ARTIGOS E OUTROS TEXTOS CORONAVIRUS

 

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Abril 2.020  nº 30 (edición especial Coronavirus)

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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO LUSA

COLABORAN: Rubens Camargo Siqueira….Eugénio de Sá…Santa Catarina Fernandes da Silva Costa…Eunate Goikoetxea…Cema Raizer…Carolina Ramos…Marisé Toledo 

 

APRENDENDO A VIVER
Por: Dr. Rubens Camargo Siqueira

Estamos vivendo uma grande oportunidade mundial com relação ao coronavirus. Muitos dizem que o coronavirus é uma coisa do mal, construído pela tecnologia, uma coisa demoníaca ou talvez mais uma teoria da conspiração.
Mas eu sempre enxergo o dedo de Deus intervindo na humanidade. Deus sempre interviu na história quando o ser humano estava necessitando de um corretivo, de uma mudança de rota.
Hoje vivemos uma humanidade distante de Deus, distante dos outros e distante de si mesma. Uma humanidade que por perder Deus perdeu seus valores e o sentido da vida. Hoje o suicídio é uma endemia , segundo a organização mundial da saúse (OMS) Cerca de 800 mil pessoas acabam com suas vidas todos os anos no mundo, o que equivale a uma morte a cada 40 segundos.
O ser humano tornou-se escravo de um sistema «maior» onde a velocidade o impede de contemplar a paisagem e a si mesmo, ou seja, é como alguém dirigindo um carro em alta velocidade e não pode olhar para o lado devido ao risco de uma colisão. É o homem que corre atrás do vento, atrás do nada, segundo o livro de Eclesiastes.
Hoje o egoísmo e a centralidade em si mesmo são a lei maior.

A verdadeira identidade se perdeu e foi substituída por bonecos criados para serem mostrados nas redes sociais e foi então desenhado um novo ser humano, um ser humano virtual sem carne e osso , que ocupa a maior parte do tempo e o espaço nessa sua nova identidade sem existência real em si.
O coronavirus está obrigando o ser humano não a uma quarentena mas sim em uma literal quaresma.
O homem virtual está sendo obrigado a conviver com os familiares, conviver consigo mesmo e se preocupar com os outros, ou seja, ser altruísta ao contrario de egoísta que vive para o próprio umbigo.
É o momento de ressignificar os verdadeiros valores.
O que é realmente essencial e o que é uma fábula que nós mesmos criamos para sermos aceitos por um mundo que predomina o utilitarismo e o descartável.
Tornamo-nos também descartáveis como qualquer material, afinal de contas , que diferença existe entre um homem sem Deus e um Robô? Se continuarmos assim obviamente seremos substituídos (evento já muito bem estudado e previsto pela inteligência artificial e denominado singularidade tecnológica)pois o Robô também não acredita em Deus e será muito mais exato que nós, pois além de um banco de dados muito maior que uma enciclopédia não
está sujeito a depressão , murmuração e crise existencial.
É tempo de despertar, de sair da hipnose de uma vida vazia, muitas vezes precipitada em um abismo por falta de amor.
Com o coronavirus nós podemos até morrer, mas foi com coronavirus que o ser humano pós-moderno começou a aprender a viver.

Vislumbres de morte / esperanças de vida
Um Apontamento de Eugénio de Sá

Logo que nos levantamos da cama damos início a um sem número de gestos que fazemos maquinalmente ao longo do dia, até que se fecha o ciclo de mais uma jornada neste caminhar pela vida em isolamento. Em quarentena, tudo volve rotina; deambulamos de sala em sala, e o único contacto com o exterior é o que temos através das janelas, já que uma ida à varanda aberta à rua é já por si uma “aventura”. No que me diz directamente respeito, esforço-me por inventar uma agenda, mas em vão, os noticiários a cada hora tornaram-se um vício… mórbido e deixam-me cada vez mais desanimado e triste.

Neste quase mês e meio que já levamos a ouvir falar do novo Coronavírus, o denominado CODIV-19, tornei-me, como muitos de nós, quase que um eremita na minha própria casa. Deambulo sem grande convicção dentre os vários cómodos, e uma vez por outra lá vou até à varanda que dá uma visão da rua e das poucas pessoas que vão passando. Até um ou outro animal que por ali anda ajuda a distrair-me dos tristes pensamentos que teimosamente se instalaram em mim. Aliás, ser-me-ia impossível não pensar nos acontecimentos terríveis que as televisões transmitem, com ligeiras interrupções para passarem a pouca publicidade que alguns mais teimosos e perdulários anunciantes persistem ainda em pôr no ar, já que a economia, na sua maior parte, está  paralisada ou a “meio gás”.

