ARTÍCULOS Y RELATOS INJUSTICIA SOCIAL EM PORTUGUÉS

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Octubre  2.020  nº 36

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AL SERVICIO DE LA PAZ Y LA CULTURA HISPANO PORTUGUESA

 

“La injusticia, en cualquier parte, es una amenaza a la justicia en todas partes.”Martin Luther King.

 

COLABORAN. Eugenio de Sá.-Santa Catarina Fernandes da Silva Costa.-Cema Raizer

 

SOBRE A INJUSTIÇIA DA EXPLORAÇÃO DO HOMEN PELO HOMEN

Por Eugenio de Sá
Portugal

AQUI SE LEMBRA UM GRANDE POEMA PORTUGUÊS

Este poema, terá sido escrito algures nos anos quarenta do século passado, reporta-se a uma época em que os povos, mormente os que então povoavam o Portugal profundo, aqueles que conheceram a exploração mais desenfreada do homem pelo homem, os homens e mulheres que trabalhavam de sol-a-sol na agricultura, os mineiros do carvão – cujos pulmões não aguentavam mais que duas dezenas de anos de árduo trabalho – os pescadores, e tantos outros, cujo sacrificado labor era ignorado ( e até desdenhado) por quem deles se servia. 

As “mulheres que lavavam no rio”,  a quem o poeta se refere, faziam-no para elas próprias, mas sobretudo para as patroas, a troco de uns míseros cobres. Mãos mergulhadas nas águas geladas dos rios, peitos cansados dos esforços que lhes eram pedidos, forças esvaídas nessas tantas lides, que a sobrevivência lhes exigia. Muitas eram ceifeiras, e também trabalhavam na agricultura ao lado dos maridos, quantas vezes pagos à jorna, com pouco mais que vinho, azeite, pão e azeitonas, e umas poucas senhas para se abastecerem nas lojas dos patrões, onde sempre estavam a dever. 

Quando prenhas, e em fim de tempo, sem quem mais lhes valesse, pariam os filhos em pleno campo, agachando-se e recolhendo-os com as mãos calejadas pelo trabalho.

Mesmo assim, este povo era profundamente religioso e sempre cumpria todos os preceitos do culto cristão em que fora criado, porque assim os ensinavam os seus párocos, sempre dependentes da boa vontade dos senhores da terra, e por isso sempre solícitos aos seus “desejos e ordens”, raramente coincidentes com os interesses do povo. É justamente este esforçado, explorado, e enganado povo que o poeta quis imortalizar nos versos do poema em apreço.

Pedro Homem de Melo, nascido nos primeiros anos do século passado, foi um humanista e sempre se mostrou um paladino das causas mais nobres da sua gente mais humilde e genuína. Foi também um estudioso e cultor dos seus costumes e tradições, que divulgou largamente.

Como poeta, as raízes do seu lirismo mergulham na própria vivência intima e na profunda empatia e sintonia com o povo que tanto amou.

POVO QUE LAVAS NO RIO
( Deu origem a um grande fado ainda hoje cantado )
Autor: Pedro Homem de Mello
(1904-1984)

Povo que lavas no rio
Que talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não!

Fui ter à mesa redonda
Beber em malga que esconda
O beijo de mão em mão
Era o vinho que me deste
Água pura, fruto agreste
Mas a tua vida não!

Aromas de urze e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição
Povo, povo, eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso
Mas a tua vida não!

Povo que lavas no rio
Que talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não!

INJUSTIÇIA SOCIAL
Por. Santa Catarina Fernandes da Silva Costa

Para falar da injustiça social procurei a justiça. Ela se resume na retidão.   É uma característica do Criador e do Seu Filho que já existia antes da fundação do mundo. Está escrito nas escrituras sacras que na terra não há um justo sequer. No entanto encontramos em páginas milenares registrados nomes de homens considerados justos.  Abel, o primeiro a morrer por ser justo, por ter sua oferta aceita por Deus, provocou a ira e a inveja do seu próprio irmão que o matou impiedosamente. Deus perguntou onde estaria seu irmão, porque a voz dos sangues (segundo a escrita judaica); essa palavra está no plural, significando que Caim não matou só Abel, mas toda a sua descendência, a continuação da sua existência. 

Tanto Enoque como Noé eram homens íntegros, justos e andavam com Deus. Outros mais, tais como Ló, Jó, José de Arimatéia, Simeão, João Batista e José, pai de Jesus, todos considerados homens justos que pisaram nesta terra.

