de tentar ombrear-se, ou até sobrepujar, certos valores masculinos, haveria, hoje, um pequeno retrocesso altamente benéfico à mulher, que recuperaria valores perdidos, firmaria as bases da sua feminilidade e ainda o respeito daquele que a venha cobiçar, ou melhor,  amar como  de fato ela merece!

Os homens não precisam de iscas! Eles chegam em cardume, a valorizar muita coisa mais importante que simples atrativos físicos exibidos às escâncaras a céu azul! Esse mesmo céu azul, que, aos poucos, se tornará cinzento, dando a tais atrativos, de forma implacável, o brilho efêmero de um relâmpago!

  A dignidade de um homem não exige que a mulher perca a sua, para conseguir chegar até ela. Não é preciso ir tão longe!

Pensemos nas gerações vindouras, que, uma vez chegadas a este mundo, se defrontarão com portas e janelas escancaradas! Que saibam usá-las com critério, sem ousar avançar ainda mais, expondo-se ao risco de encontrá-las fechadas, quando tentem um retrocesso, tão logo reconhecidos os limites ultrapassados. Pode não haver caminho de volta!

            O homem, quando realmente quer, sabe como conquistar a mulher que almeja. Foge daquelas que, velada ou ostensivamente, leiloam predicados em hasta pública. Estas, só interessam por pouco tempo – festa para os olhos, não para o coração!

            Para a mulher, nada melhor que ser a escolhida! E, dentro da mais autêntica feminilidade, ter o direito de aceitar, ou não, quem a escolheu – quem sabe, até por ela já escolhido, como na maioria das vezes acontece.

Com base no amor e no respeito mútuo, formam-se pares felizes, que embarcam seus sonhos num mesmo navio, livres de amarras, prontos para, ao aceno do amor, iniciarem aquela viagem, nem sempre fácil, fiéis ao lema, “até que a morte nos separe”, ou, tão somente, ao sabor do “infinito enquanto dure”, como poeticamente dizia Vinícius. O que é sempre lembrado, quando alguém, consciente, pretende falar de amor.

1 comentario en “CRÓNICAS, ARTIGOS E OUTROS TEXTOS”

  1. Ika oliva – Gostei demais de tua Narrativa! Do início ao fim, concordo com tua explanação! Parabéns!Lembro
    de uma amiga, pintora, que veio de outro país e se estabeleceu na minha cidade… não falava a nossa língua.
    Artista consagrada… se associou ao grupo de artistas do qual eu era secretária. Ela enviava e-mails e eu tinha
    que adivinhar a linguagem que ela «tentava» produzir . Então eu devolvia cada e mail, traduzindo em português,
    o que ela «queria me dizer» durante muito tempo.
    Ela passou a ser minha maior amiga…tempos depois ela me segredou : – Cema eu adoro você! eu perguntei
    – Como assim? E ela esclareceu:
    -Quando cheguei aqui , eu não sabia falar tua língua e, devolvias todos os meus e-mails traduzidos, aprendi maior
    parte contigo! Isso nunca vou esquecer!
    Hoje Somos amigas irmãs…falando a mesma língua e a mesma linguagem…
    Falei demais,Ika mas concordo com você: Amizade não tem preço: É , e pronto!

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