São notícias impensáveis até há bem pouco tempo, falam de estatísticas de gente contaminada, de gente que morre aos milhares, vítimas desta infecção viral que se tornou uma Pandemia à escala mundial. E os locutores e repórteres de serviço – alguns a trabalhar a partir das suas casas – vão-nos mantendo sempre actualizados sobre o mapa da desgraça global. Vive-se com medo; com medo adormecemos e com medo acordamos. E eles falam de tudo isto de mistura com os respectivos efeitos nefastos para a economia e os efeitos desta na vida dos cidadãos, a actual e a vindoura para os que sobreviverem. Como se agora nos importasse saber da quebra das exportações, da desistências das reservas dos turistas, ou das oscilações das bolsas. Parafraseando as palavras Papa Francisco pronunciadas há dias em plena  Praça de S. Pedro dramaticamente vazia: “é como se agora estivessem em suspenso todos os nossos projectos e prioridades”. A que eu acrescentarei: os nossos e os da sociedade em geral.

Resta-nos confiar-nos aos milhares de homens e mulheres, profissionais e voluntários, que, mesmo exaustos, continuam generosamente a contribuir, no terreno, para manter activo o nosso Sistema Nacional de Saúde, os nossos Bombeiros, a Protecção Civil, e até militares dos três ramos das Forças Armadas, que já montaram numerosos núcleos de tendas gigantes para ampliar a capacidade hospitalar, disponibilizando os seus médicos e enfermeiros que trabalham activamente como valioso reforço aos seus colegas civis. Esses, e os empregados necessários para manter em funcionamento algumas industrias e organizações consideradas imprescindíveis. Numa palavra; todos estão mobilizados para ajudar a minorar os efeitos do imparável avanço da infecção que já se estende à maioria dos países em todos os continentes.

Entretanto, os povos reconhecem o esforço de toda esta abnegada e empenhada gente e não lhes regateia os merecidos aplausos, pois também eles têm famílias e os riscos que correm são de monta.

Sabe-se que na vizinha Espanha o que por lá se passa é ainda mais grave e aproxima-se rapidamente do impressionante número de vítimas mortais da martirizada Itália. Números sempre em crescendo, e pormenores que nem me atrevo a trazer a estas linhas.

Vamos, pois, esperar que, com a colaboração de todos nós, cidadãos europeus e de todos os quadrantes geográficos, se chegue o mais rapidamente possível ao pico da Pandemia, a partir do qual se entrará numa fase de inversão dos riscos de contaminação, diz-se.

Assim Deus nos ajude.

As solidões com que convivemos
Por  Eugénio de Sá

Normalmente falamos de solidão quando queremos significar a sensação de isolamento que nos invade.

Há dois tipos de solidão; a que ocorre por circunstâncias a que a nossa vontade é alheia, e a outra, aquela a que nos obrigamos quando e sempre que queremos reflectir ou reviver, a sós, memórias de momentos que foram caros.

A propósito desta última, que muitos de nós cultuamos, escreveu Rainer Maria Rilke: “Uma única coisa é necessária; a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante horas, é a isso que é preciso chegar. Estar só, como a criança está só”.

A propósito, lembro que escrever é um acto de solidão, mesmo que o escritor esteja envolvido por um ambiente de ruído, ele consegue isolar-se e assumir uma solidão interior propícia à criação.

As solidões, as que consideramos necessárias e contemplativas podem ser também libertadoras, porque a solidão, é inerente ao ser humano: nós nascemos sós, atravessamos nossa vida como um ser destacado, e finalmente morremos sós.

As solidões impostas machucam, maltratam, mas devemos entender que elas nos facultam a liberdade de reflectir sobre nós mesmos e a nossa relação com os demais. É da solidão do ser que brota a purga do que é estranho à essência do ser humano.

Pode, pois, concluir-se que a solidão pode ser (ironicamente) boa companheira; é como se nos víssemos reflectidos num espelho, duplicados de nós mesmos. Solidão amiga, conselheira, e tantas  vezes, necessária ao nosso equilíbrio interior.

CORONAVIRUS
Por: Santa Catarina Fernandes da Silva Costa
29 de março de 2020

A Terra geme. Mais uma vez ela geme entre tantas e tantas vezes na história da sua existência! Ela foi formada em um só continente, conhecido como Pangéia, isto é, uma massa continental (Bíblia , Genêsis 1. 9 e 10). Devido à degradação da civilização Adâmica foi destruída pelo Dilúvio, uma vez que Deus não suportava mais a perversidade humana.