Isaías, um dos maiores poetas da antiguidade, um profeta que existiu há mais de dois mil e setecentos anos, um homem cuja missão era ouvir a voz de Deus e transmitir ao povo a sua mensagem, no seu livro deixou claro a definição da justiça e as consequências da injustiça. Ele registrou que Deus havia dado a ele a língua dos eruditos, a poesia em forma de paralelismo, a técnica que só foi descoberta após mil e setecentos   e cinquenta anos depois de Cristo, pelo Bispo Robert Lowth. Deus usava essa técnica literária que nem os judeus e os gregos entenderam. Ela adormeceu nos milênios. Pois bem, Isaías define a nossa justiça: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo de imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como um vento, nos arrebatam”. Quantos profetas morreram por falar da justiça e da injustiça social. Dizem os estudiosos que Isaías foi serrado ao meio. Cuidar da viúva, dos órfãos, dos pobres, dos oprimidos são princípios básicos que costuram os milênios. Não escravizar, resgatar, levantar o cansado e aflito, o necessitado, são vozes que ecoam desde o sempre.

As nações se digladiavam desde o início e assim continuarão. Nem a parada obrigatória que a peste mundial provocou, trancafiando as pessoas e as colocando num canto da sala para pensar, melhorou o coração humano.  Esse mesmo profeta citado registrou que o mundo todo pararia a as nações tremeriam. No entanto vemos ainda pessoas inescrupulosas tirando proveito da situação desastrosa que vivemos. Mas a vida é vento! Mesmo sabendo que poderá ser o próximo a tombar, na terra ser depositado, muda o comportamento e olha ao necessitado.

Aqui é o lugar da injustiça social, porque o homem é injusto pela sua própria essência. Ninguém pode se igualar ao Justo! A imperfeição nos dá condição de sobrevivência. Aqui reina a mentira, a hipocrisia, o egoísmo, a troca de favores, onde se vendem até votos e não há espaço para que a justiça, mesma considerada um trapo de imundícia prevaleça.

Acompanhamos no mundo, por intermédio da mídia, crianças, idosos, adultos jogados pelas ruas, pelos desertos, pelos mares, em embarcações que nem sempre chegam em terra firme, totalmente abandonados à própria sorte, enquanto reuniões de alta corte, entre talheres dourados e vinhos caros, ditam normas que jamais atingirão o bem comum da humanidade.

O opressor cada vez mais faminto fecha o cerco, o mais forte esmaga o fraco, crianças continuam pelas ruas abandonadas e desprezadas, usadas como objetos de prazer e de atos cruéis praticados por feras humanas.

As nações se curvam, são vencidas pelo cansaço e os povos esmagados, empobrecidos e assustados, a tudo acompanham, calados.
Essa injustiça social um dia terá fim. Ai daqueles que contribuíram com seus atos insanos e nada fizeram para o seu próximo, o seu irmão!
Somos um corpo só girando no espaço, como se fôssemos um só coração.
 Cuidado, não pisem no seu próprio coração.   

Fechando o texto da injustiça social:
Provérbios 14: 32- 35  “ Pela sua malícia é derribado o perverso, mas o justo, ainda morrendo, tem esperança.  No coração do prudente repousa a sabedoria, mas o que há no interior dos insensatos, vem a lume. A justiça exalta as nações; mas o pecado do ímpio é o opróbio dos povos “
15 de outubro de 2020

LUZ
Por: Cema Raizer

Sempre buscamos a Luz! Não sabemos se está, oculta nem onde e como, procurar a Luz. Muitas vezes paramos no meio do caminho…
Nos dispomos a renunciar a essa  busca que parece eterna! Subir, descer, parar ou agir! Ás vezes, felizes queremos seguir…Recuamos!
Mas muitas vezes fazemos a nossa parte, e parece tão mínimo esse nosso máximo!  Na Luz da Justiça Social tentar desfazer a injustiça!
Mesmo que, a verdade, nos pareça algo impossível: Doar, seria atitude lapidada… Egoísmo é que é brutal! E Sustentar apenas a mágoas,
conflitos ou frieza que nos cercam! Isso nada resolve! Silenciar, na falsa paz de espírito, faz esquecer o afeto pelos seres!
isso dói, pois não é possível fingir o que é óbvio, pois assim, aumentará o egoísmo, o desapego e o sofrer… A indiferença destrói os sonhos.
No silêncio nada escapa aos pensamentos!  Meditar! Tudo fica muito claro: Luz que mostra a vida como é! Nos faz saber que há sempre a
maneira de repartir, reconciliar, ter fé e esperança!

Na escuridão… olhos fechados, sentimos o que o obvio não nos permite ver: ouvimos sons e palavras guardadas à sete chaves, na mente!
E assim se faz sentir o «Amai-vos uns aos outros!» Nessa verdade não há ilusão: «Justiça Social é essencial!» Verdadeiramente sábio é o entendimento do que seja  amor e justiça!
Caridade faz parte do amor… uma força intensa e transformadora… Não podemos fugir da verdade! Silenciar é consentir uma dor eterna!
Não encontramos solução, cruzando os braços!  Temos que conjugar o verbo amar:  É assim a luz do bem, que está dentro de todos nós…  Quando fazemos o que é  justo… é essa a LUZ … Transcende!!!

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