CRÓNICAS- ARTÍCULOS Y ENSAYOS EN PORTUGUÉS

Todo lo publicado en esta revista esta sujeto  la ley de propiedad intelectual de España” Ley 21/2014 de 4 de noviembre, por la que se modifica el texto refundido de La ley de Propiedad Intelectual, aprobado por Real Decreto  Legislativo 1/1996 del doce de abril, y la ley 1/2000, de siete de enero de Enjuiciamiento Civil” todos los derechos están reservados .Luna Sol Internacional está registrada ante la propiedad intelectual de España y el copyright de Estados Unidos

 

« Não há machado que corte / A raíz ao pensamento
Não há morte para o vento / Não há morte…»

Saibam por mim

Ser escritor, ser poeta, é fruto de uma incontornável vontade de partilhar sentimentos. Ainda que estes sejam fruto de situações ficcionadas, projectam-se no nosso íntimo envolvimentos e reacções que não conseguimos guardar só para nós; queremos que outros os sintam e os entendam, enquanto seres complexos, marcados por virtudes e defeitos.
Digamos que essas experiências existenciais que imaginamos, acabam por ser afinal emanações de um carácter posto à prova, quiçá assumidas lições de vida, que nos propomos sirvam também a terceiros com os quais estabelecemos empatias e cumplicidades através da escrita.
Tomando o meu caso como exemplo, à medida que crescia na vida e ia apreendendo com as experiências próprias, e de outrem, fui alargando o leque temático das minhas criações literárias, procurando, através de uma linguagem descodificada, e usando vocábulos e metáforas não demasiado rebuscados, encontrar sempre um fundamento moral, pois não me revejo nesta crescente ausência de valores, que estão a levar à desumanização dos relacionamentos numa sociedade que, pela sua natural evolução, devia seguir no sentido inverso. E isto é irracional. 
E nós, os que nos movemos em determinado circulo de influências por via da comunicação que estabelecemos, temos o dever de contribuir para tentar reverter a situação, sem caír em infundadas tentações preten-ciosas, e completamente irrealistas, e, por isso mesmo eivadas de retóricas sempre polémicas, que há que evitar.
Não quero com isto dizer que a vida e a conduta de cada um tem de ser perfeita, irrepreensível, pois que nem a minha o foi, ou é, mas, em vez de criticarmos negativamente tudo e todos, teremos de fazer um esforço para, ainda que na nossa limitada medida, tentarmos melhorar este estado de coisas.
Eu resolvi fazê-lo pela comunicação escrita, em prosa ou em poesia, e, se um dia me vir privado de poder partilhar – através dela – os meus pensamentos e sentimentos com os meus leitores, sei que terei ao menos a esplendorosa abóboda celeste para sentir que a partilho convosco, com o encantamento de sempre, porque é sob esse manto de Deus vistoso, formidável, é nessa catedral imensurável, que todos nos sentimos verdadeiramente irmãos.

Eugénio de Sá

A IMPORTÂNCIA DE UM ABRAÇO

Ary Franco (O Poeta Descalço)

Em tempos idos era eu gerente da sucursal de uma empresa seguradora, em Belo Horizonte. Estressado pela responsabilidade imposta pelo cargo e por metas a serem alcançadas, sofri por quatro meses com o distúrbio de uma glândula que me provocava sudorese em excesso, independente do calor ou frio que estivesse fazendo.
Minhas mãos estavam sempre suadas e por mais que as enxugasse em lenços preventivamente levados comigo, permaneciam úmidas.
Meus contatos profissionais eram muitos, diariamente, e ficava constrangido, na hora do aperto de mãos, nas apresentações ou reencontros de clientes.
Então, como recurso estratégico, ao ver mãos estendidas para mim, ignorava-as e partia para um abraço, acompanhado de “Muito prazer, Ary Franco”. Neste período realizei bons negócios e fiz grandes amigos, como nunca dantes.

Depois de “curado”, com tratamento médico adequado, resolvi continuar com meus, agora espontâneos, abraços. Ao meu gabinete de trabalho eram conduzidos os funcionários novos, contratados pelo RH, para me serem apresentados. Desde o contínuo, até os mais graduados, eu levantava-me da cadeira, contornava minha mesa e abraçava o recém-chegado, dando-lhe as boas-vindas. Era eu o gerente “mais legal do mundo!”.
Certa feita o gari que varria a minha rua, tocou o interfone e perguntou-me se eu poderia assinar na “listinha de Natal”. Peguei uma nota (não me lembro mais do valor) e fui ao portão apor meu nome na lista. Ele retirou a luva da mão direita e estendeu-a para mim, desejando-me um Feliz Natal. Ignorei aquela mão e abracei-o, retribuindo os votos. Meio acanhado ele disse-me, durante o abraço: “Doutor, estou sujo e suado” Eu respondi: “Perante Deus, talvez eu o esteja mais que você!”.
Daquele dia em diante, minha calçada era a mais bem varrida e limpa de todas e era na minha casa que ele mitigava sua sede nos dias mais quentes sob o sol causticante que dificultava a exaustiva tarefa de seu trabalho.
Então, aí ficou para mim uma lição de vida, transformando uma adversidade em um grande aprendizado, certamente ministrado pelo nosso Deus Criador.

3 comentarios en “CRÓNICAS- ARTÍCULOS Y ENSAYOS EN PORTUGUÉS”

  1. Meus sinceros agradecimentos à conceituada revista LUNASOL pela publicação de minha singela crônica, ladeado com meu amigo/irmão/mestre Eugénio de Sá.

    Responder
  2. Hoje escrevi diferente e espero que os que me lêm me perdoem a inicitiva. Fundamentei-a nalgum desencanto que venho sentindo com esta «evolução» da sociedade a que assitimos, impotentes e tristes. Deixei um apelo; o do que cada um de nós contribua, como souber e puder, para tentar melhorar este estado coisas. Que me seja perdoada a ousadia.

    Responder
  3. As palavras que brotam do alma, ficam desenhadas no céu do inolvidable.
    Felicito-os por sua maravilhosa musa que os inspira para deleitar aos leitores.

    Cristina

    Responder

Deja un comentario