Com a nova civilização a partir de Noé, nada mudou, pois a Terra continuou sofrendo com a degeneração social.  De um só continente surgiram três: Europa, Ásia e África, e atualmente considerados seis : Europa, Ásia, África, América, Antártida e Oceania. Com certeza essas rachaduras não foram provocadas com carinho! Tantos seres foram engolidos pela terra em terremotos, aniquilados e apagados por completo, sem deixarem história e rastros.  A Terra se retorce e se refaz, se transforma e o homem continua igual preso ao seu pecado original.

Lá fora a terra gemia. No entanto, no exato momento da escrita, ela deixou de gemer e está recebendo consolo do céu. Lágrimas espessas descem e o dia se fez noite, como se vestisse de luto. Chora pelos mortos que terá de sepultar, chora pelos que gemem nos hospitais, nos lares, sem atendimento e chora pelos que carregam o pavor nos olhos. Chora pelo isolamento das nações que fecharam suas fronteiras, chora pelas pessoas trancafiadas em suas casas, impossibilitadas de tocarem seus entes queridos, vivos e não vivos, que se vão sem um adeus!  A terra geme de todo lado enquanto soluça o céu dentro de nuvens negras! Nenhum corpo vivo sabe se ele será o próximo a ser tombado! Terra e céu se abraçam e choram.

A maldição chegou entre nós e pegou o mundo de surpresa. O Todo Poderoso parou os dominadores das nações e ninguém pode a Ele se opor, a não ser orar, buscar de joelhos, tocar no solo e pedir clemência. “Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo o joelho, e toda língua dará louvores a Deus. Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” ( Romanos, capítulo 14, versículos 11 e 12).  Alguns fiéis entre frases soltas e trêmulas ainda dirão “Todo o joelho se dobrará, toda língua confessará, que Cristo Jesus é o Senhor”.

A morte passeia livremente para buscar corpos aterrorizados! Vai levando o sopro sagrado, um dia nas narinas do homem avivado. As criaturas presas aos seus pertences não dão conta que a vida que elas julgavam possuir é retirada. Mero engano, fomos sacudidos pela ira de Deus, pelo julgamento, que Ele fez durante milênios. A Bíblia nos conta das grandes sentenças de maldição nas civilizações antigas, começando pelas pragas do Egito.  As nações que dominaram o mundo antigo eram castigadas pelas tempestades, pelas pragas, pela fome e pela espada e eram quase todas eliminadas.   Subia ao céu um clamor do povo que amava a Deus e esse clamor era atendido.  Sempre ficava um remanescente. Tudo se repete, nada se cria e tudo que foi, ainda é e será.

Jesus veio a esta Terra, foi perseguido, impedido de entrar nas cidades, pelos desertos orava e dormia, pregava e operava milagres. Desceu dos céus para ser sacrificado numa cruz! Era o seu destino.

No entanto, antes de voltar ao Pai, já ressuscitado, junto aos seus discípulos soprou neles o Espírito Santo. Esse sopro o coronavirus não poderá vencer! Esse soprar de Jesus é a nossa chance de vida eterna! Nossa Pátria não é aqui e sabemos que tudo está fadado ao fim desta terra corrompida pelos homens sedentos de poder, que se digladiam mesmo no meio da miséria humana, onde seres expiram entre lágrimas!

Quem restará só o tempo dirá. Quem ficará, só Deus tem a resposta! A varredura continua e Deus passeando entre os homens, fazendo a Sua colheita e traçando o nosso destino.

As vozes sobem, o clamor toca o céu, as lágrimas ainda caem na noite escura. Deus, tenha piedade da humanidade!

LEVAMOS DIAS DE ISOLAMENTO
Dra. Eunate Goikoetxea

Depois de 20 dias de isolamento cada um teve que improvisar a sua própria Arca de Noé. Nela colocamos tudo o que somos, alguns navegam por mares agitados, outros por rios um pouco mais tranquilos. Minha mãe, quando havia problemas dizia… «Sempre que chovia muito logo viria o sol a seguir»,  e tinha razão… Por isso, quando este dilúvio passar, o que vai acontecer é que sairemos de nossas casas até à superfície como Noé saiu da sua arca, quando finalmente parou de chover.

O que todos teremos que fazer é refletir sobre o mundo que construímos e sobre como este terá que mudar a partir de agora…
Sabemos perfeitamente que é verdade essa presunção que tínhamos todos de que não íamos por bom caminho, essa incapacidade mental para parar e para mudarmos os nossos hábitos, parar com essa comercialização das sensações para nos dar um prazer ilusório, esse individualismo narcisista, esse desprezo continuado nos pequenos detalhes, esse distanciamento afetivo com os que mais nos importamos, esse desprezo pelo velho, porque já não é útil, essa rejeição visceral para nos aborrecermos criativamente sem sermos produtivos, essa riqueza tão pobre que se limita ao quanto temos, essas ilusórias noitadas com que tanto nos confrontamos,  e essa soberba de vida ignorando a vulnerabilidade para a doença e para a morte.
Vivemos em uma espécie de corrida constante que não nos permite parar e perguntar para que corremos ou em que direção. Agora temos a oportunidade de fazer essa paragem técnica, de refletir, de olhar para dentro para nos conectarmos conosco próprios, de conhecer melhor aquela pessoa que nos devolve o reflexo dos espelhos. Graças a tudo isso, podemos fazer uma avaliação de nossas vidas, pois no final entendemos o que significa estarmos todos conectados, todos unidos, e nos darmos a oportunidade de construir um novo mundo desde o início. Porque, no fundo, todos nós sabíamos que o mundo tinha que mudar! Chegaremos a terra firme como sempre se chega, só de nós depende escolher quais as mercadorias que ficam a bordo e quais as iremos fazer desembarcar.
Já falta menos….

APONTAMENTOS
Cema raizer

O tempo passa lento… sinto ausência da alegria, nesses dias  amargos…
Fecho os olhos e meu pensamento divaga pelas ruas vazias…
e o pensamento busca a esperança e traz-me imagens ante as quais me inclino a pensar positivo!
Olho em meu entorno e penso no tempo que passa…
O tempo… fico perplexa diante dos momentos, das horas e dias que se tornam meses… que vão e que vão…
Mas cumpro meu dever de prevenção perante a minha vida, e a de todos!
Estou só, diante do silêncio, e perplexa diante de tudo, mas lutando!
A vida é nosso bem maior.
No meu sonho de acordada, ainda insiste o brilho da fé e da esperança …
Os pássaros voltarão a cantar para comemorar a vida!
E um sentimento maior nos manterá  unidos!

CORONA
Carolina Ramos
Brasil

             Quando algo de mal nos chega, tudo o quanto anteriormente nos encantava os olhos se descolore e desaparece, eclipsado pela  nuvem negra que se abate sobre nossos sentidos.

         E foi justamente isto o que aconteceu, quando ele chegou. Primeiro,  apenas um rumor desagradável, difícil de ser aceito ante as proporções alarmantes com que era divulgado. Menos feio, apenas porque ainda estava bem longe, muito embora, penalizados, o repelíssemos, solidários aos que sofriam sob seu poderio. E… de longe, ainda, a terrível ameaça  já incomodava.

         Surpreendente, a pressa com que esse tal maldito vírus se espalhou por todo lado, vencendo distâncias, saltando oceanos, galgando montanhas e conquistando o espaço com aquela cara de bola espinhenta, rotulada com eufemismo de corona vírus.

         Vindo da China, o intruso não tardou a aqui chegar, pronto para arrasar e criar confusão – como sempre faz por onde passa.

         Não bastassem as vidas que traiçoeiramente rouba, chega disposto a  separar famílias, por antecipação confinadas, qual pássaros medrosos, engaioladas em núcleos. Pássaros sem esperanças de voo próximo, que perdem o gosto de cantar, ante o sufoco de imaginar que o indesejável pode bater-lhes à porta a qualquer momento. Enquanto isto, bens duramente conquistados diluem-se, ante a inatividade forçada e a Nação brasileira puxa  fôlego, exigindo mais oxigênio.

         E o que virá depois da crise? – Mais crise é claro! Desemprego, carências, desarmonias, pilhagens, violência… Sabe-se lá o que virá por aí – insuflado pelo desespero e incrementado pela astúcia dos que buscam sacar vantagem até da desgraça alheia.

         – Indiferença… ou castigo de um Deus cansado?!

         O que recrudescerá, com certeza, é a insaciável sanha dos oportunistas, ágeis em traições, litígios, desafios e manobras vis, que não mais conseguem ocultar a ânsia pelo poder, gulosamente nutrida há largo tempo e difícil de ser camuflada porque exala vaidade e deixa extravasar  o ranço da ambição deslavada, coisas que já não conseguem passar despercebidas ante os  desencantados olhos de um povo sofrido.

         Esta é uma visão negativa do que é possível          temer dentro de um prognóstico plenamente viável e bastante sombrio.

         Contudo, superando o pesadelo, pode ser, também, que algo surpreendente aconteça e a desgraça não consiga instalar por aqui todo o seu poderio destrutivo.

         E como isto aconteceria? Milagre? Sim… eles ainda acontecem, já que a misericórdia de um Deus – ainda que cansado – pode ser mais elástica do que os abusos que suas inconsequentes criaturas são capazes de ousar.

         Assim sendo, pensamento positivo: – Torçamos para que a cura, providenciada a toque de urgência e apoio da bênção divina, chegue, mais cedo do que esperamos, aproveitando este final de verão.  Rumores por aí andam a injetar esperanças.

         Se assim for, mais rápido do que se supõe, o pesadelo há de ter fim, sendo posto a correr esse tal vírus traiçoeiro, antes que o inverno lhe estenda a mão solidária e o confinamento forçado nos leve à falência.  

         Caso esta abençoada cura aconteça… quem sabe até mesmo aqueles mais renitentes filhos deste sofrido Brasil hão de vibrar, emocionados, esquecendo divergências e picuinhas  a celebrar, juntos, a vitoriosa ascensão da Pátria comum, que, afinal, há de se situar entre as mais conceituadas Nações mundiais, ganhando o  respeito e o lugar que há muito merece.

         – Que assim seja!

MARTA, MARTA, TUA CASA TÁ ARRUMADA?
Marise Toledo

Tem café com bolo de fubá?

E foi assim que Marta, juntamente com todas as pessoas do Planeta Terra, começou a andar de um lado para o outro – dentro de sua casa – organizando o que já estava organizado, pois sua casa era impecável: o alumínio servia de espelho, o piso encerado e desinfetado com álcool em gel, a roupa enxaguada na água quente, a dispensa cheia e sempre achando que precisava tirar o pó dos móveis para que ninguém viesse a pensar que…

As pessoas daquele Planeta não tinham realmente tempo para se reunirem em família, tipo assim – fazer uma refeição juntos na semana. As crianças precisavam estar preparadas para o futuro e saindo do curso de inglês iam para o Kumon, depois natação, patinação, equitação, fast food. Idosos com seus cuidadores e bebezinhos com suas babás – tudo calculado para caber naquelas 24 horas tão justas, tão desatualizadas.

Até o dia em que um vírus de olhos rasgados começou a rondar o Planeta Terra e rodopiar na mente daquelas pessoas. Parecia uma Babel: álcool em gel, máscaras, luvas, papel higiênico, limão, gengibre, rua não, fica em casa, reza assim, reza assando e cozinhando. Se espirrasse estaria condenado a arder no mármore do inferno!

Só por Jesus!

E foi a conclusão a que Marta chegou: Jesus está voltando! O mundo vai acabar! E eu, eu tenho ainda tantas coisas que gostaria de realizar…

Eu até penso que está na hora de ter um filho…

Não, não estou preparada para a volta de Jesus, disso tenho certeza.

_ Marta! Marta!

Oiiii, de onde vem esta voz?, exclamou Marta assustada.

Marta e todos os outros precisavam entender que vinham levando a vida na agitação, na ansiedade e que era chegado o momento de olhar devagar para suas vidas, para as pessoas à sua volta, para o Universo.

Mas…tinham a liberdade de se distraírem olhando apenas para um vírus.

_ Marta! Tu te preocupas com muitas coisas e, veja bem, continue cuidando da sua casa, recebendo bem as visitas com um cafezinho e bolo de fubá, mas…não te envolvas demais, não te distraias. A vida passa, o tempo passa.

Hoje te dou uma palavra: serenidade.

E foi assim que Marta, se recolheu em sua casa, começou a ouvir seu coração e a dar valor às coisas simples, e um pensamento novo surgiu: ainda tenho a sensação e quase certeza de que o mundo vai acabar e que Jesus está voltando; se isso acontecer, posso me adiantar e conhecer mais de perto as propostas de Jesus, assim, se de repente eu der de cara com Ele, saberei como agir, saberei do que Ele gosta. Será que Ele toma café com bolo de fubá?  Será que Ele trará a vacina pra abrir os olhos desse vírus e mostrar quem manda por aqui? Será que em sua volta Ele dará um reforço da vacina que combate a desesperança e o medo?

E Marta começou a se preparar para a volta de Jesus com brilho nos olhos e a cada dia se informava sobre os gostos de Jesus. Quer vir? Venha! Seja bem-vindo! A casa é sua – Planeta Terra é seu.

1 comentario en “ARTIGOS E OUTROS TEXTOS CORONAVIRUS”

  1. Li os textos e , o que me impressiona é o quanto importa saber, e o que não aceitamos:
    o sofrimento e a perda .
    Estar presente, mesmo estando fisicamente ausente, tentando expressar a
    sensibilidade, uma palavra de dor, um consolo, tentando entender o que nos
    é assustador e devastador… Muito importante o que li, de cada autor!

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